Melhores de 2014: RPG

Selo Melhores de 2014Este artigo faz parte da série Melhores de 2014, com os games lançados este ano que este humilde blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2014 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Teaser: Jogos que podem aparecer nos Melhores de 2014 deste blog para ver uma lista do que adquiri e joguei pelo menos um pouco.

2014 foi o ano do RPG – seja ocidental ou oriental, de ação ou por turnos, sério ou satírico, em 1ª pessoa ou visão isométrica, a gosto do freguês. Claro, uma boa parte deles requer um dos dois portáteis no mercado ou é exclusivo de PC, mas o fato é que não tínhamos tantos RPGs saindo no mesmo ano há muito tempo. E já vou avisando: não terminei nenhum deles. Nesse ano atribulado que se encerrou, não consegui me dedicar por dezenas de horas a praticamente nenhum jogo, inclusive por não estar com cabeça para nada muito complexo. Por conta disso, a quantidade de horas que joguei cada um dos RPGs abaixo é quase um critério de avaliação alternativo: se eu joguei mais de 10 horas, é porque o jogo era bom mesmo, a ponto de “quebrar” minha resistência.

Chute do Canguru em Inazuma Eleven (3DS)
Sim, Inazuma Eleven tem umas paradas meio shonen

Até alguns relançamentos interessantes aconteceram. O primeiro Fable ganhou sua versão Anniversary no Xbox 360 e no PC (opção mais do que recomendada, pois a de console teve problemas indesculpáveis de queda de framerate). Uma boa surpresa foi a chegada, finalmente, de Inazuma Eleven às Américas via eShop do 3DS, três anos após a versão europeia para DS. Para quem não conhece, trata-se de um RPG famoso no Japão, com um “cheirinho” de Pokémon, sobre um grupo de garotos que monta um… time de futebol no colégio. E sim, as batalhas são partidas de futebol, com uso dinâmico da caneta do 3DS para passes, chutes etc. No mínimo, um jogo criativo e inusitado, e pelo menos nas horas que joguei, com uma trama simplista, mas cativante.

No lado dos RPGs de ação em 3ª pessoa, não faltaram clones de Monster Hunter no Vita, já uma tradição… E o que chegou mais perto de acertar tudo foi Toukiden. Seu combate bem mais ágil, com câmera e movimentação mais intuitivas, pode “converter” os que ainda não se renderam a Monster Hunter, desde que tenham paciência para um cenário e uma narrativa bem previsíveis. Falando em clones e cenários genéricos, Lords of the Fallen tentou “ocidentalizar” Dark Souls com algum sucesso em termos de combate, e se diferenciou com um sistema interessante de risco/recompensa para uso de XP, mas pecou ao limitar demais as opções de classe, personagem, magias e armas. Se você queria um jogo Souls um pouco mais fácil e com estrutura mais “tradicional”, pode arriscar, mas tente não pagar muito. E sim, eu joguei Dark Souls II, inclusive transmitindo ao vivo… Claro, tem a qualidade que se espera de um jogo da série, mas chegou sem o mesmo brilhantismo do anterior, especialmente na disposição das áreas e na falta de criatividade nos chefes.

Tela de batalha de Bravely Default (3DS)
Bravely Default: ô joguinho bonito dos infernos

Nos RPGs orientais por turno, a qualidade oscilou também. Ideias bizarras não faltaram, como sempre, mas a execução… Conception II: Children of the Seven Stars chamou a atenção da patrulha politicamente correta graças à sugestão de que adolescentes em idade de ensino médio precisariam conceber crianças estelares, mas tratava-se apenas de uma extrapolação: não há sexo real envolvido. Os problemas do jogo são outros, como a facilidade extrema no início e a repetitividade de cenários e combates. Já Demon Gaze tem mais, vamos dizer, eye candy, e exige muita atenção do jogador; como não fui longe nele, melhor reservar opiniões por enquanto. Deception IV: Blood Ties é engraçadíssimo com suas masmorras táticas, onde o jogador coloca armadilhas para estragar o dia de heróis medievais, mas tem um grande potencial de se tornar repetitivo muito rápido, por praticamente não ter história. Dessa leva, o grande destaque foi mesmo Bravely Default – talvez o melhor Final Fantasy em muito tempo, mesmo que não se assuma no nome.

Tela de personagem de South Park: The Stick of Truth (PC/PS3/X360)
Customização sem exageros – e em uma paródia do Facebook

Do lado ocidental, eu ainda não joguei muita coisa, especialmente na onda de “retorno às origens” dos RPGs de ação/táticos com visão isométrica: Divinity: Original SinWasteland 2The Adventures of Van Helsing II, tudo isso passou batido aqui (por enquanto). Mas eu arrisquei The Elder Scrolls Online, uma espécie de mini-Skyrim em termos de jogabilidade (mais simplificada) e ao mesmo tempo um maxiElder Scrolls em extensão e narrativa – aliás, muito, muito melhor estruturada e com consequências mais visíveis do que a de Skyrim. Também comecei Dragon Age: Inquisition, e embora tenha curtido bastante o quanto ele surrupia de Mass Effect 2 em estrutura narrativa, o excesso de coisas para acompanhar em menus e a dispersão do mundo me incomodaram um pouco. Não à toa, South Park: The Stick of Truth me impressionou muito mais: a quantidade certa de coisas a gerenciar, um sistema de combate por turnos que moderniza (e deturpa, no bom sentido) os RPGs do Mario e referências incessantes a todas as temporadas do desenho mais libertário do mundo.

Até os 48 do segundo tempo, South Park: The Stick of Truth era o meu RPG preferido de 2014 – mas aí saiu o vencedor dessa categoria, que já mostrou tudo a que veio em pouco mais de 15 horas de jogo… 

========== 2014 ==========

Persona Q: Shadow of the Labyrinth (3DS)

Capa de Persona Q: Shadow of the Labyrinth (3DS)2014 pode ter tido sua parcela de problemas, mas uma tendência interessante do ano foi a quantidade de coisas que poderiam ter dado muito errado só pelo conceito inusitado, apenas para se revelarem como boas surpresas. Shadow of MordorHitman: Go já ganharam categorias aqui por fazerem parte desse bolo, e Persona Q não é muito diferente. Um spin-off que reúne personagens de Persona 3Persona 4, feito pela equipe de Etrian Odyssey, poderia ser apenas um caça-níqueis em cima do carinho dos fãs pela série enquanto Persona 5 não sai; sem contar que Etrian Odyssey é uma franquia para saudosistas da primeira era de RPGs de computador, daqueles com masmorras em primeira pessoa que praticamente exigiam que o jogador desenhasse (fisicamente!) seus próprios mapas, e poderia ser “deturpada” por associação. No final das contas, Persona Q conseguiu juntar quase tudo que há de melhor nas duas séries (a exceção é a narrativa, que ainda não chegou a lugar algum até onde fui).

O jogo funciona porque, de certa forma, ele dá com uma mão e tira com a outra. Quem gosta de Etrian Odyssey mas não tem muito saco de desenhar mapas, mesmo usando a caneta e a tela de toque do 3DS, ganhou opções de mapeamento automático dos corredores, e a interface de inserção de ícones foi simplificada; por outro lado, o combate ganhou tantas nuances de Persona que está mais tático e cheio de possibilidades – e continua tão desafiador quanto sempre foi. Algo parecido acontece dentro desse próprio sistema: se por um lado o jogador ganha um item de cura permanente logo no início do jogo, ele tem usos limitados por combate (até por “gastar” uma ação preciosa), e curar o grupo fora do combate tem um custo crescente cada vez que o serviço é usado. E se em Etrian Odyssey é difícil se apegar aos personagens, por falta de mais diálogos e background, os adolescentes de Persona continuam carismáticos (e falantes) como sempre.

Combate em Persona Q: Shadow of the Labyrinth (3DS)
PEGA KOROMARU! PEGA! PEGA!

Os fãs de Persona podem estranhar o que foi incorporado de Etrian Odyssey, mas por outro lado, as diferenças de jogabilidade acabam afastando Shadow of the Labyrinth do reino dos caça-níqueis: seria bem mais fácil simplesmente entregar mais Persona que os fãs provavelmente ficariam felizes, mas o jogo obriga-os a repensar um pouco o que estão acostumados a fazer. Aqui, atingir a fraqueza do inimigo não dá turnos ou ações extras, e sim zera o custo de uma magia no seu próximo turno – desde que o personagem não sofra dano até lá. Conseguir fazer isso fluir exige um uso muito maior de defesa do que o normal em Persona, criando uma dinâmica bastante diferente – e é essencial para a sobrevivência, pois recuperar “pontos espirituais” (equivalente a mana) custa caro e não pode ser facilmente realizado durante a exploração das masmorras. Some a isso outras ideias que são exclusivas desse jogo, como a possibilidade de cada personagem ter um “sub-persona”, e você tem um RPG oriental que não soa 100% saudosista nem 100% inovador, embalado em uma franquia reconhecível e carismática – ou seja, está para Persona mais ou menos como Bravely Default está para Final Fantasy.

Claro, não vai agradar a todo mundo, até porque Persona continua sendo uma série de nicho (Etrian Odyssey mais ainda) e ainda se trata de um RPG oriental por turnos com uma leve pendência para o grind (principalmente se você quiser manter todos os personagens no mesmo nível, já que pode jogar apenas com cinco de cada vez). Mas de todos os RPGs que joguei esse ano, somente South Park foi tão bem resolvido no que se propôs a fazer. O negócio é que Persona Q se aproxima mais de um RPG “de verdade”, em termos de desafio, exigência de atenção tática e possibilidades estratégicas, enquanto South Park se escora mais no universo que apresenta. Embora eu não tenha tido muita paciência para complexidade em jogos em 2014, Persona Q atingiu o ponto de equilíbrio ideal para me manter jogando mesmo assim. E por isso ele tem que levar essa categoria.

========== 2014 ==========

Games que comprei, não joguei e poderiam ter entrado nesta categoria: The Adventures of Van Helsing II, The Banner Saga, Child of Light, Costume Quest 2, Final Fantasy X/X-2 HD, Gauntlet, Natural Doctrine, Tales of Symphonia Chronicles

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2 comentários em “Melhores de 2014: RPG

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  1. Eu nem gosto muito de South Park, mas gostei do pouco que joguei do Stick of Truth. Achei que foi bem feito, é engraçado e cumpriu o que prometeu.
    Já Persona Q está na minha lista de “must buy” desde que foi anunciado, mas está difícil de conseguir achar por aqui…
    Um dia eu compro Bravely Default também, quando achar alguma promoção. Já estou com 10 horas na demo! o_o

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    1. Se você já gostou da demo, vai amar o jogo em si, porque ele tem aprimoramentos que na demo ainda não estão disponíveis. A demo é uma área menor repetida e sem diversos recurso de batalha, sem história, etc.

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