Dicas para enfrentar o arch-tempered Vaal Hazak em Monster Hunter: World

Como alguém que nunca mergulhou para valer em Monster Hunter antes de World, ando meio relutante de escrever artigos ou editar vídeos com dicas de builds, de monstros ou do jogo em geral. Apesar das mais de 600 horas a essa altura, muito do que aprendi e sei nele veio de jogadores veteranos da série e seus vídeos no YouTube, e não sei se quero simplesmente repassar as mesmas informações em português para uma fatia menor de jogadores que por acaso não entendam inglês bem assim.

No entanto, com a chegada na última quinta-feira da segunda versão “extrapicante” (arch-tempered, har har har) de um dragão ancião do jogo, desta vez o sinistro Vaal Hazak (ou Van Halen, para os íntimos), eu tenho a impressão de que quanto mais dicas na Internet em todos os idiomas possíveis, melhor. Não que ele seja impossível: na verdade, é até mais fácil que o “extrapicante” anterior, o Kirin (ou Meu Kirindo Pônei… tá, parei). O negócio é que mesmo assim estou vendo gente desmaiar a torto e a direito, até mais do que no Kirin, e desconfio que parte da culpa seja justamente dos vídeos de veteranos na Internet. Como assim? Ora, como diria o Caçador Estripador, vamos por partes…


Conheça seus limites como jogador

No caso do Kirin “extrapicante”, era compreensível ver missões falhando toda hora porque realmente havia um punhado de fatores a considerar. O bicho causava tanto dano elétrico que era capaz de matar com um raio só qualquer caçador com menos de uns 450-500 de defesa e nenhum aumento de vida (100, o valor básico)… Mesmo que não matasse, podia tontear ou paralisar qualquer um sem defesa para os dois status – e o Kirin sempre avança de novo em quem ficar vulnerável desse jeito. Como simplesmente aumentar a defesa contra raio não era o bastante, os builds recomendados no YouTube quase sempre reforçavam a necessidade de colocar Resistência a Paralisia e a Atordoamento, ou ainda outras opções de defesa, como Bênção Divina, mais Vida e assim por diante.

Já no caso do Vaal Hazak, assumindo que ninguém vá com defesa realmente abaixo de uns 400, na prática o que pode matar facilmente são apenas duas coisas: o dano contínuo de área do bicho (e o “debuff” associado de Eflúvio, que se “pegar” reduz sua vida máxima à metade) e o jato que ele manda em arco pela boca contra adversários distantes. Como Vaal é muito mais lento que outros dragões anciões, é tentador partir para cima dele com tudo, mesmo com armas mais pesadas. Assim, muitos builds no YouTube estão se focando bastante em aumentar o dano (geralmente de Fogo) e sugerindo como defesa apenas duas coisas, quando muito: Adornos de Resistência a Eflúvio (para anular a chance de tomar o “debuff”) e o Aumento de Regeneração de Vida na arma utilizada. Há até um ou outro vídeo em que o sujeito usou apenas um Adorno de Eflúvio, por jogar de arco e conseguir manter distância do dano de área de Vaal.

O problema é que os veteranos que sugerem esses builds são jogadores realmente bons, que entendem todos os golpes do bichão e raramente vacilam. Na prática, a imensa maioria – eu incluso – vai errar em um momento crucial. Em umas 20-25 tentativas com jogadores aleatórios desde quinta-feira, em apenas uma o grupo conseguiu terminar a missão. Pelo menos metade dos desmaios (em Monster Hunter, você não morre, e sim desmaia) que vi foram de jogadores de arco ou outras armas à distância, quase todas pelo jato de Eflúvio; eu mesmo desmaiei uma vez assim, o que me fez desistir do arco por enquanto. Do resto dos desmaios, outra boa parte foi de jogadores de espadão (greatsword), transmachado (switch axe) e lâmina-dínamo (charge blade), algumas das armas mais lentas em vários ou alguns de seus golpes. Em cada um desses casos, eu vi claramente que subestimaram os perigos da área. O que eu vejo nos outros jogadores é bem isso aqui:

O legal de Monster Hunter: World, porém, é o espaço que ele dá para você compensar suas imperfeições como jogador com estratégia e inteligência nos builds. Você até pode “forçar” sua vitória aprimorando apenas defesa e ataque puros e repetindo cada missão até aprender na marra todos os golpes do monstros… Mas também pode facilitar esse processo de “aprendizado” montando armaduras e usando Adornos com Habilidades que aumentem suas chances de sobrevivência. No caso dos monstros versão “extrapicante” em particular, está bem claro que a intenção da Capcom é justamente fazer os jogadores pensarem mais nessas opções se não quiserem falhar 20, 30 vezes antes de “pegar o jeito”. Isso compreendido, chega de preâmbulos de filosofia de design: vamos ao que experimentei e considero que funciona para manter seu personagem vivo mais tempo/mais vezes nessa missão em especial.

Entendendo o eflúvio e o Vale Putrefato

Antes de mais nada, é preciso compreender algo que possa passar batido ao enfrentar as versões “normal” e “tempered” de Vaal Hazak: como funciona exatamente o Eflúvio do Vale que ele habita, e o do próprio bicho. “Eflúvio” no jogo é uma espécie de miasma amarelo, encontrado em alguns pontos do Vale, que causa dano mínimo, porém contínuo, em quem passa por ele. Se o personagem acumular Eflúvio demais, pode sofrer o “debuff” de cortar a barra da vida pela metade, embora isso seja bem difícil de acontecer com o miasma “ambiental”. Mesmo que aconteça, a solução imediata é comer uma Nulafruta (nulberry), que cura qualquer flagelo acumulado. Já Vaal em si costuma se “cobrir” de Eflúvio durante as batalhas, e ficar perto dele com armas corpo a corpo aumenta bastante a chance de sofrer o “debuff”, fora toda a vida que você vai perdendo aos poucos mesmo que não seja atingido por golpes.

O negócio é que há duas Habilidades que abordam Eflúvio. Uma se chama Especialista em Eflúvios; a outra, Resistência a Eflúvio. A primeira vai apenas até o nível 1 e pode ser encontrada no cinturão do Grande Girros, um monstro da área, e em um Adorno bem raro, que nem “caiu” para mim ainda. Ela anula completamente o dano do miasma ambiental, mas não o do próprio Vaal Hazak; como “bônus”, a Habilidade reduz o dano das poças ácidas do local (é, o Vale é um lugarzinho desgraçado mesmo). Já a Resistência a Eflúvio combate apenas o acúmulo de Eflúvio, isto é, “atrasa” o debuff ou o impede totalmente (no nível máximo, 3). Ela não reduz dano de miasma, seja ele ambiental ou do Vaal Hazak. Você pode conseguir Resistência com peças de armadura do próprio Vaal e/ou um Adorno de Miasma, esse bastante comum – eu tenho 11 a essa altura, ou seja, 8 “sobrando”. Ambas as habilidades também podem ser obtidas com Amuletos específicos, o que pode quebrar o galho na falta das opções melhores acima.

Seja entendendo essa diferença ou não, a imensa maioria dos builds anti-Vaal que vejo tanto jogando quanto na Internet investe apenas na Resistência nível 3 e tenta compensar o dano contínuo sofrido de outras formas. Isso acontece por uma série de motivos, alguns deles os seguintes:

  • O cinturão do Grande Girros tem apenas um espaço para Adorno e uma defesa máxima menor do que as armaduras de dragões anciões e outros bichos posteriores.
  • Apesar de ser um monstro “de miasma”, Vaal Hazak passa 90% das batalhas nas missões “normais” justamente nas áreas do Vale sem miasma.
  • Como ele é um bicho lento, é um tanto fácil sair de perto dele para se curar.
  • A ferramenta Reforço de Vida, que pode ser colocada no chão e recupera Vida continuamente por algum tempo, compensa com sobras o dano do miasma do Vaal;
  • Se você colocar o Aumento Regeneração de Vida na sua arma, pode compensar todo ou boa parte do dano de miasma sofrido apenas atacando o bicho.
  • Se dois ou mais jogadores usarem armas de Selo Ancião alto, eventualmente o miasma em torno do Vaal será disperso, permitindo enfrentá-lo por algum tempo sem tomar dano contínuo algum.

Tudo isso faz muito sentido… contra o Vaal “normal” e o “tempered”. Já no “extrapicante”, os padrões do monstro e da missão são diferentes. Vaal agora passa quase a missão inteira em áreas com miasma ambiental, fugindo para áreas “limpas” apenas quando está mais perto de morrer. Isso quer dizer que, além do miasma do próprio bicho causar mais dano contínuo – é a versão “extra plus” dele, afinal – você também está tomando o dano ambiental na cara. A soma dos dois acelera bastante a perda “normal” de vida, e deixa praticamente impossível bater corpo a corpo no Vaal apenas com as compensações “normais” da lista acima; a ferramenta Reforço de Vida até segura enquanto estiver ativa, mas a Regeneração na arma não, e você vai acabar saindo de perto a cada 10-15 segundos para se curar enquanto a ferramenta “recarrega”. Isso fora o risco maior de perder o resto da vida com um único golpe – lembre-se que os ataques do Vaal “extrapicante” causarão mais dano do que você está acostumado, também.

Outros perigos a considerar

Enquanto missões de dragões anciões “normais” costumam não ter nenhum outro bicho “surpresa” por perto, nessa em particular o Odogaron vai aparecer algumas vezes. Lembre-se que o Odogaron pode causar sangramento se acertar você mais de uma vez em pouco tempo – outro debuff de perda de vida contínua. Ele “se preocupa” mais com o Vaal, ajudando um pouco a sua vida, mas tome cuidado extra: se você ou alguém do grupo acertar o Odogaron por engano, ele pode acabar deixando o Vaal de lado. Se não estiver confiante de que conseguirá ser preciso nos golpes e evitar irritar o Odogaron enquanto bate no Vaal, use esses momentos para sair de perto do miasma ambiental, se curar, afiar a arma, ou qualquer outra manutenção que precisar fazer naquele momento. Deixe o Odogaron fazer o trabalho sujo um pouco e cuide da sua “saúde”.

Se você também está acostumado a ir colocar barris explosivos na cara do Vaal quando ele vai dormir (em Monster Hunter, bichos enfraquecidos ou cansados fogem para seus “ninhos” para se recuperarem), tenho uma má notícia: esse Vaal tem o hábito chato de dormir na poça de ácido ao lado da sua “cama” de ossos usual. O dano do ácido não é tão forte a ponto de impedir que você coloque os barris, mas bem ou mal, é mais um item de cura gasto na missão. A Habilidade Especialista em Eflúvios ajuda, mas não nega totalmente o dano, e portanto não se empolgue demais ao andar no ácido.

Outra questão é que o Vaal “extrapicante” tem o hábito de pular para bem longe apenas para ver se consegue usar o jato na cara de jogadores distraídos, algo que raramente acontece nas outras versões dele. A versão “tempered” do jato já causa dano suficiente para mandar jogadores despreparados direto para o acampamento… E a “extrapicante” praticamente garante isso se você não tiver aumentado sua barra de vida e ela não estiver cheia no momento. Dependendo da sua defesa total, mesmo fazer as duas coisas pode não impedir o jato de ser one-hit kill. Contra ele, tenha em mente o seguinte:

Armas corpo a corpo
  • Sempre corra para perto do Vaal, o tempo todo. Isto é, não aproveite o pulo dele para afiar arma ou qualquer outra coisa se puder evitar;
  • Se você precisar mesmo se curar, ainda assim fique no limite do miasma do bicho. Qualquer distância maior pode fazer a inteligência artificial dele decidir usar o jato enquanto você se cura, aumentando os riscos para você e os outros;
  • Cuidado com armas voltadas para golpes carregados na cabeça, como martelos e espadões. Entenda o tempo de cada golpe e como cancelá-lo (se possível) em uma emergência. Já vi gente morrendo pro jato a meio metro de distância da cabeça do Vaal, sem necessidade alguma;
  • Para as armas com escudos/bloqueio, lembre-se que o jato é um dos golpes normalmente inbloqueáveis. Nem pense em tentar bloquear o jato se você não tiver a Habilidade Aumento de Bloqueio (Guard Upa que permite bloquear qualquer golpe, não a Bloqueio/Guard, que apenas melhora a eficiência dos bloqueios possíveis).
Armas à distância
  • Usuários de arco, pelamordedeus, lembrem-se que é uma arma de média distância – isto é, não se afastem demais do Vaal. Além de causar menos dano no geral, vocês vão fazer o bicho soltar o jato com muito mais frequência e terão menos tempo para tentar escapar dele.
  • Notem que o miasma da versão “extrapicante” do Vaal repele flechas exceto nos pontos fracos (cabeça, barriga e ponta do rabo), o que significa que usuários de arco vão passar a maior parte do tempo de frente para ele. Isto é, só vá de arco se estiver bem confiante de que conseguirá manter a distância média e parar as flechadas para sair da área de alcance do jato.
  • Usuários de fuzilarco podem usar munições que atravessam o miasma, podendo ficar mais tempo do lado dele (e fora do alcance do jato), mas ainda assim precisam ter os mesmos cuidados – especialmente se tiverem builds de mais dano a longas distâncias, nada recomendáveis aqui.
  • Outra que só descobri da pior maneira: cuidado com munições que interrompem ou derrubam os colegas, como as Bombas Fragmentadas (cluster bombs). Por mais que elas não causem dano, vocês correm o risco de derrubar outro jogador tentando fugir ou esquivar de um ataque, e podem até interromper o bloqueio de um usuário de escudo justo quando ele estava tentando segurar um golpe fatal.
Contenção/fuga geral
  • Sempre fique preparado para esquivar/correr para o lado esquerdo do Vaal (a sua direita, se estiver de frente para ele). O bicho sempre lança o jato da direita para a esquerda dele, e se você iniciar o movimento logo, conseguirá alcançar Vaal antes do jato chegar.
  • Se estiver longe demais do bicho por qualquer motivo, uma possível solução emergencial é correr para terreno mais baixo, já que o jato não muda de altura. Terreno elevado também pode funcionar, mas precisa ser bem mais elevado: já vi usuário de glaive inseto (insect glaive) ser atingido mesmo pulando no ar.
  • Não arrisquei tentar colocar o Manto de Vitalidade ou qualquer outro que dê mais vida/reduza dano para tentar “segurar” o jato, mas em tese pode funcionar.
  • Já o Manto Temporal, aquele que você ganha por completar a linha de missões da Lunastra, definitivamente funciona contra o jato.
  • Em último caso, você pode tentar o “mergulho Superman”: já notou que às vezes, quando você sai correndo e aperta o botão de esquiva, seu personagem se joga no chão ao invés de rolar? Isso acontece quando você está correndo para longe do monstro com a arma embainhada. Note, porém, que o tempo desse mergulho tem que ser bem preciso, exatamente na hora que o jato vai te atingir, e mesmo assim vai dar errado se o terreno for um tantinho mais alto que o jato em si.

Enfim, o que interessa: dicas de build

Agora que já passamos por todas as diferenças da missão para as versões “normais” do Vaal, eis o que estou usando no momento contra ele e me permitiu derrotá-lo sozinho sem tantos problemas (desmaiei uma vez só). Primeiro, se você ainda não tiver decorado direitinho o tempo e os “avisos” de todos os golpes do Vaal, recomendo fortemente usar armas de golpes rápidos e/ou capazes de bloquear, como espada + escudo, lâminas-duplas, lanças e glaives inseto. Além de ter mais chance de esquivar e bloquear no último segundo no meio de um combo, em geral elas podem ser embainhadas mais rápido (com exceção das lanças), o que ajuda muito na hora de sair correndo – seja para fugir do miasma e se curar, seja para correr na direção do Vaal e escapar do jato.

Em tese as espadas longas entram nesse bolo, mas elas têm uma má reputação pela facilidade com que interrompem/atrapalham os colegas – e contra o Vaal o problema é ainda maior, já que vários usuários de armas corpo a corpo tendem a se agrupar na barriga dele, um “ponto cego” da maioria dos golpes do bicho. Espadas longas são as armas mais “odiadas” no jogo por esse motivo, e eu mesmo admito que, ao Responder a SOS, evito escolher missões com usuários de espadas longas. Se você estiver jogando sozinho, vá em frente com sua katana, mas pelamordedeus, preste atenção dobrada no seu posicionamento se resolver entrar na missão dos outros ou chamar gente para a sua!

Habilidades

Isso explicado, independentemente da arma, as Habilidades que considero úteis tanto para sobrevivência como para apoio geral enquanto você aprende o bicho são:

  • Resistência a Eflúvio: Não arrisque ficar com metade da barra de vida. Quase qualquer golpe vai te matar nessa hora, não importa seu valor de defesa.
  • Especialista em Eflúvios: Engula a dor de gastar um espaço de armadura ou de amuleto para conseguir essa Habilidade. A diferença de dano contínuo total recebido na maior parte da missão vale a pena.
  • O bônus do conjunto do próprio Vaal Hazak: Usando três peças dele, quando você tomar dano “recuperável” (a parte vermelha da barra), não somente essa parte se restaurará com o tempo, como você ganhará um pouco a mais. Isso “comba” muito bem com outras Habilidades abaixo, que o próprio set já tem, reduzindo a necessidade de Adornos e amuletos para obtê-las.
  • Velocidade de Regeneração: Acelera a recuperação da parte vermelha da Vida em até 4x, o que faz você chegar ao “extra” do bônus do conjunto mais rápido. Os sets α e β do Vaal têm pontos disso – as pernas β têm dois dos três máximos.
  • Aumento de Regeneração: Aumenta a quantidade de Vida regenerada. Note que isso também aumenta o bônus geral do conjunto do Vaal, ou seja, você ganha ainda mais Vida extra além da parte vermelha. O problema é que as armaduras α β do Vaal não têm essa Habilidade… Somente a γ. Assim, quando você derrotar seu primeiro Vaal “extrapicante”, use o Bilhete Vaal ganho para montar imediatamente o elmo γ antes de qualquer outra peça, já que ele tem dois níveis de Aumento de Regeneração.
  • Reforço de Vida: Note que o nome é o mesmo, mas estamos falando da Habilidade, não da ferramenta. Ela aumenta sua barra de vida máxima, o que significa um pouco mais de tempo atacando antes de precisar se curar ou mesmo após sofrer alguns dos golpes mais fracos.

Você pode ter alguns problemas para conseguir reunir essas Habilidades por falta de Adornos, peças de armaduras aprimoradas ou amuletos, mas… Sinceramente, isso significa que você não deveria estar enfrentando o Vaal “extrapicante” agora, e sim “farmando” Adornos, gemas e esferas de armadura para ter tudo isso. A única Habilidade aí com Adorno equivalente raro é a Especialista, e mesmo assim você pode obtê-la matando um bicho dos mais tranquilos (Grande Girros) para fazer o amuleto ou o cinturão necessário. As missões/eventos “tempered” já “pedem” que você tenha uma boa quantidade de Adornos comuns, e as “arch-tempered” são o endgame do endgame. Não dá para ir nelas sem várias armaduras de dragão ancião com defesa alta e uma boa variedade de Adornos.

Montar algo em torno do conjunto do Vaal Hazak e essas Habilidades vai te obrigar a abrir mão de muitos outros bônus de conjunto e Habilidades de dano crítico e de ataque, mas entenda que as chances de você morrer com um ou dois golpes e/ou dano contínuo são bem maiores agora; só vá com seus sets de muito dano quando estiver 100% confiante na sua habilidade. Mas o pior nem é abrir mão do seu potencial de dano, e sim outra realidade bem dura para os usuários de armas corpo a corpo: mesmo todas essas Habilidades juntas não anulam completamente o dano contínuo total de miasma. Enquanto sua ferramenta Reforço de Vida estiver “recarregando” (e nem pense em ir sem ela), elas permitirão que você fique mais tempo em cima do Vaal e sobreviva para se curar mesmo que leve um golpe mais duro (jato à parte). Junto com o menor potencial de dano total, isso pode fazer a missão demorar 30 minutos ou mais, e você ainda vai gastar bastante itens de cura.

A única forma consistente de poupar itens e ficar o tempo todo em cima do Vaal é aumentar (augment) sua arma com Regeneração de Vida, algo que exige pedriachos específicos (streamstones), justo os itens com menores chances de “cair” como prêmios no jogo inteiro. Das armas que eu tenho e considerei “viáveis” contra Vaal, somente uma estava com esse “aumento”: a lança do Nergigante, Mão da Perdição. Ela tem Selo Ancião alto, um dano básico entre os maiores de todas as lanças, elemento Dragão (meio baixo, mas ajuda), e Afiação azul até o fim da barra – ou seja, a lança só precisa mesmo ser afiada umas duas vezes na luta inteira.

Meu build específico no momento

Assim, o build que estou usando agora é o seguinte:

Sim, eu sei que já tem aí uma peça da armadura γ. Para quem ainda não conseguiu matar Vaal “extrapicante” ainda, o que eu fiz antes disso foi usar na cabeça o bom e velho Tapa-olho Dragão Rei (que tem Exploração de Fraqueza 2 + um engaste de Adorno) e os braços do Vaal Hazak β (com Desempenho Máximo 1 + três engastes). Na prática, colocando três Adornos de Medicina (que dão Aumento de Regeneração) nos braços, você fica quase na mesma, “perdendo” apenas 1 nível de Ataque de Dragão. Note que o Desempenho Máximo 1 “ganho” não ajudará em praticamente nada, já que você só deve ficar com a vida cheia ao usar a ferramenta Reforço de Vida – e tudo por apenas Ataque +5, o mesmo que um Adorno de Ataque comum. Se você ainda não tiver o raro Adorno de Exploração de Fraqueza para “fechar” o nível 3 máximo da Habilidade (eu mesmo não tinha nenhum até esses dias), os dois níveis do Tapa-olho já ajudam, aumentando em 30% a chance de crítico nos golpes em pontos fracos. Como a barriga do Vaal é ponto fraco, basta focar nela que os críticos acontecerão bastante.

Esse set nem de longe é “obrigatório”, porém. Só o considero bem capaz de sobreviver, especialmente quando “pareado” com uma arma com o “augment” Regeneração de Vida: você fica embaixo do Vaal batendo nele e ganhando vida de volta, compensando parte do dano contínuo sofrido. Mesmo se bobear e levar um golpe, todos os outros bônus entram em ação, permitindo que você volte a bater nele direto. Só tome cuidado se levar dois golpes em sequência: aí vale a pena ir se curar – com direito a quantidade extra graças à Habilidade Aumento de Regeneração – tanto por segurança quanto para evitar ser atordoado ou morrer por um terceiro golpe. Com tudo isso junto, consegui “solar” o Vaal “extrapicante” em menos de 20 minutos, um tempo bom para duas primeiras tentativas nesse tipo de missão “extrahard” e com um set quase sem Habilidades de aumento de dano.

Mesmo dentro da lógica geral dele, há espaço para “personalizar” de acordo com sua arma. O amuleto Bloqueio está lá porque estou jogando de lança, e obviamente pode ser trocado por um de ataque ou qualquer outra coisa que você precisar para sua lâmina dupla, glaive inseto ou o que for. Você também pode abrir mão da Habilidade Velocidade de Regeneração – o importante mesmo é o Aumento dela – para usar outro peitoral; só não esqueça de (a) pôr algum elmo do Vaal para continuar com o bônus de três peças do conjunto e (b) quando sofrer um golpe, ficar mais esperto e não levar outro enquanto a parte vermelha da vida se recupera mais lentamente. Por fim, vi alguns sets usarem Bênção Divina, uma Habilidade que tem uma chance de reduzir em até 50% cada dano sofrido – e surpreendentemente, o dano do miasma conta. A chance da habilidade é bem alta, “ativando” em vários dos “pedacinhos de dano” que você toma, o que em longo prazo acaba “segurando” boa parte do dano total contínuo.

O melhor ataque é a sobrevivência

Se você sair procurando por aí, claro que vai encontrar speedruns com gente solando em menos de 5 minutos, o que pode deixar esse set com cara de “ineficiente”. Só entendam outra coisa: além desses jogadores serem muito bons, mesmo esses tempos publicados no YouTube exigiram várias e várias tentativas anteriores em que um único erro foi fatal. Não assista a esses vídeos e pense “eu também posso fazer isso”… Ou melhor, vá em frente, mas o faça sozinho ou com amigos que tenham o mesmo objetivo de “cravar” o menor tempo possível. Não invente de disparar SOS ou entrar na missão dos outros com essa mentalidade. Respeite o tempo das outras pessoas, que em sua grande maioria só querem conseguir sete Bilhetes de Vaal para montar a nova armadura γ e a armadura em camadas Putrefato, e não falhar direto porque alguém se achou o Legolas e desmaiou três vezes para o jato do Vaal. Eu desmaiei uma vez de arco e já me senti péssimo…

Eu fazendo cosplay de Neymar e aprendendo que não tenho cacife ainda para ir de arco

Além do mais, sair um pouco da mentalidade “investir tudo que posso em ataque” vai ajudar você em outros aspectos do jogo. Há casos em que pode ser melhor deixar um pouco do ataque “puro” de lado e investir em mais crítico ou em aplicação de status anormais; se você ainda não jogou com um conjunto de “sleep bombing”, de botar o monstro para dormir e “acordá-lo” com barris explosivos na cara, mal arranhou a superfície de Monster Hunter ainda, não importa o quanto se ache o bonzão da porradaria. Mesmo em speedruns, às vezes é necessário pensar um pouco fora da casinha; por exemplo, para lâminas duplas, talvez seja mais rápido e eficiente investir um pouco na redução do consumo de Vigor, o que permite que você fique no modo Demônio da arma mais tempo, e assim por diante. O legal de Monster Hunter é a quantidade absurda de opções que você tem, e jogá-lo com apenas uma ou duas armas e builds é deixar de aproveitar uns 80% do jogo. Expanda seu repertório, e nos vemos nas caçadas por aí!