Melhores de 2016: Distribuição Digital

melhores2016Este artigo faz parte da série Melhores de 2016, com os games lançados este ano que este blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2016 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Segurem essa lista de 2016 para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

No ano passado, escrevi uma introdução explicando que manter esta categoria vai ficando cada vez mais estranho, graças ao aumento constante das vendas digitais e o ocasional lançamento de jogos “menores” e baratos em mídia física. Ainda assim, a categoria é uma ótima maneira de destacar jogos supostamente menos ambiciosos, em termos de quantidade de conteúdo, sem ter que apelar para o ainda mais vago e limitante termo “indie”. Na verdade, com tantas grandes empresas e estúdios se dando ao trabalho de lançar jogos menores apenas para variar um pouco, limitar uma categoria a indies é um desserviço.

Ainda por cima, há os casos em que jogos de grande porte não apenas são lançados em formato digital, como são estruturados para tirar proveito deste tipo de distribuição, especialmente em formato episódico ou de temporada. Por tudo isso, a categoria se mantém, apenas com uma regra nova: se o jogo é claramente apropriado para distribuição digital, seja por ser “menor” ou episódico, não me interessa mais se ele saiu em disco físico em conjunto ou depois. Isso explicado, vamos em frente:

========== 2016 ==========

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Antes de mais nada, vamos abordar aqueles jogos que saíram em disco e explicar por que eles merecem menção aqui mesmo assim. Há o caso de Street Fighter V, que é basicamente uma plataforma-base para novos personagens, estágios e modos adicionados via distribuição digital ao longo do tempo em “temporadas”… Mas embora a ideia seja ótima, o resultado prático foi uma bagunça tão grande que acabou “queimando” a imagem de um jogo de outra forma bem sólido. Uma pena. Por outro lado, Song of the Deep foi o típico jogo de US$ 20 para venda digital que, por algum acaso, acabou saindo em disco também: um ótimo metroidvania com suas 10-12 horas de duração, bem construído, com cutscenes estilo storybook e valores de produção concentrados na jogabilidade e no visual. Se a edição física ainda viesse com brindezinhos faria mais sentido, mas enfim.

O caso à parte de 2016 foi, claro, Hitman, um reboot em formato episódico que acabou saindo completo em disco agora em janeiro. Se você foi um daqueles que resolveu esperar a mídia física, uma dica: não o jogue como um título AAA em disco comum. Isto é, não passe direto de um episódio a outro até terminar. Fazer isso vai, efetivamente, estragar um tanto a experiência. O jogo foi desenvolvido para cada episódio ser rejogado com novas estratégias, alvos e desafios enquanto o próximo não saía; um walthrough direto “tradicional” vai fazer você perder 80% das possibilidades que ele oferece. Jogue e rejogue cada episódio em outros modos, incluindo os elusive targets, até cansar daquela área antes de passar para a próxima. Hitman foi uma aula de como usar a distribuição digital, e você pode “simular” essa experiência mesmo comprando tudo de uma vez em disco.

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Passando aos jogos que realmente só saíram em formato digital, uma fonte interessante em 2016 foi o PlayStation VR. Por ser um acessório que “pede” sessões mais curtas, ele diversos títulos digitais naturalmente. Batman: Arkham VRUntil Dawn: Rush of Blood foram lançados em disco, mas recaem na mesma lógica de um Song of the Deep e já foram extensivamente comentados neste blog. Outros dois jogos digitais baratos merecem destaque. Headmaster é uma mistura doida de quebra-cabeças de… cabeçada para o gol?… com o humor ácido de… Portal? Já Thumper não levou a “subcategoria” Música à toa: conceito inovador, valores de produção altos, modo VR bastante lógico e imersivo, acessível porém difícil de dominar, e no geral uma surpresa que meio que apareceu do nada. Vale a conferida, mesmo que você não tenha o PlayStation VR.

A distribuição digital também é um caminho seguro e bom para “desovar” jogos menores “de historinha”, que se concentram mais em entregar uma narrativa que não suportaria dezenas de horas de enrolação. É o caso, por exemplo, de Layers of FearFirewatch. Ambos beiram o “subgênero” walking simulator, com uma “jogabilidade” bastante linear e/ou limitada, e se destacam mais por outros fatores: o primeiro por ser bem amarradinho e com alguns momentos “fora da casinha”, ainda que não seja realmente tão assustador; o segundo pelo raro retrato da conexão distante entre trintões solitários em um ambiente isolado. Vale lembrar também de Batman: The Telltale Series, que ainda não terminei, mas desde o começo mostrou como a Telltale não teve medo de virar algumas coisas do mundo do homem-morcego de cabeça para baixo, além de se concentrar em Bruce Wayne muito mais do que você já viu em qualquer mídia.

Outros títulos menores chamaram mais a atenção por visual e/ou jogabilidade. Brut@l é um action RPG isométrico com fases randômicas/roguelike, só que com uma estética ASCII em 3D que não tem paralelo com nenhum outro jogo. Headlander é um metroidvania com jeitão futuro-como-imaginado-nos-anos-60/70, inspiradíssimo em Barbarella, em que boa parte da exploração envolve ficar zanzando para lá e para cá com uma… cabeça flutuante em busca de diferentes corpos-robôs. Vale também pelo humor levemente sexual nesses tempos de patrulha ideológica “pógreçista” neopuritana. Por fim, Pac-Man Championship Edition 2 pode ser uma sequência não tão boa quanto o original… Mas transportar o velhíssimo Pac-Man para uma verdadeira rave com LSD e, no processo, conseguir achar novas mecânicas em uma base tão simples, ainda soa como algo especial e que deve ser celebrado.

Outros jogos foram mais sérios e equilibrados em diversos campos. The Witness é um dos jogos de puzzle mais elaborados e desafiadores já feitos, e ainda entrega tudo em uma ilha misteriosa com diversas camadas de descobertas e um visual simples, porém muito agradável e bem pensado. Pena que cansa um pouco ficar fazendo um puzzle de painel com linhas atrás do outro… Salt and Sanctuary é uma espécie de Dark Souls em 2D, o que por si só já merece atenção, mas também consegue introduzir suas próprias novidades surpreendentes no meio do caminho. Por fim, se você gostou da parte de survival e exploração no solo de No Man’s Sky, não deixe de conferir The Solus Project: com seus sistemas e mecânicas mais sólidos e intuitivos, um visual mais detalhado e um verdadeiro mistério a ser resolvido naquele planeta distante, o jogo acabou se saindo melhor graças ao foco.

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E aí vem o trio de ouro, os grandes destaques de 2016 na distribuição digital. O primeiro é INSIDE, talvez o jogo mais polido e redondinho do ano, com suas surpresas narrativas, quebra-cabeças simples porém envolventes, e seu visual e clima únicos. Ainda assim, é “apenas” um jogo de movimentação lateral sem muita complicação, basicamente um Limbo bombado. Oxenfree é outro caso bem interessante: desenvolvedores saíram da Telltale para fazer uma espécie de adventure de apontar-e-clicar com uma ênfase maior na relação entre personagens, e entregam basicamente Stranger Things: The Game, ou uma história de terror em uma ilha assombrada que você dificilmente irá esquecer. Não foi mencionado na categoria Horror à toa.

O terceiro é o vencedor absoluto desta categoria, reinando o ano inteiro e cavando espaço até entre os melhores do ano no geral:

SUPERHOT (PC, Xbox One)

SuperhotSUPERHOT é daqueles raros casos em que a execução igualou a ambição conceitual. Alguém teve uma rara ideia genial e inovadora – “e se fizéssemos um jogo de tiro em 1ª pessoa em que o tempo só se move quando o protagonista se move também?” – e todas as decisões de design, narrativa, visual e mecânicas posteriores se integraram perfeitamente não apenas para realizar a ideia da melhor forma possível, como para deixá-la divertida e empolgante.

Para começar, o jogo se passa em uma espécie de realidade virtual como imaginada décadas atrás, e os menus em pseudo-DOS e detalhes narrativos entre uma fase e outra reforçam muito bem este lado. Inclusive, vale a pena prestar atenção no pouco de história apresentada no início: a reviravolta no final foi uma das mais interessantes do ano. A estrutura em fases curtas, que você termina em uns 5 minutos em câmera lenta – ou na velocidade que você resolver se movimentar – é potencializada com um replay ao final de cada fase, mostrando o que você fez em velocidade acelerada, em poucos segundos, fazendo você se sentir um verdadeiro Neo da Matrix por ter resolvido a situação daquele jeito tão badass.

As mecânicas incluem sair da frente de balas em câmera lenta, socar inimigos e pegar suas armas no ar antes de usá-las, e mortes com apenas um tiro ou golpe – uma espécie de Hotline Miami em 1ª pessoa, visual retrofuturista e um ritmo completamente diferente. Aliás, o jogo da Devolver é o único paralelo possível para SUPERHOT em mais de um nível: ambos surgiram meio que do nada e ganharam público e espaço no puro boca-a-boca por serem tão estilosos, acessíveis e divertidos. Você até pode achar pequenos defeitos em ambos, seja na linha de visão “sobrenatural” de certos inimigos em Hotline Miami ou o fato de algumas mecânicas finais de SUPERHOT merecerem aparecer em mais fases… Mas não dá para negar o quanto ambos conseguiram realizar com aparentemente tão pouco.

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SUPERHOT ainda consegue levantar algumas questões interessantes sobre um possível futuro virtual, desumanização, mensagens subliminares e afins, mesmo sem necessidade alguma com uma jogabilidade tão criativa e interessante. Sem a menor dúvida, foi o jogo curto e digital mais importante e obrigatório de 2016.

========== 2016 ==========

Jogos que poderiam ter entrado mas não joguei ou comprei: 100ft Robot Golf, Adr1ft, Aragami, The Banner Saga 2, EVE: Valkyrie, The Final Station, GNOG, Here They Lie, Hyper Light Drifter, Holodrive, I Am Setsuna, Job Simulator, Killer Instinct Season 3, Mighty No. 9, Obduction, Rez Infinite, Severed, Slain!, Stories: The Path of Destinies, The Turing Test, VEV: Viva Ex Vivo, The Walking Dead: Michonne – A Telltale Miniseries, Wayward Sky… Ufa!

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