Sabe Call of Duty?…

call-of-duty-black-ops-iii-ps4…aquela série conhecida por ter campanhas marromenos (em jogabilidade e/ou história), se focar no multijogador, não ter gráficos topo de linha mas rodar sempre a 60 frames por segundo, sair todo ano e ser considerada mais do mesmo?

Pois é. Só que Black Ops III não é bem assim. (Até os 60 frames não são constantes…)

Eu evitei publicar aqui primeiras impressões sobre Black Ops III justamente porque os dois anteriores (e jogos da mesma estirpe, como os últimos Battlefield) têm me enganado consistentemente no final.

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Call of Duty: Ghosts foi o único jogo recente que entendeu a situação geopolítica atual da América LatRina, mas usou isso apenas para ter um novo inimigo genérico e ultraexagerado invadindo os EUA (o que só deixou a história muito menos crível). Além disso, a jogabilidade não mudou tanto a ponto de fazer o jogo divergir da média.

Já Advanced Warfare apresentou um avanço técnico-gráfico de ponta e uma jogabilidade mais futurista e ágil, além de ter uma história promissora, mas que se perde feio no último terço – de uma maneira muito semelhante a Battlefield Hardline. [SPOILERS DO FINAL:] Do nada, um personagem anti-ineficiência estatal e portanto “libertário” (de novo, com referências a Ayn Rand), vira um déspota que quer conquistar o mundo – demonstrando para todos o quanto precisamos de governos para nos salvar do “livre mercado”, né? #sqn Além do quê, sério mesmo? Vilão que quer conquistar o mundo todo? /facepalm

Assim, achei melhor terminar a campanha primeiro, além de jogar um pouco todos os outros modos principais (multiplayer comum, zumbis e Nightmare). Ninguém vai me culpar por isso, né? Gato escaldado tem medo de água fria, blá blá blá.

Pior que se tivesse publicado minhas primeiras impressões, também teria errado um pouco o alvo – só que, desta vez, para menos. Na verdade, Black Ops III só melhorou até o final. Aliás, mais do que isso: as últimas 3 ou 4 missões (das 11 totais) foram algumas das mais intrigantes, em termos narrativos, que joguei este ano. É, sem dúvida alguma, a melhor campanha de Call of Duty neste quesito.

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Sério mesmo: melhor campanha. E melhor que a de muito FPS single-player

Sim, melhor do que Modern Warfare, até por se arriscar um pouco mais nos temas sem fazer feio. Sem dar spoilers, o jogo poderia se chamar Call of Duty: Deus Ex ou Call of Duty: The Clockwork Orange (Laranja Mecânica, para quem não sabe) sem ofender nenhuma das duas inspirações. Pelo contrário: em alguns pontos, a discussão temática vai até um pouco mais longe que o último Deus Ex. Pode não ser tão mindfuck quanto um final de Bioshock Infinite, mas está acima da média neste quesito, também. Você simplesmente não esperaria ver o terço final desta campanha em um Call of Duty.

Ah, mas então a jogabilidade não deve ser lá essas coisas, certo? E tem só 11 missões… Nope, pode parar. A movimentação está quase tão fluida quanto a de um Titanfall ou Destiny. É o gameplay mais refinado de um Call of Duty desde sempre, tanto no tiroteio básico quanto nas armas, na mobilidade e no futurismo, que já vinha dando as caras há dois jogos.

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Você começa seguindo a estrada, mas depois tem uma área grande para “brincar”

Ainda por cima, nunca uma campanha de CoD foi tão longa – bem mais que a de um Halo 5 ou quase qualquer jogo de tiro recente. Só perde para Wolfenstein: The New Order e mesmo assim, não por muito – um feito, considerando que este último era totalmente single player. Tudo isso mantendo framerate alto (média de 51 no PS4) em mapas bastante longos, com verticalidade e bem menos estreitos/”corredores”. A prova disso é que somente em uma missão consegui achar todos os itens colecionáveis, mesmo com um ícone aparecendo na tela quando você chega perto; foi preciso fuçar cada canto dos caminhos alternativos para achar mais do que um item por fase.

Sabe aquela sensação “onde diabos enfiaram o crânio escondido desta fase?” que rola quando se joga Halo? Pois é, um Call of Duty conseguiu chegar bem perto disso. Um Call of Duty! E esses mapas de Black Ops III podem não ser tão expansivos quanto os da série da Microsoft, mas são bem mais próximos de um Doom ou Quake do que dos corredores estreitos usuais.

Além disso, a campanha tem tela dividida, pode ser jogada em co-op online, e tem um valor de replay acima do normal graças aos desbloqueios, às pontuações e ao sistema de progressão. Acreditem se quiser, mas eu fiquei com vontade de jogar tudo de novo por uma série de motivos: rever pontos da história, testar outras funcionalidades da armadura futurista (são três árvores de habilidades), melhorar pontuações, cumprir accolades (condecorações, ou mini-troféus/conquistas de cada fase), desbloquear e testas novas armas e assim por diante.

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Sua casinha de montar coisas (e ela muda de local durante a campanha)

Tudo isso é vantajoso por causa da nova estrutura de hub da campanha, liberada após completar a segunda missão. Basicamente, seu personagem e equipe têm uma central de operações, acessível entre fases, onde você pode gerenciar loadouts, desbloquear itens, rejogar fases anteriores (sem afetar o progresso na campanha) e até escolher quais colecionáveis serão exibidos nas prateleiras do seu quarto.

Assim, você pode muito bem voltar a uma fase e experimentá-la de outra forma, seja usando outros loadouts ou habilidades de armadura. Trechos podem mudar de cara se você equipar módulos para correr nas paredes ou emitir ondas de choque com um soco no chão, por exemplo. E fazer essas mudanças é necessário para cumprir alguns dos tais accolades, que por sua vez dão Kits de Fabricação, necessários para desbloquear coisas… E assim, a estrutura da campanha e os sistemas de progressão se entrelaçam e se alimentam de uma maneira que encoraja o replay.

Se você não tiver saco para nada disso, na sua “base” entre missões, você tem um modo Horda disfarçado de realidade virtual. Pegue sua armadura, habilidades e armas preferidas e vá enfrentar ondas de inimigos sozinho, com amigos em casa ou na Internet, para disputar posições nas leaderboards e ganhar… Kits de Fabricação. Assim fica difícil não experimentar coisas novas.

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*Insira jazz grave e soturno aqui*

E vejam só, tudo isso é apenas derivativo da campanha. O jogo ainda tem N modos multiplayer (com direito até a classes customizáveis, armas personalizadas e poderes a la Destiny); um modo zumbi com temática noir-Lovecraft (sim, você leu direito!); e o modo Nightmares, que “remixa” as fases da campanha com outra narração, perspectiva, e… zumbis no meio dos inimigos comuns. Inclusive mudam as mecânicas, já que você não tem loadouts e precisa conseguir tudo como drops ao matar os mortos-vivos. É como se fosse um meio-termo entre a campanha comum e o modo Zumbis.

Mas isso tudo eu detalho depois. O importante é que, mesmo para quem não tem muito saco de encarar moleques birrentos no multiplayer tradicional, Black Ops III tem qualidade e variedade mais do que suficientes na campanha e nos outros modos solo/locais para “reconverter” até quem já tinha dado adeus à série.

Sim, meu queixo está no chão até agora. Pode não ser um candidato a estar entre os cinco melhores títulos do ano, mas… Se tivesse saído assim em 2014, e não neste excepcional 2015, as coisas poderiam ser diferentes. Aliás, é condizente que, no ano em que joguei alguns dos melhores jogos da minha vida, tenhamos o melhor Call of Duty já feito. Valeu, 2015!

(Só lembrem que a versão de PS3/X360 não tem a campanha – e ao jogá-la, consigo ver o porquê: não ia dar para incluir tudo isso em um jogo da geração passada, mesmo rebaixando o visual ou aceitando framerate de 30. E entre “capar” os modos multiplayer, que sempre foram o principal ponto de venda, e a campanha, por melhor que seja… Bom, vocês sabem que a base de jogadores reclamaria muito mais de multiplayer capado).

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Um comentário sobre “Sabe Call of Duty?…

  1. Call of Duty, pra mim, sofre do efeito “Pedrinho e o Lobo” porque todo ano eles anunciam essas melhoras, fica dificil acreditar. Mas vou dar um voto de confiança dessa vez

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