Tilt: Ciclo “nova geração” completo com o Xbox One

Xbox One + Dead Rising 3
O “bichinho” chegando em casa

Como já adiantado em outros artigos, como o sobre o futuro do Kinect e alguns de vídeos, eu adquiri o Xbox One. A ideia era esperar sair mais jogos e/ou uma queda de preço, mesmo que viesse sem Kinect… Mas o aparelho com Kinect acabou ficando mais barato que o PS4 no mercado paralelo, e aproveitei um mês bom de renda para comprar o pacote completo. Também peguei Dead Rising 3 e recebi Titanfall de presente do leitor Renato “Natork”, que tinha uma cópia sobrando (valeu, cara!). Após baixar Killer Instict (versão gratuita, com apenas um lutador, Spinal) e aproveitar desconto na Live para Plants vs. Zombies: Garden Warfare, reuni jogos suficientes para avaliar o console com calma.

Antes de começar esta looonga resenha, vale avisar algumas coisas. Primeiro, meu Xbox One é importado, e não cheguei a mudar o sistema para português para ver se os comandos de voz funcionam bem em nosso idioma; estou usando-os em inglês mesmo. Segundo, saibam que o importado não tem fonte bivolt – cuidado ao comprar no mercado paralelo se você mora em uma cidade ou local com tomadas 220V! Além disso, como minha conta na Live é americana, não faço ideia do que está disponível na brasileira, e a que preço; por outro lado, Titanfall e o Netflix reconhecem que estou no Brasil, então qualquer comentário sobre velocidades provavelmente ainda diz respeito aos servidores brasileiros. Para fechar, não usei nenhum dos recursos de TV – eu não assisto nada “ao vivo” hoje em dia, nem mesmo futebol. Ah, e meu celular não tem a versão do Android necessária para usar o Smart Glass.

Isso tudo esclarecido, vamos ao que interessa: o console e como ele funciona.

Os cavalos do motor

Xbox One aberto
Ilustração não necessariamente representativa

Quem leu meus artigos semelhantes sobre o Wii U e sobre o PS4 sabe que geralmente eu começo pela aparência externa do hardware (noves-fora o problema inicial que tive entre o PS4 e a Net Virtua), mas no caso do Xbox One, vale tirar do caminho a questão da potência do console. Já se sabe que o novo aparelho da Microsoft tem memória RAM de velocidade inferior e dedica cerca de 10% de processamento da CPU ao Kinect, o que em tese reduz as possibilidades para os jogos, e esses dois fatores seriam responsáveis por versões multiplataforma com menor resolução nativa do que a do mesmo jogo no PS4. Quem joga com alguma frequência no PC sabe que resolução faz diferença em termos de nitidez, mesmo entre HD (720p) e Full HD (1080p)… Mas se for honesto consigo mesmo, admitirá que se o jogo for bom, em 10 minutos essa diferença logo é esquecida. E para a grande maioria dos consumidores de console, especialmente os com TVs até 40 polegadas (a minha tem 32), a diferença beira o imperceptível.

Porém, a diferença de potência do Xbox One parece se manifestar de outras maneiras. Até agora não vi nenhum jogo dele que tenha o mesmo nível de uso de partículas, efeitos de iluminação e expressões faciais que um inFamous: Second Son ou Killzone: Shadow Fall, com exceção do abuso das partículas nos golpes especiais de Killer Instinct – um jogo de luta 2.5D em uma área bem limitada. Titanfall tem mapas enormes, maiores do que os multiplayer de Killzone, e texturas com mais detalhes, mas sofre com screen tearing ocasional e abdica de efeitos mais chamativos. De forma semelhante, Dead Rising 3 apresenta um mundo aberto de verdade dessa vez, sem loading entre áreas, e abusa na quantidade de zumbis, mas não tem nenhum grande avanço visual além de maior resolução e melhor framerate (quadros por segundo) em comparação aos jogos anteriores. Além disso, tive alguns problemas de travamento e reinicialização do console ao jogar TitanfallDead Rising 3 enquanto transmitia-os no Twitch – o que pode ser mais um problema do sistema operacional, que abordarei mais para frente aqui.

A impressão que tenho é que, para quem vem de consoles da geração anterior, o Xbox One vai parecer sim um belo upgrade, claro. Não há dúvidas de que é bem mais potente do que o 360 ou o PS3. Mas para quem ainda estiver indeciso se irá comprar o Xbox One ou o PS4, especialmente se o plano for adquirir apenas um deles, é bom levar a diferença de processamento entre os dois em consideração – ainda mais se a intenção for adquirir jogos multiplataforma por falta de um PC “bombado”. E insisto: o problema não é exatamente resolução. Você não vai morrer se tiver que jogar Watch Dogs com resolução nativa de 720p em vez de 900p – e se isso for tão importante assim, melhor então esquecer os consoles e atualizar/trocar de PC para jogar em 1080p ou mais logo de uma vez. A questão é se o jogo não vai ter menos efeitos, não vai travar durante a transmissão no Twitch ou se terá screen tearing, a julgar pelos exclusivos do Xbox One que experimentei até agora.

Hardware: videocassetadas

Tamanho do Xbox One vs. Xbox 360
Grande, “quadrado” e parecendo um videocassete

Voltando aos aspectos externos do hardware, quem viu fotos e vídeos do Xbox One sabe que ele se parece com um antigo videocassete, e dos mais “quadrados” e feios. Porém, duvido que alguém que esteja interessado nele se importe com isso; as questões práticas são outras. Ele é bem maior que qualquer Xbox anterior e que todos os consoles aqui em casa, então reserve um bom espaço – ainda mais se você pegar um modelo com Kinect 2.0, também maior e mais “quadrado” do que o anterior. Por outro lado, o aparelho é surpreendentemente leve para seu tamanho – não tanto quanto um PS4 ou um Wii U, mas ainda mais leve que meu Xbox 360 Arcade (modelo antigo). Além disso, assim como o Wii U, é totalmente silencioso e não esquenta absolutamente nada, com a metade direita do topo dedicada a ventilação; dá até para sentir um ventinho ao pôr a mão. O único barulho que você ouvirá é o carregamento do disco na unidade; nem mesmo a inicialização da leitura ao abrir um jogo gera qualquer ruído.

Fica claro que a Microsoft gastou a maior parte do seu orçamento e tempo de design do hardware para garantir que o Xbox One eliminasse dois dos maiores problemas práticos do 360 (pelo menos os modelos iniciais): ruído e aquecimento, incluindo aí as famigeradas “três luzes vermelhas da morte” que tanto prejuízo deram à companhia. Alguém poderá alegar que o console não esquenta porque a fonte é um tijolão externo, no cabo de força, mas o 360 também tinha uma dessas e mesmo assim apresentou problemas. Com essas melhorias, o Xbox One pode ser a coisa mais feia do universo que estará perdoado; se for para reclamar do design, a única coisa que me incomoda é o fato das duas portas USB ficarem na parte traseira do aparelho, e não na frente, como acontece nos Playstations e no 360 (pelo menos no meu Arcade). O Wii U ainda tem a desculpa de que seu controle é carregado independentemente, mas no Xbox One, a USB é usada até para atualizar o firmware do controle (sim, isso é necessário).

Controle do Xbox One + headset padrão incluído
Ótimo controle e headset incluído bem melhor que o do PS4

Falando nele, é impossível não ficar impressionado com o controle do Xbox One. Embora não tenha touchpad e ainda insista em usar pilhas (sério, Microsoft?), as melhorias para o do 360 são visíveis. Nem é preciso dizer que a troca do d-pad sozinha já é um salto absurdo, especialmente com Killer Instinct como um dos jogos exclusivos de lançamento do console. Além disso, ele é mais ergonômico, tem botões maiores, alavancas ainda mais agradáveis e diferentes níveis de vibração nos gatilhos – um efeito muito imersivo se bem utilizado no jogo. É mais pesado que o do 360 ou o Dualshock 4, e talvez seja um pouco grande para quem tiver mãos pequenas, mas nada disso é um problema sério. A única coisa que me incomodou nele foram os botões de ombro: quando pressionados, você ouve um som de clique bem evidente, o que dá a impressão de que podem quebrar a qualquer momento. Como é raro em jogos que esses botões sejam apertados em rápida sequência, dá para relevar. No geral, é um controle excelente, embora ainda prefira o do Dualshock pelo touchpad, pelo alto-falante interno, pela praticidade do botão Share e por ser menor e mais leve.

O Xbox One é vendido com uma fonte externa “tijolão”, um cabo HDMI, um headset simples, um controle e, caso você opte por ele a partir de agora, o Kinect 2.0. Todos os cabos são grossos e reforçados, e o HDMI parece ser de ótima qualidade; quanto ao Kinect, falarei mais nas seções abaixo. O interessante aqui é o headset. Enquanto o do PS4 é um mero fone intra-auricular, parecido com os de celular e para apenas um ouvido, o do Xbox One é externo, com aro para a cabeça e um microfone com haste na direção da boca, além de botões de Mudo e Volume no encaixe do controle. O ajuste para o aro é limitado e não cabe direito em alguém grande como eu, mas ainda deixa-o mais firme e confortável do que o fone do PS4. Além do mais, o microfone é de alta qualidade para um headset tão simples: em todas as transmissões que fiz com ele, minha voz está clara e límpida, sem captar nada do som do jogo na TV. Para quem já tem um bom sistema de som em casa e quer um headset apenas para bate-papo em jogos online, o fornecido pela Microsoft dispensa tranquilamente a compra de um headset novo, enquanto o fone do PS4 é tão limitado que te “empurra” para os headsets vendidos separadamente pela Sony.

Sistema operacional: é Windows 8, né?

Interface do Xbox One em português
Assim é cara dele no início, antes de personalizar

Em diversos pontos conceituais, o sistema operacional do Xbox One é o exato oposto do sistema do PS4. Baseado na interface Metro do Windows 8, o sistema é organizado horizontalmente e com tudo dividido em blocos; oferece mais opções de personalização que o do PS4, e por isso é mais complexo; é verdadeiramente multitarefa, ao contrário do PS4; e em vez de integrar certos recursos ao sistema, como no caso do party chat ou do Twitch no PS4, tudo no Xbox One é um app, até a lista de Amigos e as Configurações. Além disso, foi desenvolvido do zero para navegação via Kinect, seja com gestos ou comandos de voz, e permite abrir uma janela extra menor à direita com a função Snap, para que você possa jogar e fazer outra coisa ao mesmo tempo. O resultado é um misto de vantagens, desvantagens e de erros repetidos em comparação com o sistema do PS4.

As vantagens estão, em parte, no que a maior complexidade do sistema oferece. Você pode desde escolher um esquema de cores até fixar seus jogos e apps mais usados na tela mais à esquerda. Embora navegar usando gestos ainda não seja tão intuitivo quanto se espera – ainda não chegamos ao “nível Minority Report” que muitos sonhavam – os comandos de voz estão ótimos, a ponto de finalmente valer a pena usá-los antes de começar a jogar algo. Em geral, eu ligo a TV e, enquanto vou pegando o controle, uso voz para iniciar o console e navegar até aonde quero, com direito a login imediato na Xbox Live via reconhecimento facial – que até agora não falhou uma vez sequer. Se a intenção for ligar o aparelho apenas para mandar baixar algo ou usar um app, nem encosto no controle. Os únicos poréns são o fato do app de Configurações não suportar comandos de voz por algum motivo, e que o comando para ligar o Xbox One muitas vezes não é reconhecido de primeira, embora os outros geralmente sejam.

Tudo é um app no Xbox One
Tudo, TUDO é um app no Xbox One

As desvantagens são o outro lado da mesma moeda: por ser essencialmente um Windows 8 “light”, o sistema é um pouco mais lento que o do PS4 e, ao que parece, mais suscetível a erros. Em pouco tempo, já tive apps travados, reinicialização de console, lentidão ao alternar entre aplicativos e jogos que usem muito a Internet (como do Twitch para o Titanfall) e outras chateações menores. Além disso, a maior complexidade do Xbox One o deixa menos intuitivo. É bem provável que a grande maioria dos usuários nunca perceba que apps abertos ficam suspensos mesmo quando você para de usá-los, e continuam a consumir recursos de processamento; para fechá-los, é preciso abrir um menu de contexto e escolher “Quit”. No PS4, sempre que você abre um novo aplicativo enquanto está jogando, o sistema o avisa que o jogo será suspenso, pelo menos. Vale lembrar, mais uma vez, que tudo é um app – ou seja, jogar online com amigos e transmitir via Twitch com microfone significa abrir o jogo, o “app” de Amigos, o “app” de Party Chat e o “app” do Twitch, no mínimo (no PS4 você abriria apenas o jogo e iniciaria uma party no próprio sistema). Todas as vezes em que o Xbox One deu algum pau, foi em situações como essa.

Ainda por cima, o sistema do Xbox One repete alguns erros do sistema do PS4 mesmo sendo mais complexo. Por exemplo, se existe alguma forma de excluir uma atualização que “cagou” um jogo, ainda não a descobri. Da mesma forma, a ideia de iniciar um jogo após parte dele ter sido baixada apresenta os mesmos problemas práticos: em Plants vs. Zombies: Garden Warfare, o jogo simplesmente não iniciou mesmo com o sistema dizendo que isso era possível, e em outros jogos, as opções do que fazer enquanto o resto do jogo estava sendo baixado continuam bem limitadas. A “ocultação” de informações importantes também “ressurge” na parte de gerenciamento de espaço em disco; em alguns pontos, o sistema do Xbox One é ainda pior. Um caso é a exclusão de saves, uma opção enterrada dentro do submenu Sistema em Configurações, ao invés do app Meus Jogos e Aplicativos, onde o progresso do download é exibido. Pelo menos o sistema continua exibindo a barra e a porcentagem do download mesmo após o ponto em que a inicialização do jogo estaria disponível, algo que o PS4 não faz.

A corrida por transmissão, gravação e edição

Transmitindo no Xbox One via Twitch
É isso que você vê no console (no Twitch, só aparece o jogo e a imagem do Kinect, se você decidir)

A essa altura, já está bem estabelecido que um dos principais campos em que a nova geração de consoles se destaca da anterior, além do evidente e esperado salto em potência, é o da transmissão ao vivo e gravação de gameplay para compartilhamento posterior. Tanto Sony quanto Microsoft anunciaram esse recurso desde o início, mas na prática, cada console foi lançado com vantagens e desvantagens. No PS4, o acesso é mais rápido e intuitivo – não só pela interface ser integrada ao sistema, como também graças ao botão Share. Além disso, o console está sempre gravando até 15 minutos de jogo. No caso do Xbox One, ele foi lançado já com um app editor de vídeos, o Upload Studio, e existe a possibilidade de que o desenvolvedor do jogo “mande” gravar automaticamente qualquer parte do jogo, incluindo Conquistas. Porém, o console grava no máximo 5 minutos; requer o download do Upload Studio e do Twitch como apps na loja online; e a essa altura não tem mais a vantagem do editor, já que a Sony lançou recentemente seu Share Factory.

Usar os recursos de transmissão, gravação e edição em ambos os consoles é simples o suficiente para alguém que nunca se aventurou a fazer algo parecido no PC. Porém, no Xbox One, todos esses recursos exigem um pouco mais atenção e são menos intuitivos. Para transmitir, você precisa abrir o app do Twitch, e se quiser ver as mensagens dos espectadores, precisa usar a função Snap para posicioná-lo no lado direito da tela. No caso das gravações, o sistema é um pouco confuso ao dividir as funções entre três apps: DVR de JogosUpload e o Upload Studio. O primeiro é responsável por gravar e gerenciar trechos, o segundo permite o envio para o serviço OneDrive da Microsoft e o terceiro é o editor completo. Se o usuário não abrir a Ajuda ou os tutoriais de cada um, ficará sem saber de detalhes importantes, como o fato de que clipes no DVR de Jogos não ficam gravados para sempre – você precisa entrar no app e mandar salvá-los “de vez”, mesmo após ter dito “Xbox, record that” durante o jogo. Em comparação, no PS4 hoje, a opção de gravar em definitivo fica explícita na tela assim que você aperta o botão Share, e as funções equivalentes ao DVR de Jogos são feitas nas Configurações, no mesmíssimo lugar em que você gerencia os jogos instalados.

"Maldito lag!" - Jesus
Quem mandou transmitir a Ressurreição via Xbox One?…

Mas o importante mesmo é o desempenho dessas funções. Por exemplo, fiz testes variados nos dois consoles e experimentei uma diferença consistente na capacidade de transmissão em jogos com multiplayer. O Xbox One mede seu upload e oferece uma velocidade recomendada – que no meu caso, costuma ficar em 1,5 ou 1,6 Mbits, entre Média (1,4 Mbits) e Máxima (2 Mbits). Na prática, a Recomendada funciona em um jogo single-player, como Dead Rising 3; porém, ao usá-la em um jogo multiplayer, precisei reduzi-la para Baixa (800 Kbps), ou as partidas ficavam injogáveis de tanto lag. O pior é que reduzir a qualidade da transmissão pela metade não garantiu a ausência de lag, muito pelo contrário. Só consegui transmitir uma vez sem lag algum (em Baixa), e nas outras tentativas, estava apenas “jogável”. Vale notar que no caso de Titanfall, um jogo muito frenético, qualquer “lagzinho” te joga para a rabeira da classificação ao final da partida. Já no PS4, consegui transmitir várias partidas de Killzone na qualidade Best (abaixo de Best HD e acima de Alta, Média e Baixa) sem nenhum lag, nenhuma vez; em Call of Duty: Ghosts, consegui o mesmo feito na Alta. Para constar, minha Internet tem 30 Mbits de download e 2 de upload, mais que suficiente para transmitir em 720p no PC usando um programa leve – e talvez seja aí que esteja o gargalo: afinal, o Twitch no Xbox One é um app, e no PS4 é um recurso integrado.

E não é só na transmissão que esse tipo de coisa acontece. Para gravar os últimos 30 segundos no DVR de Jogos, basta dizer “Xbox, record that”, mas isso ainda é mais demorado que apertar o botão Share no PS4 – sem contar que o botão é 100% confiável, ao contrário do comando de voz. Além disso, já me aconteceu algumas vezes de dizer o comando e o Xbox One informar que o clipe foi gravado, apenas para descobrir que não foi – provavelmente porque o espaço em disco alocado ou o número de clipes máximo tinha atingido o limite. O PS4, por sua vez, não impõe limite algum; se você quiser ocupar 400 GB com vídeos, é problema seu. E não acabou: para gravar mais que 30 segundos no Xbox One, você precisa abrir o app DVR de Jogos primeiro; depois, se quiser apenas cortar o vídeo, marcando início e fim, precisará abrir também o Upload Studio. Já no PS4, o corte pode ser feito diretamente na interface do botão Share. Ao editar vídeos no Upload Studio, notei algumas “travadinhas” na pré-visualização do resultado, o que não acontece no ShareFactory. O máximo de erro que tive nesses recursos no PS4 foi ver a interface de Share dar pau sozinha, mas os vídeos ainda estavam gravados, e foi só apertar o botão de novo e recomeçar.

Jogos: mais exclusivos, menos do resto

Se desconsiderarmos versões para PC, o Xbox One tem muito mais títulos exclusivos AAA em disco do que o PS4. Em compensação, nesses primeiros 6-7 meses, tomou uma surra do PS4 no quesito indies e nos jogos free-to-play. Não tenho em mãos títulos como Forza 5RyseLococycle ou Crimson Dragon, por não terem me chamado a atenção em resenhas (Lococycle só de graça na Games With Gold, o resto quando baixar bem o preço). De resto, experimentei a versão gratuita de Killer Instict, o beta de Project Spark e a demo de Kinect Sports Rivals. Também ainda não comprei o primeiro jogo indie de peso a aparecer no Xbox One, Super Time Force. Mesmo assim, já joguei coisas suficientes para poder dar uma palhinha geral aqui. As velocidades de download e instalação são comparáveis às do PS4 – o que não quer dizer que a Live tenha piorado, e sim que a PSN hoje está voando baixo, pelo menos no PS4. Isso dito, vamos aos jogos, em ordem crescente de qualidade como sempre:

Tela da corrida de jet ski em Kinect Sports Rivals (Xbox One)
Kinect mais preciso, mas falhando tanto quanto antes

Não estava esperando muita coisa de Kinect Sports Rivals, mas a demo me deixou com ainda menos esperanças. Não me entendam mal: nem foi tanto pelo jogo, que está mais bonito e interessante, mas pelo Kinect 2.0. A demo apresenta uma corrida de jet ski que “emprestou” muitas ideias de Mario Kart e títulos do gênero, como ganhar um “miniboost” de velocidade após fazer uma acrobacia… Mas nada disso adianta se o acessório ainda falha em registrar seus movimentos às vezes. O Kinect 2.0 é mais preciso e, em 90% do tempo, consegue enxergar bem a diferença entre ficar com a mão direita fechada (o que acelera o jet ski) ou aberta, assim como entre fazer uma curva aberta usando apenas o “guidão virtual” ou uma curva fechada inclinando o corpo. Mas o maior problema do Kinect nunca foi precisão, e sim falta de confiabilidade – e ela ainda está presente aqui, praticamente igual a antes. Pior: em um Fable: The Journey, o design do jogo inteiro foi feito para dar tempo de você se recuperar de uma magia mal lançada; já em Rivals, uma acrobacia ou curva mal executada por causa do Kinect pode significar dizer adeus ao pódio ou à possibilidade de bater seu melhor tempo. E isso é imperdoável.

Fireball no beta de Project Spark (Xbox One)
“Programando” o boneco para tacar bola de fogo com o botão Y

Por outro lado, o beta de Project Spark me deixou mais curioso quanto às suas possibilidades. Para quem não se lembra, trata-se daquele jogo de criação anunciado na E3 do ano passado, uma espécie de LittleBigPlanet da Microsoft, com um visual mais puxado para Fable (pelo menos no conteúdo disponível no momento). Não dá para explicar todos os meandros do jogo em um parágrafo, mas o tutorial de criação é bem mais intuitivo do que esperaria para uma ferramenta com tantas possibilidades de customização, desde terreno em 3D até a inteligência artificial (IA) de cada personagem. Project Spark se diferencia de LittleBigPlanet por se concentrar mais nas situações de jogo, como combate, pulo e IA, ao invés de “expressão artística” em um cenário “lúdico” com coisinhas fofas; por isso mesmo, é capaz de convencer até quem nunca se interessou pelo trabalho da Media Molecule. Só não coloquei ele à frente de Killer Instinct nesta lista porque a quantidade de itens do beta ainda está bem limitada, deixando a maioria das fases criadas com cara de Fable… Isso fora o medo de abusarem das microtransações – mesmo no tutorial, ao tentar escolher um modelo de protagonista, me jogaram para uma tela de compra. Pelo menos dava para comprar com moedas virtuais do jogo, não só com “tokens” de dinheiro real.

Tela de Killer Instict (Xbox One)
E esse nem é dos efeitos mais bonitos do jogo

Antes de falar sobre Killer Instict, saibam desde já que, além de ser uma negação em jogos de luta, nunca encostei nos anteriores da série. Portanto, entendam que minhas impressões não são 100% confiáveis. Mas de qualquer forma, aí vai: Killer Instict é 2.5D, como Street Fighter IV ou o mais recente Mortal Kombat, mas parece se focar mais em combos gigantes e na possibilidade de quebrá-los (algo que quase nunca consigo…). Talvez por essa diferença, eu tive mais dificuldade para jogá-lo do que qualquer outra coisa de luta na vida, e só consigo fazer algo no Easy (sofrendo muito). Me pergunto se isso não estraga a competição nível profissional: esses combos tiram muita vida, às vezes mais da metade de uma vez só. Visualmente o jogo é sensacional, com animações de alto nível e efeitos lindíssimos de partículas e afins durante os golpes especiais, sugerindo como as próximas edições dos “concorrentes” poderão ser; é bem mais bonito que as versões para PC e PS4 de Injustice, por exemplo. Por outro lado, visual e combos foram os únicos diferenciais que notei. Se você joga regularmente qualquer outro título de luta, seja os blockbusters ou “quase famosos” como Persona 4 ArenaBlazblueSkullgirls, só vejo mais dois motivos para deixá-los um pouco de lado: ser fã da série Killer Instict e o preço – US$ 20 por todos os lutadores (8). O jogo é competente, mas não passa disso.

Chomper em Plants vs. Zombies: Garden Warfare (Xbox One/PC)
Essa planta não tem arma, mas pode fazer ISSO

De Plants vs. Zombies: Garden Warfare esperava um clone de Team Fortress ainda mais “fora da casinha”, e é exatamente isso o que o jogo é. Mesmo assim, ele me surpreendeu em alguns fatores. O tamanho e a variedade dos mapas é notável, assim com as diferenças enormes entre as classes. As animações são muito fluidas, e detalhes engraçados, como colocar uma música brega de consultório no lobby (que significa “sala de espera”, sacaram?), ainda me fazem rir até hoje. E o que dizer dos personagens? Se enterrar no chão com a planta carnívora e surgir embaixo de um zumbi, devorando-o de uma vez só, é apenas um exemplo entre muitos. E toda essa diversão descerebrada, ao contrário do que se imaginaria, vem em um jogo competente na parte técnica, como mira, equilíbrio, matchmaking rápido e acessibilidade. A única coisa que pesa contra ele é a relativa falta de modos de jogo; porém, a US$ 40 (US$ 30 na Live quando o comprei), esse fator é desculpável. Ele até tem um “modo Horda” para 4 pessoas, que pode inclusive ser jogado sozinho ou offline, algo que o grande Titanfall não tem.

Tela de Dead Rising 3 (Xbox One)
Sim, é ESSE tanto de zumbis. Passa o trator!

Já Dead Rising 3 não foge muito do esperado, mas faz tudo o que precisava para ser o jogo definitivo da franquia até então. Se você tinha interesse mas sempre se incomodou com as restrições de tempo, elas foram removidas da história principal, e são bem camaradas nas missões extras; se você gostava dessas restrições antes, o modo Nightmare as retoma. De resto, é Dead Rising maior, melhor e mais prazeroso do que nunca. Não espere um salto visual de primeira linha, e sim um mundo verdadeiramente aberto, sem loading; ainda mais zumbis, a ponto de dar medo; a possibilidade de sair dirigindo pelo mapa atropelando todo mundo; combate mais fluido e com mais opções; e ajustes no sistema de combinação de itens para criar armas, algo que agora pode ser feito a qualquer momento – sem contar que todo item usado fica disponível para sempre nos armários espalhados pelo jogo. Para compensar essas facilidades, você só pode carregar quatro itens por vez inicialmente. O jogo também usa o Kinect de forma interessante, como para chamar a atenção dos zumbis. Minha única reclamação é a esquiva ter sido mapeada no botão da alavanca esquerda, dificultando um pouco o uso, especialmente contra os “psychos” (chefes opcionais). Ah, e sabe aquela impressão de que Dead Rising tinha ficado “mais sério”? É só impressão. Você ainda pode usar roupas ridículas, a história é de filme B, e as armas combinadas continuam bizarras como sempre.

Piloto contra Titã em Titanfall (Xbox One/PC)
Usando a altitude e a distância para destruir robôs gigantes

Mas a estrela do show é mesmo Titanfall. Sim, eu também estava preocupado com o hype, mas o jogo é aquilo tudo mesmo – o próximo grande passo nos FPS online. A fórmula é simples de explicar, mas difícil de executar: manter a eficiência técnica e a velocidade do multiplayer de um Call of Duty e expandir as possibilidades de maneira inovadora. Os detalhes são muitos e ficam para uma resenha completa, mas posso adiantar que a movimentação é tão ou mais fluida que a de um Mirror’s Edge; usar os Titãs (os robôs, não a banda) é extremamente divertido e funcional; e o jogo é bem mais amigável a iniciantes do que seus concorrentes. Apesar da correria, a ênfase aqui é mais em conhecer os mapas e aprender a usar todos os recursos à sua disposição, ao invés de mirar melhor e aprimorar suas armas. O jogo também consegue ser equilibrado ao ponto de atacar um Titã ainda como piloto ser viável e recompensador – basta usar as áreas altas e internas como vantagem. Os únicos deméritos são a “campanha multiplayer“, sem metade da graça do que Max Payne 3 fez nesse sentido; o fato de que você precisa terminá-la duas vezes para liberar 2 dos 3 tipos de Titãs; a relativa falta de modos de jogo, sem nada de co-op; e as partidas terem apenas 6 contra 6 jogadores, mesmo com mapas menores dos que em Battlefield 4, que vai até 32 x 32. Tudo desculpável por ser o primeiro jogo.

Veredicto final

Em parte, as mesmas perguntas que levantei no “veredicto” do PS4 valem para o Xbox One: o quanto você está interessado em exclusivos da Microsoft, e se você tem um PC capaz de jogar títulos multiplataforma de nova geração (e agora levando em conta que alguns, como Watch Dogs, estão “estuprando” o PC com exigências bem altas, como sistema operacional de 64 bits e placas de vídeo com 2 GB de memória). No final das contas, nenhum outro fator será mais importante na escolha de um console do que os jogos que você quer jogar, ponto final. Como concorrente direto do PS4, a questão do Xbox One é se você quer jogar mais TitanfallKiller InstinctPlants vs. Zombies: Garden WarfareForza 5Ryse ou Dead Rising 3, ou se Killzone: Shadow Fall, inFAMOUS: Second SonResogunKnack e uma penca de jogos indies no PS4 te empolgam mais. Porém, no caso do Xbox One outras questões são importantes, especialmente se você ainda não tiver uma preferência clara entre as listas de exclusivos de cada um.

Battlefield 4 no PS4 e no Xbox One
Olha a imagem mais suave e com mais detalhes na explosão no PS4, do lado esquerdo (Battlefield 4)

A primeira é para quem não tem PC bombado e não pretende ter nem tão cedo. Já está claro que, no geral, as versões para PS4 de jogos multiplataforma às vezes têm resolução maior ou rodam um pouco melhor. Além disso, as funções de transmissão e gravação parecem ser mais estáveis e menos “pesadas”, ainda que o Xbox One tenha algumas opções a mais de configuração. Para esse mesmo público, a segunda questão diz respeito à quantidade de títulos indiesfree-to-play vindos do PC: na PSN, temos Don’t Starve, Contrast, OutlastMercenary KingsTowerfall: AscensionTransistorOctodadSuper Motherload, Tiny BrainsTrine 2WarframeBlacklight: RetributionStealth Inc. e outros. No Xbox One, somente Super TIME Force – nem World of Tanks saiu ainda, embora esteja no 360 desde o ano passado. O único que conheço e saiu nos dois consoles foi Strike Suit Zero: Director’s Cut. Espera-se que essa tendência mude com a possibilidade de transformar um Xbox One comum em kit de desenvolvimento, mas os resultados ainda devem demorar pelo menos alguns meses para aparecerem, e não há garantia nenhuma que sequer aconteçam.

Outra diz respeito aos recursos online e de loja de cada um. A Xbox Live não tem mais a vantagem de estabilidade e velocidade que tinha sobre a PSN, e ainda não tem um programa de jogos gratuitos e descontos que chegue aos pés da PSN Plus. Somente a partir de junho a Live dará até dois jogos gratuitos por mês para Xbox One, e assim como na Plus, eles não serão seus para sempre, mas apenas enquanto você for assinante (só os de 360 não exigem isso). Os descontos ainda não se comparam em quantidade e qualidade, ainda mais agora, quando a PSN está fazendo regularmente “promoções-relâmpago” e temáticas comparáveis às do Steam. A loja online do Xbox One é mais bagunçada, a pesquisa é menos intuitiva e tem bem menos demos de jogos do que na PSN. Ou seja: se você pretende consumir jogos via download, a PSN está dois passos à frente da Xbox Live (agora, em maio de 2014).

Capa da versão PC de Titanfall
E nem é tão pesado no PC

Por fim, temos a grande questão para quem tem PC poderoso e pretende comprar um console de nova geração pelos exclusivos: o Xbox One tem mais exclusivos hoje, mas pelo menos dois deles – TitanfallGarden Warfare – saíram ou sairão para PC em breve. Para piorar, a versão PC de Titanfall é mais bonita e estável e tem mais gente jogando, pelo menos no servidor brasileiro. Não é nenhuma maluquice imaginar que Dead Rising 3 acabe saindo para PC um dia, ainda mais considerando que se trata da Capcom. E esses são justamente os três melhores exclusivos do console que joguei até agora – duvido que Ryse ou mesmo Forza 5, a julgar pelo que li nas resenhas, “roubem” uma vaga nessa trinca. Mesmo que você seja maluco o suficiente para querer um PC “da NASA” e um console de nova geração agora, faz muito mais sentido pegar o PS4, cujos melhores jogos exclusivos (KillzoneinFAMOUSResogun) são exclusivos mesmo, do que se arriscar no Xbox One com RyseForza 5Killer Instinct (de novo, a julgar pelas resenhas).

Eu sou mais maluco ainda por querer ter e jogar tudo, mas 99% dos leitores, e ainda mais do público em geral, com certeza não são assim. Para essa imensa maioria, vale considerar o que escrevi aqui e nos artigos sobre os outros consoles antes de fazer uma escolha. Cada um tem seu público, suas vantagens e desvantagens, e seus títulos de interesse. Espero que os artigos tenham sido didáticos o suficiente para ajudar nessas escolhas, mesmo que minhas preferências em cada questão sejam claras. Qualquer coisa, basta deixar comentários, que eu responderei assim que possível.

5 comentários sobre “Tilt: Ciclo “nova geração” completo com o Xbox One

  1. Ótimo texto, Sooner! E enorme XD! Muito boa sua análise, concordo em tudo. O que me faz preferir o PS4 ao Xbone, além dos motivos que você apontou, é a velocidade de instalação dos jogos; no PS4 é quase instantânea, enquanto que no Xbone, dependendo do jogo, pode demorar bastante. Outra coisa, é a forma com que cada console lida com os updates dos jogos. Hoje em dia é normal e frequente ter atualização com mais de 2 GB, e pra quem, como eu, tem internet lenta, isso pode acabar com a vontade de jogar na hora que você liga o videogame e tem que esperar o download. O Xbox One não deixa você começar o jogo antes de baixar a atualização, a não ser que você desligue o aparelho, ligue ele de novo e o desconecte da internet, o que também acaba sendo um saco de se fazer. No PS4, o jogo inicia normalmente, o download é feito em segundo plano, e você apenas recebe um aviso do tipo “instale a atualização para utilizar as funcionalidades online do jogo”. Bem mais amigável e conveniente.
    Outra coisa: com relação à linguagem do console no Xbone, pode trocar sem medo. Agora a configuração determina que, quando você faz isso, deve determinar, além da linguagem, a LOCALIZAÇÃO, o que, a princípio, e com fundado receio, pode ser algo que traga problemas quanto à sua região de conta da Live. Se você troca o idioma para português, tem que trocar a região para Brasil. Mas o caminho de volta continua aberto, ao contrário daquele episódio de criação da Live BR, em que as contas migradas não podiam voltar para o país de origem. Isso me causou muito incômodo, me obrigando até a abandonar meu perfil original da Live (que era natork) e criar outro. Mas agora isso não é mais problema. Eu troco a linguagem quando quero ver como ficou a dublagem de algum jogo, e isso só pode ser feito na configuração do console. Meu Titanfall, apesar de importado, tem a dublagem em PT-BR. O AC Blackflag também (esse jogo joguei inteiro dublado, ficou muito engraçado). O que acontece também, é que quando você troca a linguagem para português, automaticamente seu console passa a acessar a loja BR da Live, onde os preços são bem mais altos. Mas, como eu disse, dá pra ir e voltar livremente entre as regiões. Dá pra ir pra Live BR pra jogar um jogo em português, e depois voltar pra americana pra comprar alguma coisa na loja.

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  2. Microsoft a mesma empresa que se propôs a tirar o direito de propriedade dos jogos que você compra, a mesma empresa que ofereceu às pessoas à oportunidade única de comprarem uma câmera de vigilância para serem espionadas dentro de casa 24×7, aquela que só produz exclusivos blockbuster e nunca investe em qualquer ideia arriscada que custe caro?
    O que fizeram ao tirar o Kinect e ao voltar atrás nas políticas mais anti-consumidor jamais propostas na história é pra ser comemorado.
    Depois de todos estes anos com o Kinect no XB360 vocês ainda acreditavam que alguém estava escondendo o jogo? Que seria possível criar uma experiência fantástica usando controle de movimento? Todos sabemos que mesmo com o Move da Sony, incrivelmente preciso, ainda é mais fácil e interessante jogar com o bom e velho joystick. Pode até ser mais divertido em alguns casos usar o Move, mas a curva de aprendizado é longa e tem muitos inconvenientes para os jogos tradicionais. Kinect e Move são para novas experiências que dificilmente ultrapassarão os joguinhos para se divertir com a família uma ou duas vezes por ano.
    O pior é que quando falam do Kinect só conseguem lembrar que ele é legal em função de alguns jogos com controle por voz. Sabiam que um simples e barato microfone faz o mesmo trabalho? (Dica avançada: o PS4 já vem com um headset simples que tem microfone, além de uma entrada P2 no DualShock).
    Fico lembrando de que à um tempo atrás se falou que a lista de jogos do XBone era melhor, mas agora caiu a ficha de que jogos como Forza e Killer Instinct na verdade não estavam prontos e foram lançados aos pedacinhos, e às vezes ainda era preciso pagar para ter o resto do jogo.

    Não tenho nada contra quem prefere os jogos da MS, mas dizer que escolheu o XBone pelo Kinect é mesmo hilário. Se você adora os exclusivos deles tem mais é que comprar o XBone, mas não pelo Kinect, é muita inocência…

    Sou um usuário do PS3 e agora do PS4, podem dizer que sou tendencioso, mas pra mim as escolhas da Sony foram muito melhores (e mais baratas). A caixa de som no joystick dá outra dimensão ao jogo. Quando algo acontece na mão do seu personagem o som saí pelo joystick, o que é muito legal. Minha nova característica preferida é a entrada P2. Posso ligar qualquer fone que eu tenha e não preciso me preocupar com fio. Posso ouvir o som todo do jogo ou usá-lo para bate-papo. São duas coisas relativamente baratas que fazem real diferença na experiência de jogar.

    Também não posso deixar de dizer que os sensores de movimento do novo Dualshock são muito melhores do que o dos antigos. Minha forma preferida de entrar texto no browser do PS4 é usar o joystick como “apontador”. Você move o Dualshock para controlar o cursor sobre o teclado na tela. Para mim a forma mais rápida de entrar um endereço ou fazer uma busca.

    Vocês acham que o novo Kinect será vendido por menos de USD 100?! Se o antigo custa USD 99,99 o novo custará no mínimo uns USD 149,99!

    Pra fechar, os R$ 4.000 são pelo PS4 oficial, porque você compra fácil por R$ 1.900 à vista, R$ 2.236,00 em 12x pela Internet no Balão. Na Santa Ifigênia em SP você acha por R$ 1.500 e ainda tem garantia de 6 meses pelo que lí nos fóruns por aí.

    Sinceramente, muito mais do que Sonysta, eu simplesmente odeio a MS por suas políticas absurdas e desrespeito pelo consumidor. Não só pela falta de vergonha da proposta original do XBone, mas também pelo Windows Phone que foi outra mentira descarada. Sacanear o consumidor é um hábito da MS e eu prefiro manter distância.
    Tenho que dizer que, tirando Forza, jogo pelo qual tenho curiosidade, não dou a mínima para nenhum dos jogos do XBone no momento. InFamous sozinho, pra mim, vale mais do que todos os exclusivos da MS neste momento (meu gosto pessoal). Além disso, até de forma surpreendente, já que sou chato de agradar, tenho gostado dos jogos indie que a Plus tem distribuído. Contrast, Stick it to the man e Don’t Starve me renderam muita diversão.
    Ainda acho que as propostas da Sony para o PS4 são superiores para quem busca um videogame, felizmente são coisas fáceis de copiar e a MS faria bem em seguir a Sony também nas novidades do Dualshock.

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    1. Olha, no geral acho que pelo artigo e pelo blog em geral, está claro que eu concordo com a maioria do que você escreveu (diferenças de tom e teoria da conspiração à parte). Mas quero deixar algo claro para quem chegar aqui e ler só o comentário sem prestar atenção no artigo:

      Pessoalmente, eu NUNCA esperei que controles de movimento um dia tivessem uma “experiência fantástica”. Como tu disse, o Move é com folga o mais preciso de todos os acessórios de movimento que já experimentei; se ainda assim ele não se adapta bem a jogos mais tradicionais, não será um Kinect que um dia conseguirá. Mas todos esses controles e acessórios podem funcionar bem em um jogo feito *para eles*. Exemplos disso em todos não faltam, de Wii Sports a Sports Champions e Dance Central, ou jogos de tiro arcade on-rails.

      O chato é que o mínimo que o Kinect 2.0 deveria fazer a essa altura era se aproximar mais de 100% de confiabilidade, nem que para isso o jogo tenha que “segurar a onda” e não exigir gestos muito detalhados. É o que o Move faz, o que o Wii Remote faz. Se o Kinect 2.0 fizesse, estaria cagando para a questão dele ser uma possível “câmera de vigilância”, até porque para resolver isso basta desconectá-lo. Mas no Kinect Sports Rivals e na interface do Xbox One, os gestos parecem estar na mesma. O Kinect 2.0 “entende” mais gestos, e gestos mais detalhados envolvendo dedos, mas ainda falha com a mesma frequência.

      E tem algo pior, que não foi mencionado nesse artigo porque já tinha abordado no anterior sobre o futuro do Kinect: dessa vez tem *menos gente ainda* fazendo jogos para ele, pelo menos por enquanto. Nem a própria Microsoft lançou muita coisa. Não temos um Dance Central sequer anunciado ainda. Rivals teve recepção da crítica pior do que os dois Kinect Sports anteriores. Não é questão de ter uma experiência fantástica, e sim que mesmo ele sendo mais preciso, ainda erra no principal, e conseguiu a proeza de ter menos suporte ainda. Aí é soda.

      Quanto aos preços, eu não gosto de sair divulgando quanto paguei porque as pessoas acabam tendo ideias erradas, mas aí vai: meu PS4 custou R$ 1690 no mercado paralelo em fevereiro, e o Xbox One saiu a R$ 1580 agora, ambos na mesma loja e com 3 meses de garantia. Como já tinha comprado o DS, o Vita e o 3DS na mesma loja, todos sem nenhum problema, tá valendo. É o único motivo pelo qual ainda peguei o console *com* Kinect: a versão *sem* não vai ficar muito mais barata do que isso no “paralelo”. Se o Xbone já ficou mais barato aqui, não é só pela procura menor, mas porque o pessoal “paralelo” já estava comprando-o a US$ 400 na gringa, e não terão como deixá-lo mais barato ainda (também comentei isso no artigo sobre o futuro do Kinect). O que vai acontecer é que os modelos *com* Kinect vão *subir* um pouco, e o sem Kinect vai continuar nessa faixa aí, em torno de R$ 1500.

      E embora tu tenha dito que decidir entre o PS4 e o Xbox One por causa do Kinect seja besteira, acho que isso vale para jogadores “dedicados” como a gente. Quem tem filho pequeno está andando para o fato do Kinect falhar de vez em quando, e jogos infantis provavelmente não vão exigir muito do jogador mesmo.

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    2. Ta certo…. só não entendi o porque de escrever tanto sobre o PS4 e até o MOVE sendo que o texto era sobre Xone, mas enfim, gosto não se discute, e sobre o Windows Fone não tenho conhecimento para opinar… cago para o sistema. Eu iria comprar um PS4, porém como a Sony não anunciou nada escolhi o Xone, mas até ano que vem pego um PS4 e é nóis.

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      1. Ué, estranho seria NÃO comparar o Xbox One ao PS4, a partir do momento que tenho os dois e muitos leitores provavelmente não têm nenhum e estão pensando em qual vão comprar, seja agora ou no futuro. No texto do PS4 tem comparações com o Wii U onde fazia sentido, também.

        Mesmo coisa com o Move, considerando que o Xbox One tem algum tipo de controle de movimento. E mesmo assim ficou só nos comentários.

        Windows Phone é por conta do Marcus Maia, não tenho nada a ver com isso. Não costumo falar do que não experimentei – e nas raras exceções, deixo isso claro e cito fontes.

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