Melhores de 2014: Plataforma

Selo Melhores de 2014Este artigo faz parte da série Melhores de 2014, com os games lançados este ano que este humilde blog considera que devem ser jogados por quem puder. Consulte a página Melhores de 2014 – Lista de categorias para ver as categorias do ano e o artigo Teaser: Jogos que podem aparecer nos Melhores de 2014 deste blog para ver uma lista do que adquiri e joguei pelo menos um pouco.

Dessa vez eu nem posso alegar falta de jogos: nossos “amiguinhos” indies de tênis verde, barbinha nada máscula e camisa de flanela xadrez nunca mais vão deixar de encher o Steam, a PSN, a Live e o eShop de joguinhos “estilosos” de plataforma com visual pixelado retrô e… nenhuma novidade real. Já deu para perceber que minha paciência com esse tipo de coisa acabou, né? Em 2014, evitei tanto esse tipo de nulidade que quase passei batido pelo melhor jogo de plataforma de 2014, adquirido e experimentado só aos 48 do 2º tempo. Mas calma, uma coisa de cada vez.

Salto em Trials Fusion (PC/PS3/PS4/X360/XB1)
Erra o salto para você ver o que acontece

Alguns dos jogos menores mais legais que saíram em 2014 têm elementos de plataforma, mas não se escoram completamente neles. Já citei em outras categorias casos como o de Strider, que está mais para um Metroidvania com um ninja futurista, e Trials Fusion, que parece um jogo de moto em 2D mas é na prática um desafio de plataformas. Um jogo que tem elementos menos óbvios do gênero é Octodad, já que você passa uma parte razoável do tempo tentando subir em lugares – só que o desafio disso não está em pulos, e sim em conseguir controlar os tentáculos do simpático polvo protagonista. E Super Time Force pode parecer uma espécie de Contra com mais ênfase em pulos e plataformas, mas na verdade é quase um puzzle, em que você vai morrer e voltar no tempo para tentar de novo enquanto os “eus passados” repetem o que você já tinha feito. Complexo? Mais sobre ele em outra categoria…

Fase do carrinho em Donkey Kong Country: Tropical Freeze (Wii U)
A perspectiva muda, mas os conceitos são os mesmos

Em termos de jogo de plataforma puro, só joguei dois esse ano. Um deles não é pouca coisa: Donkey Kong Country: Tropical Freeze. Não há nenhum grande mistério na sua fórmula; é mais da série – em particular mais do jogo anterior para Wii, Donkey Kong Country Returns – só que agora em belíssimo HD, com framerate alto e sem necessidade de chacoalhar controle nenhum para fazer algo tão simples quanto bater no chão. O setup é meio inusitado, com um barco viking invadindo a ilha da família Kong e espalhando neve por um cenário tropical, o que injeta alguma variedade nos cenários, chefes e situações; porém, em termos de jogabilidade, não há quase nada de realmente novo. É bonito ver os pelos de Donkey Kong balançando ao vento e as mudanças de perspectiva de câmera para terceira pessoa, mas de resto, Tropical Freeze é “apenas” uma versão bombada de Returns.

Isso pode ser suficiente para tornar o jogo mais do que recomendável, mas não para premiá-lo como melhor jogo de plataforma do ano. Não quando você tem um concorrente como… 

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Shovel Knight (3DS/PC/Wii U)

Capa de Shovel Knight (3DS/PC/WiiU)Deixei Shovel Knight de lado por meses graças à falta de paciência com “tributos indies à era Nintendinho/Super Nintendo”, mas ao ver o jogo ganhando prêmios por aí, comecei a desconfiar que fosse mais do que isso. De fato, como comentei na categoria Melhor Jogo de Luta/Beat’em Up, ele vai muito além da simples nostalgia. Há elementos imediatamente reconhecíveis, como o visual pixelado, a trilha sonora chiptune, os controles simples, a estrutura de fases com mapinha (meio Super Mario World) e até mesmo pulos “pogobol” com a pá, diretamente emprestados de Ducktales. Mas à medida que você avança, começa a perceber que Shovel Knight inclui coisas que não somente eram impossíveis nas eras 8/16 bits, como são diretamente inspiradas em soluções de design modernas – algumas delas verdadeiros anátemas para saudosistas puristas.

O caso mais evidente é como o jogo pune a morte. O “cavaleiro da pá” tem corações como barra de vitalidade, mas não tem vidas em si: quando o jogador morre, ele simplesmente perde parte do ouro acumulado e volta ao último checkpoint da fase (sim, checkpoints). O ouro fica no ponto da morte e pode ser recuperado, desde que não tenha caído em algum buraco. E se você perder tudo, ainda assim pode simplesmente continuar jogando até conseguir terminar a fase – mas sem ouro, você não compra novas relíquias (itens de magia), upgrades de vitalidade, armas e peças de armadura, dificultando o progresso. O jeito é rejogar fases já liberadas para voltar a acumular tesouros. Isso tudo lembra alguma coisa? Quem levantou a mão e berrou “Dark Souls!!!!“, acertou em cheio.

E repare que eu falei em itens de progressão: Shovel Knight tem elementos claros de RPG, e não somente em termos de upgrades. Na cidade-hub inicial, você pode falar com transeuntes, que podem tanto soltar diálogos curtos humorísticos, ou que enriquecem o mundinho do jogo, quanto dar dicas cruciais de itens escondidos ou de recursos de jogabilidade que você não tinha pensado. É possível até encontrar coletáveis como partituras e devolvê-las ao bardo da cidade em troca de ouro – e a música fica desbloqueada para você ouvir quando quiser. São coisas que poderiam ter aparecido em um Zelda antigo, mas não em um jogo 2D e/ou com esse nível de detalhe ou quantidade; somente um jogo moderno, ainda que com cara retrô, poderia fazer tudo isso junto.

Plataformas em Shovel Knight (3DS/PC/Wii U(
Sente o drama – e o jeitão Mega Man

Mas a categoria é jogo de plataforma, né? Não se engane: pode parecer que Shovel Knight abraça vários gêneros, mas em essência ainda é Super Mario World com Mega Man (sem tiros: no máximo, você solta magia com algumas relíquias). E nessa parte, o design das fases é clássico, porém muito melhor resolvido do que 99% dos indies por aí. Há áreas escondidas descobertas cavando (você achou que a pá servia apenas para bater?), plataformas em movimento, itens que só podem ser alcançados com saltos precisos sobre inimigos e assim por diante. Não há tutorial nenhum – nem mesmo de que botão faz o quê – mas o jogo é tão intuitivo que você entende tudo na hora; assista este vídeo sobre como Mega Man ensina tudo através do design (em inglês) e você saberá exatamente do que estou falando. Shovel Knight se diferencia da carne seca indie, quem diria, por ter entendido de verdade o que funcionava nos jogos clássicos da época, sem apenas copiar a roupagem e assumir que nostalgia basta. Se você for experimentar um título de plataforma retrô na vida, que seja Shovel Knight.

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Games que não joguei e poderiam ter entrado nesta categoria: Kirby: Triple Deluxe, Mercenary Kings

Um comentário sobre “Melhores de 2014: Plataforma

  1. Fiquei interessado pelo jogo! Mas estou com um fila grande de jogos…
    Quando aparecer uma promoção pegarei sem medo! 🙂

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