2015-mini-2011Este artigo faz parte da série Melhores de 2015, com os games lançados este ano que este humilde blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2015 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Aquela listinha em andamento para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Se 2015 foi um ano de transição para a Nintendo e de marketing pesado para a Microsoft, no caso da Sony, a palavra “extremos” define. Isto é: no que diz respeito ao peso das notícias e das decisões da empresa, ou ela acertou em cheio ou passou longe. 2015 teve poucos lançamentos AAA, mas uma excelência incomum na “curadoria” de indies. Foi o ano em que o Vita foi oficialmente abandonado pela Sony, mas também em que a empresa mostrou o seu periférico de realidade virtual, a sair 2016. O PS4 ganhou diversas melhorias em apps como ShareFactory e Twitch, mas continua sem permitir a instalação de jogos em HD externo e não resolveu os constantes problemas de erro de NAT nas parties. E assim por diante.

No campo dos jogos, definitivamente foi bem melhor que 2014 (talvez o pior ano da Sony em muito tempo). No lado dos blockbusters, apesar da tendência contínua de apostar em relançamentos, tivemos dois jogos exclusivos entre os melhores do ano – e que servirão de referência nos seus respectivos gêneros por muito tempo. No caso dos indies, algumas ótimas surpresas apareceram do nada (ou quase) e pelo menos um deles se tornou o maior fenômeno independente nos consoles em anos. Entre campeões e feridos, eis o que a Sony entregou/distribuiu de melhor:

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UnchartedNathanDrakeCollection

Como já se tornou “tradição” no PS4, não faltaram relançamentos em 2015. Em alguns casos, como os de Journey e Uncharted: the Nathan Drake Collection, tratava-se apenas de reintroduzir um jogo ou franquia exclusiva para a significativa parcela do público que “migrou” do Xbox anterior para o novo PlayStation – e em 1080p/60 frames para quem quisesse revisitá-las com visual e responsividade melhoradas. Já God of War III Remastered perdeu a chance de reintroduzir a trilogia inteira e ofereceu apenas um photo mode e a esperada melhoria para 1080p/60 frames como “compensação”; compare com Gears of War Ultimate Edition, que pelo menos resgatou fases da versão de PC, “reviveu” o multijogador e deu o resto da trilogia de brinde via retrocompatibilidade. Enquanto isso, Grim Fandango Remastered foi um resgate histórico necessário, embora a reedição em si não tenha ido muito além de disponibilizar novamente o clássico adventure com comentários dos desenvolvedores.

O relançamento mais significativo da Sony no ano foi, por “increça que parível”, Tearaway Unfolded. Permitir que o grande público pudesse finalmente experimentar um dos jogos mais criativos de uma plataforma que não “decolou” (o Vita) já seria digno de nota. Porém, a Media Molecule foi mais longe e redesenhou a jogabilidade inteira para o Dualshock 4 (e a PlayStation Camera ou um smartphone/tablet como acessório opcional), incluindo mecânicas inéditas, como arremessar um NPC para dentro de seu controle e de volta para a tela usando o sensor de movimento como mira. Foi um caso raro que não se encaixa nem no conceito de remaster nem no de reboot; é uma readaptação a uma nova plataforma. O jogo continua curto e sem valor de replay, e a câmera irrita às vezes, mas é obrigatório para quem nunca o experimentou – nem que você espere uma promoção.

Godzilla_Hedorah_4

Partindo para os jogos inéditos, tivemos um caso notório de “é tão ruim que é divertido”: Godzilla. Sim, o jogo é tosco e tem movimentação “tanque”, como se podia imaginar. O visual é datado mesmo para o PS3 e a coisa não melhora no PS4. A maioria dos modos não anima. A “campanha” dura umas poucas horas, e não há muito o que fazer além de destruir prédios e combater outros monstros gigantes clássicos para ganhar pontos. Mas veja bem, você destrói prédios e combate outros monstros gigantes clássicos. É plausível argumentar que o jogo é limitado pela sua “fonte” e, ao mesmo tempo, oferece exatamente o que se esperaria da chance de jogar um filme do “Gojira”. A inclusão de trocentos inimigos do monstrão e recursos como filtro preto e branco corroboram isso. Faça como eu, aguarde uma megapromoção (no caso, R$ 40 na PSN) e jogue ciente de que se trata apenas de um divertido fan service.

TheOrder1886Um dos poucos exclusivos AAA do PS4 foi The Order: 1886, já comentado na categoria Melhores de Tiro. Infelizmente, o jogo ficou aquém de toda a expectativa gerada após adiamentos e mais adiamentos – o plano original era ser lançado junto com o PS4. Talvez ele tivesse sido menos frustrante se fosse lançado na época, já que tem cara de jogo de lançamento de console – daqueles que impressionam pelo visual em uma nova plataforma mas não se destacam de verdade em mais absolutamente nada. O melhor a dizer sobre de The Order é que se trata de um caso único de “filme interativo” com uma jogabilidade que vai além de meros quick time events, ou que os gráficos ainda estão entre os mais bonitos da geração atual (e devem continuar por um bom tempo). Aguarde uma boa promoção e experimente sem muitas ilusões, como um belíssimo jogo de tiro em 3ª pessoa em um cenário pouco comum e nada além disso.

Persona4DancingAllNight

Em 2015 também tivemos Persona 4 Dancing All Night, um raro caso de exclusivo do Vita e um nada raro spin-off do maior sucesso de crítica e vendas da Atlus até hoje. Mesmo desconsiderando que a Atlus forçou os limites da exploração do sucesso cult de um jogo, Dancing All Night não é particularmente criativo nem excepcional no que se propõe – isto é, transplantar seus mais queridos personagens para um jogo de música (conforme dissecado na “subcategoria” equivalente). Enquanto Persona Q se destacou no 3DS pelo inusitado (misturar Persona com a série Etrian Odyssey de RPGs linha dungeon crawler em 1ª pessoa) e os dois Persona 4 Arena se sustentavam muito bem como jogos de lutaDancing All Night depende muito mais da “secura” dos fãs por reencontrar os protagonistas de Persona 4. É divertido, tem uma trilha com remixes excelentes e vale algum dinheiro, mas… Atlus, chega, né? Hora de entregar Persona 5, por favor!

A categoria Melhores de Distribuição Digital destacou nada mais, nada menos do que cinco jogos exclusivos da Sony em consoles em 2015. Um deles foi Hotline Miami 2: Wrong Number, embora não com tanto louvor. Ainda assim, é mais Hotline Miami de novo em todas as plataformas Sony, incluindo cross-buycross-save como antes. Já Volume também apareceu com destaque entre os Melhores de Ação/Aventura, e talvez tenha sido um dos jogos mais criminalmente negligenciados de 2015, seja por se basear totalmente em Metal Gear Solid das antigas ou por não ter recebido o marketing que merecia. Enquanto isso, Helldivers também teve seu momento na categoria Melhores de Tiro, e só não foi mais elogiado por sua curva de dificuldade abrupta.

RocketLeagueCars

Desse “bolo”, porém, o maior fenômeno foi Rocket League. Como já escrevi, o jogo de futebol futurista com carrinhos de controle remoto surpreendeu em quase todos os seus aspectos: jogabilidade, visual, acessibilidade, vendas, suporte. Apenas o matchmaking começou meio capenga, graças à popularidade inesperada. Foi um daqueles casos que pegou até os próprios desenvolvedores de calças curtas e demonstrou como o plano de assinatura Playstation Plus pode ser uma ferramenta de marketing altamente bem-sucedida, e não apenas para a Sony: o burburinho em torno de Rocket League ao ser lançado direto de graça para assinantes com certeza ajudou na popularidade. Não à toa, o jogo será lançado também no Xbox One em 2016.

SOMAtunnelFechando os indies de destaque no PS4, temos SOMA, o novo título de horror dos criadores do jogo mais assustador de todos os tempos, Amnesia: the Dark Descent. Embora ele reutilize a mesma jogabilidade do clássico anterior, desta vez oferece muito mais do que sustos e tensão: SOMA tem uma direção de arte primorosa (com um desempenho técnico errático, especialmente no framerate) e estimula uma reflexão incomum em jogos sobre a natureza da consciência. Isto é: ao contrário de Amnesia, se destaca também pela narrativa, pelas ideias visuais e pelo conceito geral, a ponto de funcionar ainda melhor como um título de exploração e quebra-cabeças do que como jogo de horror (por mais que seja assustador, sim). Esses dois pólos às vezes entram em conflito – em especial graças às partes mais repisadas e inflexíveis da jogabilidade de Amnesia – mas isso não impede SOMA de ser uma das experiências mais recomendáveis de 2015 em qualquer gênero.

until_dawn_ps4_5

Falando em horror, outro raro exclusivo AAA de PS4 foi Until Dawn – que, ao contrário de The Order, superou qualquer expectativa, a ponto de ganhar aqui como Melhor Jogo de Horror de 2015. O que parecia um mero filme interativo a la Sexta-Feira 13 acabou se provando muito mais do que isso, graças a diversos fatores: referências a outros subgêneros do terror, uma narrativa que se inseriu entre as melhores do ano, visual de ponta, um design que simplifica e ao mesmo tempo avança o que Heavy Rain fez anos atrás… e até uma certa propriedade como experiência social. Mesmo sendo single playerUntil Dawn pode e deve ser jogado com amigos do lado e/ou transmitido (ainda mais se você tiver a câmera do PS4). Se você não tiver e não pretender comprar um PS4 tão cedo, assista o jogo inteiro na Internet; mesmo que a experiência não seja completa, vale muito a pena, e os diferentes caminhos e finais garantem que Until Dawn ainda o surpreenderá se puder jogá-lo um dia.

Mas o grande jogo da Sony no ano foi outro dos poucos exclusivos de alto orçamento:

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Bloodborne (PS4)

Bloodborne_capaBloodborne já deu as caras nestes Melhores do Ano em várias categorias (Horror, Ação/Aventura e RPG), e isso é só o começo. Que ele seja tão versátil a ponto de se destacar com louvor em nada menos do que três gêneros distintos já diz muita coisa, mas o seu maior feito foi demonstrar que a fórmula única da série Souls tem ainda mais chão pela frente do que já imaginávamos. Bloodborne provou não apenas que essa fórmula poderia ser “transplantada” para outros cenários – é fácil imaginar uma versão no Japão feudal, por exemplo – como também que era possível “acelerar” e simplificar um pouco a jogabilidade, tornando-a mais acessível sem sacrificar sua essência. Foi algo como se aproximar de Devil May Cry sem ceder terreno.

Alguns fãs mais arraigados da série Souls viram essas mudanças como um problema, a ponto de considerarem que Bloodborne não se compara a Dark Souls, mas eu não compartilho do mesmo ponto de vista. Na verdade, esse era o caminho natural da série – tanto que, a julgar pelos trailers, Dark Souls III mantém algumas das mudanças. Não dava para “cuspir” jogos e mais jogos se escorando apenas na notória dificuldade, no design de fases a la The Legend of Zelda e na obscuridade da narrativa – embora, claro, todos esses fatores estejam em Bloodborne. E bem ou mal, as mudanças de cenário, de “velocidade” e de tom vieram em um jogo exclusivo e com outro nome, então valiam no mínimo como experimento e como uma espécie de spin-off não oficial.

BloodborneDesign

Como experimento, foi muito bem sucedido. As provas disso são inúmeras: boas vendas, menções em diversas listas de melhores do ano e um influxo de público novo sem perder os fãs antigos. A direção de arte sempre foi muito boa nos jogos Souls, mesmo quando limitada pelo cenário medieval “opressor”, e a “libertação” de poder usar a era vitoriana e contos de horror como base mostrou um potencial ainda maior dos designers da From Software. Mesmo que Bloodborne não seja tecnicamente fora de série nos gráficos, a direção de arte sozinha o torna um dos mais bonitos do ano. Como primeiro jogo da empresa em um console mais potente, não chega a ser impecável no framerate – isto é, não passa de 30, como um jogo desse estilo em tese poderia no PS4 – mas evita as famosas quedas bruscas que assolavam algumas áreas de Demon’sDark Souls. Enfim, no mínimo é um jogo Souls com bases mais sólidas.

Nos detalhes, você pode até reclamar de Bloodborne ser menos RPG, mas a real é que jogos como esses vivem de momentos, não de quantidade de sistemas. Um jogo como Xenoblade Chronicles X ou um RPG tático pode se dar ao luxo de abrir mão de outros aspectos para se concentrar em complexidade de itens, mecânicas e progressão; já um WitcherFallout ou Dark Souls depende da jogabilidade, da tensão, dos momentos inesquecíveis proporcionados por um equilíbrio sensato entre cenário, narrativa e habilidade e/ou inteligência do jogador. E poucos jogos apresentaram tantos momentos memoráveis em 2015 quanto Bloodborne. Sem dar spoilers, quem jogou vai se lembrar de pelo menos metade dos chefes, da hora em que a cidade mudou de “aspecto” e das áreas de pesadelo, entre outros detalhes. “Homem do saco”, “mulher do sino”, o cordão umbilical, transfusões de sangue… O imaginário coletivo de quem jogou Bloodborne vai muito, muito longe e não será esquecido tão cedo.

bloodborne-multiplayer-cooperativo-atualizacao

Sem contar a incrível experiência cooperativa que ele proporcionou, talvez justamente por limitar as invasões. Por mais que alguns achem que invasões “definem” a série Souls, a real é que forçar o jogador a fazer algo, por mais tenso e divertido que seja, nunca é uma solução elegante de design. O meio-termo de Bloodborne é ideal para acomodar a todos: se você quiser ser invadido, basta ignorar a mulher do sino ou ir para as áreas opcionais abertas ao PvP; se quiser simplesmente explorar o mundo com amigos, cuide da tal mulher e vá em frente. O uso de senhas para formar grupos diretos com seus amigos e a remoção dos limites de nível (posteriormente via patch) deixaram a cooperação ainda mais acessível, o que só fez bem a Bloodborne. Não é nenhum exagero constatar que o foco maior no co-op do que no PvP “forçado” deve ter contribuído bastante para atrair mais jogadores, também.

No balanço geral, Bloodborne é melhor que Dark Souls II, mais bem resolvido que Demon’s Souls e, arrisco, mais memorável que Dark Souls; mesmo que você ainda considere este último um jogo melhor, Bloodborne é mais bonito, mais acessível, tecnicamente mais competente, estimula mais o confronto direto ao invés da cautela, e consegue ser ainda mais intrigante em sua narrativa, cenário e personagens. Se Dark Souls é um dos jogos mais importantes dos últimos 10 anos, Bloodborne é no mínimo um dos melhores de 2015 só por ser diretamente comparável, e talvez vá ainda mais longe do que isso. Entre os exclusivos da Sony, então, não há comparação possível: é o Melhor Jogo de Playstation de 2015, ponto.

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Games que não joguei e poderiam ter entrado nesta categoria: Apotheon, Armello, Axiom Verge, Dragon Quest Heroes, Danganronpa Another Episode: Ultra Despair Girls, Disgaea 5, Everybody’s Gone to the Rapture, Fat Princess Adventures, Gauntlet, Grow Home, J-Stars Victory VS, Lost Dimension, Magicka 2, Tales of Zestiria, Titan Souls, Trine 3: The Artifacts of Power, Super Stardust Ultra

Um comentário sobre “Melhores de 2015: Playstation

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