Tilt: O futuro do Kinect

tiltTilt é a seção em que matuto sobre as tendências que mais me incomodam no mundo dos games. Se um certo jogo, estúdio, publisher, veículo, público ou categoria de profissionais adotar um discurso furado, é aqui que irei comentar – ou melhor, criticar.

Essa semana, a Microsoft anunciou, bem antes da E3, algumas mudanças na forma como o serviço Xbox LIVE Gold funciona e uma nova versão do Xbox One, vendida sem o Kinect e pelo mesmo preço oficial do PS4 nos EUA (US$ 400). Era um pedido de muita gente desde que o console foi posto à venda – eu mesmo inicialmente estava esperando isso – e que acabou sendo atendido muito antes do que qualquer analista esperava (vide esse game designer e investidor aqui – tinha que ser do ramo de jogo para celular, né?…). A grande questão é… Será que o acessório sobrevive como algo vendido à parte? Além do mais, por que a Microsoft apressou as coisas e retirou-o do Xbox One em cerca de seis meses, em vez de, sei lá, dois anos, quando a base instalada do console seria maior?

Kinect 2.0 (Xbox One)
O olho que tudo vê?

E essas são apenas as perguntas e ponderações iniciais e mais gritantes. Quando se leva em consideração diferentes tipos de público, produtoras terceiras, a funcionalidade (ou falta dela?) da nova versão do Kinect, a interface do Xbox One (que sempre pode ser mudada via atualizações) e estúdios internos que estão trabalhando em mais jogos para Kinect, interrogações pululam para todo lado. Como o Pita do Godmode já brincou e me chamou de “Michael Pachter do podcast”, vou vestir a carapuça aqui e soltar algumas respostas. Obviamente, tratem-nas com muito cuidado: embora eu tenha algum contato direto com a indústria de games como tradutor, lembrem-se que designersjornalistas, que estão muito mais próximos do olho do furacão, erram previsões e especulações toda hora. Logo, quem sou eu para garantir e jurar de pés juntos que sei alguma coisa? (Bem, na verdade mesmo que eu tivesse fontes mais sólidas, não juraria nada – porque se há algo que eu tenho e esse povo jornalista muitas vezes não tem, é bom senso…)

Antes de mais nada: o preço

É claro que poder anunciar o Xbox One pelo mesmo preço oficial do PS4 é um dos principais motivos, senão o principal, para a decisão da Microsoft. Mas quem estiver no Brasil comemorando e achando que o aparelho vai ficar muito mais barato, pelo menos nos canais “paralelos”, eu diria que é melhor segurar a empolgação. Na verdade, ao conferir os fóruns gringos de games e outros espaços, percebe-se que não há uma série de postagens de gente dizendo que agora vai pegar o aparelho. A razão é simples: na prática, o Xbox One já estava sendo vendido por US$ 400 ou valores próximos em muitos lugares. Grandes cadeias de lojas, como a Target, o Walmart e a Best Buy nos Estados Unidos, já estavam equiparando valores para “limpar” o estoque – provavelmente por saberem de antemão pela Microsoft que em breve viria uma versão sem Kinect. Até o bundle com Titanfall teve seu preço oficial definido para US$ 500 – isto é, sem custo extra adicionado ao console “normal” – e em duas semanas já podia ser encontrado a US$ 450, ou menos que um PS4 + um jogo.

Xbox One barato no Walmart gringo em abril de 2014
Em abril, Xbox One com Titanfall e 1 ano de Live por US$ 449 no Walmart americano

Esse, aliás, foi um dos motivos pelos quais eu suspeitava um anúncio na E3 de que o Xbox One seria vendido sem Kinect, e mesmo assim adquiri o console com o acessório: na prática, o Xbox One  está sendo vendido por um preço equivalente ao PS4 por aqui. Eu paguei R$ 100 a menos pelo meu Xbox One do que gastei no PS4, o que resolveu meu verdadeiro problema: não querer pagar extra por um acessório que usaria muito pouco em jogos. Essencialmente, meu Kinect veio “de graça” (entre aspas, claro, mas o que importa é a percepção de valor do consumidor). Não consigo imaginar que, de alguma forma, essas lojas “paralelas” irão conseguir vender o console ainda mais barato do que já está, a não ser que lojas americanas consigam de alguma forma vender o Xbox One sem Kinect a menos de US$ 400.

Quem pode sentir a diferença de preço aqui é quem faz questão de adquirir o console nos canais oficiais: a Microsoft Brasil anunciou que o Xbox One sem Kinect será vendido a R$ 2000 (ou R$ 300 a menos). Mesmo assim, praticamente todas as grandes lojas de varejo já estavam fazendo promoções do console com Kinect a R$ 1700-1900 desde o início da semana, também provavelmente avisadas de antemão que esse modelo não seria mais o único. Na verdade, meu “chute” é que o mercado paralelo, assim que receber o novo console sem Kinect, vai vendê-lo ao mesmo preço estabelecido agora (entre R$ 1500 e R$ 1700, dependendo da cidade e da loja) e aumentar o preço do console com Kinect se tiver sobrado alguma unidade em estoque (uma prova é que o bundle de Titanfall é vendido aqui por um preço maior em praticamente todas as lojas, oficiais ou paralelas, mesmo que o preço oficial gringo seja o mesmo). Afinal, por mais que os jogadores mais dedicados não queiram pagar pelo Kinect, o mercado paralelo ainda recebe muitos consumidores que compram consoles para o(a) filho(a) ou a família e querem o Kinect – o primeiro não vendeu mais de 20 milhões de cópias por acaso, afinal.

Por que a Microsoft topou isso?

Kinect 2.0: necessário ou desnecessário?
Kinect 2.0: necessário ou desnecessário?

Mas a principal pergunta mesmo é outra: por que a Microsoft fez isso tão cedo? É claro que concorrência de preço é um motivo enorme, mas ainda não dá conta de uma série de outros fatores. No mínimo, a decisão vai irritar uma parcela considerável de early adopters que acreditaram ser inevitável “engolir” o Kinect 2.0 como parte do pacote, mesmo que fosse por uns dois anos. Até arriscaria dizer que essa parcela é menor do que se imagina; acredito que muita gente comprou o console cedo apostando conscientemente na melhoria do acessório, e que boa parte desse pessoal está satisfeita. Mas quando você está correndo atrás de um competidor, irritar uma parcela do público  adquirido, por menor que ela seja, não é aconselhável. Além disso, e as produtoras terceiras que começaram a produzir jogos acreditando que todo usuário de Xbox One teria um Kinect? Como elas ficam?

E aí a coisa fica interessante: talvez elas fiquem na mesma. Tirando o caso isolado da Harmonix, que está produzindo Fantasia: Music Evolved, não temos um jogo sequer exclusivo para Kinect anunciado ou especulado que não seja da própria Microsoft (e Fantasia deve estar sendo publicado por ela também – ou seja, o investimento financeiro direto da Harmonix pode ser mínimo). Mesmo no lançamento do console, a única produtora externa que se arriscou com jogos que requerem Kinect foi, como sempre, a Ubisoft, com Fighter WithinJust Dance 2014Zumba Fitness. Além desses, apenas mais dois jogos lançados até agora exigem KinectXbox FitnessKinect Sports Rivals. Mesmo em comparação ao primeiro Kinect, a falta de títulos para a nova versão do acessório é gritante. Acho seguro dizer que a própria Microsoft descobriu algo importante: a garantia de que todo usuário do Xbox One teria um Kinect não fez – e nem irá fazer – diferença alguma na vontade das produtoras de criar jogos exclusivos para o aparelho, apesar delas terem alegado o contrário.

Double Fine Happy Action Theater (Xbox 360)
Double Fine de zueira no Kinect 1.0

Se o Kinect 2.0 não “pegou” com as produtoras terceiras e gera um custo de produção para a Microsoft que a deixa em desvantagem na concorrência, faz todo sentido tirá-lo do caminho e voltar a vendê-lo como acessório. Bem ou mal, com pelo menos seis milhões de Xbox One vendidos, há uma base instalada razoável para quem quiser se arriscar, por exemplo, a criar um título exclusivo para Kinect lançado digitalmente – talvez o único caminho que ainda valha a pena para as grandes produtoras, e mais ainda para os desenvolvedores de pequeno e médio porte. Para uma Double Fine, que lançou jogos “família” como Kinect PartyDouble Fine Happy Theater no primeiro Kinect, uma base instalada de 6 ou de 22 milhões é a mesma coisa: dificilmente seus jogos venderão mais do que uma fração de milhão de qualquer forma. É mais ou menos a mesma situação que transformou o Vita em uma máquina cuspidora de RPGs japoneses nos últimos meses: tais jogos são mais baratos de produzir e têm público de nicho, então a base instalada maior no 3DS não se traduz imediatamente em mais vendas na prática (pelo contrário: Conception II, ao que parece, vendeu mais no Vita do que no 3DS, mesmo no Japão).

Qual o público do Kinect 2.0?

Uma das coisas mais irritantes da imprensa e dos fóruns de games é que o pessoal se recusa a sair de seu mundinho, sem reconhecer que ele é bem menor do que imaginam. Os recordes de venda do PS4 – e até do Xbox One, que ainda está vendendo mais do que o 360 no mesmo período inicial – levaram muitos a acreditar que ainda há um mercado robusto e forte que quer saber de games “hardcore”, e não está nem aí para mais nada. Esse é o mesmo pessoal que dizia, há pouco tempo, que os celulares roubaram todo o público dito “casual” e que não adiantava nenhuma produtora ou empresa fabricante de consoles ir atrás desse nicho. É um pessoal que só consegue enxergar em preto e branco, em termos de Fla x Flu, e acha que todo mundo ou pega Dark Souls ou pega Flappy Birds para jogar, sem gradações entre os dois extremos – e é incapaz de conceber que tem sim muita gente que joga os dois.

Hábito de pai trintão para filho geração smartphone
Hábito de pai trintão para filho geração smartphone

Faz tempo que aposto no seguinte: a expansão dos celulares e de jogos “sociais” pode até “roubar” alguns consumidores que antes compraram um Wii, ou fazer crianças pedirem um smartphone ou tablet em vez de um 3DS… Mas também ajuda o mercado “maior” de games ao alterar a percepção do grande público. A cada ano que passa, mais pessoas veem o simples ato de curtir um jogo no seu tempo livre como algo tão normal quanto assistir um filme, e não um desperdício de tempo. Afinal, por mais que Angry Birds seja apenas um passatempo prático, ainda é um jogo, e quem se dispõe a experimentá-lo pode muito bem passar para um Cut The Rope, depois uma versão do Fifa para iOS… E acabar imaginando se não seria melhor jogar futebol virtual em um console de verdade. Não duvide: tem gente sim que acaba migrando para coisas mais “hardcore” após isso. E praticamente ninguém desse vasto público acessa fóruns e sites dedicados a games, ou o faz muito esporadicamente, apenas para ler resenhas.

Esse processo já estava ocorrendo naturalmente por outros fatores, graças a uma geração na casa dos 30-40 que joga/jogou games desde o Atari ou o Nintendinho, e foi acelerado com a incorporação de recursos multimídia nos próprios consoles (quem aqui não se lembra do período em que muito jogador brasileiro pediu um PS3 para a família porque ele também serviria como reprodutor de Blu-ray, ainda caro na época?). A expansão do Netflix com certeza também ajudou muito: o que não falta é gente casada na faixa dos 30 anos cujo marido ou esposa usa consoles exclusivamente para assistir filmes via streaming. Como celulares são onipresentes, mesmo que apenas 5% de jogadores “casuais” resolvam comprar um console, essa porcentagem já se traduz em milhões de cópias vendidas a mais para o PS4, o Xbox One e, vá lá, o Wii U. As linhas que supostamente dividiam os “trú guêimers” dos “casuls” (sic) estão cada vez mais borradas, e em breve serão quase completamente diluídas; hoje, até Dark Souls tem sua parcela de jogadores mais acostumados a Call of DutyFifa, e que não adquirem mais do que 5-6 jogos por ano.

Então o Kinect 2.0 não está morto?

Kinect 2.0 Game Over
Será? Duvido, vai dar na mesma

Toda essa volta é para dizer o seguinte: não seja apressado de afirmar que ninguém comprará o Kinect a partir de agora. O público para ele continua e continuará sendo o mesmo, e quem o queria ainda irá adquiri-lo, junto com o console ou separadamente. O que vai mudar é que teremos opções, o que é sempre bom do ponto de vista do consumidor. Na verdade, a longo prazo, reestabelecer o Kinect 2.0 como “mero” acessório pode resultar em mais vendas do console e do acessório no futuro: quem não queria Kinect agora tem incentivo para pegar o Xbox One, e quem quer o acessório ainda poderá comprá-lo. E se uma pequena parcela desses “negadores” acabar se animando e comprando o Kinect 2.0 por causa de algum jogo específico, já será uma vitória para a Microsoft – com a vantagem de que ela não tomará prejuízo empurrando o pacote inteiro a um preço menor, como estava acontecendo nos últimos dois meses, para um público ainda relutante (eu incluso).

Claro, teremos poucos jogos para Kinect de agora em diante, mas a verdade é que esse barco já tinha afundado de qualquer forma – o Kinect 2.0  virou um Playstation Move, em que apenas seu fabricante faz jogos para ele. Se terceiros o incluírem como adendo em um jogo que usa controles comuns, já está bom demais. Na verdade, o Kinect ainda tem essa grande vantagem: ele pode ser usado em conjunto com o sistema de controle comum, ao contrário do Move. Se a Sony ainda não varreu completamente o Move para debaixo do tapete (lembrem-se, ele pode ser usado com a câmera do PS4 e ainda está à venda), não consigo ver por que o Kinect “morreria” agora, exatamente por ser mais útil no geral.

Conclusões

O Kinect 2.0 é melhor?
O Kinect 2.0 é melhor? Leia mais em breve…

Os leitores mais atentos devem ter notado que nem entrei no mérito da funcionalidade do novo Kinect. Um dos motivos, claro, é que o assunto ficará para a “resenha” do Xbox One assim que tiver “brincado” um pouco mais com ele. Mas não é só isso: ao contrário da imprensa de games, eu tenho consciência de que atinjo apenas uma parcela (e no meu caso, muuuuito menor) do público potencial, e que minha experiência particular não vai refletir necessariamente a desse público. Por enquanto, o Kinect 2.0 me parece ser melhor em termos de comando de voz, mas relativamente igual no reconhecimento de gestos; porém, isso não quer dizer que a maioria do público potencial terá a mesma impressão ao utilizá-lo. No fundo, seja ele mais preciso que a versão anterior ou não, o acessório continuará vendendo para o mesmo público de qualquer maneira – gente que só quer a onda de poder navegar pelo sistema sem usar um controle e/ou jogar coisas como Dance Central/Just Dance. Não à toa, Just Dance 2014 parece ter vendido mais no Xbox One do que no PS4.

O anúncio da retirada do Kinect do modelo “padrão” do Xbox One, portanto, só é um evento “significativo” para quem não andou prestando atenção. No fundo, jogadores dedicados e a imprensa gostam do burburinho, mas na prática, pouca coisa irá mudar. O preço do console já estava se ajustando à realidade do mercado; o Kinect já era um brinquedinho que só interessa à Microsoft apoiar; e se alguma coisa mudar de forma mais ampla, será uma maior concorrência do Xbox One ao PS4. Na real, todo mundo ganha: quem quer o Kinect não perdeu nada, quem não quer passa a ter a opção de não comprá-lo, e até os “Sonystas” mais arraigados vão poder contar com políticas mais agressivas da Sony de agora em diante – a empresa estava meio confortável na sua nova posição de líder. E com a Microsoft tirando essa dúvida sobre o Kinect do caminho um mês antes da E3, ela terá mais tempo para se concentrar naquilo que precisa para fazer frente ao PS4: jogos, jogos e mais jogos. Vamos aproveitar isso!

5 comentários sobre “Tilt: O futuro do Kinect

  1. Me parecce que a M$ percebeu aquilo que a Nintendo está sentindo no bolso com a queda livre do Wii (que até vende bem mas nada perto da sua performance inicial) e o elefante branco do Wii U: um gadget sozinho sem jogos, por mais incrível que ele pareça, não faz verão.

    Ou seja tocou o alarme: ABORTAR MISSÃO! REPITO: ABORTAR MISSÃO!

    Fica a dica para Oculus Rift/Morpheus.

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    1. Eu acho que é um tanto mais complicado que isso e envolve muito mais fatores, desde expectativas crescentes do público (e tô falando dos consumidores em geral, no caso dos “hardcore” é ainda pior) até custo de produção de um jogo.

      Nas eras 8 e 16 bits, praticamente todo mundo comprava Atari, Nintendinho, Super Nintendo, Master System e Mega Drive mesmo por causa de um jogo – fosse Pac-Man, Mario, Sonic, whatever. Até o Playstation vendeu muito graças a Final Fantasy VII, e muita gente comprou o Wii só pelo Wii Sports ou Mario Kart Wii (se não me engano, ainda o jogo mais vendido da história).

      Hoje em dia, o único jogo que poderia conseguir o mesmo feito seria um Call of Duty no auge lançado como exclusivo – nem Mario tem conseguido fazer o mesmo pelo Wii U, e já bato aposta aqui que Mario Kart 8 também não vai conseguir. *Talvez* um Grand Theft Auto exclusivo também conseguisse, mas aí entra a questão do custo de produção.

      Call of Duty: Modern Warfare 2 não saiu como exclusivo porque nem Sony, nem Microsoft tinham cacife financeiro para bancar isso. Ninguém tem. O custo é tão absurdo que não dá para se arriscar, tanto para a Activision quanto para uma fabricante. E a essa altura, a franquia pode estar na descendente, o que só diminui as chances.

      Na verdade, consoles hoje são lançados com mais jogos do que os consoles de eras antigas, e continuam ganhando mais jogos no primeiro ano do que os consoles anteriores ganhavam, em média. Sim, isso vale mesmo para o 3DS, o Vita e o Wii U, todos com pelo menos 10-15 exclusivos no 1º ano, fora os multiplataforma. Só que as expectativas do público-alvo também cresceram, junto com a idade média dos jogadores e a concorrência entre fabricantes. Isso sem falar na explosão de gêneros de jogos, de recursos que eles podem usar, e assim por diante.

      A gente chegou a um ponto de que a expectativa expressa em fóruns e afins é totalmente irreal. Nenhum console conseguiu, consegue ou conseguirá lançar a quantidade de jogos exclusivos que uma pessoa individual poderia querer. Ela pode gritar o quanto quiser que comprou um monte de jogo no Super Nintendo, mas a verdade é que na época a vasta maioria dos jogos eram de plataforma, luta e RPG, e esses gêneros na epoca eram universais, até pela maior simplicidade dos jogos. Hoje, as pessoas são mais seletivas, tanto em termos de gêneros quanto *dentro de um gênero*. Basta ver quanta gente se recusa a jogar FPS, largou os JRPGs desde o Super Nintendo ou Final Fantasy [escolha aqui uma versão], ou acha todo jogo de hack n’ slash “esmagamento de botões” – e aí continue percebendo que mesmo os amantes de FPS muitas vezes se recusam a jogar algo só porque não tem multiplayer competitivo, ou não tem comando de se jogar no chão, etc.

      Isso tudo falando apenas de consoles *como um todo*. Imagine então jogos que exigem um acessório extra! E leve em consideração ainda outros fatores, como o mercado de PC ser mais barato hoje, o próprio PC ser mais amigável para jogar do que era nos anos 90, a crise financeira mundial etc. etc. etc.

      O que vai determinar o sucesso de um Kinect ou Oculus/Morpheus não será a quantidade de jogos apenas. Muito mais importante é conseguir baratear o custo da tecnologia e vender o suficiente para que ela se pague e possa ser refinada até o ponto em que possa ser incorporada ao console sem encarecê-lo visivelmente. Mesmo o Move se pagou, e a Nintendo *vai* insistir no Wii U até que ele se pague, o que vai acontecer em algum ponto. Para o público “dedicado”, vai ficar o reducionismo de que todos esses foram “um fracasso” – assim como disseram o mesmo do 3DS no primeiro ano, ou do PSP mesmo vendendo 80 milhões de cópias. Sony, Microsoft e Nintendo vivem para ter “fracassos” como esses. Se o Kinect, o Oculus e o Morpheus chegarem a uma fração do PSP, elas já comemorarão.

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