2015-mini-2011Este artigo faz parte da série Melhores de 2015, com os games lançados este ano que este humilde blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2015 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Aquela listinha em andamento para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Com o desenvolvimento de jogos ficando mais caro e demorado a cada ano que passa, fazer um lançamento multiplataforma é quase uma obrigatoriedade hoje para se ter retorno com blockbusters, e muitos indies também tentam seguir a mesma onda. A coisa ficou tão evidente que os novos Xbox e Playstation chegaram ao mercado com arquiteturas muito semelhantes à de um PC, facilitando os ports. O resultado é que temos cada vez menos jogos exclusivos e, portanto, esta categoria ficou inchada. Além disso, na prática, ela serve como guia para muito do que houve de melhor no PC em 2015: basta tirar os dois jogos de música, ainda restritos aos consoles, e colocar títulos como UndertaleOri and the Blind ForestRocket LeagueSOMA e Helldivers no bolo.

Como absolutamente todos os 19 jogos aqui lembrados já apareceram em alguma categoria anterior, prepare-se para uma enxurrada de links. Vamos a eles:

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Project CARS foi destacado com louvor na “subcategoria” Corrida. Já Assassin’s Creed Chronicles: China foi mencionado brevemente na “subcategoria” Puzzle/Exploração e melhor dissecado na categoria Distribuição Digital. Ambos valem o preço que têm para quem busca o tipo de jogo que eles se propuseram a oferecer, mas nenhum dos dois foi tão excepcional a ponto de merecer um lugar mais alto no Top 19 Multiplataforma, ficando mais na “rabeira” da lista – acima apenas de dois jogos.

Na categoria Ação/Aventura, destrinchei quatro títulos que entram no Top 19, ainda que em posições as mais “espaçadas” possíveis. Dois ficam na rabeira absoluta: Just Cause 3Mad Max. Como escrevi antes, há diversão nos dois, mas ambos ficaram aquém do que poderiam. Just Cause 3 até melhora em um PC capaz de rodá-lo a 60 frames (algo possível só com um patch recente e uma placa-nível-NASA com 4 GB ou mais de RAM), mas mesmo assim não passa de Just Cause 2 com gráficos aprimorados e uma wingsuitBatman: Arkham Knight consegue um posto lá entre o 11º e o 15º lugares, o que seria honroso para muitos jogos… Mas é pouco para a série Arkham, “acostumada” a levar prêmios de todo tipo. Arkham Knight ainda é ótimo, mas tombou um pouco sob o peso de sua megalomania. Já o quarto jogo… Bom, foi o que venceu nessa categoria, e já volto a ele.

GUITARHEROLIVENo meio da lista, temos os dois jogos de maior destaque na subcategoria MúsicaRock Band 4Guitar Hero Live. O primeiro tem como pontos fortes o reaproveitamento de DLCs e periféricos e um divertido modo novo, Play a Show, mas a sensação de “mais do mesmo” o mantém no bolo entre o 11º e o 15º lugares, junto a Batman. Já Guitar Hero Live levou como Melhor Jogo de Música e crava uma 10º posição, tanto pela coragem de mudar o básico quanto pela criação da “MTV interativa dos videogames”. Poderia inclusive ter chegado mais perto do Top 5… Mas perdeu a chance por ter menos músicas offline do que a média, pelo alto custo, pelos bugs ocasionais na GH TV e por outros detalhes menores de design. É um recomeço muito promissor que, se melhorado no próximo (e inevitável) jogo, se tornará um novo padrão para os jogos de música com periféricos de plástico.

LifeIsStrangeBannerDois jogos quase totalmente focados em narrativa e que conseguiram seu espaço na categoria Distribuição Digital estão aqui, em posições bem distintas. Lá entre os 5 últimos dos 19 citados, temos Tales from the Borderlands, que poderia ter galgado algumas posições se a Telltale tivesse usado uma engine nova ou expandido um pouco mais a sua fórmula, já tradicional a essa altura. Basta olhar o caso de Life is Strange: como o jogo apresentou uma mecânica inédita (“rebobinar” o tempo), integrou-a a mais (e melhores) quebra-cabeças do que o jogo médio da Telltale e conseguiu prender a atenção até o final com uma história inusitada e direção de arte interessante, acaba merecendo um lugar entre os 10 melhores Multiplataforma do ano.

Três jogos da categoria Horror também merecem um lugar na lista. Resident Evil: Revelations 2 é o melhor jogo da série desde pelo menos o quarto e ganhou espaço também em Ação/Aventura, mas não chega a inovar; por isso, não fica entre os 15 melhores. Evolve poderia estar no Top 10, tanto pelo assustador e tenso clima geral quanto pelo seu conceito único; porém, como explicado na categoria Tiro, a sua inflexibilidade exagerada e o conteúdo “fatiado” comprometem o resultado. Quem merece um lugar entre os 10 melhores jogos Multiplataforma é Dying Light: além de ter um dos climas mais tensos de jogos de horror do ano, foi muito-bem sucedido como jogo de Ação/Aventura e conseguiu inovar em alguns aspectos, como na jogabilidade noturna, no modo Be the Zombie e no parkour em 1ª pessoa (mais elaborado do que no pioneiro Mirror’s Edge).

MortalKombatXbannerNesse Top 10 também há um lugar para Mortal Kombat X, graças à sua capacidade incomum de equilibrar familiaridade e novidades. A NetherRealm deu uma aula de como pegar um reboot de sucesso, manter o que havia de melhor, expandir ainda mais o conteúdo e justificar um novo jogo. Há muita coisa a ser dominada aqui que não existia no Mortal Kombat de 2011: a volta dos brutalities e da barra de sprint; a incorporação dos ambientes interativos de Injustice; a inclusão de três variações de estilo para cada lutador; as Facções, com direito a faction kills; os desafios diários, semanais e mensais em formas de Torres… Enquanto isso, a jogabilidade sólida do reboot continua lá. A coisa deu tão certo que, pela primeira vez em muito tempo, os personagens inéditos empolgam tanto quanto os antigos, no geral. Tudo foi tão bem projetado e equilibrado que por muito pouco o jogo não chega entre os 5 primeiros.

BannersStarWarsBlackOps3RainbowSixSiegeA categoria Melhor Jogo de Tiro, surpreendentemente, contribui com dois jogos entre os 5 melhores e um no Top 10 Multiplataforma. Star Wars Battlefront e sua experiência-brincadeira de criança grande, aliada aos gráficos mais tecnicamente impecáveis do ano e ao potencial para zoeira, faz o jogo ficar logo acima de Guitar Hero Live, apesar dos pesares ocasionais no matchmaking e da escassez de naves no modo de batalha aérea.

Já Call of Duty: Black Ops III crava um 5º lugar pela melhor história da série até hoje, pela ousadia na movimentação e nas habilidades, pela quantidade absurda de conteúdo e pela competência técnica de sempre – com um belo salto visual, inclusive. Nenhum outro Call of Duty exceto Modern Warfare desafiou tanto as convenções da série quanto Black Ops III.

Logo acima dele, ainda temos Rainbow Six: Siege. O jogo partiu de um conceito inédito; transformou a “destrutibilidade” de cenários em algo muito mais importante do que jamais foi em Battlefield; gerou tensão e suspense como poucos jogos de tiro competitivos; e conseguiu um equilíbrio entre cooperação e potencial individual que Evolve nem sonhou em obter – fora o modelo de DLCs muito mais honesto. Não foi à toa que levou como Melhor Jogo de Tiro junto a Splatoon.

fallout-4_8-300x169No Top 3 estão dois dos melhores RPGs do ano, e um deles é Fallout 4. Podem reclamar o quanto quiserem da simplificação de alguns sistemas, da grande quantidade de perks mais “numéricos” (+20% isso, +X aquilo) e da engine envelhecida. Eu troco tudo isso, sem pestanejar, pela melhoria significativa em diversos aspectos mais importantes: direção de arte, desenvolvimento dos NPCs, narrativa, quantidade de locais por metro quadrado, mecânicas de tiro etc. Customizar os equipamentos (incluindo a power armor), interagir mais com os companions e gerenciar a construção/expansão de assentamentos também ajudam a se sentir mais parte do mundo do que em qualquer outro título anterior da Bethesda. Aliás, foi a primeira vez que terminei um jogo dela em menos de 3 meses e ainda me deu vontade de continuar jogando – até por ter me envolvido tanto na narrativa que há muita coisa paralela pendente ou a ser descoberta.

MGSVPhantomPainbannerO Melhor Jogo de Ação/AventuraMetal Gear Solid V: The Phantom Pain, chegou muito perto de ser o Melhor Multiplataforma, também. Em termos de pura jogabilidade e interação entre diversos sistemas, nada se comparou a ele em 2015 e, talvez, em nenhum ano anterior. É o novo padrão absoluto para jogos AAA de stealth, e duvido que seja superado em qualquer futuro próximo. É viciante como jogo de ação, extremamente funcional como jogo de tiro, tem uma história digna da série e foi tecnicamente impecável, figurando entre os melhores gráficos e trilhas sonoras do ano – além de ter a engine mais eficiente já desenvolvida até hoje (a Fox Engine).

Para derrotá-lo, foi necessário um jogo que, além de cumprir o mesmo exato papel de excelência entre RPGs, foi superior em estrutura narrativa, variedade de missões e senso geral de mundo vivo, que respira e se desenvolve ao redor do jogador…

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The Witcher 3: Wild Hunt (PC/PS4/XOne)

thewitcher3pc1jpg-4dfaf8Tudo o que realmente importava ser dito sobre The Witcher 3 já foi publicado nos Melhores RPGs de 2015, então vale aqui explicar melhor por que ele supera Metal Gear Solid V nesta lista. Quem acompanha o blog pode concluir que estou colocando narrativa acima de jogabilidade, mas não se trata disso. Sim, The Witcher 3 não tem a quantidade absurda de sistemas que se “retroalimentam” perfeitamente, como na obra-prima de Hideo Kojima. Também nem chega perto de se comparar como jogo de ação. O negócio é que esses dois paralelos são injustos para um RPG; seria como dizer que GTA V perde para um Forza pela direção dos carros não ser tão boa. O que importa é como esses aspectos de The Witcher 3 se comparam a outros RPGs.

Nessa balança de ação e sistemas, o terceiro jogo do “bruxeiro” dá um banho em qualquer jogo da Bethesda ou da Bioware. Elder ScrollsFallout podem até lidar com bem mais variáveis – inclusive por não apresentarem um protagonista fixo – mas os sistemas de mutações, esgrima, poções, magias e equipamentos são muito mais integrais ao universo de Geralt. Enfrentar adversários é muito melhor e mais divertido em The Witcher 3 não apenas pelo design da ação, mas também porque todos os sistemas envolvidos realmente importam: nos jogos da Bethesda e da Bioware, você pode remover certos aspectos, como algumas propriedades de armaduras ou parte dos perks/habilidades, que o combate e o universo continuarão praticamente intactos. Tire as bombas, as mutações ou um poder sequer de Geralt, por exemplo, e você não tem mais The Witcher como o conhecemos.

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O foco dos desenvolvedores em definir um novo padrão de qualidade em praticamente tudo no mundo de The Witcher 3 foi impressionante. Suas poucas falhas estão todas “no entorno” desse mundo, como os bugs ocasionais ou os menus não tão funcionais quanto poderiam. O jogo só não supera outros RPGs em fatores bem menores, como a movimentação do cavalo ou a variedade dos cenários externos. Naquilo que importa, como estrutura de missões, profundidade narrativa, carisma de personagens, trilha sonora etc., The Witcher 3 é incomparável, um divisor de águas no gênero – e também não acredito que será superado tão cedo. Isso quer dizer que The Witcher 3 é, no mínimo, tão excepcional e “definidor de padrões” como RPG quanto Metal Gear Solid V é como jogo de stealth

…Só que Metal Gear Solid V, apesar de toda a excelência, tropeça na estrutura do Capítulo 2, na reutilização um pouco excessiva de áreas do cenário, nos recursos de invasão/multijogador e no final abrupto, todos aspectos importantes para um jogo de Ação/Aventura. E mesmo que sua narrativa esteja acima da média, ainda perde para praticamente todas as outras da série Metal Gear – algo que não acontece com The Witcher 3: Wild Hunt, que supera os Witcher anteriores e praticamente todas as histórias já escritas para jogos. Somando tudo, ele é o Melhor Jogo Multiplataforma de 2015, vencendo uma dura disputa.

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Games que não joguei e poderiam ter entrado nesta categoria: Assassin’s Creed: Syndicate, Divinity: Original Sin Enhanced Edition, Game of Thrones: A Telltale Game Series, Transformers: Devastation, Wasteland 2: Director’s Cut, Wolfenstein: The Old Blood

Um comentário sobre “Melhores de 2015: Multiplataforma

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