Vivendo na era dos jogos como serviço

Para alguém que joga desde os anos 80 ou 90, às vezes é difícil acompanhar certas “modernidades” do mundo dos jogos. Uma delas, sem dúvida, é a onda dos jogos “como serviço” – aqueles que estão sempre apresentando conteúdo novo, seja eventos especiais ou atualizações com novas possibilidades, geralmente relativas à parte online. Os últimos dias têm sido particularmente complicados com tanta coisa do tipo surgindo em meio a lançamentos importantes.

Do final de setembro até hoje, já tivemos Forza Horizon 3XCOM 2 em consoles, Mafia IIIGears of War 4 e Shadow Warrior 2 saindo. Não vou pegar esses dois últimos agora, mas além dos três primeiros, ainda tenho Deus Ex: Human RevolutionReCorePac-Man Championship Edition 2 e Shin Megami Tensei IV: Apocalypse para terminar, jogar mais ou até iniciar. Mesmo que ignore o resto do mês, com Battlefield 1Titanfall 2, é coisa demais. Tudo que não estava precisando era um bando de atualizações e eventos interessantes em jogos anteriores. Mas eles vieram – e de todo lado.

Enfrentando a fúria da máquina

destiny_roi_raid_weaponsA expansão Rise of Iron de Destiny saiu no último dia 20 e, quase um mês depois, ainda não terminei a raid nova, Wrath of the Machine. Só falta a terceira parte, mas a essa altura esperava já ter encerrado esse capítulo – ainda mais considerando que a raid é mais curta que as outras e, até agora, a melhor que o jogo já proporcionou. As mecânicas cooperativas estão afiadíssimas e o cenário é incrível, com inspiração até de Mad Max em um momento crucial.

A merda é que, nesse meio tempo, o jogo iniciou o Iron Banner, ou o modo competitivo sazonal em que o nível de Luz dos personagens conta (no Crucible, o competitivo “normal”, apenas os atributos das armas e armaduras fazem diferença). Na falta de poder de fogo necessário para avançar na raid e com a promessa (cumprida) de bons itens como recompensa, acabei indo ao Iron Banner com os amigos e tomei gosto no último dia, quando consegui chegar ao nível máximo do evento (5) pela primeira vez.

Agora estamos todos preparados para terminar a raid a qualquer momento, com sorte neste fim de semana. No máximo, espero não passar da semana que vem, pois Destiny ainda terá seu evento de Halloween no final do mês, ao que parece. Mais eventoMais bling-blingMais coisa nova para experimentar em um jogo topo de linha. E olha que nem estou considerando me dedicar à versão heroica da raid, que deve ser liberada antes disso. Aaaaagh.

Frustrando os planos do doutor Junkenstein

ow_halloweenlogin_tg_0038-0Como esperado, Overwatch iniciou seu evento de Haloween, incluindo skins, sprays e penduricalhos afins novos temáticos, que só aparecem aleatoriamente nas caixinhas de recompensas do jogo. Se fosse só isso, não iria me dedicar muito, mas… A Blizzard também incluiu um modo cooperativo contra a máquina, algo que muita gente pedia – eu incluso.

O modo coloca quatro personagens – Soldado: 76, Hanzo, Anna e McCree -tentando defender o castelo de Reihardt contra o “doutor Junkenstein” (sim, nosso querido Junkrat), seu monstro (Roadhog), a morte (Reaper, óbvio) e uma bruxa (Mercy, em uma das skins mais legais do jogo até agora). Complete essa receita com ondas de robôs-zumbis, robôs-granadeiros e as malditas rodinhas explosivas do “doutor”, além de uma narração do próprio Reinhardt que reage ao que acontece na partida, e você tem uma receita viciante demais para ignorar.

Apesar de não ter muita experiência com os outros personagens além do Soldado, é sensacional juntar quatro amigos, combinar estratégias e sofrer para manter as portas do castelo intactas. O único porém é a limitação de quatro pessoas, já que as partidas comuns aceitam seis e sempre há muita gente jogando Overwatch até hoje, mesmo com o lançamento de Rise of Iron.

Agora não, Battleborn, pelamordedeus

battleborndlcattikusA essa altura já tinha largado Battleborn, tanto por ter aproveitado ao máximo nos meses anteriores – dezenas e dezenas de horas – quanto pela queda geral na contagem de jogadores online. Nem cheguei a olhar direito os novos personagens, mesmo tendo o season pass. Os rumores de que o jogo ganhará uma versão free-to-play ou um trial gratuito se intensificaram, e isso abafou um pouco uma notícia que só fui ver por email da própria 2K: Battleborn acabou de ganhar novo conteúdo de história (sim, história) e mapas e modos online novos.

A coceira aqui está grande porque não esperava que fossem acrescentar história a essa altura. O final da campanha é bem direto, sem muita brecha para tanto. O mundo do jogo, claro, sempre pode ser expandido. Mas lançar justo agora, Gearbox? Tudo bem, em novembro seria ainda pior, e esperar três meses poderia matar o jogo de vez, mas… Onde se arruma tempo? Com sorte, no fim de semana.

Os alvos elusivos não param

E aí você tem Hitman, ainda um dos melhores 10 jogos do ano e que não está concluído. Nem terminei o episódio 4 e já saiu o 5, agora no Colorado, EUA. Tá achando pouco? Depois de umas semanas sem um novo alvo elusivo, um evento online de assassinato com tempo limitado e apenas uma chance, acabo de receber um email avisando que o décimo-primeiro (!) alvo está disponível. Porra, Square! Assim não dá, assim não pode!

hitman-elusive-targets-11-the-fixer

Pelo menos, a desenvolvedora parece ter entendido que o momento não está lá muito propício e expandiu a disponibilidade para uma semana, ao invés dos 2-3 dias usuais. Por mais que os alvos sempre “apareçam” no fim de semana, a maré não anda pra peixe, não. E aposto que tem gente do próprio estúdio jogando DestinyOverwatch sem parar nesse momento também… Eles entendem.

Preparando-se para as “maratonas” de Forza

Fiquei tão enamorado com a base de Forza Horizon 3 – um dos dois principais concorrentes de Overwatch em 2016 – que esqueci de uma novidade importante: agora o jogo tem eventos sazonais também, os Forzathons.

Cheguei a ver as condições dos desafios no primeiro fim de semana, mas esqueci completamente de jogá-los a tempo – o que significa que deixei de ganhar, por exemplo, um carro novo, aparentemente exclusivo. E olha que não pareciam tão difíceis, como por exemplo fazer mais de 100.000 pontos em uma sequência de skillsalgo que acontece meio naturalmente em qualquer corrida cross-country, desde que você não bata no meio.

forzathon

Desse fim de semana essas “maratonas” não escapam, mas ainda tem mais: nem encostei no modo online e na campanha cooperativa. Estou apenas explorando o mapa inteiro, abrindo o máximo de corridas, campeonatos, bucketlistsdanger zonesdrift zones etc. etc. etc. Forza Horizon 3 já é um jogo gigante sozinho, quanto mais em companhia de outras pessoas. Pior ainda quando você gasta duas horas criando playlists para a rádio personalizada no serviço Groove Music da Microsoft, desesperado para aproveitar os 14 dias gratuitos que o jogo dá…

Esquece que eu comprei seu jogo, por favor

Por mais legal que seja poder aproveitar um jogo por tanto tempo após a compra, fazendo valer seu dinheiro, às vezes dá vontade de berrar “PARA, POR FAVOR”. Vocês já levaram minha grana, não tá bom não? Precisa ficar me fazendo voltar para não ficar com a sensação de que estou perdendo alguma coisa?

Mario e suas moedas em Smash Bros Wii U

…É claro que precisa. Como sempre lembro aqui, jogos custam US$ 60 há mais de 15 anos, mesmo com o custo de desenvolvimento aumentando exponencialmente, e não dá para fugir de DLCs e conteúdos inéditos para compensar esse desequilíbrio. Além do mais, está claro que a melhor maneira de combater a pirataria é transformar jogos em serviços, por ser a única que não corre riscos de alienar compradores legítimos.

O resultado está aí: expansões substanciais como as de Destiny e Battleborn, eventos sazonais como os de Overwatch e do próprio Destiny, e os desafios recorrentes de Forza Horizon 3Hitman. Não por acaso, todos entre os melhores jogos do ano em que foram lançados. E olha que ainda nem entrei no mérito da fase beta de Evolve Stage 2, que continua ganhando atualizações regularmente, ou dos recém-lançados jogos de esportes, que há anos adotaram o modelo de desafios online semanais também. Ah, e semana que vem sai a expansão de Rock Band 4Rivals, justamente a que “devolve” a parte de cooperação e competição online…

Eu só queria ter dias de 36 horas. Só isso. Quem manda ser maluco e querer experimentar tudo?

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