Retrospectiva 2015: menos é mais no mini-2011

2015-mini-2011A Retrospectiva de 2015 do blog Re: Games aborda tendências que permearam o mundo dos jogos neste mini-2011, ops, 2015. Entenda melhor esta série de artigos no post de abertura, com links para todos os artigos publicados.

Em conversas nas parties do PS4, nas gravações do Godmode Podcast e em fórums e grupos de Facebook por aí, pude ouvir/ler uma sensação geral dos jogadores repetida diversas vezes: “esse ano ‘tá foda, é muito jogo!!!”. Até poucos dias atrás, minha reação era balançar a cabeça em aprovação (mesmo que ninguém estivesse vendo…), pensando na dificuldade que estou tendo para terminar os jogos – e isso em um ano com menos trabalho do que os anteriores.

Até que fui preparar a lista de candidatos aos Melhores do Ano e percebi… Será que essa sensação corresponde à realidade?

Desenvolvedor de jogos indieDesde 2012 eu mantenho uma tabela de Excel pré-formatada na qual insiro os lançamentos de cada ano, mês a mês. Serve tanto como um “guia” do que posso resolver comprar quanto fonte de consulta para os Melhores no final de cada ano. Obviamente, ela não é completa: levo em consideração apenas as plataformas que me interessam (quase nenhum jogo para celular entra, por exemplo); incluo somente os jogos com potencial para serem importantes de alguma maneira; e tendo a ignorar alguns gêneros que jogo pouco, como estratégia em tempo real.

Mas essas tabelas servem como parâmetro em alguma medida, já que todas seguem as mesmas diretrizes. E ao conferir o número de jogos incluídos em cada uma delas, dá para perceber uma tendência de queda na quantidade total a partir de 2014, acentuada em 2015:

2012: 228 jogos
2013: 233
2014: 145
2015: 91

Prateleira de jogos usados: coisa do passado?Se ainda assim houver dúvidas, fui buscar no Wiki do Giant Bomb o número de jogos lançados por ano. O site mantém um banco de dados bastante abrangente, tanto em termos de plataformas quanto de tipos de jogos, e a tendência de queda lá é ainda mais visível, começando já em 2013:

2012: 1984 jogos
2013: 1861
2014: 1638
2015: 1358

Ou seja, na minha tabela, tivemos uma queda de cerca de 1/3 no total de jogos este ano, enquanto no Wiki do Giant Bomb chega a 17%. Se vocês conhecerem outras fontes de dados que exibam números totais (a Wikipedia só tem listas, por exemplo), podemos conferir nelas também, mas vou me espantar muito se a tendência diferir.

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“Quando a E3 é melhor do que você pensava/ e você teme por sua vida social”

A forte impressão que tenho é que 2015 nos “enganou” com uma série de jogos muito, muito expansivos: The Witcher 3Metal Gear Solid V: The Phantom PainFallout 4Dying LightMad MaxBatman: Arkham KnightThe Elder Scrolls Online… Isso sem contar outros jogos que não têm tanto conteúdo assim, mas acabam exigindo horas e horas extras para serem dominados, como BloodborneDestiny: The Taken KingProject CARSMortal Kombat XForza Motorsport 6Super Mario Maker… E ainda tem a penca de jogos multiplayer de ótima qualidade que acabam prendendo por muito tempo, como Star Wars: BattlefrontHelldiversCall of Duty: Black Ops IIIHalo 5: Guardians, SplatoonRocket LeagueEvolve… As listas vão longe.

“Mas todo ano tem jogos assim”, alguém pode dizer. Só que as coisas são um pouco mais complicadas em 2015. A maioria desses jogos saiu no 2º semestre – com alguns casos de “encavalamento” de apenas uma semana de diferença – e os que saíram no 1º semestre ganharam DLCs importantes (Hearts of Stone de Witcher 3The Old Hunters de Bloodborne e uma série de mapas/caçadores/monstros em Evolve, por exemplo) justo quando outros jogos expansivos estavam saindo.

Os dois saíram no mesmo dia – além de uma semana após Black Ops III e uma antes de Star Wars Batllefront

Outro fator é que 2015 foi um ano de surpresas. O que tinha bom/ótimo potencial saiu ainda melhor que o esperado (The Witcher 3BloodborneMetal Gear Solid V, Super Mario Maker…); coisas que podiam dar muito errado acabaram dando certo em algum nível (Until DawnStar Wars Battlefront, Dying LightAssassin’s Creed Chronicles: ChinaMad Max…); e outros tantos jogos simplesmente apareceram do nada, capturando corações e mentes (Ori and the Blind ForestHelldiversRocket LeagueTales from the Borderlands…). Sem contar que Fallout 4, talvez o jogo mais “suga-vida” do ano, só foi confirmado na E3 de 2015, pegando todo mundo de calça arriada.

E isso teve uma consequência, pelo menos no que ouvi/li outros jogadores expressarem. Em anos anteriores, as pessoas “entravam” no segundo semestre com uma ideia mais clara de quais jogos iriam comprar, quais iriam deixar para depois, e quais iriam ignorar por completo. Em 2015, esses planos foram para o ralo. O jogo X surgiu do nada, o jogo Y acabou sendo bom, o jogo Z tem um multiplayer que os amigos estão jogando… Todo mundo que conheço tem uns 2 ou 3 jogos grandes que não tinha planejado comprar, e/ou está coçando para comprar 2 ou 3 outros que nem sequer cogitava adquirir antes.

Daí você tem essa impressão geral de que 2015 foi um ano “cheio de jogos”, quando na verdade o que tivemos foi uma expressão daquela velha máxima: menos é mais.

Outro sinal dessa realidade é como 2015 está parecido com uma versão “enxuta” de 2011 – o ano com mais jogos bons da história recente. Em 2011, tivemos:

  • The Witcher 2: Assassins of Kings (PC)The Witcher 2
  • The Elder Scrolls V: Skyrim
  • Mortal Kombat (9)
  • Dark Souls
  • Dead Island
  • Batman: Arkham City
  • Xenoblade Chronicles
  • The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D
  • DiRT 3
  • Magicka
  • Trine 2
  • Battlefield 3
  • Star Wars: The Old Republic

Reparem: boa parte desses apareceu em diversas listas de Melhores de 2011. Enquanto isso, em 2015, tivemos, respectivamente…

  • thewitcher3pc1jpg-4dfaf8The Witcher 3
  • The Elder Scrolls Online (nos consoles) e Fallout 4 (do mesmo estúdio)
  • Mortal Kombat X
  • Bloodborne (do mesmo estúdio) e o relançamento de Dark Souls II, edição Scholar of the First Sin
  • Dying Light (do mesmo estúdio de Dead Island)
  • Batman: Arkham Knight
  • Xenoblade Chronicles X
  • The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D
  • DiRT Rally
  • Magicka 2 e Helldivers (do mesmo estúdio)
  • Trine 3
  • Battlefield: Hardline
  • Star Wars Battlefront (o primeiro grande jogo de Star Wars desde The Old Republic)

E, de novo, boa parte desses vai aparecer em listas de Melhores de 2015.

Isso sem contar que em 2011 tivemos Uncharted 3, Gears of War 3CatherineDeus Ex: Human Revolution, entre outros, que inicialmente teriam suas sequências (ou equivalentes, como Persona 5) em 2015, mas elas acabaram sendo adiadas para 2016. E olha que nem estou considerando os tapa-buracos que tivemos este ano para alguns desses casos (Uncharted: The Nathan Drake Collection, Gears of War: Ultimate EditionPersona 4: Dancing All Night).

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“Não preciso/ Não preciso/ Definitivamente não preciso disso”

Conclusão: 2015 foi um mini-2011. “Mini”, porque teve menos jogos no geral – inclusive por causa da renca de adiados, uma tendência da nova geração. E “2011”… Bem, porque finalmente parece que 2011 vai ter “concorrência” como melhor ano para os jogos da história recente. E é isso que deixa as pessoas doidas, sem saber o que jogar, quando e como.

De qualquer forma, repito: “menos é mais”. E paradoxalmente, “melhor sobrar do que faltar”: jogos de qualidade sobraram este ano, especialmente em comparação com 2014. Levantem as mãos aos céus, porque dada a pouca quantidade de exclusivos na maioria das plataformas, no final saímos ganhando.

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