Melhores de 2015: Horror

2015-mini-2011Este artigo faz parte da série Melhores de 2015, com os games lançados este ano que este humilde blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2015 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Aquela listinha em andamento para ver quais jogos são candidatos a todas as categorias.

Esta categoria quase virou “sub”; culpa minha, já que tenho SOMAAlone in the Dark: Illumination comprados e na fila (cheguei a começar o primeiro). Ainda assim, acho que o gênero foi muitíssimo bem representado em 2015 – senão pela quantidade, pelo menos em qualidade. (Uma tendência, aliás, muito bem-vinda desde mais ou menos a virada da geração anterior de consoles para a atual: não precisamos de uma “onda” em torno do horror, e sim de estúdios e publishers comprometidos o bastante para fazer um jogo assim funcionar, seja qual for o tamanho, escopo, preço, valores de produção ou meio de distribuição.)

Atualização: Entre a publicação deste artigo e de outros dos Melhores de 2015, terminei SOMA, que sem dúvida merece estar nesta lista – ainda que não ganhe, como jogo de horror, do título aqui escolhido. Leia mais sobre SOMA na categoria Melhores de 2015: Distribuição Digital.

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Por exemplo, quem imaginava que Dying Light, dos mesmos desenvolvedores de Dead Island, teria momentos genuínos de tensão e medo? E não foram apenas aqueles induzidos por um modo multijogador assimétrico, não. Das fugas desesperadas à noite, quando zumbis “especiais” velozes e quase invencíveis surgem em um cenário bastante escuro, até algumas missões paralelas genuinamente macabras e os tons de cinza da história principal, com humanos demonstrando mais crueldade do que as criaturas, Dying Light deu dois passos adiante na fórmula de Dead Island – e dois passos na direção certa, a do horror. A narrativa pode não ser das melhores, mas cumpre sua função quando aliada ao tom geral e às mecânicas do jogo.

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Falando em tensão causada por multijogador assimétrico, Evolve conseguiu fazer isso com uma maestria incrível. Se você acha que só consegue sentir medo em uma história de horror tradicional “fechada”, Evolve é no mínimo a exceção da sua regra: basta jogar de caçador, e não de monstro. Desde os mapas desolados em planetas distantes à noite até o design dos bichos (gigantes ou não), passando pelo clima “opressor” de abandono e pelos efeitos de chuva, luz e névoa, o jogo é assustador antes mesmo da caçada começar. Mas o duro mesmo é a tensão de coordenar quatro jogadores para capturar ou matar um bicho imenso, sabendo que as chances estão contra você, especialmente se alguém estiver vacilando. É um horror que exige uma disposição específica, de jogar em grupo e online, mas não menos assustador por causa disso. Vide Left 4 Dead.

residentevilrevelations2.jpg

Por outro lado, Resident Evil: Revelations 2 manteve a fórmula do antecessor, um spin-off que pende mais para a tensão do que a série principal da Capcom. Na verdade, o segundo jogo “mesclou” melhor os momentos de tensão e de ação, antes claramente divididos em capítulos e personagens no primeiro Revelations. Os trechos com Barry não têm necessariamente mais inimigos, tiroteio e tripas voando só porque ele está mais armado, e seu “lado” da história inclui tantas cenas e informações relativas à parte “psicológica” da história quanto o “lado” de Claire. Aliás, a história inclui um componente familiar que dá toda a base das motivações de Barry, e a estrutura em episódios ajuda a transformar essa relação em tensão. O todo é bem mais orgânico e prova que não é necessário recorrer a controles datados para Resident Evil gerar medo de novo – basta ter bom gosto, senso de momento e bom design.

bloodborne

Se alguém tinha alguma dúvida de que os jogos da série Souls podem sim ser considerados assustadores e, portanto, de horror, bastou jogar Bloodborne. Além da tensão usual gerada pela jogabilidade e estrutura de Dark Souls e afins, o novo jogo da From Software acelerou o combate, eliminou escudos e apresentou um cenário mais obviamente voltado ao terror, inspiradíssimo em Lovecraft. Ainda por cima tem alguns dos chefes mais… errados (em sentido figurado) que a empresa jamais criou, e “viradas” narrativas que alteram os cenários ao ponto da loucura, induzida pelo visual perturbador. Foi o único jogo deste ano que me fez parar em certo ponto para não ter pesadelos na hora de dormir – e pior, não adiantou.

Porém, Bloodborne ainda é um misto de jogo de RPG e ação, sem o investimento pessoal em um ou mais personagens jogáveis pré-construídos, integrados totalmente à narrativa para gerar empatia ou repulsa e “nós mentais”. No popular: ainda não é Silent Hill nem Amnesia. O jogo de 2015 que preencheu essa lacuna foi…

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Until Dawn (PS4)

UntilDawnBoxNa superfície, Until Dawn parecia apenas um Heavy Rain calcado em filmes na linha Sexta-feira 13, mas quem diria, se provou mais do que isso. Para começar, esses filmes são apenas um ponto de partida. Na verdade, o jogo empresta ideias de praticamente todos os subgêneros de terror – e mesmo quando parece que isso vai virar uma salada indigesta, Until Dawn faz uma curva, surpreende o jogador e justifica a inclusão da referência. No final (sem spoilers) fica claro que, no meio dos escombros, o que sobra é a jornada pessoal dos oito protagonistas e as consequências das escolhas deles (suas!)… E não é isso que define as melhores histórias de horror, quando o sobrenatural – ainda que representado de várias formas – está lá apenas para colocar o lado humano em xeque?

Nada disso adiantaria muito se todo o “entorno” não fosse bem executado. Há sustos do tipo jump scare, mas são poucos, bem “posicionados” e entremeados por momentos de pura expectativa e/ou calmaria. A jogabilidade foi reduzida ao mínimo necessário, sem os quick time events mais complexos de um Heavy Rain (vira o controle de cabeça para baixo, segura o gatilho, aperta X e agora assopra!). As escolhas são significativas e as consequências duras, incluindo desde a morte de protagonistas até “pular” capítulos e/ou áreas quase inteiras, incentivando o replay. O visual é incrível na parte técnica, começando pelo que mais importa: as expressões dos personagens. As atuações são ótimas, com cada ator entendendo como seu protagonista parte de um estereótipo/clichê nas primeiras horas e vai se “revelando” mais complexo à medida que a história avança. Até a música-tema e algumas cenas evocam o melhor de Silent Hill.

Enfim, não há nada digno de nota a criticar em Until Dawn no que ele se propôs a fazer. Se você não quer jogar algo na linha “filme interativo”, paciência, mas saiba que se resolver experimentar um título desses sequer na vida, tem que ser Until Dawn. Não apenas é o melhor jogo do tipo já feito, como o Melhor Jogo de Horror de 2015 e um dos melhores do ano no geral.

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Games que não joguei e poderiam ter entrado nesta categoria: Alone in the Dark: Illumination, Fatal Frame: Maiden of the Black Water, The Park, SOMA

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