Retrospectiva 2014: O ano dos jogos AAA “quebrados”

Retrospectiva 2014 - thumbnailA Retrospectiva de 2014 do blog Re:Games aborda tendências bizarras que permearam o mundo dos jogos neste ano que se encerra. Entenda melhor esta série de artigos no post de abertura.

Após após a conectividade online se tornar algo comum em consoles, os estúdios desenvolvedores perceberam que podiam consertar pequenas falhas em seus jogos com patchesupdates, seguindo uma tendência já consolidada nos PCs. Com o tempo, nos acostumamos a ver praticamente todos os jogos de alto orçamento (conhecidos como “AAA”) receberem algum tipo de correção no primeiro dia de venda. É algo chato, mas ainda assim bem melhor do que ter que conviver com algum bugzinho pentelho que “escapou” nos testes – uma situação cada vez mais comum e até compreensível, dada a maior complexidade das partes que compõem um jogo moderno. Mas a tolerância tem seu limite: aquele momento em que alguma parte do jogo simplesmente não funciona como pretendido, não por má escolha de design, e sim por questões de programação mesmo.

Erro em Sim City (2013)
Não foi possível carregar A CIDADE em um SIM CITY? (destaque para a propaganda “Buy now” no canto inferior direito…)

A história está cheia de jogos que saíram “quebrados”, com ou sem a possibilidade de patches, mas os casos sempre pareceram isolados. Mesmo após a onipresença dos modos online, só em 2012 e 2013 tivemos algum indício de que as desenvolvedoras perderiam o controle da situação. Diablo III beirava o injogável quando lançado no PC – mesmo no modo solo – graças à exigência de conectividade constante, e assim permaneceu por meses. Sim City (o de 2013) teve problemas muito semelhantes, forçando a desenvolvedora a desativar certos recursos do jogo durante meses enquanto “consertavam” tudo. Battlefield 4 não apenas saiu com problemas de matchmaking, como também bugs diversos que apagavam saves, impediam o progresso e descaracterizavam o jogo – e em todas as versões. Ainda assim, a maioria dos jogos AAA de 2012 e 2013 chegou ao mercado sem grandes problemas.

Aí 2014 começou, e… a coisa foi às raias do absurdo. Claro, nem todos os jogadores experimentaram problemas, mas a bagunça foi tão grande que algumas desenvolvedoras tiveram que pedir desculpas contínuas ou até dar brindes para compensar seus jogos defeituosos. Alguns exemplos de jogos que saíram com problemas sérios diversos, a maioria de conectividade:

      • Erro de conexão em Mario Kart 8
        Vi muito esse erro em Mario Kart 8

        Os servidores da Nintendo não seguraram o online de Mario Kart 8 nas primeiras semanas do lançamento do jogo e nos dias iniciais do 1º DLC  – e antes que digam “mas Nintendo e online nunca se deram bem”, Mario Kart 7 (3DS) vendeu mais e não teve esses problemas;

      • Forza Horizon 2 também sofreu do mesmo problema por algumas semanas – eu mesmo só consegui correr online quando já estava na metade da “campanha” – e mesmo depois, era comum ver carros “piscando” nos eventos por causa de intermitência da rede;
      • Super Smash Bros for 3DS ganhou um patch logo na semana de lançamento, que não só corrigia bugs como acabou impedindo jogadores com versões diferentes de jogarem juntos em modo local – que costumava justamente ser o forte da Nintendo e do 3DS;
      • Alien: Isolation saiu com framerate inconstante, apesar de não ser tão avançado visualmente, e alguns bugs que impediam o progresso do jogador, na base do crash puro e simples – especialmente no PC após algumas atualizações de driver da nVidia;
      • NPC sem rosto em Assassin's Creed: Unity
        Assassin’s Creed: Arkham Horror

        Drive Club foi um fiasco tão grande em várias frentes que chegou a sair sem clima dinâmico – incluído apenas esses dias via atualização – e ainda não teve sua versão gratuita disponibilizada para assinantes da Playstation Plus, por medo de sobrecarga ainda maior dos servidores. Assim como em Sim City (2013), o jogo teve funcionalidades desativadas, como os Challenges, durante várias semanas;

      • Borderlands: The Pre-Sequel! tem bugs incomuns para a série graças a algumas das novas mecânicas – por exemplo, uma vez não consegui terminar uma missão porque itens “saem voando” um tanto na baixa gravidade, e um item necessário caiu em uma área inacessível, exigindo o reload do jogo;
      • Call of Duty: Advanced Warfare teve problemas gerais de matchmakinglag, especialmente na versão para PC – embora tenham sido resolvidos muito mais rapidamente do que todos os outros casos semelhantes nesta lista;
      • Assassin’s Creed: Unity exagerou na ambição e conseguiu superar Fallout 3 no quesito “bugs bizarros”, como NPCs sem rosto, travamentos, perda de saves e quedas absurdas de framerate – abaixo até do longo histórico “dê graças a deus se rodar a 30” da série. Foi tão feio que a Ubisoft cancelou o season pass, botou o 1º DLC de graça e deu jogo de brinde para quem comprou o passe;
      • Erro de matchmaking em Halo: The Master Chief Collection
        Erro de matchmaking em um HALO é de doer na alma

        Halo: The Master Chief Collection teve problemas de progresso não gravado corretamente (seja checkpoints ou saves manuais), estatísticas competitivas registradas com erros absurdos (eu cheguei a “fazer” mais de um BILHÃO de pontos em algumas fases), e não tinha seu matchmaking corrigido um mês depois do lançamento – ainda havia gente que não conseguia entrar em uma partida, e muitos dos que conseguiam esperavam demais (eu incluso);

      • Dragon Age: Inquisition saiu com bugs em que certas missões não podem ser concluídas, potencialmente impedindo o progresso do jogador, e a versão de Xbox One não recebeu o patch que corrige esses bugs até agora;
      • Far Cry 4 de PS4 veio sem o código das 10 “chaves” para mandar aos amigos e permitir que eles joguem co-op com você por até duas horas, mesmo sem terem o jogo – justamente o recurso inédito que diferenciava a versão de PS4 das outras;
      • Super Smash Bros for Wii U parecia perfeito… Até alguns jogadores tentarem entrar no modo online For Glory (mais próximo de um jogo de luta tradicional) e terem seu Wii U bricado, e isso mesmo após o patch inicial de equilíbrio do jogo;
      • The Crew saiu com problemas parecidos aos de Forza Horizon 2 na parte online, com dificuldades no matchmaking e carros “piscando”.
Tela de personagem em South Park: The Stick of Truth
2014 foi tão anormal que um *RPG da Obsidian* chegou sem grandes bugs

Comprar jogo no lançamento virou uma roleta russa, a ponto de dar vontade de agradecer por jogos como Titanfall, South Park: The Stick of TruthShadow of Mordor Sunset Overdrive simplesmente funcionarem de cara – não à toa, todos esses estão entre os melhores do ano. 2014 foi um ano tão bizarro nesse sentido que MMOs e jogos com fórmulas semelhantes, que costumavam ser os reis dos problemas de conectividade no lançamento, chegaram ao mercado relativamente estáveis, como nos casos de The Elder Scrolls OnlineDestinyFinal Fantasy XIV: A Realm Reborn (tanto no ano passado no PS3/PC quanto este ano no PS4).

A lição que fica já estava sendo desenhada há algum tempo: não compre jogo em pré-venda, especialmente se for muito focado no online. Mesmo que tenha a chance de experimentar um demo ou beta bastante estável, como o de Destiny, lembre-se que jogos como The Crew Super Smash Bros for 3DS também pareciam estáveis até chegarem ao mercado. E se mesmo assim não conseguir segurar a coceira por causa de algum brinde de pré-venda, instale o jogo e espere algum tempo, acompanhando as notícias e deixando as atualizações virem, antes de começar a jogá-lo para valer. Melhor evitar dor de cabeça desnecessária…

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