2015-mini-2011Este artigo faz parte da série Melhores de 2015, com os games lançados este ano que este humilde blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2015 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Aquela listinha em andamento para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Graças aos céus, 2015 foi um ano em que não tivemos tantos jogos ruins quanto se poderia imaginar. A maioria das apostas mais malucas deu certo, quase todas as grandes franquias AAA pelo menos mantiveram um bom nível, e as publishers insistiram pouco em jogos licenciados sem cuidado – uma tendência que já vinha surgindo nos últimos anos, com Shadow of Mordor chegando a levar Jogo de 2014 em diversas premiações, inclusive aqui neste blog. Por outro lado, essa pode ser uma impressão pessoal por ter tido muito mais cuidado com compras do que antes: afinal, 2015 não foi um ano fácil em termos econômicos, tanto na disparada dos preços/do dólar quanto na queda de trabalhos e da atividade comercial neste país sitiado por uma quadrilha.

Vale lembrar mais uma vez, como fiz em 2013, que este blog é totalmente independente e amador – isto é, não recebe jogos para resenhar nem tem uma agenda fechada de tudo que precisa “cobrir”. Isso afeta esta categoria de duas formas. A mais óbvia é que a tendência de qualquer jogador comum é evitar as “bombas” como puder, diminuindo a incidência de jogos ruins entre os experimentados naquele ano. A segunda é que, ao não ser obrigado a jogar nada para cumprir um prazo de resenha no lançamento do jogo, um autor independente fica menos suscetível à falta de paciência que muitos jornalistas veteranos sentem – seja com problemas menores de design ou com mecânicas que precisam ser experimentadas com mais calma para se revelarem interessantes e/ou apropriadas. Portanto, só quatro jogos são mencionados abaixo:

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godzilla-the-game

Antes de mais nada, vamos tirar o elefante branco – ou melhor, o lagarto gigante – da sala: Godzilla. O jogo foi mencionado aqui na categoria Exclusivo de PlayStation e em um artigo da Retrospectiva 2015 pelo que tinha de melhor/mais divertido, mas não se esqueçam: tecnicamente, ainda é um jogo bem ruim. O visual, as limitações de conteúdo, os controles, os diálogos… Tudo é, na melhor das hipóteses, datado (nível era PS2) ou, na pior, malfeito mesmo. Porém, Godzilla ganha “passe livre” aqui por algo que talvez nem seja da alçada dos desenvolvedores: a tosqueira toda acaba sendo engraçada e “espelha” o caráter B dos filmes que inspiram a coisa. Arrisco até a dizer que se fosse o mesmo jogo com os padrões de produção de um The Witcher 3 ou um Metal Gear Solid V, a conta não fecharia, e Godzilla seria somente ruim mesmo. De qualquer forma, não paguem mais do que R$ 50 reais nele e preparem-se para dar risada por algumas horas antes de esquecer que ele existe.

Outro caso bizarro de 2015 vem agora: incluir um relançamento na lista de Piores. O responsável por essa proeza é God of War III: Remastered, e por motivos que eu mesmo jamais esperava. Já mencionei aqui que se trata de um dos relançamentos mais porcos dos últimos anos em termos de conteúdo, além de ser um dos que menos ganhou com a “transposição”, pois o original já tinha um desempenho fora do comum na parte gráfica. Mas o título também revelou outra coisa: a era de God of War como o conhecemos passou. Os jogos de hack n’ slash deram três passos adiante de tantas maneiras diferentes – DmCBayonettaThe Wonderful 101Metal Gear Rising, até o 2D Dust: An Elysian Tail – que ficou difícil apreciar God of War como algo mais do que uma cornucópia visual. O valor de “documento histórico” que outros relançamentos têm estaria garantido se fosse a trilogia completa – ou pelo menos o jogo inicial, onde surgiram quase todas as inovações da série – mas não faz sentido algum buscar isso na conclusão da saga apenas. Até relançar o multijogador de Ascension como um título digital separado e mais barato teria sido mais interessante.

NeedForSpeed_fail

Outro caso de jogo abaixo da média foi o vencedor da categoria Decepção do Ano, Need for Speed. Na verdade, nem se pode dizer que ele seja realmente ruim; é um caso mais de falta de conteúdo e sentido, ainda mais considerando o tempo extra de desenvolvimento e o tamanho do orçamento. A jogabilidade básica continua ótima, como nos jogos mais recentes da série, e o visual é incrível, mesmo limitado à noite e a um mapa relativamente pequeno… Só que quase tudo em volta ficou devendo, como destrinchei antes. A versão de PC recém-lançada parece compensar de algumas formas, como o suporte a volantes e 4K/60 frames, e dizem que o jogo ganhou conteúdo extra nos últimos 4 meses… Mas não li nada sobre mudanças na estrutura frágil dos eventos do jogo, seu pior problema, e nenhum update poderá salvar a falta de foco e tema. Talvez valha a pena no PC quando ganhar 50% de desconto (algo em torno de R$ 60), mas não por mais do que isso.

No final das contas, o vencedor acaba sendo justamente o único jogo de 2015 que experimentei e achei não apenas ruim, como pouco divertido, chegando até a ofender sua inteligência…

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Battlefield: Hardline (PC/PS4/XOne)

BattlefieldHardlineCoverJá fiz uma análise bem detalhada de como a campanha de Battlefield: Hardline se despedaça totalmente graças às inúmeras forçadas de barra na narrativa – a pior de qualquer jogo AAA nos últimos 5 ou 10 anos, sem dúvida alguma (sim, de fazer as histórias de Battlefield 34 parecerem Shakespeare). Também mencionei no mesmo artigo e em uma primeira impressão rápida que essa mesma campanha tem mecânicas novas surpreendentes – como a de render meliantes em vez de matá-los – mas que isso teria sido muito mais interessante em um jogo à parte, não dentro das amarras de um Battlefield. E acho que nem preciso me estender sobre o quanto foi estranho – não, bizzaro – ver o multijogador da série ser confinado a um cenário de polícia x ladrão, a ponto de termos ambos os lados carregando e usando lança-foguetes no meio da rua.

Mas na real o jogo é ruim mesmo desconsiderando tudo isso. Após alguns meses, deixando a raiva pela história ridícula passar, nada ficou da experiência de passar horas e horas tentando entender o que os desenvolvedores pretendiam com Hardline. A mecânica de render bandidos é falha, mal sinalizada na interface e não consegue reproduzir bem a boa ideia de I Am Alive, em que você podia render adversários até com uma arma descarregada. Dá para notar que a intenção era permitir jogar boa parte da campanha em modo stealth, mas isso também foi mal implementado, tanto em termos de jogabilidade quanto de recompensas; a evolução na campanha é fácil demais, não importa como você jogue. Ainda por cima, ela parece ter sido construída em uma engine diferente, não apenas visualmente mais datada – talvez para acomodar as versões para a geração anterior de consoles – como na movimentação, nas mecânicas e na amplitude dos cenários. O jogo consegue ser mais “travado”, restrito e feio do que Battlefield 3.

battlefield_hardline_rocket

A coisa me irritou tanto que nem cheguei a experimentar o multijogador da versão final, mas lembro muito bem das horas que passei no beta – basicamente me perguntando “por quê?!” a cada 10 minutos. O conceito de Hardline, quando aplicado ao multijogador, não apenas não faz sentido como é um limitador gigantesco do que Battlefield fazia muito bem antes: menos incentivos para formar equipes com papeis claros, menos veículos, menos possibilidades de estratégia, menos tudo. A única coisa distinta são as perseguições com carros comuns, e só. Muito trabalho para tentar fazer “algo diferente” e acabar entregando 50% ou menos do que a série era, apenas com skins distintas. Por tudo isso, foi o Pior Jogo que experimentei em 2015.

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Games que não joguei e poderiam ter entrado nesta categoria: Alone in the Dark: Illumination, Fatal Frame: Maiden of the Black Water, The Incredible Adventures of Van Helsing III, Magicka 2, Toren

2 comentários sobre ““Melhores” de 2015: Pior Jogo

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