Melhores de 2018: Categorias por Gênero

Hora de abrir os trabalhos dos Melhores de 2018, e vou começar de cara anunciando as inevitáveis mudanças de formato. Em primeiro lugar, se ainda não o fez, confira a lista de jogos elegíveis – que mal chegam à casa dos 20 – e ficará claro que não posso manter o mesmo critério de anos anteriores que gerava “subcategorias”; não joguei coisas suficientes para ter pelo menos cinco concorrentes na imensa maioria delas. Assim, o que temos dessa vez é simplesmente quatro categorias descartadas por falta total de indicados: Estratégia, Horror, Puzzle/Exploração e VR.

Entre essas, vale destacar dois casos. A julgar pela recepção da crítica a diversos jogos, 2018 foi o melhor ano para a Realidade Virtual até então – especialmente a do PlayStation – mas eu me senti tão imerso em Monster Hunter que a preguiça de usar o PS VR foi grande demais. O segundo é que os leitores de longa data devem se surpreender com não ter jogado nada de Horror, um gênero que sempre gostei tanto, mas… Acho que enfrentar os bichos mais fortes de Monster Hunter, viver alguns trechos de Detroit: Become Human e encarar a solidão no mar alienígena de Subnautica supriram bem a vontade de sentir medo e tensão em jogos, mas como não consideraria nenhum desses sequer próximo do gênero Horror… Paciência.

Além disso, como já adiantei no artigo O melhor de um 2018 monstruoso, dessa vez serei mais sucinto (bom, para os padrões desse blog…), explanando apenas o vencedor de cada categoria e no máximo fazendo menções aqui e ali apenas para efeito de comparação. E agora vamos ao que interessa: a primeira parte dos Melhores, com os vencedores das categorias por gênero de jogo.


Melhor Jogo de Ação/Aventura – Monster Hunter: World (PC/PS4/XB1)

Ohhhh, mas que surpresa! Ninguém esperava por essa! Bom, o que dizer? O blog passou boa parte do ano com uma proporção de 4 ou 5 artigos sobre Monster Hunter para cada 1 sobre qualquer outro assunto, e um dos maiores motivos é exatamente o quanto World entregou ação redondíssima e muitas aventuras correndo atrás de bichos gigantes em mapas intrincadíssimos para arrancar a pele deles e fazer sapatos novos depois… Na verdade, conjuntos completos, incluindo armas aparentemente impossíveis e ainda assim divertidíssimas de usar.

Falando mais sério, nenhum outro jogo, seja em 2018 ou em qualquer ano anterior, entregou um combate em 3ª pessoa tão redondo e elaborado quanto Monster Hunter: World, e isso sem sair um dedo da essência da série. É um ponto de equilíbrio perfeito entre ser atraente e chamativo para novatos e ainda exigente o bastante para todos, veteranos ou não, se sentirem desafiados e precisarem aprender na marra o valor da paciência, da inteligência e da habilidade adquirida com um pouco de treino que seja. Some isso a monstros clássicos e novos, desde dragões que cospem fogo até esquilos elétricos gigantes, e você tem a medida certa de fantasia e seriedade, momentos tensos e de pura adrenalina anime, ou batalhas mais “intimistas” e cenários épicos dignos de filme do Godzilla. Você pode até se assustar com o quanto Monster Hunter: World ainda tem de RPG ou gerenciamento de trocentas coisas, mas sem dúvida, a ação e a aventura do jogo foram imbatíveis nessa geração.


Melhor Jogo de Esportes/Corrida – Forza Horizon 4 (PC/XB1)

Ohhhh, mas que surpresa! Tá, eu sei que já está ficando chato: todo Forza Horizon que sai sempre é grande destaque nos Melhores do Ano aqui no blog. Mas sinceramente, vocês não deveriam ficar se perguntando se eu sou fã doente da franquia ou algo do tipo, e sim olhar em volta: o que outros jogos de corrida e esporte andam fazendo de destaque real?

De vez em quanto rola um Onrush ou Rocket League tentando realmente inovar na fórmula, mas na prática acabam se focando demais em um truque bem pensado, ou entregando pouco conteúdo, ou devendo de alguma forma ou outra. Já Forza Horizon parte de uma das melhores engines já feitas para qualquer jogo, além de um pedigree de jogabilidade comprovado e refinado à exaustão, e joga “em cima” um clima arcade festeiro ainda inigualado, reminiscente dos divertidos jogos de corrida mais simplistas de outrora, mesmo entregando todas as rebimbocas da parafuseta que se espera de jogos modernos.

E o mais impressionante é que, mesmo com um jogo novo a cada dois anos, a série spin-off de Forza Motosport ainda consegue manter duas coisas: o design impecável em quase todos os aspectos possíveis e, acredite se quiser, alguma coisa nova que diferencia cada edição das anteriores. Em 2018, o quarto jogo introduziu mudanças de estação dinâmicas a cada semana, que alteram não apenas as condições de dirigibilidade no mapa inteiro como até o acesso a certas partes – por exemplo, um lago pode congelar no inverno e servir de espaço para novas rotas e eventos. Além do mais, oito anos depois, Horizon ainda continua isolado com The Crew como as duas únicas franquias de corrida realmente de mundo aberto, que permitem pilotar em qualquer lugar com chão firme, não apenas estradas demarcadas. Enquanto outros jogos não fizerem nada parecido, continuarão perdendo para Forza Horizon.


Melhor Jogo de Luta/Beat’em Up – Super Smash Bros Ultimate (SW)

Já estou ouvindo os muxoxos dos fãs mais arraigados de jogos de luta tradicionais, ainda mais em um ano que teve a volta gloriosa de Soul Calibur e tal e coisa. Mas olha… Sim, eu não joguei esse, nem BlazBlue: Cross Tag Battle, mas nem preciso para saber que ainda assim preferiria o novo Smash Bros. Podem reclamar à vontade que não é um jogo de luta “de verdade” só porque não é 1×1 por padrão e tem estágios malucos que mudam de forma ou itens mirabolantes: vocês têm todo o direito de serem pessoas chatas e defenderei isso até à morte. Enquanto isso, eu e todos os outros jogadores sensatos continuarão entendendo que, se um jogo põe personagens para brigar em um cenário lateral limitado até que um deles vença, esse jogo é… wait for it… DE LUTA, e que a melhor coisa que um jogo do tipo pode fazer é… wait for it… ser DIVERTIDO PRA DEDÉU. O resto é filigrana.

Ainda assim, é bem provável que esse Smash Bros seja o mais equilibrado e bem projetado de todos mesmo para os padrões de jogos de luta “tradicionais”. Não tenho cacife para defender isso em termos de alta competição online, e aposto que há gente por aí jurando de pé junto que os personagens X e Y são bem mais fortes do que outros, mas… Posso dizer, pelo menos, que foi o primeiro Smash Bros em que cada personagem que experimentei parecia tão viável quanto qualquer outro – mesmo alguns que pareciam um tanto inferiores antes, como Mr. Game & Watch ou R.O.B. ou qualquer Pokémon que não se chamasse Pikachu.

Além do mais, Smash Bros Ultimate segue o padrão dos melhores jogos de luta dos últimos anos: lembrar que não são feitos apenas para alguns milhares de frequentadores da EVO e viciados em online, e sim também para milhões de pessoas que querem apenas se divertir em casa sozinhas ou com os amigos no sofá. Assim como Injustice 2, o jogo incorpora elementos de RPG e customização com os Espíritos e entrega dezenas de horas de conteúdo solo rejogável, muito além dos usuais modos de luta isolada ou Arcade. O feito fica ainda mais impressionante quando se considera o retorno de todos os personagens da série, em um elenco de mais de 70 lutadores que não parece inchado em momento algum. É um jogaço sob qualquer perspectiva, seja para fãs de luta ou não.


Melhor Jogo de Plataforma – The Messenger (PC/SW)

Joguei pouca coisa do gênero no ano, mas dois me chamaram a atenção, ainda que não a ponto de correr para terminá-los. O primeiro foi Celeste, com um design de fases redondinho e uma mecânica interessantíssima de dash aéreo entre saltos, mas que peca por dois detalhes: primeiro, o fator novidade do dash se esgota relativamente rápido e deixa o jogo com cara de “pônei de um truque só”; segundo, o tom geral “tênis verde” (hipster) chateia um pouco, ainda mais nesses tempos em que todo jogo indie parece querer “passar mensagem” e “fazer diferença” no mundo real.

Tudo isso só fez The Messenger parecer ainda melhor por contraste. Em outros tempos, talvez o jogo da Devolver fosse visto “apenas” como algo bom, mas acaba se destacando por operar em suas próprias regras. Trata-se de uma espécie de reinvenção dos primeiros Ninja Gaiden que não tem medo de deixar a curva de dificuldade beeem mais racional (vamos convir, os “originais” não eram só desafiadores, e sim injustos mesmo) e nem de injetar humor e ceticismo na fantasia sem o menor pudor, praticamente levantando o dedo médio para a pretensão da imensa maioria dos outros jogos de plataforma da atualidade que não têm “Nintendo” nos créditos. É só prestar atenção nos diálogos do dono da loja de upgrades – candidato sério a personagem do ano – ou nas ironias e quebras de quarta parede de Quarble, que fica com parte do seu dinheiro sempre que você morre, e isso tudo ficará bem claro. Fora o twist de descobrir o que é realmente a “mensagem” que você precisa entregar… Mas sem spoilers, vá jogar para descobrir e talvez rir um pouquinho da subversão de expectativas.

The Messenger também ri na cara de todos os outros indies que se escoram demais em uma única mecânica nova, entregando mudanças fundamentais de jogabilidade nos itens novos desbloqueados a cada duas fases, em média, concedendo habilidades como subir paredes, encurtar distâncias via gancho, planar via wingsuit e assim por diante. Junte a isso chefes esquisitos e engraçados, geralmente com um “truque” especial inédito e desafiador sem exagerar na dificuldade, e você tem um jogo de plataforma sólido que bizarramente soa deslocado em qualquer época: elaborado e “fácil” demais para os 8/16 bits, descompromissado e “difícil” demais para os indies “conscientes” atuais, e sarcástico demais para algo que não saiu nos anos 90. Foi um sopro da mesma vida que nos deu Shovel Knight há alguns anos, e que ainda dá esperança em um mercado indie cada vez mais padronizado e chato.


Melhor RPG – Monster Hunter: World (PC/PS4/XB1)

O jogo ganhou essa mesma categoria no The Game Awards, o que gerou algum debate entre aqueles mais familiarizados com a série: Monster Hunter é mesmo um RPG? Não seria mais Ação/Aventura? Quando se usa o termo em inglês “action RPG“, não se pensa em algo mais para Diablo e afins? Talvez, mas acho que toda essa discussão se atola em um engano fundamental: achar que todo jogo precisa se encaixar perfeitinho em um gênero só. Isso faz o “analista” se concentrar no que é mais importante para ele individualmente, “fatiando” todos os aspectos do jogo e encaixando cada um em apenas um gênero. Em outras palavras, categorizar jogos não precisa ser um exercício de soma zero: eles não são “70% isso e 30% aquilo”, necessariamente – podem muito bem ser 100% uma coisa e 90% outra.

Monster Hunter, inclusive, é um dos melhores exemplos disso. Por um lado, é inegável que o combate é a mais pura definição de ação que se pode imaginar, rivalizando em profundidade de combos e habilidade motora com coisas como Devil May Cry, Bayonetta e afins. Por outro, ele atende sim a praticamente tudo que define um RPG: personagem totalmente customizável, progressão de atributos, loot, montagem e refinamento de builds, preparação pré-combate, gerenciamento profundo de inventário, repetição de missões para grind, “classes” (por tipo de arma), sistemas de combinação/upgrades… Fica faltando apenas árvores de diálogos e uma ênfase maior na narrativa. Ou seja: 100% Ação e 90% RPG. O que acontece é que pessoas se prendem a detalhes que na verdade não são essenciais para definir um RPG, como combate por turno ou níveis de personagem – que ainda existem em Monster Hunter, mas associados ao equipamento e ao seu tempo/feitos no jogo (o ranque de caçador), não ao “boneco” em si.

E esses 90% que Monster Hunter: World tem de RPG são de primeira. Todos os sistemas integrados são elaborados e úteis; a taxa de loot nunca foi tão boa na série; a estrutura de missões é variada o bastante para suavizar o grind por materiais e espantar a repetição excessiva; as “classes” são equilibradas e muito distintas; e o novo esquema de pontos de habilidade nos equipamentos é muito mais intuitivo e racional do que nos jogos anteriores, permitindo uma quantidade aparentemente infinita de builds e incentivando a experimentação como nunca. O resultado está aqui nas mais de 1.000 horas jogadas; sem as amarras inerentes aos 10% narrativos que “faltam”, esses 90% brilham mais do que seus equivalentes em quase todos os outros RPGs dessa geração, e ainda são complementados com um combate muito mais envolvente do que qualquer outro. Em suma, um Octopath Traveler da vida pode até ser 100% RPG, e dos bons, mas ainda não supera os 90% de RPG de World.


Melhor Jogo de Tiro – Far Cry 5 (PC/PS4/XB1)

Vocês podem até achar que o quinto jogo da franquia da Ubisoft só está aqui por ser o único de tiro que joguei em 2018, e embora isso seja verdade, não é motivo para desmerecer o resultado final. Sim, os DestinysCall of Dutys da vida podem ser mais refinados nas mecânicas básicas de tiro – algo bem claro quando se tenta jogar Far Cry 5 como multiplayer competitivo em mapas do modo Arcade – mas suas versões em 2018 sofreram com coisas que eu não posso perdoar. Black Ops 4 jogou fora a campanha justo no “subcenário” mais interessante de Call of Duty, enquanto Destiny 2 resolveu cobrar uma fortuna extra por Forsaken e um novo Passe Anual para (de acordo com a crítica e parte do público) finalmente “arredondar” o jogo, algo difícil de engolir no mesmo ano em que Monster Hunter: World mostrou como se faz loot e conteúdo novo constante de maneira perfeita – e sem cobrar um tostão a mais. E ainda tivemos o caso mais absurdo de Battlefield 5, que distorceu a história apenas para agradar SJWs da imprensa e ainda teve a empáfia de vir sem modos centrais, que só serão lançados como updates nos próximos meses (assim é fácil não cobrar por DLC, EA! /facepalm).

Mesmo desconsiderando os tropeços dos concorrentes e alguns de seus próprios, Far Cry 5 foi impressionante no que mais interessava: a diversão e o cenário. Mesmo naquilo que teve de mais “polêmico”, o final, pelo menos o jogo conseguiu levantar discussões e ficar cravado na memória pela surpresa. Também foi um caso raríssimo de jogo que parte de uma premissa complicada e não a usa para “passar mensagem”, nem compromete a ação em nome de um “realismo” que só existe na bolha urbana dos bem-pensantes americanos. Foi um dos jogos menos bugados da Ubisoft até hoje e mais um passo adiante no refinamento da sua fórmula de mundo aberto, cada vez mais “solta” e menos dependente da replicação de mecânicas entre séries, mesmo aquelas que a própria empresa havia criado e popularizado. Ah, e teve a melhor trilha sonora de músicas licenciadas do ano, com folga. Não é à toa que Far Cry 5 foi um dos três únicos outros jogos que conseguiram “furar” meu amor por Monster Hunter: World a ponto de me fazer terminá-los, e merece ganhar como Jogo de Tiro sem trauma algum.


No próximo artigo, será a vez das categorias por plataforma: Distribuição Digital, Nintendo, PlayStation, Xbox e Multiplataforma. Fiquem ligados!

8 Comments

  1. Já que a safra de 2018 foi… Hmm… Pouco variada na sua jogatina, seria legal um post falando do que vc espera de 2019.

    Parece um ano de entresafra que no máximo teremos datas anunciadas, não parece que a Nintendo ou a Sony tem grandes coisas quase prontas e a Microsoft está fazendo até simpatia para a geração virar logo

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    1. Provavelmente vou fazer sim, até pelo seguinte: estou secretamente torcendo para que seja o ano mais fraco da geração. Eu vou passar boa parte do 1º semestre de 2019 jogando Monster Hunter Generations Ultimate (o jogo tem conteúdo demais, nem cheguei no G-rank ainda) e logo depois chega a expansão do World, então será mais um ano dedicado a Monster Hunter, sem dúvida, não importa o que sair.

      Além do mais eu meio que peguei gosto de me concentrar em menos jogos. 2018 me deixou com a sensação de que perdia tempo demais com coisas que podem até ser boas, mas não faziam real diferença. Me dedicar a algo como World mostrou o quanto dá para extrair muito mais de um jogo, entender bem melhor suas nuances, e não quero perder isso para dizer que joguei um Celeste da vida até o final só porque foi muito falado, quando na verdade é só mais um jogo de plataforma legalzinho. Eu quero ser mais criterioso e aproveitar 2019 para terminar o jogos de 2018 que realmente ainda valem a pena terminar, além de fazer coisas como adiantar toda a série Yakuza.

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  2. Sabe que esse ano eu acabei chegando a mesma conclusão? Eu joguei Tales of Symphonia e por todos os méritos, é um jogo que não tem fundalmente nada errado com ele. É um jogo muito legalzinho. Só que depois de jogar Persona 5, me caiu a ficha que “legalzinho” não me serve mais. Não se o jogo vai me tomar 30, 50, 100 horas da minha vida. Na idade que eu estou, não acho mais que vale a pena gastar 70 horas com “legalzinho”.

    Octodad, por exemplo, é legalzinho. Duas horas legalzinho. Show de bola, aí a gente pode ser amigo. Lovers in a Dangerous Spacetime é legalzinho. Seis horas legalzinho. Beleza, nenhum problema com isso.

    Tem muita coisa que eu quero assistir, ler e jogar para ficar enterrando minhas horas com “legalzinho”. E isso que eu realmente gostei de Tales of (é o primeiro da série que eu joguei), de verdade que não tem nada muito errado com o jogo. O único “defeito” do jogo é que ele não é Persona 5. Ou Catherine. Ou Final Fantasy X. Ou Spec Ops. Ou The Last of Us. E com 50-70 horas de jogo, eu meio que preciso que seja.

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