“Melhores” de 2016: Decepção

melhores2016Este artigo faz parte da série Melhores de 2016, com os games lançados este ano que este blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2016 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Segurem essa lista de 2016 para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Em 2015, a lista de decepções foi surpreendentemente curta, refletindo a natureza “menos é mais” daquele ano – ou seja, menos lançamentos no geral, mas qualidade alta no que efetivamente saiu. Já 2016 foi um tanto diferente. Se você clicou no segundo link, leu o início e estiver curioso, minha tabelinha de lançamentos em Excel em 2016 teve 153 jogos, contra os 91 de 2015. O resultado está aqui embaixo, com uma lista um pouco mais extensa de jogos que decepcionaram este blog de alguma forma.

========== 2016 ==========

Vamos lembrar desde já que “decepção” é diferente de “pior”: é perfeitamente normal que jogos ótimos, ou que valham a pena comprar, sejam decepcionantes em alguma medida. Vou até usar dois casos de 2016 para isso. O primeiro é a expansão/nova versão Rock Band 4 Rivals, que vale cada centavo dos US$ 60 que custa (ainda mais se você tiver DLCs da era PS3 para “resgatar” de graça), mas não fez nada muito além de reinserir recursos que já existiam em Rock Band 3. Outro será polêmico, mas vou incluir aqui: The Last Guardian. Sim, eu adorei o jogo no final, e estava esperando alguns probleminhas típicos de algo que ficou tempo demais no limbo… Mas não que a câmera fosse tão ruim, nem a movimentação tronxa do protagonista, nem os quebra-cabeças oscilando entre fáceis demais e totalmente dispensáveis. Ainda bem que o Trico e a narrativa catapultam sozinhos o jogo para o status de clássico cult, como todos os jogos da Team ICO.

Já outros foram decepcionantes por oportunidades perdidas mesmo. God Eater Burst 2, por exemplo, ainda é obrigatório para quem gosta de clones de Monster Hunter, e essa série talvez seja a melhor em tal “subgênero”… Mas a sensação de “mais do mesmo” foi forte demais, mesmo sendo apenas a primeira sequência ainda. Já The Division sofreu um pouco pelo hype, mas não só. A promessa de um endgame rico, que atrairia fãs de Destiny e afins, ficou o ano praticamente todo em suspenso – a ponto da Ubisoft organizar uma verdadeira “intervenção” no jogo, até trazendo parte da própria comunidade para dar pitaco no desenvolvimento. Pelo menos, ponto para ela por adiar os DLCs e envolver quem mais interessa no “conserto” dos problemas: os jogadores.

Houve um tempo em que as grandes publishers soltavam jogos “menores” interessantes, com cara de indie, todo ano. 2016 não foi um desses, talvez com a exceção à regra da Square (I Am Setsuna, se for tão bom quanto as resenhas sugerem). Unravel (EA) foi até interessante, bonito e melancólico como poucos jogos, mas cansa rápido demais e chega a dar sono de tão lento. E Trials of the Blood Dragon (Ubisoft), então? No papel, colocar a série Trials no cenário de Blood Dragon é genial, mas na prática, os desenvolvedores acharam que poderiam misturar a coisa com os tiros 2D de um Contra… E o resultado, em termos de jogabilidade, foi sofrível. Vale a pena encarar algumas fases pela zoeira, mas não passa disso.

2016 também teve suas decepções no mundo indie “de verdade”, aquele bancado por crowdfunding ou por conta própria mesmo. ABZÛ foi um jogo belíssimo e com uma historinha até bacana, mais direta do que a de Journey, mas a expectativa criada pelo “pedigree” dos envolvidos o transformou em uma leve decepção, sem contar o desempenho ruim do jogo no PC. Dangerous Golf foi outro caso de “pedigree” que não se traduziu em excelência – na verdade, foi quase o completo oposto. Aplicar o modo crash de Burnout em um jogo de golfe dentro de espaços fechados era uma ideia sensacional, mas a jogabilidade é tão confusa e desnecessariamente complexa que mata totalmente a zoeira que poderia ser gerada pela física de destruição. Por fim, há um espaço guardadinho para Virginia em outra categoria destes “Melhores” de 2016… Aguardem.

Outra decepção complicada, que quase levou esta categoria, foi Mirror’s Edge: Catalyst. Ao invés de fazer uma sequência, a DICE/EA resolveu “rebootar” a coisa toda, tentando transformar o jogo original em um mundo aberto de parkour livre, usando a excelente engine Frostbite. Junto com as mecânicas de movimentação refinadas, essas são as melhores coisas do jogo, o que faz valer a sua aquisição por um preço camarada… Mas praticamente todo o resto ficou aquém do original. Pior, a narrativa e a construção de personagens beiram o ofensivo de tão ruins, a ponto de transformar a própria protagonista Faith em uma aborrescente chata em alguns momentos. Compre em uma promoção pesada e jogue, mas ciente de que deve “bloquear” na mente toda e qualquer fala ou cutscene, se não quiser se irritar.

…E antes que perguntem, não, eu não vou botar No Man’s Sky aqui. Ele pode ter seus problemas, mas nada que eu particularmente não desconfiasse que pudesse acontecer. O conceito era ousado e grande demais até para um estúdio AAA, quanto mais para um time indie; na boa, só não desconfiou disso quem não quis ou não se informou bem sobre o jogo, achando que era mais um título de peso da Sony apenas pelo preço cheio. Não foi à toa que o comprei no PC por um valor bem menor do que no console, e o joguei por mais de 50 horas sem grandes problemas ou decepções.

A minha verdadeira decepção de 2016 foi outra, que surgiu do nada e no nada continuou…

Harmonix Music VR (PS4)

Uma das coisas mais impressionantes do PlayStation VR é como o acessório conseguiu, em grande parte, driblar a expectativa de sair com uma série de tech demos mal disfarçadas e coletâneas de minigames. A Sony conseguiu colocar boa parte de seus principais estúdios, e mais alguns de third-parties, a bordo, nem que fosse para fazer jogos menores digitais, porém com uma finalização digna de desenvolvimento AAA ou conceitos inovadores bem realizados. Mas toda regra tem suas exceções, e infelizmente, a Harmonix foi a responsável por “confirmar a regra”.

Quem quiser se aprofundar mais sobre Harmonix Music VR pode ler a resenha completa publicada aqui neste blog, mas o resumo da ópera é o seguinte: a empresa viu uma ótima oportunidade de criar uma espécie de “tocador de música expandido” usando realidade virtual, mas na prática soltou um balaio de quatro possíveis ideias ainda em estado digno de tech demo (muito provavelmente para não perder a janela de lançamento do PlayStation VR). O resultado foi uma coletânea de apps em geral mal desenvolvidos e com pouquíssima longevidade. O mais triste é que dá para ver o potencial aqui, algo que poderia render com mais alguns meses de produção ou updates (que, até aonde sei, não vieram ainda, e provavelmente nunca virão com a péssima recepção da crítica).

Como a Harmonix agora é uma empresa independente e está dedicando esforços para manter Rock Band 4 e produzir um jogo “de verdade” para realidade virtual (Rock Band VR), ficou claro que Harmonix Music VR foi apenas uma rápida tentativa de capitalizar em cima do hype do acessório da Sony. E você aí achando que só executivos endinheirados de grandes publishers poderiam pensar ou agir assim… Nesse sentido, Harmonix Music VR é mais do que uma decepção de jogabilidade ou usabilidade, e sim uma decepção com a empresa que o criou. E isso garante que ele leve esta categoria, sem muita discussão.

========== 2016 ==========

Jogos que poderiam ter entrado mas não joguei ou comprei: 100ft Robot Golf, Ark: Survival Evolved, Call of Duty: Infinite Warfare, Here They Lie, Job Simulator, Mighty No. 9, Plants vs Zombies: Garden Warfare 2

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3 comentários em ““Melhores” de 2016: Decepção

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