Melhores de 2016: Jogo de Puzzle/Exploração

melhores2016Este artigo faz parte da série Melhores de 2016, com os games lançados este ano que este blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2016 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Segurem essa lista de 2016 para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Se em 2015 a categoria Puzzle/Exploração virou “sub” por falta de candidatos, em 2016 ela voltou com força total. Na verdade, jogos de quebra-cabeças abundaram de tal forma que já havia identificado uma tendência ainda em julho aqui no blog, e o resto do ano só encorpou ainda mais o gênero. Recomendo, inclusive, ler o artigo linkado acima; tudo que escrevi lá ainda continua valendo para esta categoria, e não vou repetir palavras aqui.

========== 2016 ==========

Mesmo lá em julho, quando abordei The WitnessUnravel, Hyper Light DrifterSUPERHOTZero Time DilemmaInside, ainda tinha esquecido de mencionar outros jogos já lançados. Dois deles tinham quebra-cabeças leves que apenas complementam um pouco a jogabilidade mais exploratória: Firewatch, um título focado em narrativa, e Headlander, um metroidvania que ainda não tinha jogado na época. No mês seguinte, outros títulos seguiram um caminho parecido: ABZÛ, uma espécie de clone de Journey embaixo d’água (e sem metade do brilho), e No Man’s Sky, aquele famoooso jogo de exploração espacial, que incluía alguns enigmas matemáticos e de linguagens alienígenas. Tirando os (fáceis) enigmas no controverso jogo da Hello Games, não tivemos nenhuma abordagem mais inusitada em puzzles nesses quatro jogos, embora valha a pena destacar o visual de ABZÛFirewatch e como esse fator incentiva a exploração neles.

the-witness-2

Outro que ainda não tinha jogado na época foi Oxenfree, que também tem quebra-cabeças apenas nominais e esparsos. O forte dele mesmo é a exploração de um cenário 2D com cara de adventure de apontar-e-clicar, seja para encontrar itens que revelam mais da história e do ambiente, “disparar” conversas extras ou simplesmente potencializar o mistério e a tensão ligando o radinho de pilha em pontos mais ou menos aleatórios – uma ferramenta incomum para jogos do tipo. Com sua narrativa sobrenatural intrigante, entre as melhores do ano, e personagens quase tão cativantes quanto os de Firewatch, o pacote de exploração de Oxenfree foi um dos mais interessantes de 2016, sem dúvida.

Nos meses seguintes ainda tivemos mais alguns títulos do gênero, dois deles dedicados ao famoso homem-morcego. Batman – A Telltale Game Series tenta se concentrar mais no lado “detetive” do herói (e em Bruce Wayne), mas o resultado prático é aquele que já conhecemos dos jogos da Telltale: tudo é uma questão de achar onde clicar e em que ordem, nada mais. Já Batman: Arkham VR tem um pouquinho mais de envolvimento em seus poucos quebra-cabeças, até pela realidade virtual, mas também não chega a dar nó na cabeça nem ser tão recompensador; sua vantagem principal, além da visceralidade do VR, é que alguns dos puzzles ocorrem nos momentos mais tensos e puxados para o terror do jogo.

Batman™: Arkham VR_20161013210455

Ainda no campo da realidade virtual, a Sony desencavou Tumble, um jogo de empilhamento de blocos com física realista, originalmente criado para o PS3 e o Move. A versão VR não é um port, e sim um novo jogo feito para realidade virtual – com direito a quebra-cabeças extras que não envolvem pilhas bambas, e sim encaixes diretos de peças com formatos menos regulares para direcionar lasers. Mais uma vez, nada fora de série, mas interessante e que vale pelo baixo preço.

Chegando mais perto do final do ano, saiu The Turing Test, um jogo que só comecei a experimentar agora. Trata-se de uma espécie de Portal no espaço, mais especificamente em uma lua de Júpiter, com uma protagonista tentando descobrir o paradeiro da sua equipe sob a orientação de uma inteligência artificial com voz masculina e britânica. E sim, ela empunha uma arma – que não cria portais, claro (“inspiração” tem limite, né), e sim transfere esferas de energia de um interruptor de porta para outro. Pelo menos no início, os puzzles sempre envolvem as esferas, cubos de energia e um pouco de orientação espacial entre corredores, janelas, plataformas e andares para abrir portas. Infelizmente, o início é um pouco fácil demais; vamos ver se a curva de dificuldade fica mais íngreme com o tempo.

cropped-thelastguardian_ponte.jpg

Por fim, em dezembro tivemos The Last Guardian… Um jogo inesquecível em diversos sentidos, para o bem e para o mal. Mas independentemente do que você acha sobre ele, uma coisa é inegável: os puzzles não são tão inspirados, muito menos em comparação com os de Ico. Isso não é um problema para o jogo, já que fica evidente a intenção de criar obstáculos leves que ajudem a desenvolver a relação entre o menino e o animal Trico, e não desafiar demais o jogador. Mas para os propósitos desta categoria em especial, o que temos são soluções simples e uma progressão linear, que não permite explorar de verdade o belo ambiente criado, apenas apreciá-lo. O forte desse jogo não é aqui, e sim em outras categorias.

E aí, considerando que estou longe de terminar The Witness, o vencedor desta categoria só poderia ser…

Zero Time Dilemma (3DS/PC/Vita)

Zero_Time_Dilemma_BoxTudo que realmente importa saber sobre Zero Time Dilemma já está na extensa resenha que fiz do jogo, mas para os propósitos desta categoria, vale comentar uma ou duas coisas. Primeiro, a série Zero Escape sempre foi reconhecida pelo seus temas (pseudo?)científicos, mas eles nem sempre se traduziam no quebra-cabeças “ideal” – aquele que não entrega a solução de cara e nem te obriga a ficar muito tempo em tentativa e erro, ao invés de usar lógica para chegar à solução. Zero Time Dilemma encerra a série refinando esse lado ao máximo, e só isso já o torna sério candidato nesta categoria.

O que o faz vencer além da integração de temas complexos aos quebra-cabeças, e desses à excelente e doida narrativa, é a força das consequências de resolvê-los. Joguei pouco de The Witness ainda, mas sei que muito da boa recepção que ele teve foi como seus quebra-cabeças vão se integrando ao cenário da ilha com o tempo, a ponto da própria ilha se tornar um grande puzzle e um mistério a ser explorado. Ainda assim, não vi ninguém comentar que as apostas são grandes: você não vai evitar a explosão da ilha ou a morte de alguém, nem salvar o universo ou o continuum espaço-tempo ligando pontos em The Witness. Já em Zero Time Dilemma… Talvez você faça essas coisas.

Nenhum outro jogo que conheço colocou os quebra-cabeças como uma parte essencial da urgência da narrativa, uma parte até visceral de como a progressão se dá. Por isso, tem que levar como Melhor Jogo de Exploração/Puzzle de 2016, mesmo que a parte de “exploração” seja mais de possibilidades narrativas e linhas temporais do que exploração de um espaço virtual.

========== 2016 ==========

Jogos que poderiam ter entrado mas não joguei ou comprei: Ark: Survival Evolved, GNOG, Obduction, Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice, The Solus Project, SuperHyperCube, Wayward Sky

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3 comentários em “Melhores de 2016: Jogo de Puzzle/Exploração

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