Tilt: O PS4 e as dores do “early adopter”

Quem prestou atenção nos dois primeiros parágrafos do artigo com os 10 melhores jogos de 2013 segundo este blog já tinha sacado, mas aí vai… Sim, eu comprei o Playstation 4. Uma daquelas velhas combinações de fatores ocorreu: o preço baixou muito no “mercado cinza”, recebi uma bolada pela tradução de dois jogos AAA… E como amigos receberam o aparelho recentemente sem problema algum, achei que já podia “resolver” esse “problema” desde já, em vez de esperar março, quando saem os dois principais jogos que queria experimentar, inFAMOUS: Second SonMetal Gear Solid V: Ground Zeroes (jogo do Kojima tem que ser no melhor hardware, né?). Poder jogar ResogunKillzone: Shadow Fall também não faria mal nenhum, assim como partir para as versões “upgrade” de Battlefield 4Call of Duty: Ghosts, que já tinha garantido na PSN… Mas infelizmente as coisas não são tão simples.

Playstation 4 - Hardware
O sonho de consumo da nova geração

Até então, o mais próximo que tinha chegado de ser um “early adopter” (pessoa que compra um aparelho logo após o lançamento) tinha sido com o Wii U – e isso foi seis meses após o lançamento, o que dificilmente me qualifica como “early” qualquer coisa. Ser um “early adopter” invariavelmente significa tornar-se o cara ou mina que todo mundo procura para tirar dúvidas sobre o aparelho, mas também ser aquele usuário que mais sofre com bugs, recursos básicos ainda não implantados e, se der azar suficiente, acabar vendo uma versão muito melhorada do aparelho sair logo depois (e por um preço menor, até). O máximo que cheguei de sentir isso na pele foi jogar e usar o Wii U por duas a três horas com o sistema ainda na versão 1.0, lenta e sem recursos cruciais, como a eShop e o Miiverse. Ao arriscar o Playstation 4 de cara, esperava lidar apenas com situações semelhantes. Não foi o caso, porém.

Como os problemas que estou tendo são muito peculiares – mesmo no fórum de suporte da Sony e em outros sites de games, só encontrei mais um usuário na mesma situação – vamos tirá-los do caminho antes de avaliar hardware, software e jogos:

Quando o PS4 e seu provedor Internet não se bicam

Update: Quando escrevi esta seção, ainda estava experimentando problemas para baixar jogos no PS4. Nos próximos parágrafos, o leitor atento perceberá que eu já desconfiava de que pudesse ser algo no provedor (Net Virtua). Não por acaso, pouco após publicar este artigo, o mesmo problema começou a aparecer no *PS3* – não havia notado antes porque, obviamente, estava usando-o menos. Por acaso resolvi trocar o HD dele e ao tentar baixar jogos de novo, tomei um susto.

No final do mês e após muitas visitas da assistência técnica da Net – que chegou a colocar três modems de teste na minha casa: um no PC, outro no PS4 e outro no PS3 – a empresa descobriu que uma placa deles estava queimada. Eles haviam migrado um hub na região de um endereço para outro dois dias antes da minha compra do PS4, e estavam com vários assinantes locais com problemas parecidos. Após a troca da placa, tudo voltou ao normal: meu PS4, inclusive, agora baixa jogos com velocidade comparável ao Steam. E ainda aumentei meu plano de Internet por uma mensalidade menor e ganhei duas semanas de uso gratuito pelo transtorno. Parabéns ao suporte da Net, que no geral foi muito positivo.

Tudo começou no dia em que o aparelho chegou: ao conectá-lo à internet, o sistema pediu uma atualização, o que obviamente aceitei. O PS4 baixou o arquivo inteiro, mas após os 100%, uma mensagem “não foi possível completar o download” foi exibida. Após algumas tentativas, resolvi tentar atualizar por USB, baixando a atualização pelo meu computador mesmo. Ao tentar resolver desse modo, o sistema disse que o arquivo baixado estava corrompido. Tentei com três pen drives diferentes e nada. Achei que era um problema do HD/sistema e, orientado pelo suporte da Sony, baixei o firmware completo (não só a atualização) em um pen drive para “formatar” o console inteiro… E de novo o sistema não aceita o arquivo, mais uma vez considerado corrompido. No dia seguinte levei o aparelho de volta à loja, que me deu outro PS4, já que não tinham rede para testar o problema naquele momento. Voltei para casa e adivinhem? Os mesmos exatos problemas para atualizar aconteceram de novo.

Atualização de sistema no Playstation 4
Ainda não vi essa tela (atualizar o sistema via USB mostra outra)

Desconfiado, fui em uma lan house, baixei a atualização do sistema em um pen drive, pluguei-o no PS4 e… Voilà, esse arquivo o sistema aceitou. Agora o PS4 estava funcional, aparentemente. Empolgado, comecei a baixar os jogos menores que já estavam liberados via PSN+ (Don’t StarveContrast) e um free-to-play (Warframe) antes de arriscar os maiores… E ao inserir o disco de Killzone: Shadow Fall, o único jogo físico que tinha adquirido até então, o sistema começou a baixar uma atualização do jogo. À medida que os downloads terminavam, um padrão se formou: nenhum jogo estava abrindo. Uma vez ou outra recebi uma mensagem de erro genérica (“o aplicativo falhou”) ao selecionar um jogo, mas na maioria dos casos, ele simplesmente fechava sozinho ainda na tela de carregamento, sem aviso algum. Pior: após ser atualizado, até Killzone, que antes abria, começou a exibir o mesmo comportamento.

Passaram-se 10 dias de contato diário com suporte e outros usuários via fórum e experimentações de todos os tipos. Já eliminei todas as outras possibilidades para esse problema exceto alguma espécie de incompatibilidade entre o formato dos arquivos usados no PS4 e o sinal de Internet que chega aqui em casa. Formatei o sistema inteiro; troquei cabo de rede (o mesmo que funciona no PS3), cabo HDMI e entrada HDMI; alterei configurações do sistema de todo lado, de tela a áudio e downloads automáticos, e nada. Ao tentar ligar o console direto no modem, consegui baixar versões funcionais de WarframeDon’t Starve, mas a alegria durou pouco: parti para Battlefield 4 e Call of Duty e nenhum rodou. Nesse meio tempo, comprei Fifa 14 usado, e após atualizá-lo, aconteceu o mesmo que em Killzone. Para confirmar a situação, pedi um novo modem e plano de Internet (mesmo provedor, Net Virtua), formatei o sistema inteiro assim que a nova conexão chegou, e mesmo assim o problema continua. Um raro usuário na mesma situação conseguiu atualizar jogos conectando o PS4 a um iPhone como ponto de acesso – ou seja, usando outra rede. Fiz isso com meu Xperia e consegui atualizar KillzoneFifa 14 e baixar Resogun, e no momento é isso que tenho instalado e funcionando no aparelho agora.

No momento em que escrevo este artigo, estou aguardando uma visita técnica do provedor para averiguar o problema, mas duvido que eles saibam o que poderia estar causando isso exatamente, já que ocorre apenas no PS4 – e convenhamos, técnicos de rede dificilmente vão entender de formato de arquivos de console. O jeito é torcer para que encontrem por acaso algum problema no cabeamento do sinal, seja dentro de casa ou fora, que possa estar causando isso. É possível que seja uma configuração lá no provedor, mas pelo menos um amigo meu com PS4 também tem Net Virtua e baixa jogos sem problema algum (e só por isso não ameacei trocar de provedor – ainda). Por enquanto, o jeito é abrir mão de baixar jogos da PSN enquanto a Net não descobre algo. Se a coisa não andar, sobra trocar de provedor ou levar o aparelho a uma lan house apenas para fazer esses downloads, se for o caso – a Internet em si funciona normalmente em todas as outras funções, como jogar online, sincronizar troféus, ver listas de amigos, transmitir gameplay via Twitch e enviar vídeos e capturas de tela para o Facebook e o Twitter.

Problema pessoal à parte, vamos ao aparelho em condições normais de temperatura e pressão:

Hardware: fonte em itálico e tamanho menor

O PS4 em comparação aos 3 modelos do PS3
Meu PS3 é o slim, o 2º de baixo para cima; o PS4 ainda é menor

A primeira coisa que chama a atenção no PS4 é seu design, todo inclinado. Parece mais suave “ao vivo” do que em imagens, e melhor ainda, é bem leve e menor do que parece – menos até do que o Playstation Slim. A parte esquerda “desliza” para fora para que você possa trocar o HD, se quiser – um procedimento simples, assim como era no PS3 – e na frente temos duas entradas USB, além dos botões Power e Eject. Meu único problema com o design do aparelho são esses dois botões, que são de toque (ou seja, não são “pressionados”) e ficam bem escondidos demais na linha que divide o aparelho, a ponto de ter demorado três dias para sequer notar que o botão de Eject existia (o disco pode ser ejetado via sistema). É bem fácil tocar em um dos dois sem querer ao mexer na frente do aparelho, como por exemplo ao conectar/desconectar qualquer coisa nas entradas USB. O aparelho vem com cabo HDMI (não há saída de vídeo analógica), cabo de força (sem nenhuma fonte “tijolão” como as do Wii U e do Xbox One), um headset bem simples (tipo de celular, com fone pequeno só para um ouvido) que quebra galho na hora de jogar online/transmitir conteúdo, e o novo controle.

O Dualshock 4 tem funções de movimento, mas como a câmera é vendida à parte, não pude testá-las ainda. A faixa de luz no controle fica acesa o tempo todo e aparentemente não gasta muita bateria (por ser LED), mas ela pode ser usada para outras funções: em Killzone, a cor muda de verde para amarelo e vermelho de acordo com sua vida, e em Tomb Raider: Definitive Edition a faixa “pisca” em sincronia com a tocha de Lara (taí algo que queria experimentar jogando no escuro). Mas o que interessa mesmo é o controle em si, não? Bom, as funções “comuns” estão como se esperaria, ou seja, melhores do que no Dualshock 3. As alavancas têm pontas côncavas, para evitar que os dedos escorreguem, e os gatilhos têm o mesmo formato. Os botões são ligeiramente maiores e respondem bem, assim como o direcional. No geral o controle é mais ergonômico e confortável, um avanço natural do design do Dualshock, e continua tão leve quanto. Só não espere o mesmo posicionamento das alavancas que no controle de Xbox 360: a Sony preferiu manter o posicionamento a que seus usuários anteriores já estão acostumados. A grande desvantagem dele, porém, é que a bateria dura muito menos do que no Dualshock 3: segundo estimativas, umas oito horas.

O touchpad do Dualshock 4 (PS4)
A área com as principais diferenças do novo Dualshock

As novidades estão no touchpad (que também é clicável), no pequeno alto-falante embutido e nos botões Options e Share. Em geral, Options combina funções de Start ou Select, enquanto o clique do touchpad geralmente é usado para abrir mapa, como em Don’t StarveWarframe. O uso diferenciado do touchpad que pude experimentar está em Killzone, em que você passa o dedo em uma das quatro principais direções para escolher o modo de atuação do seu drone (em sentido horário: ataque, zipline, escudo e atordoamento). Warframe faz algo parecido quando você desbloqueia mais slots para habilidades especiais; ou seja, até agora o touchpad é um segundo direcional via toque. Já o alto-falante foi usado nesses dois jogos de forma semelhante a alguns títulos de Wii e Wii U: o som de comunicações no jogo feitas via rádio ou telefone sai pelo controle e não pela TV/headset, só para deixar a coisa um pouco mais imersiva. Se quiser saber mais sobre como jogos futuros utilizarão o touchpad, o alto-falante e a faixa de luz, leia este artigo (em inglês) do Venture Beat. Ah, o botão Share? Voltamos a ele na hora de falar sobre os recursos de software do aparelho…

Sistema operacional: lindo, rápido e cheio de furos

Se você chegar ao Playstation 4 após anos de PS3 como seu principal console, os primeiros momentos de uso do sistema serão acachapantes. A rapidez com que o aparelho inicializa o sistema e alterna entre menus, assim como a disposição geral do conteúdo, são sensacionais. A diferença fica clara na Playstation Store, que é exatamente a mesma do PS3, só que agora como parte integral do sistema e não um “app” que roda “acima” dele – ou seja, está muito, muito mais rápida e sem “engasgos”. O antigo modelo XMB de disposição de conteúdo foi substituído por três telas principais, uma acima da outra: funções do sistema (Store, Notificações, Amigos, Perfil etc.), conteúdo (jogos, aplicativos, serviços de vídeo etc.) e informações do conteúdo selecionado. Você passa da tela de funções para a de conteúdo apertando para cima ou para baixo a qualquer momento, e a tela “fora de destaque” automaticamente se reduz a uma pequena fileira de ícones, abaixo ou acima da tela em uso. Ao selecionar um jogo ou aplicativo na tela de conteúdo, você pode apertar para baixo mais algumas vezes para conferir material extra, como notícias, quais de seus amigos têm jogado/utilizado aquele conteúdo, links Web e DLCs disponíveis, de maneira semelhante às páginas de cada jogo na Playstation Store.

Instalação do Fifa 14 em progresso no PS4
No canto direito: 42 min para baixar os outros 7 GB do jogo (versão digital), e o usuário – obviamente não brasileiro – ainda reclamou

Mas nem tudo são flores. Mesmo considerando que alguns recursos não estariam presentes, já que o console mal tem dois meses de vida, há pequenas coisinhas básicas faltando aqui e ali que incomodam. Por exemplo, a única maneira de “pausar” um download é, pasmem, desligar o aparelho; você pode pelo menos entrar nas Notificações e mandar excluir o download ainda em andamento. Também não dá para colocar cada download em ordem de prioridade; todos são feitos ao mesmo tempo, incluindo atualizações, que começam a baixar junto com o jogo-base e acabam sendo instaladas primeiro. Falando nelas, uma vez instaladas, não há como excluí-las sem apagar o jogo todo, o que é um problema para downloads de mais de 30 GB se a atualização introduzir problemas. Em tese, o sistema também permite que você abra o jogo após parte dos arquivos ser instalada, mas na prática só vi isso funcionar direito com Fifa 14: você acessa uma demo de luxo de 3 GB – “Kick off” com cerca de seis times – enquanto espera os outros 7 GB serem instalados (em 7-8 minutos a partir do disco). No fórum de suporte do PS4, há uma série de soluções de problemas com jogos que envolvem justamente ignorar esse “recurso” do aparelho. Isto é, não inicie o jogo antes dele ser completamente instalado, e de preferência baixe e instale atualizações dele somente após a instalação completa. Call of Duty: Ghosts em especial parece negar acesso ao multijogador se você não seguir esta ordem exata.

Tudo isso se amarra à “ocultação de informações” que parece estar sob a filosofia geral do sistema – para deixá-lo mais simples, de fato, mas em momentos o resultado joga contra. Por exemplo, a antiga área de downloads foi parar no menu Notificações, mas no caso de títulos que podem ser baixados em partes, ela só mostra a primeira parte do download. Ao baixar um Call of Duty: Ghosts, o download exibido tem “apenas” 3-4 GB (campanha solo), e quando é concluído, o sistema mostra apenas “pronto para jogar” no ícone do jogo. A única maneira de saber que na verdade o PS4 ainda está baixando/instalando os outros cerca de 27 GB é usar o botão Options e escolher Informações – e ainda assim “Status do Download” exibe algo mais limitado, como “8 GB de 30 GB”, sem barra de progresso, indicador de velocidade nem nada. Pior: se você desconectar da Internet, interrompendo o download, essa área exibirá “Completed”, mesmo que isso não seja verdade. Além disso, como ocorreu no meu problema específico, não há nenhum prompt para dizer que um arquivo de instalação está corrompido, e por isso o aplicativo não foi aberto. Se esse aviso não ocorresse ao tentar atualizar o sistema via USB no Modo de Segurança, talvez estivesse até hoje sem sacar que é a minha rede que está corrompendo os downloads…

Recursos de software de nova geração

Tela de Funções do menu do Playstation 4
Store, Notificações, Amigos, Mensagens, Party, Perfil, Troféus, Configurações, Logout/Desligar

Mas chega de furinhos, que o sistema do Playstation 4 os compensa com acertos de todos os tamanhos. Já começa por permitir algum grau de uso multitarefa, ainda que limitado; não dá para abrir mais de um jogo ou aplicativo e ficar alternando completamente entre eles, mas é possível “suspender” um jogo/aplicativo e usar praticamente tudo no sistema enquanto isso (e se algo precisar ser encerrado, o sistema pedirá confirmação primeiro). Chega de ter que fechar o jogo para acessar a Store ou gerenciar downloads, ou fechar o Netflix para responder à mensagem de um amigo, ou qualquer coisa do gênero: apenas aperte o botão Playstation e o sistema volta para o menu com o jogo suspenso. Da mesma forma, assim como no Wii U, você pode iniciar um jogo enquanto a atualização dele ainda está sendo baixada, embora ele continue impedido de acessar recursos de rede/Internet enquanto isso, como acontecia no PS3.

Nos recursos básicos do sistema, uma série de refinamentos torna a experiência mais interessante. Os troféus, por exemplo, agora têm classificação de raridade (Comum, Raro, Super-Raro etc.), de acordo com quantos usuários conseguiram obtê-los – algo parecido com o sistema de porcentagens e cores do Raptr. A área de usuário/conta da PSN agora pode exibir informações pessoais tiradas do Facebook, como a foto do seu perfil e nome real; você também pode compartilhar esses dados com seus amigos mediante solicitação deles – ou seja, calma, é só se você aprovar. As Mensagens têm sua própria área principal agora, em vez de ficarem “escondidas” no menu Amigos… E finalmente temos um menu de Party, que você pode iniciar independentemente do jogo (aleluia irmãos!). As Notificações incluem downloads, uploads, solicitações de amizades e outros tipos, enquanto a Store fica logo à vista, como o primeiríssimo ícone à esquerda da tela de funções. Já na tela de conteúdo, os jogos e aplicativos instalados aparecem em ordem de utilização, do mais ao menos recente; no final dessa fileira temos Live on Playstation, onde você pode acessar transmissões ao vivo de outros PS4, e sua Library, onde você gerencia e acessa todos os jogos e aplicativos associados à sua conta, sem precisar entrar na Store. No geral, tudo é muito bem organizado e fácil de acessar, bem mais do que na interface do PS3.

Tela de Share no Playstation 4
Envie vídeo, envie tela ou comece a transmitir ao vivo

Mas o que interessa mesmo é a parte de Share (Compartilhamento), associada ao botão no controle; afinal, no momento, é a coisa mais “próxima geração” do aparelho, além do óbvio salto gráfico dos jogos. Sua facilidade de uso é impressionante. Ao apertar o botão Share, o jogo será suspenso e você será apresentado a uma tela com três opções: enviar um vídeo, enviar uma captura de tela ou começar a transmitir online. A captura de tela é a opção mais fácil: assumindo que você já tenha “linkado” sua conta da PSN ao Twitter e ao Facebook nas Configurações, basta preencher os campos de texto da mensagem e enviar a tela capturada no momento de pausa (veja aqui um exemplo enviado para minha conta no Twitter). Enviar vídeo é semelhante, mas com opções extras de cortar o vídeo e assistir o resultado antes de enviar (apenas para o Facebook no momento). O PS4 grava constantemente os últimos 15 minutos de jogo e apertar o botão Share salva esses dados no HD, permitindo que você escolha o início e o fim do trecho que quer enviar. Você pode assistir no Facebook a vídeos que enviei de Fifa 14 (uma partida da demo e os Melhores Momentos de uma goleada contra o Vasco) ou de Killzone: Shadow Fall (cutscene de abertura do Cap. 3 e um momento de trem-bala me trollando). Só tenha em mente que ele grava apenas em HD e isso significa que 15 minutos de vídeo ocupam 500+ MB e podem demorar bastante para serem enviados.

A parte de transmissão de vídeo é a mais complexa das três, mas ainda assim muito simples. Basta “linkar” sua conta da PSN a um dos dois serviços gratuitos compatíveis (Twitch e Ustream), escolher um dos dois, ativar ou desativar câmera e/ou microfone e começar a transmitir. A tela de jogo “encolhe” um pouco para exibir as mensagens de chat dos espectadores na parte inferior, assim como uma miniatura da imagem da câmera no canto superior direito (se a câmera estiver desativada/ausente, ainda assim um ícone genérico aparece). Essa redução da tela de jogo atrapalha um pouco em televisões menores (a minha tem apenas 32 polegadas) e jogos muito detalhistas, mas de resto funciona muito bem, mesmo usando o headsetzinho vagabundo que acompanha o console – só não esqueça que se estiver jogando online, o som capturado pelo microfone também irá ser enviado aos outros jogadores. Com a recente atualização 1.60 do sistema, agora é possível usar os headsets Bluetooth da Sony para PS3, como o Pulse, o que permite melhor qualidade de som. Se sua conexão não for das melhores, também é possível alterar a qualidade da transmissão via Configurações (o padrão é High), ao contrário do que acontece com os vídeos gravados automaticamente. De resto, assinem meu canal no Twitch para serem informados quando me der na telha de transmitir algo, e confiram o resultado por conta própria.

Playstation 4 e o Remote Play com o Vita
Não é que o negócio funfa mesmo?

Outro recurso de nova geração é a integração com o Vita, seja como segunda tela (para conteúdo extra) ou para jogar games de PS4 via Internet ou conexão direta. Testei somente a conexão direta e funciona muito bem, desde que você não saia de um raio de 5 metros do PS4 – aqui bastou ir a outro cômodo para a imagem começar a travar/se perder. Aliás, algo que também acontece com o GamePad do Wii U e talvez seja interferência do ponto de acesso sem fio, mas enfim. O grande problema no caso do Remote Play é a falta de botões do Vita, que obriga o mapeamento de L2/R2 e L3/R3 para áreas do touchpad traseiro, sem possibilidade de mudanças na configuração. Em jogos que usem bastante um ou mais deles – em Fifa 14, por exemplo, o R2 faz o jogador correr – o sistema de controle padrão beira o impraticável. Além disso, como seria de se esperar, a taxa de quadros cai na transmissão, indo a no máximo 30 fps (mesmo em jogos originalmente com 60, como Resogun). Isso torna a conexão com o Vita um substituto bem marromeno ao GamePad do Wii U, mas ainda assim, mais recursos não faz mal a ninguém.

Jogos: entre o melhor do PC e os exclusivos

Para mim, pegar o Playstation 4 cedo significava mergulhar nos jogos digitais disponíveis, já que a biblioteca “física” do console no momento é composta em grande parte por títulos multiplataforma que já adquiri no PC (Need for Speed: RivalsAssassin’s Creed IV: Black FlagTomb Raider: Definitive EditionLego Marvel Super Heroes…). Claro, a maioria dos títulos digitais também saiu para PC, mas valia a pena jogar alguns no PS4 pelo suporte a controle melhorado ou simplesmente presente (WarframeBlacklight: Retribution, DC Universe Online). E bem ou mal tinha Resogun, muito bem recebido e que faria boa companhia a Killzone: Shadow Fall (desculpa, mas Knack só arrisco quando cair a pelo menos metade do preço). Pena que meu “probleminha” com o provedor estragou todos os planos… Mas deu tempo de experimentar alguma coisa, e pelo menos tenho três jogos funcionando direito agora.

Tela de Don't Starve (PS4)
Tentando manter a sanidade em um mundo difícil

Um jogo obrigatório para quem curte exploração e construção a la Minecraft e Terraria é Don’t Starve: Console Edition, que esteve de graça na PSN+ no mês de lançamento (se você não o adquiriu no site da Sony por US$ 0, agora é tarde – e sugiro que fique sempre de olho e “reserve” os jogos gratuitos assim que aparecerem, se pretende comprar um PS4 um dia). O jogo mais recente da klei entertainment (ShankMark of The Ninja) tem um estilo cartoon 2D meio Tum Burton, e é mais focado em produzir itens para sobrevivência em um mundo hostil do que reproduzir coisas com pixels gigantes, mas ainda assim é um dos jogos mais recompensadores do momento – em qualquer plataforma – caso o jogador se dedique a ele. Você é daqueles que sempre reclama que os jogos te pegam demais pela mão? Que explicam tudo direitinho? Jogue Don’t Starve e não reclame depois se ganhar um novo apreço por tutoriais… O suporte ao controle está surpreendentemente bom considerando a premissa do jogo, e se você quiser experimentá-lo no Steam, o suporte também já foi adicionado lá. Don’t Starve tem um alto índice de transmissões via PS4 no Twitch, com jogadores chegando a mais de 700 dias de sobrevivência (para efeito de comparação, meu recorde é 10 dias!).

Warframe é outro jogo também disponível no PC, como free-to-play… Mas vou dizer, tive a nítida impressão de que a versão de PS4 é ainda mais bonita, mesmo tendo rodado a de PC com tudo no máximo. O importante, porém, é que no PC o suporte a controle não se estende aos menus, o que obviamente acontece no PS4. O jogo em si é de tiro em 3ª pessoa, com foco na cooperação e cenário futurista… Mas o que chama mesmo a atenção são os personagens dos jogadores, os Tenno, guerreiros treinados usando armaduras “warframe” extremamente móveis e com habilidades distintas meio ninja. Durante as partidas, é possível correr pelas paredes, dar saltos acrobáticos, esquivar-se e “escorregar” no chão com facilidade etc., além de retalhar inimigos próximos com espada e metralhar os mais distantes com armas futuristas. O jogo é muito fluido e gostoso de jogar, mas desconfio que pode ficar repetitivo com o tempo – algo problemático quando você precisa jogar repetidamente para conseguir itens sem precisar pagar dinheiro real por eles. O nível de polimento e a jogabilidade me fizeram querer pagar alguma coisa, porém, para que o título continue sendo expandido – e também não vi indícios de abuso nas microtransações, como “travar” o personagem até certo nível ou impedir o acesso a fases e áreas do jogo. No final das contas, é bem recomendável.

Galera na arquibancada em Fifa 14 (PS4/X1)
Olha as diferentes reações da torcida!

No ano passado deixei os jogos de futebol um pouco de lado, mas com a baixa de preço geral, cheguei a pegar Pro Evolution Soccer 2014 recentemente… Apenas para ficar na dúvida se não foram longe demais nas novidades em termos de controle e simulação. Não pretendia comprar Fifa 14 em console, mas a falta de opções para mim no momento – ainda mais sem acesso aos jogos digitais – me fez correr atrás de uma cópia usada. Só então descobri que a versão de PC não usa a engine nova do jogo, reservada apenas às versões next-gen, e… Vou te contar, ela dá gosto. Com certeza há áreas visuais que poderiam ter sido ainda mais incrementadas com o poderio do PS4/Xbox One, como a grama, as texturas em partes do estádio e as redes dos gols… Mas as animações e as caras dos jogadores, a física da bola e de contato e principalmente o comportamento das torcidas estão sensacionais. Acabou aquela história de vários bonecos 2D/3D repetidos, ou de termos apenas uma massa de torcedores parecidos reagindo do mesmo jeito. No final das contas valeu muito a pena, e se você gosta de jogos de futebol, recomendo fortemente pegar a versão de PS4.

O melhor jogo exclusivo de PS4 segundo a recepção da crítica (via Metacritic) é Resogun, o que é compreensível, porque é um título bem desenvolvido mesmo. Trata-se da nova empreitada da Housemarque, estúdio responsável pela série Super Stardust nos consoles Sony, e que parece estar se especializando em modernizar “jogos de navinha”: se antes atualizaram o Stardust do Amiga, com Resogun, o lance é trazer Defender para o século XXI. Sim, aquele Defender dos fliperamas nos anos 80 (talvez você tenha jogado algum clone para Atari, também). A modernização da Housemarque não é só visual, com o espaço de jogo “se fechando” em uma elipse, mas também mecânica: por exemplo, os humanos estão presos, e só são liberados para resgate quando um conjunto de “guardiões” é destruído. Você também pode usar um boost para percorrer mais rapidamente a tela, algo necessário para manter o multiplicador de pontos quando os inimigos estão todos do outro lado da elipse. Há também o Overdrive, que uma vez carregado deixa o jogo em câmera lenta e aumenta drasticamente seu poder de fogo e o multiplicador. De resto, power-ups e itens como Bombas também estão presentes, como em Super Stardust. Ainda é um jogo simples, porém bem redondo e bastante divertido. Aproveitem que ainda está de graça na PSN+!

Tela de Killzone: Shadow Fall (PS4)
A parte “dazelite” do planeta Vekta

Porém, meu jogo predileto até agora no console é mesmo Killzone: Shadow Fall. Embora a recepção da crítica tenha sido meio morna, a verdade é que existe uma bronca gratuita há anos com a série por parte de alguns jornalistas (talvez por não imitar Halo?). Pessoalmente, eu gosto da jogabilidade mais “pesada” da série (o personagem demora mais para se virar e carregar as armas futuristas), da saga dos humanos contra os expatriados Helghast (e suas analogias com nazismo), e principalmente do multijogador, com seus “modos mistos”. Que os jogos da série estejam entre os mais bonitos tecnicamente em cada geração não atrapalha em nada, também, e Shadow Fall não foge à regra: é disparado o jogo mais bonito do console, nível PC de última geração, com saída em 1080p nativos e 60 fps na maior parte do tempo, efeitos de partículas para todo lado, detalhamento e iluminação incríveis, e a Guerrilla se superando na direção de arte. Até a história está mais interessante do que nunca, com refugiados de guerra Helghast dividindo o planeta Vekta com humanos, com direito a seu próprio “Muro de Berlim” em escala planetária. Mas o que importa são as novidades de jogabilidade mesmo.

Para começar, nem todas as fases são corredores: já na primeira, o jogo te larga em uma floresta – aquele mapa multijogador que estava disponível para teste na última Brasil Game Show – e só vai alternando os objetivos em pontos diferentes do terreno. Você tem liberdade de fazer seu caminho e cuidar dos guardas com stealth ou lutando de frente, e ainda precisa se preocupar caso um deles acione o alarme, o que garante reforços constantes. A solução é usar outra grande novidade, seu drone pessoal, para desativar os alarmes. Como dito na seção sobre o touchpad do Dualshock 4, o drone tem quatro modos, o que permite uma variação de jogabilidade à qual não estamos acostumados em Killzone. Além disso, há um aparelho de varredura da área que detecta inimigos, objetos e caminhos, mas não pode ser usado por mais que alguns segundos sem alertar outros da sua posição. Algumas armas são inéditas e a jogabilidade se alterna bem entre momentos “explosivos” e outros mais climáticos, com direito até a um pouco de quebra-cabeças espaciais para achar o caminho até o objetivo (usando a zipline e máquinas diversas no cenário, por exemplo). Até agora, Shadow Fall é tranquilamente o melhor Killzone que já joguei, ainda mais com o multijogador incorporando os novos gadgets e rodando com todos os efeitos sem engasgos.

Veredicto final

Primeiro comprador do PS4 nos EUA
Esse ficou feliz já no primeiro dia

Mas então, é para comprar logo esse console? Depende. O meu problema específico provavelmente não irá acontecer com você, mas nunca se sabe: se puder arranjar um PS4 emprestado e testar na sua rede doméstica, melhor. Nem todos os recursos estão funcionando direito – vide a possibilidade de começar a jogar algo antes de terminar de baixar – mas o principal que vale a pena está lá, como o ótimo controle, a integração com o Vita e o botão Share. Não há dúvidas de que o poderio do console é real, e se jogos como o novo Killzone são “apenas” o início, preparem-se para ver mentes explodindo daqui a dois ou três anos. E noves-fora meu problema específico, o sistema hoje (versão 1.60) está estável aqui, sem travamentos ou erros constantes, como acontecia na época do lançamento.

Daí resta a questão de sempre: e jogos? Exclusivos são pouquíssimos: por melhores que KillzoneResogun sejam, são só eles e Knack. Alguns jogos multiplataforma são ótimos, mas talvez você já os tenha a essa altura… E alguns foram “portados” sem muito ganho no PS4/Xbox One além de exibir texturas um pouco mais nítidas. Assassin’s Creed IV, por exemplo, só vai a 1080p após uma atualização, e ainda assim está travado em 30 fps, enquanto no PC você consegue bem mais que isso. Há os jogos indie da PSN+ e os free-to-play, mas todos esses estão disponíveis no PC hoje: Don’t StarveOutlastContrast, WarframeBlacklightDC Universe Online e, futuramente, OctodadShadow WarriorDaylight. É aí que um quadro se forma, acredito – faça essas duas perguntas a si mesmo:

  1. O quanto eu quero/gosto de jogar exclusivos da Sony? (incluindo inFAMOUS: Second Son, que sai em março)
  2. Eu tenho um PC que roda boa parte dos jogos citados acima?
Tela de Tomb Raider: Definitive Edition (PS4)
Se ainda não jogou Tomb Raider (2013), eis a versão a experimentar

No meu caso, o PS4 vale a pena desde já (assumindo que o problema da rede será corrigido de alguma forma) porque respondi “Muito” à pergunta 1 – se não tivesse pego agora, de março não passaria. Se você responder “Não” à pergunta 2 e não tiver a menor intenção de atualizar seu PC no futuro próximo para jogar nele, o PS4 é uma excelente pedida para “pular” logo de geração. Afinal, com ele você também terá acesso a essa ótima fileira de jogos de boa qualidade vindos do PC… Só que sem dores de cabeça com configuração da máquina, e com a possibilidade de compartilhar e transmitir conteúdo sem precisar baixar vários programas extras e fuçar neles. Isso sem falar que as versões next-gen de jogos multiplataforma tendem a aproveitar melhor o hardware daqui em diante, como Tomb Raider: Definitive Edition parece demonstrar (parte do jogo foi refeita a partir da versão de PC, e essa edição tem sido muito bem recebida).

Agora, se você tem um bom PC e não está com pressa para jogar Killzone ou inFAMOUS, talvez seja melhor atualizar sua placa de vídeo e esperar o PS4 ganhar mais exclusivos, que devem se acumular durante 2014 (no mínimo temos Drive ClubThe Order: 1886, e com certeza mais jogos para o fim do ano serão anunciados na E3). Vale lembrar também que nenhum dos jogos vindos do PC mencionados acima está previsto para chegar ao Xbox One, e alguns jogos multiplataforma não sairão no novo console da Microsoft, como Injustice: Gods Among Us Ultimate EditionDiablo III. É mais uma vantagem (entre muitas) que o PS4 já tem sobre seu concorrente. De qualquer forma, não tenha dúvidas de que, salvo um baita azar como o meu, a máquina vale sim seu suado dinheirinho (não R$ 4 mil, É CLARO). O pior que pode acontecer é ela pegar um pouco de poeira enquanto mais jogos que te interessarem não saírem durante o ano.

4 comentários sobre “Tilt: O PS4 e as dores do “early adopter”

  1. Tomara que seu ps4 esteja funcionando bem, o meu começou a piscar a tela, após a atualização 1.70,não consigo jogar nada, até tento,comprei o Watch dogs e na parte que tenho que fugir da policia de carro, a imagem some da tv por cerca de 2 segundos,já dirigiu um carro, mesmo que virtualmente, por 2 segundos sem ver nada, pois é essa situação que estou passando,já passei por isso com o ps3,esses caras da Sony são uns filhos da p… e só querem saber dos dólares,agora é só aguardar uma solução também para esse problema.

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    1. Tá funcionando sim.

      Eu vi uns relatos sobre isso. Alguns conseguiram resolver após essa atualização reativando o HDCP ou algo assim.
      http://www.nowgamer.com/news/2380164/ps4_170_firmware_update_causing_crashes_black_screens_more.html

      Todo aparelho eletrônico hoje em dia é propício a passar por algo assim. Infelizmente é loteria. Não é coisa “da Sony” ou de alguma específica (embora na Nintendo seja bem mais raro, mas também ela faz sistemas com muito menos recursos e mexe neles menos ainda).
      A essa altura já tem outra atualização também, vê se isso resolve. Ou resetar o PS4 para ele detectar a TV de novo, de repente em outro modo de cor/resolução.

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    2. No meu percebi que isso acontece quando deixo ele no modo de espera para carregar o controle, depois entro nos games e começa a acontecer, quando eu desligo ele o problema não é apresentado

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