Resumão do super 2017 até agora

Para variar, este é mais um artigo meio tapa-buraco e de desculpas por 11 dias sem atualização real do blog (e principalmente dos Melhores do Ano passado). Já é uma tradição por aqui, seja por causa de trabalho, pelas edições do Roomcast ou por causa de jogos bons e longos. Mas eu preciso deixar coisas registradas da mesma forma – até porque 2017 está simplesmente impossível, caminhando a passos largos para superar 2011 em termos de quantidade e qualidade de jogos.

Sim, eu sei que é um tanto precipitado levantar uma bola dessas antes mesmo do primeiro trimestre acabar. E também sei que não é o primeiro artigo aqui que exalta 2017, nem o segundo que escrevo para pedir arrego. Mas na ausência de tempo para escrever com mais calma, é uma boa maneira de manter vocês atualizados sobre a loucura aqui em casa. Então vamos a uma série de links e parágrafos rápidos para quem quiser se inteirar do que estou achando de tudo digno de nota lançado até agora:

Janeiro Japonês

Em 12/01 saiu Detention (PC), e pouco tempo depois fui presenteado com ele por um ouvinte do Godmode. E foi lá mesmo que teci alguns comentários rápidos sobre como a história me surpreendeu, assim como os poucos, porém interessantes, puzzles. Matei o jogo em uma tarde de sábado e valeria cada uma das 4-5 horas mesmo que tivesse pago preço cheio.

No dia 20 foi a vez de Gravity Rush 2 (PS4), mas com a recusa da Sony de distribuir o jogo no Brasil, acabou passando batido aqui. Como ainda não terminei o anterior, ficou para compra digital mais para a frente, quando cair em alguma promoção da PSN. Falamos um pouco sobre a promissora demo dele no Roomcast 89.

Quatro dias depois chegou o aguardadíssimo Resident Evil 7: Biohazard (PC/PS4/Xbox One) – traduzido por este que vos escreve, inclusive. Por incrível que pareça, ainda não o terminei, em grande parte porque quero zerar pelo menos uma vez totalmente em VR e “travei” em um chefe específico. Falando em VR, vocês podem assistir um trecho inicial em realidade virtual abaixo. Também comentei um pouco das primeiras horas do jogo no Godmode Podcast (o mesmo Drops de Detention acima, inclusive) e no Roomcast mais japonês que gravamos.

No mesmo Roomcast japonês, também comentei bastante sobre Yakuza 0 (PS4), que saiu no mesmo dia de Resident Evil 7 e talvez seja o melhor “ponto de entrada” na série. Também não o terminei, mas neste caso há uma desculpa melhor: apesar do mapa relativamente limitado, o jogo é gigante. Só as “histórias”, ou missões secundárias, são 100 (cem!), e sempre que topo com uma, me surpreendo ou me divirto muito com o desenrolar da coisa. Esse vou jogar durante o ano todo, como um mergulho virtual em um pedacinho do Japão nos anos 80 que posso fazer a qualquer momento. Saca só o climão dele:

Ainda no mesmo dia saiu Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue (PS4), que deixei para pegar quando baixar bem o preço. Nem terminei o 1.5 no PS3 ainda…  Até Kingdom Hearts 3 ter sua data oficial anunciada tem chão ainda, quanto mais ser lançado. Melhor limpar o catálogo frenético de coisas do ano passado e deste ano antes de sequer pensar em engolir toda a série de uma vez agora. Mas você pode saber mais sobre ele no último Roomcast.

Fevereiro Febril

No dia 07 chegou Nioh (PS4), mais um jogo que passou anos e anos sendo desenvolvido (nos calcanhares de The Last GuardianFinal Fantasy XV). E vejam só… O Team Ninja parece ter voltado à velha forma, criando uma mistura quase impecável de Ninja GaidenDark Souls. O jogo agradou tanto que já começou a disparar conversas sobre disputa de Game of the Year (sério, em fevereiro) em alguns podcasts gringos por aí. Falamos sobre ele no Roomcast “Japonês” e rapidamente no seguinte, e mais duas vezes no Godmode Podcast.

Uma semana depois e saiu For Honor (PC/PS4/Xbox One), cumprindo toda a promessa de um belo sistema de combate medieval. O que não esperava é que ele realmente fosse ter feeling de jogo de luta, no sentido Street Fighter da coisa. Infelizmente saiu também com problemas de matchmaking, e a campanha, embora interessante, não empolgou o suficiente para merecer uma rejogada. Está mais para um bom (e necessário) tutorial ampliado, que faz o suficiente em termos de história e ambiente para justificar as 8 horas de duração. Vocês podem saber mais sobre ela no Roomcast 94 e no Godmode Drops 276.

Mais duas semanas depois, no dia 28, chegou aquele que talvez seja o maior exclusivo da Sony no ano, Horizon: Zero Dawn (PS4). Como primeira experiência da Guerrilla Games no modelo “jogo de ação em mundo aberto”, está cumprindo com sobras as expectativas. Entre a quantidade surpreendente de conteúdo narrativo, o bom sistema de combate focado em preparação, a qualidade técnica fora de série – tranquilamente o jogo mais bonito que já vi – e a exploração de um mundo pós-apocalíptico peculiar, o jogo merecia recepção até melhor do que recebeu. Saiba mais sobre ele no Godmode Drops 278 e no Roomcast mais recente, e assista o início do jogo transmitido no canal da PlayRoom.

Março Massivo

E quando você achava que poucos jogos pudessem igualar ou superar Horizon: Zero Dawn ou mesmo Nioh… O Nintendo Switch chega ao mercado no dia 03The Legend of Zelda: Breath of the Wild toma o Metacritic, a mídia e as discussões de assalto. Entrou direto nos 5 jogos mais bem avaliados desde a criação da ferramenta online, e foi comparado até com Ocarina of Time. No início, achei que era exagero, mas quando resolvi finalmente capitular e pegar no Wii U mesmo… Olha… A coisa é séria.

Esse Zelda de fato é um divisor de águas, um feito da Nintendo que vai servir de base de comparação para todos os jogos de mundo aberto daqui em diante, especialmente pelos diversos sistemas de física e interação enfiados ali. Falei de apenas uma parte de tudo isso no último Roomcast, e desde então já são mais de 50 horas de jogo. Nenhum outro jogo de mundo aberto – nenhum, nem mesmo Witcher 3 – é tão gostoso de explorar, nem tão recompensador. Mesmo as quedas constantes de framerate, algo extremamente incomum para um jogo da Nintendo, conseguem diminuir o brilho do jogo. Tudo entrou em suspensão imediata até eu terminar ele, sem discussão.

No dia 07 saiu Nier: Automata no PS4, mas aguardei a versão de PC, que chegou ontem mesmo (17). Outro jogo que surpreendeu pela recepção acima do esperado, a parceria entre a Platinum Games e o pirado designer japonês de RPGs Yoko Taro virou uma mistura insana de ação “bayonetística” com… shoot’em upDual-stick shooterNier: Automata é tranquilamente o jogo com a estrutura mais intrigante e ousada do ano até agora, com mudanças constantes de posição da câmera (de lado, de cima, atrás do ombro etc.) e jogabilidade de acordo. Cobrimos esse lado dele no Roomcast 88, mas mal sabíamos que aquela demo era apenas a ponta do iceberg.

Yoko Taro parece ter ajudado a levar a “fórmula Platinum” de jogo relativamente curto, porém altamente rejogável, a outro patamar: pelo que consta, 40% da narrativa e dos ambientes só aparecem a partir da segunda jogada. Não estamos falando apenas de cenas extras e finais alternativos, mas de fases inteiras e mudanças profundas de protagonista, perspectiva da história e jogabilidade. Dei só uma olhadinha de uma hora no jogo e ele já me apresentou pequenos truques de interface e design dignos de um Kojima. A curiosidade é grande, e ele deve ser o próximo foco da minha lista depois de Horizon e, é claro, Zelda.

No dia 07 também saiu Ghost Recon: Wildlands (PC/PS4/Xbox One), um jogo que não estava tanto assim no meu radar de início… Até jogar o beta aberto com amigos, como contamos no Roomcast 95. Para este fim é divertidíssimo, especialmente com a versão final melhorando a direção de veículos, mas… É 2017. Em outros anos, seria um grande destaque, mas neste turbilhão, todos os outros jogos que peguei no ano são uma prioridade maior, com exceção de For Honor. Joguei umas horinhas ali no dia em que chegou e logo parei para voltar ao Zelda.

Por fim, na quinta passada, dia 16, uma versão trial de Mass Effect: Andromeda (PC/PS4/Xbox One) foi liberada para assinantes do serviço EA/Origin Access, e não resisti a dar uma conferida no Xbox One. O jogo está sendo alvo de diversos GIFs e vídeos com bugs, animações esquisitas, atuações vocais sem brilho e expressões faciais curiosas, mas… Se depender do pouco que vi no Xbox One… Minhas preocupações são outras. Não quanto ao que Mass Effect sempre teve de melhor, como a narrativa e o carisma, e nem o ótimo visual (animações à parte); os problemas são framerate (sofre para segurar 30) e a ação/tiro. A impressão é de que o novo jogo não evoluiu realmente desde o terceiro nesses aspectos, mesmo com o jetpack e o scanner no bolo.

Estou aqui torcendo para ser apenas problemas do trial, e poderei conferir isso melhor quando chegar aqui a versão de PS4 rodando no Pro – infelizmente prevista somente para o dia 04 de abril na bagunçada distribuição brazuca. Além do mais, esse é o tipo de jogo em que impressões iniciais contam muito pouco. Basta a narrativa e a exploração “esquentarem” que logo, logo fatores como ação apenas OK e framerate instável (caso continue na versão final) deixam de incomodar. Dedos cruzados!

E antes que perguntem… Sim, já fiz a pré-venda digital de Persona 5. Claro. Dia 4 é logo ali.

Conclusões

Ufa. Com isso tudo resumido, notaram algumas coisas interessantes?

Bandeira do Japão - proporçõesJapan is back with a vengeance. Reparem: o único jogo ocidental comparável aos melhores títulos orientais mencionados é Horizon: Zero Dawn, que mesmo assim foi um tanto eclipsado pelo melhor Zelda desde pelo menos Ocarina of Time – nada menos do que um clássico histórico. Todos os outros jogos ocidentais aqui parecem perder para Resident Evil 7Yakuza 0Nioh Nier: Automata, a não ser que estes de repente piorem muito no final. Quando parecia que Mass Effect: Andromeda poderia ajudar a salvar o “team ocidente”, o trial não atiça muito as esperanças. E mesmo que se prove no mesmo nível geral, logo depois dele ainda vem Persona 5Que ganhou 39/40 na Famitsu e cuja primeira resenha no ocidente já deu nota 10.

Cadê a Microsoft? Sério, não é pra fomentar guerrinha besta de consoles não… Mas a Microsoft vai precisar rebolar muito no resto de 2017. De exclusivo até agora o Xbox One só ganhou Halo Wars 2, um jogo bem de nicho e fora do seu “habitat natural” (o PC). Quem tem apenas este console teve que se contentar com os multiplataforma, que não se comparam à maioria dos exclusivos da Sony e da Nintendo, com exceção talvez de Resident Evil 7 – que mesmo assim chega ali sem VR, a melhor forma de experimentar o jogo.

Tudo bem que o Scorpio vem aí, e a Microsoft parece estar na mesma posição que a Nintendo estava no final do ano passado, à espera do novo console… Mas a apresentação na E3 vai precisar ser fora de série para renovar as esperanças dos “caixistas”. Cá entre nós, soltar Cuphead logo já ajudaria bastante… *wink* *wink*

Espero que você goste de mundo aberto. Em termos de vendas e marketing, mundos abertos são uma coqueluche da indústria faz um tempo, mas 2017 está passando um tanto dos limites. O bizarro é que o “problema” não está na onipresença da fórmula (e a consequente falta de tempo hábil para jogar tudo), e sim nos surpreendentes resultados. Vejam só, até a Nintendo entrou nessa de cabeça com o novo Zelda e não só conseguiu executar bem, como definiu novos padrões para a concorrência: todo jogo de mundo aberto agora vai ter sua física e sua estrutura comparadas a Breath of the Wild.

E a Guerrilla Games também bota pressão com Horizon: Zero Dawn, ao casar a exploração de um Far Cry, o combate de um The Witcher melhorado e a densidade narrativa de um jogo da Bioware (ainda que sem os mesmos caminhos alternativos) no jogo de mundo aberto mais tecnicamente bonito e bem-feito até então, tudo isso em um cenário com feeling de coisa nova. Se eu trabalhasse na Rockstar ou na Bethesda, só não estaria mais preocupado porque os próximos Red Dead Redemption e Elder Scrolls ainda vão vender os tubos – mesmo que o reinado das duas no ramo do mundo aberto esteja seriamente ameaçado a esta altura.

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