Retrospectiva 2015: Sonhos prometidos

2015-mini-2011A Retrospectiva de 2015 do blog Re: Games aborda tendências que permearam o mundo dos jogos neste mini-2011, ops, 2015. Entenda melhor esta série de artigos no post de abertura, com links para todos os artigos publicados.

Todo mundo que joga bastante e/ou há muito tempo tem aquela listinha de jogos do coração que gostaria de ver “de volta”. Pode ser uma sequência, um remake, um título que ficou “na geladeira” tempo demais ou alguma forma de “renascimento” de uma série morta há alguns anos. Às vezes nem é o caso do jogo ser fora de série, clássico, ou mesmo muito bom: pode ser pela nostalgia de infância/adolescência, ou simplesmente pelo conceito inusitado merecer uma nova “passada”.

Pois é: 2015 foi o ano em que as “listas dos sonhos” de muitos desses jogadores de repente ficou com alguns nomes riscados.

Para quem não andou acompanhando ou não se lembra, aí vai uma listinha rápida, mais ou menos em ordem de anúncio:

ff7.jpg

  • Final Fantasy VII Remake
  • The Last Guardian
  • Shenmue 3
  • Nier: Automata
  • Psychonauts 2
  • Shadow Complex Remastered
  • Full Throttle
  • System Shock 3 (ainda na fase de rumor, mas forte)

(PS.: Esqueci de algum? Avisem nos comentários!)

E3 nas nuvens

Os quatro primeiros, o leitor atento lembrará, foram anunciados na E3, quase todos na conferência da Sony (Nier: Automata foi na da Square Enix, àquela altura ainda sem nome, apenas referenciando o jogo original de PS3 e Xbox 360). Foi um daqueles momentos históricos da E3 – tanto pelo “valor de choque” quanto pela realização posterior de que a Sony baseou sua conferência em puros sonhos para o futuro, com nada novo de concreto para este ano. Espertinhos, eles.

CHzFTWtUMAA4wiJE não preciso me estender aqui o quanto FF VII RemakeThe Last Guardian Shenmue 3 tiraram as pessoas do sério, né? (Eu cheguei a ouvir gente gritando na janela durante o anúncio do remake. Juro.)

Já uma sequência de Nier não chega nem perto – eu mesmo tinha esquecido dela a esta altura – mas trata-se de um jogo cult que ninguém, ninguém esperava voltar, ainda mais com parte da equipe original e a Platinum Games envolvida. Eu consigo simpatizar com o sentimento dos fãs: muita gente cagaria para um remake ou sequência de, sei lá, Omikron: The Nomad Soul – outro título que recebeu resenhas medianas e misturava diversos estilos de jogo – mas eu daria cambalhotas de alegria e jogaria fácil.

Double Fine em dobro

ts_money.jpgO que dizer, então, do anúncio de Psychonauts 2 no Game Awards deste ano, há poucos dias? Esse agradou em mais de um nível. Além do óbvio – ver um jogo aclamado e esquecido ganhar uma sequência pelos mesmos produtores e criadores – o anúncio revela que a Double Fine vai bem, obrigado.

Claro, ela anda dedicando bastante tempo e recursos a “minerar” antigas propriedades intelectuais de Tim Schafer, como os remaster de Grim FandangoDay of the Tentacle anunciados ano passado já demonstravam… Mas após o ótimo Broken Age e outros títulos de respeito lançados nesse meio tempo, como Massive Chalice e Costume Quest 2, não dá para acusá-la de viver só de passado. Ah, e o aludido remaster de Full Throttle foi confirmado semana passada, nos mesmos moldes dos anteriores.

Pilar dos “metroidvania” para todos

Alguns podem contestar a inclusão de Shadow Complex Remastered nesta lista, mas talvez o façam justamente por um dos principais motivos que fundamentam a surpresa: a exclusividade inicial no Xbox 360. Quem não o jogou por falta de oportunidade talvez não saiba, mas Shadow Complex tem uma importância histórica mais do que razoável e, pelo menos para mim, parecia que desse limbo jamais sairia.

O jogo é o responsável, praticamente sozinho, pela revitalização dos jogos estilo “metroidvania” da geração passada para cá. Sem ele, os fãs desse tipo de jogabilidade provavelmente estariam órfãos desde os Castlevania de Nintendo DS. Talvez não tivéssemos Guacamelee!, Insanely Twisted Shadow PlanetAxiom VergeStrider (2014) e outras pérolas “metroidvania” lançadas em formato digital desde 2009. Aliás, Shadow Complex também foi um marco do início desse tipo de distribuição, “convertendo” muitos usuários de Xbox Live acostumados apenas a jogos em disco – e antes de indies virarem modinha.

shadow-complex-remasteredPorém, o jogo foi desenvolvido pela Chair, que nos anos seguintes seria incorporada pela Epic Games e se dedicaria à série Infinity Blade em iPhones. Nem ela, nem sua nova proprietária deram algum sinal, em seis anos, de que o jogo ressurgiria em qualquer formato. O melhor que tivemos foi a inclusão do jogo na lista de retrocompatibilidade do Xbox One (o primeiro título que baixei dessa lista, aliás). Saber que ele seria relançado em todas as plataformas – sim, inclusive PS4 – e com direito a download da versão de PC GRATUITO até o fim do ano foi uma daquelas notícias impensáveis mesmo.

Choque sistêmico

E quando eu achei que a festa dos retornos-surpresa tinham acabado, é possível que, ainda antes do final de 2015, outro título “dos sonhos” seja confirmado: uma sequência de System Shock. A série, que serviu de inspiração e modelo para jogos como Deus ExBioShockDead Space, já foi relançada há dois anos no PC, e o primeiro jogo está ganhando um remake.

2015-12-08-image-7Porém, nada garantia que uma sequência um dia acontecesse. Os direitos de propriedade da série foram nebulosos por muito tempo, chegando a ficar um tempo nas mãos da EA (dizem que Dead Space nasceu assim). Quando finalmente foram resgatados, pararam na mão de uma empresa bem menor. Há um mês, ela anunciou o tal remake de System Shock, mas fazer um jogo novo para a geração atual parecia um passo largo demais. Mas tá aí: quem sabe vamos nos assustar de novo andando em primeira pessoa em estações espaciais.

Sonhando acordado

Quem acompanha o blog sabe que nostalgia não é o meu forte. Na real, eu costumo fugir dela como o diabo foge da cruz – nostalgia em excesso só atrapalha a vida. Mas a indústria de games sofre de um problema crônico no que diz respeito à sua história: não há arquivos, “gametecas” ou qualquer forma ampla de preservação que garanta experimentar títulos clássicos, históricos e seminais anos depois. Tirando aquele amigo que guardou uma relíquia específica, nós dependemos totalmente de relançamentos, remakes e sequências para “acessar” partes da história dos videogames hoje.

Por isso, o resgate de certas séries, franquias e títulos, ainda que a um novo custo e com mudanças, é importante. Talvez você não tenha gostado de saber que o remake de Final Fantasy VII será episódico e com batalhas de ação em tempo real. Talvez não tenha mais saco para adventures de apontar e clicar. Talvez cague para Nier ou Shadow Complex. Talvez não acredite que um novo System Shock funcionaria sem Ken Levine.

Tanto faz. O importante não é só agradar quem quer esses jogos, e sim que eles retornem. É importante para a indústria, para historiadores, para o hobby ser levado como algo mais a sério do que meros brinquedos e entretenimento. É importante para designers modernos redescobrirem truques de design e conceitos que talvez nunca tenham considerado.

1280x720-A7WE a própria comoção em torno desses retornos é divertida; não sei quanto a vocês, mas eu fico muito feliz de ver outras pessoas felizes. E este ano nos deu muito disso, sem sacrificar a quantidade de títulos novos muito bons – muito pelo contrário, alguns são candidatos a entrar para a história também. É o melhor dos dois mundos.

Valeu, 2015!

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