Ainda jogando, e feito um doente: Battleborn

Muito para minha surpresa, ainda continuo jogando Battleborn diariamente. Em parte por abstinência de Overwatch, sim, mas também porque não vou sossegar enquanto não liberar cada um dos 25 personagens (faltam dois ainda) e jogar um pouco com eles (falta um punhado). Afinal, eu paguei pelo jogo. Posso deixar para me dedicar assim a Overwatch no próximo dia 24.

Não sei se conseguirei explicar o que me prende a Battleborn ainda. De alguma forma, as falhas mencionadas nas primeiras impressões deixaram de incomodar, e as forças dele estão aparecendo cada vez mais. Ficou claro para mim que esse é um daqueles jogos que não dá para entender completamente em uma, duas ou cinco horas apenas, seja por causa das nuances dos personagens, seja pela dificuldade de dominar as estratégias nos modos multiplayer/MOBA.

A única certeza que tenho é: Battleborn tem sido meu jogo diário como um dia Destiny foi (e ainda pode voltar a ser). A comparação não é direta, muito menos de gameplay, e sim pela sensação de que mesmo com problemas visíveis (como Destiny no começo), tem alguma coisa ali que me faz voltar sempre. E olha que estou jogando sozinho e com aleatórios… Vamos ver se consigo explicar o que tem me atraído no jogo agora, dezenas de horas depois.

BattlebornAnime

As falhas que a paixão não enxerga mais

Um dos primeiros pontos é que, apesar do jogo ser todo online e o risco de ver a sessão cair no meio continuar existindo, isso nunca mais me aconteceu. Foi uma vez na primeira semana, como relatado no artigo anterior, e depois nunca mais. Nem uma vez sequer.

Também descobri um erro que cometi nesse artigo: é possível voltar a uma sessão sim, pelo menos quando é de co-op. Aconteceu um par de vezes com aleatórios que foram desconectados e voltaram segundos ou minutos depois à mesma missão em que eu estava. Isto é, não vai ser por um pico momentâneo da sua Internet que você necessariamente vai perder tudo que fez.

Outro ponto importante que me manteve no jogo foi a “comunidade”, por assim dizer. Depois de terminar todas as missões sozinho no Normal e notar que não tinha nenhuma medalha de ouro, comecei a usar o matchmaking nas missões de campanha para consegui-las.  No geral, tenho topado com alguns jogadores “aleatórios” que sabem o que estão fazendo. Talvez Battleborn tenha tido concorrência demais em maio e somente quem realmente estava interessado nele o comprou… Mas o motivo não importa: no máximo, o grupo em que caio falha em uma a cada cinco missões. E não passei nem perto de ouvir os xingamentos e lamentações comuns nos League of Legends da vida.

battleborn_failure

Aliás, já que o assunto são os estados de falha… Escrevi antes que podem ser “frustrantes”, mas quanto mais jogo, mais percebo que morrer em Dark Souls e perder X almas também é “frustrante”. Battleborn não é o mesmo tipo de jogo, mas há muito o que aprender nas derrotas também. Pontos de “gargalo” em missões, a importância de efeitos que retardam o movimento de inimigos, bom uso de efeitos de área e/ou de itens de loadout… As variáveis são muitas, e ficam mais evidentes quando você repete missões com outras escolhas. Enfim, falhar missões faz parte da curva de aprendizado.

O problema de não poder escolher qualquer uma das oito missões no matchmaking ainda existe, mas repetir missões em que já tinha ouro deixa de ser ruim quando se percebe outros pontos fortes do jogo – como, por exemplo, a diferença gigante que faz ter um time de heróis distinto a cada partida, ainda mais depois que você conhece “os esquemas” da maioria deles. Na pior das hipóteses, você está entendendo cada vez mais como os personagens interagem entre si e subindo de nível geral (Command Rank). Na melhor, você também se diverte com as situações inusitadas que as combinações de poderes geram.

Os outros problemas menores ainda estão lá, mas são “evitáveis” quando você começa a jogar mais e mais e sabe o que pode acontecer. O único que ainda me chateia é o maldito bug em The Archive de dano contínuo por fogo que não “desliga” – como visto aos 12:40 do vídeo em que consegui o ouro nesta missão.

BattlebornStarringRath

A variedade que salva a repetitividade

Parece contraditório descrever algo como variado e repetitivo ao mesmo tempo, mas no caso aqui cabe. Se há apenas oito missões de campanha e é necessário repeti-las algumas vezes para ganhar medalhas, a diversidade dos 25 heróis (e suas variações de Helix, em menor medida) garantem que nenhuma partida seja parecida com outra, ainda que ambas sejam no mesmo mapa/missão. A sinergia entre os heróis exige muito cuidado: se você escolher um personagem focado em suporte, é importante olhar para o resto do grupo e entender quem mais vai precisar da cura, escudo extra ou qualquer buff que o seu herói puder fornecer.

Outra coisa que só ficou clara ao repetir missões foi notar que elas podem ter sempre os mesmos mapas, objetivos e tipos de inimigos, mas as “ondas” não aparecem no mesmo lugar – e isso é mais importante do que parece à primeira vista. Por exemplo, quando transmiti o jogo, a missão The Archive falhou porque três “mastros teleportadores” de inimigos “caíram” bem na frente da escolta, e o grupo não estava preparado para isso. Em uma tentativa posterior, o grupo também estava espalhado, mas o spawn dos adversários foi mais disperso, facilitando a defesa da escolta. Em resumo: mesmo quando você achar que já conhece a missão, ela pode te surpreender. É preciso estar alerta e preparado a todo momento, e não apenas nos mesmos “gargalos” mais óbvios.

BattlebornIncursion

Também não esperava me envolver no multiplayer competitivo, mas aconteceu. Os dois modos mais puxados pra MOBA – IncursionMeltdown – acabaram me conquistando. O primeiro é mais “tradicional”, com “linhas”, lacaios “sumonáveis” e a busca por avanço de território, buscando eliminar os dois robôs-sentinela inimigos. O segundo modo requer a defesa de lacaios, que surgem em ondas para “se suicidarem” em moedores de metal no meio do mapa, concedendo pontos; o time que chegar a 500 primeiro ganha a partida. Em IncursionMeltdown, a importância de entender os heróis, conhecer o mapa e escolher os itens de loadout certos aumenta exponencialmente, e a vontade de compreender todas as permutações possíveis vicia.

Sobre os itens, a quantidade de drops e todas as suas variações assustou no começo, e acabei ignorando-os em grande parte. Com o tempo, ficou claro que isso era um erro crasso. Dependendo do modo e do andar da partida, ativá-los logo pode ser crucial, assim como a escolha dos itens certos de acordo com o personagem e o custo. No início, eu estava desconsiderando e vendendo itens com desvantagens, até perceber que alguns heróis negam essas penalidades. Por exemplo, Mellka não tem escudo; logo, um item com “-X de escudo” faz zero diferença para ela, mas graças à penalidade, a ativação do item custa metade do que seria sem a desvantagem. Montar loadouts focados em personagens preferidos adiciona opções e estratégia, e pode salvar uma partida.

BattlebornGearboxCommunity

A proatividade da Gearbox

Outra coisa que tem ajudado bastante a continuar jogando é a postura da Gearbox no geral. Como tudo roda no servidor, ela corrige problemas com uma certa rapidez. Já tivemos ajustes de habilidades e atributos de heróis sem sequer um patch no Steam, por exemplo. Mais: após o lançamento, a empresa percebeu que a comunidade estava tendo dificuldades para conseguir prata e ouro em duas missões – uma delas a maldita The Archive. Bastou alguns ajustes no limite de pontuação para resolver isso.

Outra medida foi instituir o primeiro fim de semana de XP em dobro antes mesmo de Battleborn completar um mês – está rolando neste momento. Além disso, a primeira heroína nova sai no dia 31, ou no dia 24 para quem tiver o passe de temporada. Como ela precisará ser desbloqueada com créditos, o XP extra é um belo incentivo para acumulá-los jogando. Se o jogo já é variado o bastante com 25 heróis, com mais 5, então… Fora a quantidade de jogadores que retornará a Battleborn à medida que esses personagens forem saindo.

Junto com o evento double XP, a Gearbox também liberou uma nova playlist na campanha: missões em dificuldade Avançada. Agora você pode formar um grupo no matchmaking para encará-las com mais inimigos. Como os dois heróis que me faltam podem ser desbloqueados completando missões Avançadas, é nisso que estou concentrado agora. Com ondas diferentes e mais numerosas, os pontos de “gargalo” são mais frequentes, exigem mais coordenação, e o jogo de repente mudou mais um pouquinho.

BattlebornAlani

Por fim, a empresa revelou os planos de atualização para breve, e prometeu novos mapas e modos totalmente gratuitos. É um passo importante para acompanhar o concorrente Overwatch, que deve fazer o mesmo, e para ajudar a mitigar um pouco da repetição atual, já que os modos multiplayer ainda têm apenas dois mapas cada. O lançamento a conta-gotas tem outra vantagem, também: dar tempo para a comunidade entender e explorar ao máximo cada mapa. Como dois dos três modos são linha MOBA, isso faz sentido: não é Call of Duty, em que você decora um mapa após jogar cinco vezes nele. Há muito mais coisa rolando em cada mapa, e é preciso dedicação para dominá-los – fora o trabalho extra de projetá-los, também.

A única coisa que parece não ter sido resolvida ainda é o vazio no servidor brasileiro do jogo. Após passar quase 20 minutos esperando formar duas equipes de 6, resolvi mudar a configuração de downloads do Steam para “US – Nova York”, e agora o matchmaking mal demora dois minutos. Não dá para saber se isso ocorre por “ruindade” do servidor brasileiro ou porque poucos jogadores da América Latina compraram o jogo (suspeito que seja uma combinação das duas coisas)… Mas a Gearbox deveria ter incluído nas Opções a possibilidade de buscar jogadores de outras regiões, algo que até Dark Souls já aprendeu a fazer.

Um vício longe de acabar

A essa altura, estou com 46 horas de Battleborn. Só no âmbito dos personagens, ainda há muito o que explorar. Não liberei Ghalt e Deande; não joguei com Ambra, Kleese e El Dragón; e só experimentei Oscar Mike, Benedict, Caldarius, Attikus, Whiskey Foxtrot, Boldur e Kelvin em uma missão cada. Ou seja, mal entendo quase metade dos heróis. Mesmo entre os outros 13, ainda há o que experimentar, graças às mutações da Helix a serem desbloqueadas e o fato de que não usei alguns deles no multiplayer competitivo. Também não cheguei ao nível máximo (15) com nenhum deles – o mais próximo é Isic, que está em 9 no momento. Duvido que resolva tudo isso antes de Alani chegar nos próximos dias.

BattlebornIsicNihilism

Para piorar, ainda tem mapa do multiplayer que nem vi ainda. Sim, só há dois para cada modo, mas comecei a mergulhar nesse lado do jogo mais tarde, e os jogadores tendem a gravitar nos mapas que já conhecem na hora de votar. O que só prova que, para quem “entendeu” o jogo, a repetição de mapas não é um problema real: a composição dos heróis, as decisões tomadas na partida e como você gerencia seus itens e shards é tão importante quanto. Jogar no mesmo mapa de novo facilita ao “eliminar” uma das muitas variáveis da equação estratégica; vê-lo pela enésima vez simplesmente não incomoda nem um pouquinho.

E olha que (por enquanto) não estou nem aí para outros detalhes, como as partes de loreskinstaunts que podem ser desbloqueados para cada personagem simplesmente jogando mais com eles. Mesmo assim, é bom terminar uma partida e descobrir que agora você tem uma skin azul para Isic – já topei até com um grupo em que todo mundo resolveu ir de azul só pela zoeira.

Junte tudo isso – falhas que não incomodam mais, suporte da Gearbox, uma compreensão melhor da gama infinita de possibilidades – e quase todas as reclamações das resenhas de Battleborn de repente ficaram vazias. É visível que os jornalistas, mediante a necessidade de entregar as avaliações em um deadline estrito, não chegaram a passar da superfície do jogo. Trata-se de um problema antigo do jornalismo de games, muito bem explorado neste artigo sobre The Wonderful 101 (em inglês), e que acredito se aplicar a Battleborn como em nenhum outro jogo desde então.

BattlebornMarquisMoney

Ainda não sei se recomendaria pagar os preços absurdos aqui no Brasil pelo jogo, ainda mais em console, onde mudar de região pro matchmaking pode envolver criar uma conta gringa em uma PSN da vida. Mas nem que seja daqui a dois meses, em uma promoção, ou emprestado de amigos, acho que vale a pena experimentá-lo, desde que com um mínimo de dedicação. Abaixo da superfície, há uma pérola ali, que pode ser trabalhada e expandida antes mesmo de receber uma sequência – talvez até desnecessária. E eu continuarei polindo e admirando essa pérola por mais tempo do que o normal.

Anúncios

3 comentários em “Ainda jogando, e feito um doente: Battleborn

Adicione o seu

  1. Fala brother, sei que o tópico já tem um tempinho, mas mas uma dúvida, tu joga na PSN ou na Steam? Eu tenho na Steam que comprei quando teve promoção (fim de maio) e nunca achei partida de pvp… consegui apenas 2 vezes no coop e achei legal.
    Jogar sozinho é bem frustante. Valeu

    Curtir

    1. Oi cara, eu jogo no Steam (se quiser me adiciona lá: fabiosooner).

      Como falei no artigo, o problema é que ou o servidor brasileiro é lento, ou tem muito pouco brazuca/latinoamericano jogando. Eu mudei o servidor de downloads do Steam para EUA (Nova York) e de repente o matchmaking ficou quase instantâneo na época. Domingo passado eu fui jogar de novo e notei que está demorando mais um pouco para achar pessoas, mas eu estava procurando partidas co-op na dificuldade Avançada e a espera não foi tão longa, foi de uns 5-10 minutos por partida.

      O que deve estar rolando é que deve ter mais gente com o jogo no Brasil/América Latina após as promoções, mas como os compradores iniciais (como eu) “se mudaram” todos pro servidor americano desde cedo, a base tá dividida. Melhor mudar teu servidor pra EUA também.

      Curtir

Sem comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: