Retrospectiva 2014: Jogos licenciados (!) entre os melhores do ano

Retrospectiva 2014 - thumbnailA Retrospectiva de 2014 do blog Re:Games aborda tendências bizarras que permearam o mundo dos jogos neste ano que se encerra. Entenda melhor esta série de artigos no post de abertura.

Antes de mais nada, crédito a quem merece: eu ouvi essa bola ser levantada pelo editor-chefe do Joystiq, Ludwig Kietzmann, no podcast do site (um dos dois sites/casts gringos que ainda leio/escuto, por motivos diretamente associados a outra tendência que se consolidou em 2014 – assunto para outro artigo). Assim que o sujeito mencionou esse detalhe, percorri a minha lista pessoal de jogos experimentados e notei que não se tratava de uma impressão passageira: este ano, tivemos um punhado de jogos baseados em licenças de outras mídias que acabaram surpreendendo. Em outros tempos, um Batman: Arkham Asylum da vida parecia um oásis no deserto; a partir de 2014, dá até para ter alguma esperança de que o velho estereótipo sobre a ruindade dos jogos licenciados caia por terra um dia. Alguma, pelo menos.

Cagando em South Park - The Stick of Truth (PC/PS3/X360)
Não, o jogo não é uma bosta nem caga nada – muito pelo contrário

O ano já iniciou com uma dessas surpresas licenciadas em andamento: The Wolf Among Us, o jogo da Telltale baseado nos quadrinhos Fables – e a mesma empresa finalizou também a segunda temporada de The Walking Dead – The Game, mantendo o nível geral da primeira, e teve uma boa recepção para seu primeiro episódio de Game of Thrones – A Telltale Game Series. Já The Lego Movie Videogame, apesar do nome ridículo (propositalmente ou não), continuou a sequência de acertos e melhorias que temos visto nos jogos Lego. Logo após, a Obsidian, famosa por seus RPGs com histórias complexas, finalmente teve seu South Park: The Stick of Truth lançado – um verdadeiro episódio estendido da série, sem deixar cair o ritmo nem o humor um segundo que seja (e surpreendentemente, sem nenhum grande bug). Já Fantasia: Music Evolved dá um passo adiante na fórmula de Dance Central, usando o novo Kinect para transformar o jogador em um condutor, em vez de apenas um “dançarino passivo” (sem duplo sentido, gente! :P) – embora não tenha aproveitado como poderia o filme original da Disney.

Os dois jogos que mais chamaram a atenção para esta tendência foram, sem dúvida, Alien: IsolationMiddle-earth: Shadow of Mordor. O primeiro por uma série de indícios de que poderia dar tudo errado: uma franquia desgastada há anos nos games (especialmente após Colonial Marines, que até processo rendeu), uma desenvolvedora com experiência apenas em jogos de estratégia (The Creative Assembly, da série Total War), e aspirações de levar a fórmula de Amnesia: The Dark Descent adiante, algo complicado de se fazer. Pelas resenhas e poucas horas que joguei, foi exatamente isso que conseguiram – e com direito a uma inteligência artificial para o Alien que aprende com suas ações, só para deixar o jogador com mais cagaço ainda.

Talion, o badass de Shadow of Mordor (PC/PS4/XONE - ignorem PS3/X360)
Entra lá e brinca de esquartejar orcs, malandrão

Já Shadow of Mordor vinha com um pouco mais de pedigree: a Monolith Productions fez as séries CondemnedF.E.A.R. e bons jogos como BloodNo One Lives ForeverGotham City Impostors. A promessa era de um sistema inteiramente inédito de hierarquia e dinamismo para o exército de orcs… E foi cumprida de forma brilhante, junto com uma abordagem muito mais enxuta e mecanicamente bem resolvida para jogos de ação em mundo aberto (aprende, Ubisoft!). A história pode ser apenas funcional, mas faz bom uso do universo de Tolkien, e o combate é tão bom que o jogo se torna um verdadeiro parque de diversões macabro e sanguinolento. Mas volto a Shadow of Mordor em outro artigo.

Claro, alguém sempre pode lembrar que tivemos as furadas de sempre no campo dos jogos licenciados, como The Amazing Spider-Man 2 (após o primeiro ter sido até bem decente) e Rambo: The Videogame. Porém, a média ainda pendeu mais para o lado dos bons games, principalmente se levarmos em conta outros tipos de jogos que usam licenças “externas”, como os de esportes e corrida. Fifa 15 mantém a qualidade da série, 2014 World Cup Brazil fez um trabalho decente de recriação do clima de Copa e do país (apesar da engine velha), EA Sports UFC foi uma boa estréia da empresa com a licença mais famosa de MMA… E, principalmente, Forza Horizon 2 usou centenas de carros famosos e dezenas de músicas de diversos gêneros em um dos três melhores e mais divertidos jogos de carro que já tive o prazer de experimentar nos últimos 10 anos – senão o melhor. Sim, é desse nível. Claro, nesse gênero teve também a decepção de Drive Club, mas… De novo: a balança ainda ficou bem mais para o lado dos bons, talvez como nunca antes. Agora é torcer para que essa tendência continue.

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