Melhores de 2016: Surpresa

melhores2016Este artigo faz parte da série Melhores de 2016, com os games lançados este ano que este blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2016 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Segurem essa lista de 2016 para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Essa talvez seja a categoria mais longa de todas, como já previsto meses atrás. A questão é… Será que o vencedor presumido se manteve? Depois de setembro a quantidade de candidatos só engordou, então quem sabe? A lista de 2015 já era bem extensa, mas essa consegue ser mais ainda. Então vamos aos jogos:

========== 2016 ==========

Alguns títulos de séries ou produtoras já reconhecidas supreenderam não pelo conjunto inteiro da obra, mas por um ou outro fator inesperado que contribuiu bastante para elevar (ou até salvar) algo que, de outra forma, poderia ser apenas mais um jogo competente (ou esquecível). É o caso, por exemplo, de Far Cry Primal, pelo próprio cenário pré-histórico e por ter abandonado alguns conceitos já batidos em jogos de mundo aberto da Ubisoft; de Batman – The Telltale Series, pela liberdade criativa no universo do morcegão e pela ênfase em Bruce Wayne; de Mafia III pelo excelente início, pela riqueza do cenário histórico e pela trilha sonora licenciada fora de série, que ajudam a combater a repetitividade geral; e de Battlefield 1, pela campanha acima da média, tanto em design de fases e mapas quanto em termos narrativos.

Ainda no mesmo campo, dois jogos de PlayStation VR se destacaram. Batman: Arkham VR entregou não apenas a experiência interativa de “ser o Batman” esperada, como também apresentou um inesperado tom beirando o terror, nível Silent Hill mesmo. E Until Dawn: Rush of Blood, que parecia ser apenas mais um jogo de tiro on-rails, acabou se provando tão bom quanto os melhores do gênero (nível House of the Dead) e ainda conseguiu gerar sustos genuínos com um bom uso da tecnologia. Nada mau para dois jogos que poderiam ter existido apenas para chamar a atenção do grande público para o PlayStation VR, sem maiores pretensões ou cuidado.

E aí podemos passar para outros jogos também com alguma bagagem e/ou expectativa, mas que surpreenderam em diversos aspectos. Entre as franquias e estúdios menos famosos, podemos lembrar de Inside – que sim, ainda tem algo de Limbo, mas elevou demais o nível de acabamento em todos os aspectos e trouxe uma das reviravoltas mais chocantes do ano. Já Zero Time Dilemma fez um milagre: conseguiu amarrar todas as pontas soltas de uma das séries mais complexas de nossos tempos (Zero Escape), conseguiu manter a tensão mesmo para quem já estava calejado com a franquia, e apresentou uma estrutura de jogabilidade/narrativa bastante diferente e ousada. E olha que o jogo quase não chegou a sair… Lembrando, ele ganhou aqui a categoria Puzzle/Exploração.

Já entre os blockbusters, tivemos uma série de boas surpresas. Por exemplo, ninguém estava esperando que a campanha de Titanfall 2 chegasse tão boa em tantos aspectos: carisma dos personagens, variedade de sistemas/jogabilidade, cenários lindíssimos, e um excelente tutorial disfarçado para o PvP. Que, aliás, também surpreendeu um tanto pelas novas mecânicas voltadas ao jogo em equipe. Final Fantasy XV também era uma incógnita, mas causou espanto pela liberdade, pelo foco em combate de ação redondo e por não ter medo de mexer radicalmente em alguns aspectos clássicos da série, como o sistema de magias. A narrativa foi uma surpresa também – negativa para quem queria algo mais profundo dentro do próprio jogo (não em filmes e animes à parte), positiva para quem só queria mergulhar naquele mundo sem maiores distrações.

Watch Dogs 2, então? É até difícil expressar em palavras o quanto ele é melhor que o anterior em praticamente tudo: cenário, humor, narrativa, diálogos, personagens, estrutura do mundo aberto, jogabilidade, itens novos (especialmente os drones) e, principalmente, o tom geral do jogo. E olha que eu sou daqueles que só se incomodou mesmo com o protagonista e a história do primeiro jogo. Por fim, não parecia que Forza Horizon 3 ia fazer mais do que trocar o cenário e expandir as opções de co-op, mas acabou incorporando até personalização do próprio festival pelo usuário e uma série de outros aprimoramentos e variações. Só pelo resultado ser candidato a melhor jogo de corrida de todos os tempos, já diz muita coisa.

Agora podemos começar a enfileirar os jogos que surgiram meio que do nada e/ou com pouca ou nenhuma expectativa. Alguns indies entram aqui, como Oxenfree, que conseguiu apresentar uma experiência majoritariamente narrativa bem diferente dos jogos padrão da Telltale, de onde os desenvolvedores do jogo saíram. Outro exemplo: você podia até imaginar que um dia alguém tentaria “transportar” Dark Souls para 2D, mas não com a qualidade geral de Salt of Sanctuary. Da mesma forma, até sabemos da qualidade da Insomniac Games, mas não em um jogo metroidvania de orçamento menor e publicado pela cadeia de lojas GameStop, como Song of the Deep. E claro, não vamos esquecer do exemplo supremo, SUPERHOT: o Hotline Miami de 2016, o jogo que apareceu de repente e puxou o tapete de todo mundo com uma fórmula totalmente única (já levando a categoria Distribuição Digital aqui).

O PlayStation VR também teve suas gratas surpresas de orçamento menor do que um AAA, mas com conceitos inovadores ou extremamente bem realizados. Por mais que a Sony tivesse anunciado “50 jogos no lançamento”, você não esperaria um jogo de cabeçadas para o gol em uma prisão, com o sarcasmo ácido de um Portal (Headmaster); um jogo de esportes com combate de mecha offlineonline, com um punhado de conjuntos de regras diferentes (RIGS: Mechanized Combat League); ou um jogo de ritmo em uma trilha só com clima “opressor”, quase de terror (Thumper). E vejam só, a Ubisoft conseguiu de novo: depois de surpreender no lançamento do Wii U com o inusitado Zombi(U), chegou à realidade virtual com o bom Eagle Flight, que equilibra cuidadosamente uma jogabilidade relaxada e contemplativa com competição online em uma bela Paris estilizada, tudo isso sem causar dores de cabeça ou náuseas.

Em termos de puro conceito, também podemos destacar Grand Kingdom, um jogo que mistura RPG, estratégia de tabuleiro, batalhas em arena com “trilhas” 2D e timing de jogo beat’em up. Parece incongruente? Pois é, mas funciona. A narrativa não é lá grandes coisas, mas além de ser compensada pela inovação conceitual, ainda é justificada por outra grande surpresa para um jogo desses: um mundo com persistentência online. E não, não estamos falando de disputas diretas, e sim de uma competição por reputação de acordo com seus feitos no jogo. Você pode seguir jogando para se tornar o bando de mercenários mais famoso daquele mundo persistente, uma ideia com potencial para ser extremamente viciante.

E o que dizer então dos reboots, normalmente tão malfadados? 2016 foi O ANO das franquias renascidas com excelência fora do comum. Quem não se impressionou com a beleza, a diversão e a variedade de Ratchet & Clank, o melhor jogo de plataforma do ano aqui no blog? E com a campanha de Doom, talvez a melhor campanha de jogo de tiro desta geração? E Hitman, então, que superou as imensas dúvidas ao anunciar um modelo episódico totalmente inesperado, não apenas “rebootando” a série com louvor como trazendo-a de volta ao topo de listas de Melhores do Ano, algo que não acontecia desde os primeiros jogos da franquia?

Mas ainda assim, com tantos candidatos, o vencedor da categoria é…

Overwatch (PC/PS4/Xbox One)

Já estou ouvindo vários argumentos e torcidas de nariz da parte de vocês. “Ah, mas é a Blizzard!”… “Ah, mas é Team Fortress!”… “Ah, mas o beta aberto, com tudo liberado, já tinha mostrado que seria foda!”… E assim vai. Só que não é tão simples assim.

Em primeiro lugar, pode até ser a Blizzard, mas é a Blizzard em jogo de tiro em 1ª pessoa. Foi algo tão fora da zona de conforto dela que qualquer cheirinho de qualidade é surpreendente, sim – ou você espera, digamos, que se uma Naughty Dog ou Respawn anunciar um MOBA, ele será automaticamente de alto nível? Desculpe, mas não, isso não passa nem perto de ser garantido. E agora imagine que esse MOBA fosse tão bom a ponto de suplantar Dota 2LoL. Só imagine. Agora olhe as vendas, a recepção e os prêmios de Overwatch, que superou todos os outros jogos de tiro do ano em todos os campos. Entendeu o paralelo?

Quanto a Team Fortress, vou arriscar aqui que você – é, você mesmo, aí no fundão – que disse isso nunca jogou Overwatch ou só experimentou o beta. Overwatch deve tanto a Team Fortress quanto Catherine deve a Q-bert: o básico do básico pode ter servido de inspiração, mas é no máximo uma coluna de sustentação do jogo entre muitas outras, que seguram uma estrutura cheia de ideias bem distintas. Ideias, inclusive, que desafiam uma grande quantidade de convenções dos jogos de tiro competitivo onlinecomo expliquei aqui na categoria Jogo de Tiro – vencida por Overwatch, obviamente.

Já o beta… Bom, por mais que ele apresentasse o jogo inteiro, foi logo antes do lançamento. Até então, a expectativa estava totalmente em aberto. Além disso, por mais que esse beta tenha sido bem recebido, ele não garantia que o suporte ao longo do ano – todo gratuito – seria tão bom. Mesmo considerando que se trata da Blizzard, pense em Diablo III, que demorou mais de ano para começar a ficar realmente fora de série. O modelo de negócios dela, de fazer jogos que vão durar anos com pouco ou nenhum investimento extra por parte do jogador, é louvável, mas nem sempre “se paga” tão rápido quanto aconteceu com Overwatch.

Fora tudo isso, há mais um fator: Overwatch surpreendeu além do jogo em si. Nenhum outro jogo tomou o mundo tão de assalto, se estendeu tão além do universo competitivo/eSports, não mobilizou pessoas que nem mesmo jogam videogame – quanto mais títulos competitivos online. E não se esqueçam que foi o primeiro jogo de tiro competitivo somente online em muitos, muitos anos a levar uma série de prêmios de Game of the Year, beirando a unanimidade. Para efeito de comparação, Call of Duty: Modern Warfare só conseguiu GOTYs no DICE Awards e nos finados GamePro e GameSpy, e com certeza boa parte disso se deve à campanha solo.

Some todos os fatores acima, e você tem surpresas de todos os lados. Ser da Blizzard na verdade é mais um fator da surpresa, se você pensar bem. E no lado pessoal, vou dizer que, com tudo isso acima em mente, eu estava totalmente desligado de Overwatch até o beta aberto chegar. Sem ele, talvez nem tivesse acreditado no jogo de cara, descobrindo-o apenas após ver quase todo mundo no PS4 – quase todo mundo mesmo – jogando-o sem parar. Ele foi, sem dúvida, a minha maior surpresa em 2016.

========= 2016 ==========

Jogos que poderiam ter entrado mas não joguei ou comprei: FIFA 2017, GNOG, I Am Setsuna, Job Simulator, Let it Die, Obduction, Plants vs Zombies: Garden Warfare 2, Pokken Tournament, Severed, Shadow Warrior 2, Star Fox Zero, The Turing Test, Wayward Sky

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