Como já escrevi aqui, a EA anda numa descendente notávelBattlefield: Hardline, Need for SpeedMirror’s Edge: Catalyst e o “tech alpha” de Titanfall 2 todos decepcionaram no geral ou em pontos específicos, sem compensar o suficiente no que fizeram de melhor. Por conta disso, já estava com um pé bastante atrás de Battlefield 1, mesmo com a necessária mudança de período histórico e o trailer absolutamente embasbacante.

Na terça-feira da semana passada, dia 30/08, o beta aberto do jogo foi iniciado em todas as plataformas, e continua ativo até amanhã (quinta, 08/09). O longo período e a confluência com a Brasil Game Show me fez testar o beta aos poucos, com muita calma e desconfiança, e esperar uma semana para firmar uma opinião – e uma que pode surpreender.

Mais do que apenas uma skin

O principal medo em relação a Battlefield 1 era a possibilidade nada irreal do jogo ser apenas Battlefield em uma nova engine e uma mão de tinta. O mais provável, porém, era que a DICE reproduzisse fielmente armas da época e seus sons, tornando-as mais lentas, imprecisas, “pesadas” e difíceis de usar. Qualquer coisa além disso estava nas mãos do acaso, e considerando o que a própria DICE fez em Hardline e no último Mirror’s Edge, as chances seriam de que aspectos fundamentais de Battlefield permanecessem inalterados enquanto o que o jogo tem de ruim ficasse ainda pior.

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O beta não inclui a campanha, como esperado, e ainda existe a possibilidade dela ser tão ruim em termos narrativos quanto sempre foi (tirando os já longínquos spin-offs meio zoeiros de Bad Company). Porém, eu tenho que reconhecer: no multiplayer, pelo menos no que se pode ver (um mapa e dois modos), a empresa parece ter feito um ótimo trabalho de aproveitar a mudança radical de cenário para expandir o que Battlefield tem de melhor. Talvez eles tenham aprendido com Hardline, ou este jogo esteja sendo feito há mais tempo por uma equipe principal… Não importa. O que interessa é que Battlefield nunca foi tão Battlefield quanto neste beta.

Sim, as armas são o que se espera, mas não foi só esse aspecto da 1ª Guerra que a DICE teve o cuidado de reproduzir bem. O mapa presente, em Sinai, é um extenso campo de batalha aberto em bancos de areia com formações rochosas nas laterais e em alguns pontos centrais. A parte “da frente” do mapa contém trincheiras e construções isoladas, que aos poucos vão dando lugar a pequenos morros e, nos “fundos”, um vilarejo sendo defendido. Detalhes apropriados estão por toda parte: arame farpado, muros semidestruídos, armas estacionárias e até um trem a vapor, capaz de atravessar o cenário de uma ponta a outra.

Acertando em cheio na ambientação

A sacada é que essa ambientação vai além do estético. Pouca gente se dá conta, mas a 1ª Guerra foi, proporcionalmente, muito mais sanguinária e mortal do que a 2ª, e Battlefield 1 captura boa parte dos porquês: além da imprecisão do equipamento, terrenos poucos propícios e difíceis de defender, cheios de ventanias e impedimentos ao avanço seguro. É dificílimo se locomover sozinho no jogo; botar a cara para fora em pleno campo de areia é pedir para morrer em 5 segundos. Muito cedo no beta, esquadrões aprenderam a se movimentar com cautela, usando as formações rochosas como cobertura e garantindo apoio contra inimigos isolados. Battlefield já não era uma franquia para “lobos solitários”, e Battlefield 1 parece dobrar a aposta nesse aspecto.

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Tudo conspira contra, e não apenas o design do mapa. Arames farpados causam dano, tempestades de areia realmente atrapalham a visão, equipamentos antiveículos são ainda mais limitados (somente a classe Assault tem granadas antitanque de saída, por exemplo). Por outro lado, com exceção dos tanques maiores, os veículos parecem mais frágeis. Andar a cavalo pode acelerar bastante a mobilidade nas perigosas áreas abertas, mas deixa-o muito mais exposto, também – e embora tenha alguma resistência, o cavalo ainda pode ser morto com tiros comuns. Na soma dos fatores, cada metro avançado parece uma grande conquista, como deve ser.

Além da sensação geral, Battlefield 1 acerta nos detalhes. O corpo-a-corpo inclui um rush com a baioneta da sua arma (se presente) e opções como porretes, espadas e pás. Equipamentos de detecção de inimigos existem nos pontos de defesa e envolvem uma demorada comunicação por telégrafo. Todos os personagens têm uma máscara de gás, tão grande e desajeitada que impede mirar no escopo da arma. As granadas básicas, tanto antiartilharia quanto antitanque, são grandes, pesadas, têm curto alcance e demoram para explodir. A armadilha explosiva da classe Support é feita com uma garrafa e uma corda. Projéteis em geral também têm pouco alcance e forçam a aproximação; mesmo a sniper da classe Scout perde feio para um rifle moderno.

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Desempenho e gráficos

Como se trata de um beta, seria de se esperar que a qualidade gráfica não fosse das melhores, assim como o desempenho. Na prática, Battlefield 1 já está impressionante visualmente: nota-se que conseguiram melhorar mais ainda o incrível resultado da engine de Star Wars Battlefront, especialmente nos efeitos de ambiente, como tudo relacionado à areia. O outro lado da moeda é que, nos momentos mais frenéticos – geralmente no final das partidas, com dezenas de soldados brigando pelos mesmos um ou dois pontos e inúmeras explosões e veículos ao redor – o framerate começa a cair visivelmente. Como a otimização de jogos costuma ser a última etapa de desenvolvimento, espera-se que o jogo sustente a “lisura” inicial das partidas na versão final.

Não há o que comentar sobre a parte sonora e de destruição – é o que a série sempre fez de melhor, e a qualidade continua acima da carne seca aqui. Da mesma forma, outro problema recorrente nos últimos Battlefield, pelo menos na época de lançamento, se repete: o matchmaking falho. No primeiro dia, demorei quase meia hora para conseguir entrar em uma partida. Da mesma forma, entrar no mesmo jogo dos amigos é uma tarefa extremamente burocrática e incerta; no sábado passado, não consegui de forma alguma. Por algum motivo, a opção de apertar R3 (um botão já pouco intuitivo) para entrar no jogo de um amigo simplesmente não aparecia, e quando voltou a aparecer, não foi para todos na lista – e mesmo assim não funcionava, gerando erros de rede.

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A “solução” que a DICE parece ter encontrado para isso foi incluir listas de servidores nas versões de consoles, em uma versão simplificada e mais acessível do antigo Battlelog. Na prática, isso significa que você pode demorar para entrar em uma partida/servidor… Mas quando entrar, só sai por decreto. Em nenhum momento caí do jogo ou senti lag, mesmo em partidas de 32 x 32 pessoas no modo Conquest. Pode não ser o ideal, mas já está à frente do estado horroroso da rede no lançamento de Battlefield 3 e, em menor escala, em Battlefield 4. Além do mais, é para corrigir essas coisas que betas existem. O jeito é torcer para que resolvam.

Os poucos erros que persistem

Além dos problemas de sempre no matchmaking, há outras pequenas coisas que incomodam. Por exemplo, no beta, não é possível customizar seu personagem fora dos servidores, obrigando o jogador a perder tempo de batalha bastante precioso gerenciando desbloqueios na tela de spawn. Ainda há pontos de clipping do cenário, onde uma colisão de objetos incorreta pode prender seu personagem no lugar. Certos detalhes destruídos ainda podem deixar um pedaço de textura flutuando no ar. E por fim, em pelo menos metade das partidas, a tela de resultados finais simplesmente não carregou, deixando o jogador sem nenhuma informação de como ele se saiu.

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Como se pode notar, em grande parte detalhes típicos de build de beta, o tipo de coisa que pode ser facilmente corrigida mesmo nas últimas semanas de desenvolvimento. O que importa é que a base está sólida, diversa e apropriada, como deveria ser. Há diferenças suficientes para os Battlefields anteriores para justificar o jogo, e ao mesmo tempo, não viraram fundamentos de cabeça para baixo sem sentido algum, como aconteceu em Hardline. Até que enfim, parece que a EA vai dar uma dentro.

Um comentário sobre “Beta de Battlefield 1: se joga na trincheira

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