OK, a essa altura a poeira já baixou e vocês já leram e ouviram diversas opiniões sobre as conferências da E3 deste ano. Infelizmente, com todo o trabalho atual nas minhas mãos (Watch Dogs 2, estou olhando para você!), não deu tempo de fazer mais do que um artigo ainda no calor do evento – e aí, obviamente, escolhi relatar os meus destaques pessoais. Porém, é bom deixar registrado do que não gostei, nem que seja para referenciar no futuro. Blogs são perenes, lembram?

Isso dito, aí vai a lista das coisas que me decepcionaram na E3 deste ano:

A falta de senso da EA como um todo

É impressionante que, depois de todos esses anos, a EA ainda pareça não entender o que as pessoas querem ver em uma conferência – ou até saiba, mas não consiga se organizar de acordo. Todo ano os mesmos erros se repetem. Por exemplo, sempre temos vídeos de funcionários felizes (em tese…) contando algo sobre o que estão fazendo, mas sem mostrar gameplay nenhum – às vezes até sem trailers, como ocorreu de novo este ano. Enquanto isso, a Ubisoft reservou esse tipo de conteúdo para o anúncio de Watch Dogs 2 na quinta antes da E3 – e mesmo assim mostrou um pouco de gameplay no meio, e complementou com uma missão inteira sendo jogada na conferência depois.

EA vivendo na própria bolha

Além disso, alguém na organização dessas conferências parece adorar a ideia de gente falando sem parar no palco. EA, entenda: não adianta um executivo vir falar que está empolgado com o novo modo história do Fifa 17, é preciso mostrar o que esse modo tem – e não, algumas cutscenes não explicam nada. O modo vai ter escolhas? Como o modo reage aos resultados das partidas? Como é a progressão do personagem? Colocar o ator que dublou o protagonista no palco não responde a nenhuma dessas perguntas. E o jogo sai em poucos meses: assim, fica parecendo que não há nada de interessante a mostrar.

Aliás, esse foi o tom geral da conferência da EA. Com exceção de Titanfall 2, parecia que não havia nada de realmente novo e/ou legal para mostrar – nem em Battlefield 1, nem em Mass Effect: Andromeda (que se bobear vai acabar sendo adiado de novo). E olha que a empresa “tirou” sua conferência do evento principal, armou duas apresentações separadas, adiantou seu cronograma para o domingo… Todo esse trabalho para isso?

EA: o que é Mass Effect: Andromeda, afinal?

O tom geral já ficou explícito nos primeiros minutos, com a “apresentação” de Mass Effect: Andromeda. Dos grandes jogos mostrados, foi o que teve menos “falação”, até por ser o que foi anunciado oficialmente há mais tempo – dois anos, a essa altura. O problema é que essa era a hora de mostrar gameplay, e… Nada. Apenas mais um trailer.

Sim, o visual das cutscenes está lindo, mas é tudo que sabemos. Falou-se que seria “o jogo mais livre da Bioware até hoje”, mas não sabemos como, onde, quando, por quê. A falta de informação foi tão gritante que, um dia depois, o sobrenome do protagonista (a saber, Ryder – piadas com o chinelo abundam) foi revelado no Twitter de um figurão da Bioware, não na conferência. Enfim, um desperdício gigante de oportunidade. Eis o trailer:

EA: pessoal, melhor desencanar de indies logo

Essa E3, definitivamente, não foi boa para os indies. Não que precise ser: para isso existe a PAX, e a E3 é um evento mais para o público mainstream mesmo. O problema é que as publishers ainda estão presas no loop mental “eu tenho que ter algo de indie para parecer cool“. Pessoal, sabem de uma coisa? Não precisam não. Sério. Se for só para dizer que têm indies, melhor não se dar ao trabalho. Ou mergulhem de cabeça e lancem vários indies distintos por acreditarem no potencial, como Sony e Microsoft (e Ubisoft, às vezes) fazem, ou deixem quieto. Ter indies, por si só, não vai apagar toda a negatividade que vocês recebem por serem grandes publishers. É só olhar os exemplos de Activision e Bethesda: ambas não estão nem aí para indies e não poderiam ter reputações mais opostas.

É pior ainda, EA, se vocês decidirem reservar 5 minutos para “louvar” os indies e acabarem passando metade desse tempo com um desenvolvedor falando coisas semi-inteligíveis no palco e depois mostrando um único título – e um verdadeiro sonífero, como esse Fe abaixo. O jogo final pode até ser bom, mas está ficando insuportável essa mania de querer associar indie com coisa “emocional”, “tocante”, que “repensa a condição humana”, ou nossa “relação com a natureza”. Se depender de anúncios como esse, indie is the new hippie chic. Ugh.

EA: nada de Star Wars

Há algumas semanas, rumores davam conta de que a EA estava trabalhando em três novos jogos de Star Wars: um nas mãos da Visceral, com Amy Hennig (Uncharted) como autora e Jade Raymond (ex-Ubisoft) no comando; outro a cargo da Respawn, de Titanfall; e o segundo Star Wars: Battlefront, que sai no ano que vem. A EA acabou confirmando os rumores bem antes da E3: a ideia é ter um Star Wars novo por ano, independentemente da agenda de lançamento dos filmes.

E na conferência em si, o que eles fazem? Repetem essas mesmas exatas informações, com Jade Raymond no palco (o que é sempre bom de ver… ;D), e mostram um vídeo com… Funcionários felizes de trabalhar em Star Wars e zero gameplay. Teve algumas imagens soltas, mas não sabemos se são de extras para os jogos de Star Wars atuais. Vá lá, os novos ainda estão longe de sair, né? Pois é… Mas nem trailer teve. Nem nome. Nada. Zero. Nil. Foi brochante assim, ó:

No final das contas, o que vimos de Star Wars mesmo foi o jogo novo de LEGO e o de VR na conferência da… Sony. Vai entender a EA.

EA: desperdício de Battlefield 1

Outra bola fora da EA foi desperdiçar toda a curiosidade em cima do próximo Battlefield se passar na 1ª Guerra Mundial. O novo cenário levanta uma série longa de questões. Como o período vai ser retratado? Essa foi a mais brutal das grandes guerras, e é um assunto espinhoso na Europa até hoje, por não ter “vilões” e “mocinhos” claros. E a questão tecnológica? Como vão ser retratadas armas, dispositivos e veículos que surgiram em estágios embrionários na época, com grandes chances de falharem e causarem mais problemas para os “usuários” do que para os inimigos? Como tudo isso vai afetar o multiplayer?

E o que a EA faz? Coloca um trailer no ar, interrompe no meio para alguém falar, inicia o trailer do início de novo e deixa a apresentação do multiplayer para um stream posterior, fora da conferência. Quem assistiu só esta última ficou sem uma resposta sequer – apenas sabe que o visual está lindíssimo e que há o espetáculo de sempre de Battlefield, com direito a um zeppelin em chamas caindo e destruindo uma larga área. Se você está no campo “é só mais um Battlefield com outra skin“, a apresentação da EA deu toda a munição de que precisava para convencer seus amigos disso. É só assistir o trailer (que foi repetido na conferência da Microsoft, por isso o logo do Xbox abaixo):

Aliás, por que empresas insistem em colocar música claramente moderna demais para um jogo de período histórico? Sério, EA, rap? Pelamordedeus, para.

Você está no campo “ah mas o que me importa é o multiplayer“? Justo. Toma 47 minutos da transmissão posterior. É convincente, sim, me deu vontade de jogar – mas não mostrou nada que mudasse significativamente o gameplay que já conhecemos da série.

Bethesda: o anúncio de Quake Champions

Sim, é claro que eu fiquei impressionado quando notei que o primeiro trailer da Bethesda era de Quake. Depois de reviver WolfensteinDoom com resultados bem acima das (baixas?) expectativas iniciais, por mim a Bethesda e seus estúdios podem reviver tudo quanto é franquia antiga delas. Manda mais, por favor.

O problema é que esse Quake não parece um reboot ou uma revitalização, e sim uma continuação direta da forma na qual a empresa vem tratando a série: jogos de arena multiplayer. Essa direção tem sido bem recebida pela crítica, mas restrita a um público bem específico, geralmente no PC. Seria bem mais interessante ver a ID tentar fazer o mesmo que fez com Doom, incluindo um single-player revitalizado, com nova cara, novas mecânicas e o clima dos primeiros jogos. Quake merecia um resgate para o grande público. Mas não vai ser desta vez, pelo visto:

Bethesda: muito do que já está aí

A empresa também gastou um pouco de tempo demais reforçando o que ela já tem no mercado e/ou anunciou ano passado. Dishonored 2 ganha um desconto porque não tínhamos visto gameplay de verdade ainda, mas quase todo o resto… Fallout ShelterFallout 4 estavam lá de novo com suas expansões futuras, assim como o cardgame de Elder Scrolls e o recém-lançado Doom, que vai ganhar… recursos novos no Snapmap (se ainda tivessem anunciado fases novas…). O pior de tudo foi o tempo dedicado a Elder Scrolls Online. Sim, eu gosto do jogo e ele atingiu a impressionante marca de 7 milhões de inscritos, mas… Sete minutos só para anunciar uma expansão da Dark Brotherhood, sem gameplay aprofundado, foi demais – e olha que teve mais falação antes disso. Vale a pena assistir só para ouvir os gritos histéricos constantes de fãs femininas:

Microsoft, por favor, troque de diretor de filmagem da conferência!

A conferência da Microsoft repetiu um dos maiores problemas do ano passado: fizeram um palco ultraelaborado e, por isso, a imagem alternava para as câmeras mais distantes o tempo inteiro, para mostrar o palco todo. Tudo bem fazer isso enquanto alguém está falando, mas o diretor (ou seja lá qual for o cargo do responsável por escolher qual câmera é exibida na transmissão) insistia em fazer a mesma coisa durante a exibição de jogos no telão, às vezes por vários segundos.

O resultado é que “perdemos” trechos importantes de alguns trailers e vídeos, sem contar que as trocas constantes de câmera acabam parecendo truque para esconder que o visual não está tão bom assim. Dead Rising 4 em especial sofreu demais com isso: o trailer no YouTube parece ter um visual mais nítido do que o visto na conferência, por exemplo. Mesmo que os gráficos do jogo estejam no mesmo nível do 3, longe de se equipararem aos jogos topo de linha de hoje, a direção da filmagem da conferência fez o jogo ter uma aparência ainda pior.

Microsoft: Gears of War 4 não empolga

Talvez minhas impressões tenham sido “coloridas” pelo que vi no beta do jogo, mas a cada nova fornada de informações sobre Gears of War 4, meu interesse nele diminui. Sim, o trailer de anúncio do ano passado prometia, com um retorno às raízes mais sombrias/de terror gore do primeiro jogo da série. Desde então, foi só ladeira abaixo. Nada de novo no gameplay, nenhum grande salto visual (tirando alguns efeitos de partículas), nem mesmo mapas mais expansivos/intrincados ou novas armas que empolguem. A coisa ficou pior ainda quando soubemos o que a Sony está fazendo com God of War: não apenas um reboot completo de cenário, mas também de gameplay! Era tão difícil assim, Microsoft, revitalizar Gears sem perder a essência? Será que vale a pena ter tanto medo de desagradar os fãs, apenas para o beta aberto passar batido, quase sem exposição posterior na mídia?

Para quem não está nem aí é só quer mais Gears, aí vai o vídeo:

Microsoft: esse Tekken 7 aí é para o 360, né? Não?!

Sim, Microsoft, eu entendo que perder Street Fighter V (apesar dos pesares do jogo) foi uma porrada séria. Normal querer destacar Tekken 7, então. Mas sinceramente… Se eu sou executivo da empresa e vejo o trailer que a Bandai tinha em mãos… Mandava cortar. Nada contra a série, e não duvido que o jogo possa ser bom no final. O problema é que ainda está com muita cara de título da geração passada (mais ainda com os cortes de câmera terríveis da conferência). Perde feio em visual para Killer Instinct, que estava lá no lançamento do Xbox One, e é comparável no máximo ao Street Fighter anterior de PS3 (com exceção talvez, de novo, de um ou outro efeito de partículas). Para um console que é constantemente “acusado” de entregar versões com menor fidelidade gráfica, é um risco mostrar um jogo nesse estado em plena E3. Confiram vocês mesmos:

Microsoft: Dead Rising 4 eclipsado

Não me entendam errado: eu curto Dead Rising, mesmo com todos os problemas de sempre. Quero mais é a volta de Frank West e a zoeira característica na hora de matar zumbis, ainda mais em um cenário de natal. Mas mesmo que não me importe tanto assim com gráficos, é preciso reconhecer que o visual não evoluiu quase nada desde o terceiro jogo (tirando as cutscenes), e que a direção da conferência fez o jogo parecer mais datado ainda. O pior veio depois. Um dos pontos fortes de Dead Rising sempre foi a quantidade absurda de zumbis na tela; aí, nesta E3, veio Days Gone na conferência da Sony, e agora temos a mesma montoeira de zumbis em um jogo com visual mais de ponta. Claro, a zoeira ainda é única em Dead Rising, e certamente vou acabar jogando o 4… Mas anotem aí, Capcom e Microsoft: o quinto jogo (se houver) vai ter que dar um belo salto de gameplay e visual, ou a série já era. Vejam o trailer:

Ubisoft: águias que matam cuspindo

Como sempre, a Ubisoft não perde a chance de pular de cabeça em uma tecnologia nova, e lá está ela empolgada com VR. O negócio é que os dois jogos mostrados na conferência não empolgaram muito, seja por causa do visual, seja pelo gameplay, que talvez precise ser experimentado diretamente para “se provar”. O primeiro foi Eagle Fight, um jogo competitivo online para 3×3 pessoas comandando… Águias. Mostraram capture the flag, o que faz sentido, porém… Como as águias atacam/matam adversários? Soltando algum tipo de bola azul. Sim, tem tiro. Como assim? Elas cospem? Vai entender:

Ubisoft: Star Trek não merece um visual tão simplista

Tudo bem, Ubisoft, a gente sabe que o PlayStation VR não é tão potente quanto o Oculus Rift, e vocês querem faturar nos consoles também. Mas vamos lá, nós já vimos coisas visualmente bem melhores para o PS VR do que Star Trek: Bridge Crew – ainda mais com gameplay em grande parte limitado à cabine da Enterprise. A ideia é muito boa, e não há nada de errado em apostar em um visual cartunesco, mas poderia ser bem mais detalhado do que isso. Jogos de cel-shading já pareciam bem melhores na geração passada. Não à toa, a apresentação mostrou muito mais os atores falando sobre o jogo do que imagens do jogo em si:

Sony: VR, a grande incógnita

PlayStationVRSim, eu coloquei o PlayStation VR como destaque da E3, mas foi pela revelação da data e pelo preço, bem abaixo do Oculus Rift e do HTC Vive. Olhando friamente depois, o dispositivo continua uma grande incógnita, ainda mais após o que a Ubisoft mostrou para VR. Não temos nenhuma boa noção de como será o gameplay de Farpoint, nem se os “mais de 50 jogos no lançamento” serão recheados com um bando de minigames e títulos indie curtos. O Batman e o Star Wars mostrados podem muito bem ser apenas modos extras/DLCs da coletânea Batman: Return to Arkham e do Battlefront atual. Mesmo o Oculus Rift, lançado há alguns meses, ainda precisa de mais jogos para se justificar; é difícil ter fé plena que a Sony irá muito mais longe, mesmo com todo o dinheiro que ela pode tacar no acessório. O jeito é esperar e ver.

Sony: nada do novo PlayStation (4K, Neo, o que for)

54457-the-matrix-path-of-neo-playstation-2-mediaJá havia rumores de que a empresa não mostraria seu novo console agora, mesmo com o “vazamento” das informações e a suposta obrigatoriedade de todos os jogos para PS4 terem um “modo Neo” já a partir de setembro/outubro. Mas com a Microsoft abrindo o jogo e se arriscando a tentar derrubar o conceito de “geração”, meio que “iPhonizando” suas operações, o vácuo na estratégia futura da Sony foi sentido. Não que isso seja ruim, entendam. Talvez seja uma jogada de mestre: esperar a recepção ao caso da concorrente para ajustar seu próprio caminho de acordo.

Ainda assim, esse vácuo abre um espaço para desinformação rolar solta. Se o Scorpio vai ser realmente tão mais poderoso a ponto de aceitar um Oculus Rift, como os boatos sugerem, o que será do PlayStation VR? Será que as pessoas vão mesmo comprar o acessório agora, apenas para ver um console mais apropriado para ele ser lançado no começo do ano que vem, ou até ainda este ano, logo após o acessório? Será que os early adopters não vão ficar irritados? E mesmo que o novo PS4 seja tão poderoso quanto o Scorpio e saia apenas no final de 2017, será que segurar informações agora não abre caminho para a Microsoft levar vantagem no marketing e na “construção” de hype? Temos tempos interessantes à frente, e a postura da Sony só vai se revelar acertada ou errada com o tempo. Por enquanto, é uma ausência sentida e nada mais.

××××× E3 2016 ×××××

Ufa. E chega das conferências da E3 agora. Talvez eu comente alguns dos anúncios, vídeos de gameplay e outras informações do evento que ocorreram fora das conferências, especialmente de third parties… Mas se o fizer, será invidivualmente (Mafia III está com uma cara ótima, por exemplo). Enquanto isso, curtam esses resumos e deixem suas opiniões abaixo!

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