Melhores de 2016: Fechando o caixão

melhores2016Este artigo faz parte da série Melhores de 2016, com os games lançados este ano que este blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2016 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Segurem essa lista de 2016 para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Estamos já no meio de abril em um ano entupido de lançamentos candidatos a Jogo de 2017, então não vai ter jeito: vou precisar condensar todos os vencedores das categorias de 2016 que faltam em um último artigo. É uma pena não poder fazer menções honrosas e comentar quase-vencedores, mas paciência. Entre trabalho pesado (o dinheiro para o Nintendo Switch tem que vir em algum momento, né) e dois jogos linha tira-vida-de-mais-de-100-horas como Persona 5Mass Effect: Andromeda, é melhor fechar esse caixão logo para poder voltar aos artigos mais “em cima da pinta”. Vamos então aos vencedores que faltavam, de Melhor Trilha Sonora até Jogo de 2016:

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Melhor Trilha Sonora – No Man’s Sky (PC/PS4)

Exatamente como adiantado aqui no blog, No Man’s Sky pode ser “polêmico” e divisivo em vários aspectos, mas um dos pontos fortes dele é virtualmente incontestável: a excelência da trilha sonora. Inspiradíssima em clássicos do cinema de ficção científica, mas modernizada para a era pós-math rock (não entendeu? Confira na Wikipédia), a trilha do jogo é uma viagem à parte e está tão bem inserida que é indissociável da experiência. Você pode até ouvi-la à parte, mas a vontade de abrir o jogo imediatamente, mesmo que não tenha gostado muito, será enorme. Por outro lado, tentei várias vezes criar uma lista personalizada no Spotify com todo tipo de música com temática interestelar, de “Space Oddity” a “Assim Falou Zaratustra”, para ouvir enquanto jogava… Mas ela nunca chegou sequer aos pés do impacto da trilha original. É a Melhor Trilha de 2016, sem discussões.

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Outros candidatos: Destiny: Rise of Iron, Doom, Mafia III, Oxenfree, Thumper 

Melhor Visual – Uncharted 4: A Thief’s End (PS4)

Eis uma categoria que vai ficando cada vez mais difícil ano a ano, especialmente pela falsa dicotomia entre direção de arte e proficiência técnica. É muito fácil pender para um lado ou para o outro, então escolhi um jogo tecnicamente incontestável e que, ao mesmo tempo, não deve nada para as melhores direções de arte do ano. Pode parecer uma escolha “segura”, mas ao mesmo tempo, ultimamente virou modinha desprezar jogos tecnicamente bem-feitos apenas para ser “contra o mainstream” – uma postura bem infantil, ainda mais quando se nota o cuidado extremo com os detalhes de um Uncharted 4. Sério, pessoal: não é porque indies não têm chances de concorrer no mesmo patamar técnico que precisamos passar a esconder ou ignorar belíssimas direções de arte apenas porque elas foram aplicadas em um contexto hiperrealista de um jogo AAA. Chega dessa desonestidade intelectual, por favor. E se visual ainda não te move, seja de qualquer tipo, Uncharted 4 também venceu aqui como Melhor Jogo de Ação/Aventura e Melhor Exclusivo de PlayStation.

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Outros candidatos: Doom, Ratchet & Clank, Song of the Deep, SUPERHOT, Titanfall 2, Tokyo Mirage Sessions #FE, Watch Dogs 2

Melhor Narrativa – Zero Time Dilemma (3DS/PC/Vita)

Outra bola cantada nas “certezas incertas” de 2016, com direito a uma bela análise sem spoilers e também vencedor da categoria Puzzle/Exploração. O fim da trilogia Zero Escape é um feito, considerando a imensa quantidade de referências, personagens, ideias e vindas no espaço-tempo: um verdadeiro castelo de cartas que ganhou mais alguns andares sem dar nenhum sinal de desabar. Pelo contrário, praticamente todas as pontas soltas foram amarradas. Além do mais, poucas séries passam tanta tensão quanto Zero Escape, e Zero Time Dilemma não só manteve o clima como o acentuou com uma nova estrutura narrativa, com cenas mais fragmentadas. Graças ao relançamento dos dois jogos anteriores este ano na coleção The Nonary Games, que leva a série inteira a mais plataformas e ainda por cima traz melhorias e retoques gerais de jogabilidade, não há mais desculpa para não mergulhar de cabeça na Melhor Narrativa de 2016 e em uma das séries mais intrigantes da história dos videogames.

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Outros candidatos: Deus Ex: Mankind Divided, Firewatch, INSIDE, Oxenfree, Uncharted 4: A Thief’s End, Watch Dogs 2

Inovação – SUPERHOT (PC/Xbox One)

O jogo já levou aqui na categoria Distribuição Digital, mas se havia uma categoria com o nome “SUPERHOT” desde que o jogo saiu, era a de Inovação mesmo. Com a sofisticação atual dos videogames e uma indústria cada vez mais diversa, vai ficando mais difícil se destacar com um conceito realmente inovador, mas SUPERHOT tirou esse desafio de letra. Afinal, como não se intrigar com um jogo que promete uma experiência em 1ª pessoa em que o tempo só avança quando o protagonista se move, em um verdadeiro quebra-cabeças de ação que reescreve toda a lógica dos jogos de tiro? Ainda mais quando essa experiência vem embalada em uma narrativa intrigante sobre realidade virtual e toneladas de estilo, recapturando o feeling de um Hotline Miami por linhas muito tortas? Só faltou ter mais conteúdo, mas na hora de escolher o Jogo Mais Inovador de 2016, quantidade não importa.

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Outros candidatos: Eagle Flight, Grand Kingdom, Headmaster, No Man’s Sky, Overwatch, RIGS: Mechanized Combat League, Thumper

Pior Jogo – Virginia (PC/PS4/Xbox One)

Muita coisa pode tornar o jogo ruim, desde controles que respondem mal até histórias que subestimam a sua inteligência. Mas nada pode tornar um jogo tão ruim quanto apostar todas as fichas em um único cavalo e ele não apenas tropeçar, como morrer antes do final da corrida. Assim é Virginia, a mais nova adição à lista de walking simulators com interatividade beirando o nulo, mas que mesmo assim falham miseravelmente graças ao excesso de pretensão narrativa. A interessantíssima edição de cortes abruptos e a boa trilha sonora não salvam a tentativa patética de emular David Lynch com base em um mistério real – não quando se acredita piamente que a genialidade do cineasta reside apenas em se abster de respostas no final de uma narrativa e colocar cenas “oníricas” aqui e ali. Virginia é a manifestação em forma de videogame do típico estudante universitário profissional hipster que acha que vai pegar alguém citando Buñuel e Kubrick, mas não tem mais nada a dizer além de “mucho loco, mano” e “que viagem, mermão”.

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Outros candidatos: Dangerous Golf, Harmonix Music VR, Trials of the Blood Dragon

Jogo do Ano – Overwatch (PC/PS4/Xbox One)

Vencedor das categorias Jogo de Tiro, Multiplataforma, Surpresa do Ano e Multijogador, estava óbvio desde o início que o jogo da Blizzard seria também o Jogo do Ano neste blog. Os motivos estão mais do que detalhados nos artigos dos links acima, mas vale aproveitar a oportunidade para abordar uma questão importante: se você gosta mesmo de videogame, está na hora de abandonar certas narrativas e desculpas fáceis. É difícil acreditar que, em pleno 2017, ainda tenhamos gente que usa “argumentos” como “mas não tem história/campanha” ou “é só um jogo online“, como se fosse simples fazer um jogo minimamente equilibrado e muito divertido envolvendo competição entre jogadores reais. Na verdade, é justamente por ser bem difícil conseguir essa proeza e ao mesmo tempo ser atraente para dezenas de milhões de pessoas – o que necessariamente inclui muitas que nunca tiveram o costume de jogar online – que mesmo os maiores jogos competitivos da história não ganhavam prêmios de Game of the Year antes de Overwatch. Agora é torcer para outros tipos de jogos raramente reconhecidos com o prêmio máximo, como os de corrida, luta e esportes, um dia também nos brindarem com seu próprio “Overwatch” (tivesse saído em outro ano e Forza Horizon 3 seria um desses, mas paciência).

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Outros candidatos: Deus Ex: Mankind Divided, Doom, Forza Horizon 3, Hitman, SUPERHOT, Titanfall 2, Uncharted 4: A Thief’s End, Watch Dogs 2, Zero Time Dilemma

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2 comentários em “Melhores de 2016: Fechando o caixão

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