Sim, eu surtei e comprei o PlayStation 4 Pro. Em minha defesa, além das explicações usuais (moro sozinho, não tenho família pra sustentar, não tenho carro, não tenho gastos com transporte por trabalhar em casa, quase não gasto com saídas etc. etc. etc.), meu queixo caiu quando vi este vídeo:

Até esperava algum ganho de resolução em jogos do PlayStation VR, mas não diferenças tão drásticas quanto as mostradas aqui: mais cor, mais detalhes, iluminação muito aprimorada, efeitos extras… Quase como se esses jogos tivessem pulado de geração, ainda que continuem não se comparando a jogos de ponta atuais sem VR.

Maluquice feita, o que estou achando do PS4 Pro por enquanto? Como não tenho TV 4K nem com HDR, valeu a pena trocar o PS4 original (que em breve estará à venda, fiquem de olho) pela versão “bombada”?

Antes de mais nada, explicações

ps4proUm dos maiores problemas das conversas sobre o PlayStation 4 Pro é a quantidade de saltos lógicos e mitos que as pessoas fazem e criam sobre resolução, desempenho em comparação com o PC e outros detalhes técnicos. Então, antes de qualquer avaliação, vamos esclarecer algumas coisas:

“Ah, se você não tem TV 4K, não faz diferença”

Incorreto. O ganho de fidelidade visual pode ser menor e apenas em áreas bem específicas, mas ele existe. E nem precisa entrar nos meandros técnicos para demonstrar isso: você provavelmente já teve a chance de ver um PS3 ou um Xbox 360 em uma TV SD (sem HD), e sabe que havia uma diferença para, por exemplo, um jogo de Wii na mesma TV.

O que acontece é que, se o jogo é renderizado em uma resolução maior, como HD (720) ou Full HD (1080), e depois re-escalado de volta para exibição em uma tela com resolução menor, como 480, há uma suavização das bordas sem sacrifício de nitidez. Isso elimina serrilhados e pixels de “sujeira” com mais eficiência do que os efeitos de antialising comuns. Além disso, o contraste e a profundidade de cor tendem a aumentar um pouco. Dependendo da qualidade do visual do jogo, isso também podia ser notado até em jogos Full HD em TVs apenas HD.

A coisa não é diferente com 4K re-escalado de volta para 1080 (Full HD). Na verdade, os efeitos são até maiores; nenhuma solução de antialising, mesmo de jogos em um PC robusto, deixa as bordas tão suaves e nítidas quanto rodar um jogo em 4K ou próximo disso (como 1800p). Simplesmente não “sobra” nenhum pixel. No PS4 Pro, esse é o resultado de inFAMOUS: First Light (na opção “Resolução maior”) e The Last of Us Remastered (1800p por padrão agora).

Moral da história: aumento de resolução sempre resulta em ganho de fidelidade visual, ponto. O que muda é o quanto ou o que você vai conseguir ver desse ganho, dependendo do seu monitor ou TV. Se o ganho que você verá justifica a compra são outros quinhentos.

“Aumenta o framerate/desempenho né? Afinal, é mais poderoso”

Depende. Se um jogo anterior não receber uma atualização específica para o Pro, o máximo que pode acontecer é o framerate original ficar mais estável no que se propunha. Por exemplo, jogos com framerate de 30 que às vezes caíam para 25 podem passar a rodar a 30 sempre ou quase sempre – e mesmo assim depende de como eles foram programados desde o início. Nos poucos jogos que tentam chegar a 60 frames, a chance dessa estabilização ocorrer é ainda menor.

No caso dos que foram atualizados e/ou já sairão com suporte ao Pro, ainda assim depende das escolhas dos desenvolvedores. A ideia do aparelho é suportar 4K, e como isso é muito mais do que os 1080p atuais, boa parte da potência extra do Pro, senão toda, é usada para garantir os tais 4K ou algo próximo, não sobrando “espaço” para ganhos de framerate. Desenvolvedores podem oferecer configurações diferentes em menus que permitam escolher entre mais resolução, novos efeitos e/ou ganho no desempenho, mas não há um mandato para que isso ocorra.

Por exemplo, a atualização de Middle-earth: Shadow of Mordor tem opções, e a diferença de resultado é nítida mesmo em uma TV 1080. Ao escolher “maior resolução” no menu, o jogo continua igual, mas com o efeito de suavização extrema das bordas mencionado acima e cores um pouco mais “vivas”. Ao escolher “maior desempenho”, o jogo continua em 1080p e com as mesmas bordas não tão suaves do original, mas você vê efeitos melhores de iluminação e reflexos, o que aprimora a chuva e aumenta detalhes nas texturas. O framerate não sai de 30, não importa o que você escolha.

Já inFAMOUS: First Light permite optar entre “maior resolução” e “maior framerate“, e o resultado é exatamente o que promete. O jogo original já tinha desbloqueio de framerate no menu e conseguia rodar entre 30 e 40 quadros no PS4 básico; no Pro, ele consegue ficar entre 50 e 60 consistentemente, se você escolher essa opção. Em ambos os casos, não há aumento de detalhes nas texturas nem efeitos novos. Para este jogo em especial, dar a opção de maior framerate é compreensível, considerando que ele já era muito bonito mesmo em 1080p; efeitos visuais extras não mudariam muito o resultado.

“O aumento do Pro não é o bastante, nem se compara a um PC atual”

Estritamente falando, não é mesmo – mas cuidado com as comparações diretas, também. Um engano comum que as pessoas cometem é comparar a placa de vídeo do PS4 Pro com as placas de vídeo atuais para PC, esquecendo que um console “fechado” não tem que lidar com algo importante: o Windows. O processamento gasto pelo console para rodar seu sistema proprietário é uma fração do que um PC gasta para rodar um Windows completo, por mais otimizado que esteja. E não, usar um Mac ou um Linux não iguala as coisas: o PC ainda tem que gerenciar e carregar uma série de drivers, peças e programas sem equivalentes no console.

ps4-innardsPor isso, muito cuidado ao ouvir ou ler coisas do tipo “mas a placa de vídeo do PS4 Pro é tipo uma nVidia GTX 680/750, que mal segura jogos atuais no Baixo/Médio”. As placas se equivalem em poder bruto, mas na prática, a que está no console tem mais processamento livre para dedicar ao jogo, e por isso consegue reproduzi-lo com uma qualidade acima do que a mesma placa faria em um PC comum. Ainda assim, ela não vai “virar” uma GTX 970 ou 1080, é claro. Daí a dificuldade dos jogos atualizados no momento terem um ganho visível de framerate.

Como sempre, a competência de cada desenvolvedora também vai fazer diferença aqui. Se a Sucker Punch ou a Guerrilla Games já fizeram maravilhas com a placa ainda mais limitada do PS4 básico, é claro que vão conseguir aproveitar melhor uma “680/750” no Pro. Já um Mafia III da vida, que sofre para rodar acima de 30 fps mesmo em PCs com uma 970, provavelmente não ganhará quase nada no Pro – talvez suporte a uma resolução lá pelos “2K” e olhe lá. Além do mais, jogos de mundo aberto tendem a usar mais a CPU, e a mudança no PS4 Pro foi apenas de um pouco mais de velocidade do clock (a CPU é essencialmente a mesma).

Lembre-se: nenhum ganho é automático

Mitos e enganos tirados do caminho, vamos reforçar, com letras garrafais, algo importante que já estava nas entrelinhas de tudo acima:

SE O JOGO NÃO FOR ATUALIZADO OU PROGRAMADO PARA O PRO, NÃO CONTE COM MUDANÇA ALGUMA.

Talvez pela forma como jogos rodam no PC, muitas vezes autodetectando a capacidade do seu computador e “se ajustando” de acordo, muita gente ainda acredite que o PS4 Pro vá deixar todos os seus jogos mais bonitos e/ou com melhor desempenho, nem que seja um pouquinho. Não vai, até pelo seguinte: o aparelho “desliga” parte da CPU quando o jogo não é otimizado para ele, voltando a rodar com o mesmo processamento do PS4 original para poupar energia e esquentar menos. O jogo tem que ser atualizado ou programado para o Pro se quiser usar todo o potencial do aparelho, e mesmo assim vai depender caso a caso.

Por exemplo, assista a esta comparação da IGN usando Watch_Dogs 2, que tem suporte a 4K mas nenhuma opção extra nas configurações. Mesmo subindo a resolução do vídeo do YouTube para 2160p (4K) e colocando em tela cheia, o que você vai ver em um monitor comum é um pouco mais de nitidez e suavidade, e mesmo assim só prestando muita atenção nos detalhes à sua volta:

Isso quer dizer o seguinte: mais do que pensar “se eu comprar uma TV 4K, vai valer a pena”, você tem que se perguntar primeiro quais jogos você tem, quais ainda joga, quais pretende comprar e, com essa lista em mãos, pesquisar se eles foram ou serão realmente otimizados para o Pro. Por exemplo, já foi confirmado que Witcher 3 e Destiny não serão atualizados para o Pro. Logo, mesmo que você compre o console e tenha uma TV 4K, eles podem ficar mais borrados por permanecerem em 1080p – piorando sua experiência, mais ou menos como plugar um Wii ou PS2 em uma TV HD. Tudo vai depender da qualidade do upscaling do Pro, algo que não tive como testar, já que não tenho TV 4K.

Por outro lado, Call of Duty 4: Modern Warfare Remastered segura 60 frames com mais consistência no Pro, mesmo com a resolução nativa subindo para 1620p; Rise of the Tomb Raider oferece três opções de resolução e framerate no menu (4K/30 frames, 1080p/45 frames, 1080p/30 frames + efeitos); e Final Fantasy XV já está com quase 50 frames no Pro a 1080p, com planos de chegar a 60 em um patch em dezembro, enquanto continua travado em 30 no PS4 básico. Ou seja, pesquise pelos jogos antes de tomar qualquer decisão; isso ainda importa mais do que a resolução da sua TV atual.

Funcionalidades extras e transferência de dados

Outra coisa que passou batido na maioria das resenhas que li são vantagens menores do próprio sistema, para além das questões de desempenho e visual. O Dualshock 4 que acompanha o Pro é um modelo revisado, ainda que bem levemente. Agora há uma pequena faixa de luz acima do touchpad que espelha a barra de luz posterior, facilitando a visualização da cor nos (poucos) jogos que usam o recurso. Os materiais dos gatilhos e alavancas são um pouco menos escuros e, espera-se, duráveis (quem já tem o DS4 original há alguns anos sabe como as borrachas das alavancas “descascam”). Os dedos escorregam menos no material novo, com certeza.

Para os que gostam de editar vídeos de gameplay e tirar capturas de tela, boas notícias: o Pro grava em 1080p se o jogo permitir (o PS4 básico ficava em 720, e jogos antigos ainda podem forçar essa resolução). Isso é ainda mais bem-vindo para quem se dá ao trabalho de exportar os vídeos para edição no PC, já que a compressão para 720 do PS4 original não era topo de linha (embora seja bem melhor que a do Xbox One). As capturas de tela agora são 4K, o que obviamente produz um resultado maravilhoso em jogos com Photo Mode.

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De resto, o sistema operacional do PS4 Pro é o mesmo do original. Por enquanto, tenho a impressão de que está mais rápido em alguns pontos comuns de “engasgo” do console original, como ao percorrer os jogos da sua biblioteca, mas isso pode ser resultado da transferência dos dados para um HD novo e talvez melhor. Falando nele, o Pro tem 1 TB de armazenamento; ainda não é o suficiente para segurar 3 anos de compras e jogos gratuitos da PSN Plus, mas ajuda nessa era de GTA VElder Scrolls Online batendo os 70 GB graças à quantidade de conteúdo novo.

O processo de transferência de dados tem as mesmas funcionalidades de antes. Você pode copiar tudo para um HD externo e depois para o seu novo PS4, seja ele um Pro ou não. Também pode ligar os dois na mesma rede/roteador (somente via cabo físico, wi-fi não rola) e transferir diretamente. Foi o que eu fiz, mas vale o aviso: a simplicidade tem seu custo. Transferir cerca de 730 GB demorou nada menos do que 18 horas (dezoito!), enquanto via HD externo provavelmente levaria metade disso ou menos, mesmo em duas etapas.

ps4prharddrive2Por fim, infelizmente não é possível tirar o HD do seu PS4 anterior e colocá-lo no novo. Se você, como eu, já tinha trocado o do PS4 original por um de 2 TB, vai precisar de mais um HD do mesmo tamanho para o backup. Como não tenho HD dando sopa e já gastei mais do que devia com um console novo, acabei optando por apagar (quase) todos os jogos que tenho em disco e transferir os tais 730 GB restantes de dados via rede.

Com qualquer método, vai tudo: saves, usuários, capturas, vídeos, temas, configurações… Um espelho completo do PS4 anterior. Nem precisei recalibrar o PlayStation VR. Aliás, falando nisso…

Realidade virtual mais real… ou pelo menos mais nítida

O caso do VR é muito específico e não segue exatamente tudo o que foi dito até agora. Na prática, mesmo os jogos de realidade virtual que rodam a 1080p (uma minoria) sacrificam bastante efeitos visuais, de iluminação e de antialising para garantir um mínimo de 60 frames cravados (se possível 90), necessários para evitar ou reduzir a chance de motion sickness ao usar o PlayStation VR. Além disso, como são também jogos em 3D, precisam ser renderizados duas vezes, uma para cada olho. O resultado são jogos com cara de PlayStation 3, na melhor das hipóteses. A imersão extra do VR compensa, e muito, o “downgrade” visual; mas por outro lado, qualquer ganho vai potencializar a própria imersão, que é o objetivo final da coisa.

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A maioria dos jogos de VR consegue equacionar tudo, mas uns poucos ainda beiram o inaceitável no PS4 básico. Por exemplo, Drive Club VR tem partes de cenário dignas de jogo de PlayStation 2 (!) misturadas com carros e pistas mais detalhados, em um contraste meio esquisito se você ficar prestando atenção demais à sua volta. A demo Kitchen – uma prova de conceito de dois anos atrás, relacionada a Resident Evil VII – tem serrilhado extremo, digno de um jogo de Nintendo 3DS, quando vista no VR. Nesses dois casos, falta uma resolução maior e texturas mais detalhadas, além de efeitos mais “realistas”.

E aí entra a jogada: como nada em VR precisa rodar em 4K e os jogos já estão segurando pelo menos 60 frames (90 em alguns casos) no PS4 original, a potência extra do Pro pode ser toda direcionada para melhorias visuais e subir a resolução para Full HD, algo que não consome tanto quanto subir para 4K. Não é à toa que as capturas de tela no vídeo do início desse artigo impressionem tanto. Em casos como o de RIGS: Mechanized Combat League, há ganhos até de framerate. Isso significa que, para quem ainda tem TV 1080p, a promessa do PS4 Pro pode ser mais realizada no VR. Só não espere que seus jogos de VR passem a ter cara de Uncharted 4; afinal, eles ainda precisam ser renderizados em 3D.

until-dawn-rush-of-blood-us-esrb-ps4jpg-f4795fSó que um detalhe ainda se aplica ao VR. Lembram das letras garrafais? Tudo depende dos jogos serem atualizados. Não tenho nenhum dos que estão no vídeo do início (estou aguardando os preços abaixarem), mas outros também receberam patches, como Thumper e os aqui resenhados Batman: Arkham VRUntil Dawn: Rush of Blood. Como esses já eram alguns dos melhores visuais do VR no momento, o ganho que percebi foi o de nitidez e redução de serrilhado típicos de uma resolução maior. Outros jogos que tenho não foram atualizados (ainda? vai saber), como HeadmasterHarmonix Music VR, talvez por não precisarem: são jogos bem cartunescos e simplistas em termos visuais, e com framerates bem estáveis.

Ou seja: ainda não vi uma diferença comparável com a do vídeo acima, mas o ganho de nitidez e a eliminação de serrilhados são muito bem-vindos na realidade virtual, e não há motivo para não acreditar que jogos futuros de VR fiquem bem melhores no Pro. Resident Evil VII está cada vez mais perto e com certeza vai tirar proveito disso. Os desenvolvedores de Farpoint também já declararam que o jogo vai renderizar praticamente o dobro de pixels no PS4 Pro. Para quem não tem TV 4K, o VR é, sem dúvida, a melhor razão para adquirir o Pro. Mas… É o suficiente agora?

Veredicto final

Tudo depende do que você tem, do quanto está disposto a pagar e do que você busca, mas… De qualquer jeito, tenha mais paciência e senso do que eu, que deveria ter segurado um pouco o impulso: logo após comprar o PS4 Pro, descobri na mesma hora, na mesma loja, que o PlayStation VR já estava R$ 500 mais barato em relação ao que paguei. Vale lembrar que o PS4 Pro tem o mesmo preço original em dólar que o VR (US$ 400), então não é absurdo imaginar que o preço dele também caia tanto ou mais em um mês ou dois. Basicamente, o meu “fogo no rabo” é o responsável por estar sem Dishonored 2Battlefield 1 agora, no mínimo. Não cometa o mesmo erro.

Isso explicado, qual é o seu caso?

“Ainda não tenho nenhum PlayStation 4… Compro o básico/Slim ou o Pro?”

nops4Por tudo que eu li sobre o Slim, ele é o modelo básico sem a saída óptica de áudio e um pouco mais econômico no consumo de energia. Com isso em mente, minha resposta é a seguinte: aguarde um mês ou dois para ver o preço do Pro baixar, vá juntando a diferença de custo, e compre ele quando suas finanças permitirem. Não porque ele valha a diferença tanto assim agora, mas por uma questão de lógica simples: se você esperou três anos para pegar um PS4, pode ficar muito bem mais um tempinho sem ele para pegar uma versão melhorada.

Embora o Pro não seja um salto de geração, ele vai fazer diferença em uma TV 4K, e mesmo no Brasil os preços delas já estão caindo. Não se engane: assim como na transição do SD para HD, uma hora você vai querer trocar a TV para uma 4K, seja em 2017 ou em 2020. É melhor pagar um pouco mais por um console daqui a dois ou três meses e já estar preparado para o futuro do que comprar um Slim agora e depois sentir a necessidade de trocá-lo graças a uma TV nova. Lembre-se de como um jogo de PS2 ficava em uma TV HD e entenda que a diferença em uma TV 4K será equivalente.

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O primeiro Killzone (PS2) em uma TV HD

“Mas… E se até eu comprar uma TV 4K a Sony lançar um PlayStation 5?” Bom, de qualquer forma você passou pelo menos uns dois ou três anos com versões melhores de jogos em sua TV atual. E aí, quando o PS5 chegar, você poderá decidir se o comprará baseado apenas em jogos e funcionalidades, não por ele ter um suporte a 4K que seu Slim ou básico não tem. E se você tem planos de pegar um PlayStation VR em breve, não pense duas vezes – é o Pro e acabou.

O Slim é um console com um público bem claro: parentes querendo presentear filhos, sobrinhos ou netos com um console atual nos feriados gastando o menos possível. Se você paga suas próprias contas e pode comprar um Slim, então tem condições de comprar um Pro daqui a alguns meses, salvo imprevistos pessoais. E se não puder comprar nem um Slim… Bom, em breve os Mercados Livres da vida serão inundados de PS4 básicos usados abaixo de R$ 1.000, incluindo o meu.

“Tenho um PlayStation 4, mas não TV 4K nem VR… O Pro vale a pena?”

ps4hdtvSe você prestou atenção em todas as entrelinhas até agora, éééé… Provavelmente não. Não ainda, pelo menos. Os ganhos existem, como já explicado, mas enquanto não tivermos mais jogos atualizados para ele, fica difícil justificar a compra de um console novo inteiro por um pouco mais de nitidez ou 5-10 frames a mais aqui e ali. Talvez se desenvolvedores conseguirem espremer mais do Pro no futuro, como Final Fantasy XV parece que vai, quem sabe; mas até lá, você pode esperar pelo menos o preço baixar. Nem mesmo o maior espaço de armazenamento conta, já que trocar o HD do PS4 por conta própria é ridiculamente fácil e rápido.

Eu só não estou batendo a cabeça na parede graças às melhorias no VR e às outras vantagens menores, como gravação de vídeos a 1080p. Além disso, já fiz a pré-venda de Final Fantasy XV, e vai ser ótimo jogá-lo com 20 a 30 frames a mais. Ainda assim, poderia ter gastado menos no Pro. Se você não edita vídeos, não tira muitas capturas de tela, não está nem aí para VR e não compra jogos feito um alucinado como eu, não faz o menor sentido migrar para o Pro agora, mesmo que o dinheiro esteja sobrando. Na melhor das hipóteses, espere sair aquele jogo que você está morrendo de vontade de jogar, confira como ele vai melhorar com o Pro e espere uma promoção pesada do aparelho.

“Tenho um PlayStation 4 e estou trocando a TV… Aproveito e pego o Pro?”

ps4tv4kSe você tem esse dinheiro todo, talvez sim, mas não posso te dizer com certeza. Tenha em mente apenas que, no geral, as versões Pro dos jogos que escalam para 4K (ou algo próximo) o fazem ao custo de potenciais ganhos de framerate ou efeitos visuais. Com uma TV 4K, sua escolha entre maior resolução ou maior qualidade visual/mais framerate vai ser bem mais difícil: não serão apenas bordas mais suaves que você ganhará no primeiro caso, e sim um jogo bem menos borrado no geral. Repare que o único até agora que parece conseguir subir a resolução (para 1620p, não 4K nativo) eframerate ao mesmo tempo é Modern Warfare Remastered, justo um remake de um jogo da geração anterior. Não conte com isso como padrão em jogos inéditos: você vai ter que sacrificar um lado ou outro.

“E o Scorpio da Microsoft ano que vem?”

Aí complica tudo. Tudo que escrevi até agora assume que você está mais interessado em um console PlayStation por algum motivo, sejam os exclusivos, o VR ou seus amigos estarem nele. Considerar um Xbox embola tudo, ainda mais pelo Scorpio ainda ser uma incógnita. Se você é aquele tipo de jogador que nem cogita montar ou comprar um PC para jogos, talvez seja melhor esperar mais detalhes sobre o Scorpio (na próxima E3?) do que sair comprando qualquer console agora. Pelo que a Microsoft anunciou, ele terá resolução 4K nativa e poder de processamento até 50% maior do que o Pro em teraflops – o que deve ser suficiente para também rodar jogos novos a 60 frames por padrão.

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Se o Scorpio vai ser bem-sucedido ou não são outros quinhentos que dependem de uma série de fatores, como o preço final e se a onda da realidade virtual vai pegar. E se o Scorpio também for US$ 400 e tiver suporte ao Oculus ou outras soluções de VR até mais baratas, como anunciadas pela própria Microsoft para o PC? É pouquíssimo provável; com esse poder todo de processamento, deve sair a no mínimo US$ 500, e mesmo assim seria com perdas para a empresa.

Se o console chegar por US$ 400-450, o panorama muda completamente. Você pode acabar comprando um PS4 Pro agora ou em breve e descobrir poucos meses depois que o Scorpio será melhor, não sacrificará framerate em nome do 4K, terá realidade virtual mais barata e custará quase o mesmo. Para quem joga mais títulos multiplataforma e não faz grande questão de exclusivos de qualquer um dos “lados”, isso seria uma grande frustração.

##### PS4 Pro #####

Continue acompanhando o blog para saber mais sobre os jogos futuros lançados com suporte ao PS4 Pro, além de uma resenha completa do PlayStation VR!

Um comentário sobre “PlayStation 4 Pro em TV HD: vale ou não a pena?

  1. Minha preocupação é isso abrir um precedente perigoso. E se daqui a dois anos lançam outro PS4.3 e um Xbox One Subzero (ou sabe Deus como a Microsoft decide dar nomes para suas coisas)? Nesse caso fica bem fora de mão em relação a um PC, não?

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