Melhores de 2012 – The Unfinished Swan (PSN)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

The Unfinished Swan (PSN)
Disponível na PSN. Data de lançamento: 16/10. Preço atual: R$ 31 (PSN)

Deixa eu propor algo a vocês que pode parecer autopromoção, mas é sério: leiam de novo o artigo desta série sobre Journey, especialmente até o começo do 2º parágrafo (“…por sua beleza audiovisual”), só que com “The Unfinished Swan” no lugar de “Journey”. Eu poderia ter copiado aquela parte (e outras mais para a frente) e colado-a aqui sem nenhum prejuízo, mentira ou hipérbole sobre The Unfinished Swan – e isso até me travou na hora de escrever sobre ele. Para o bem e para o mal, The Unfinished Swan não é Journey, e reduzi-lo a apenas mais um ponto fora da curva na discussão sobre o que é ser um jogo, ou se um jogo pode ser arte, acaba sendo um desserviço a ambos. Não ajuda também que ambos sejam jogos digitais, sejam vendidos exclusivamente no mesmo console, tenham uma natureza mais lúdica do que os jogos “tradicionais” e apresentem estéticas minimalistas. Com tanto em comum, é difícil resistir a simplesmente descrever The Unfinished Swan pelas coisas que faz diferente de Journey.

Para começar, o jogo usa não apenas outras mecânicas, como também uma perspectiva (nos sentidos literal e metafórico) completamente diferente. The Unfinished Swan é um jogo de puzzle e plataforma em primeira pessoa protagonizado por um menino órfão, que usa o pincel da mãe falecida para respingar líquidos em cenários fantasiosos, inspirados na obra constantemente inacabada da mãe. O jogo chamou a atenção por seu primeiro capítulo, em que o jogador atira tinta preta para conseguir enxergar o caminho em um cenário todo branco, mas na verdade não se resume a isso: cada capítulo tem sua própria mecânica nova de interação entre líquidos e o cenário, e até entre o cenário, a iluminação e o personagem. O que amarra os capítulos não são apenas as mecânicas em si – interessantes por si só – e sim a estética de livro infantil e a sensação de… jornada (ops!) de autodescoberta do garoto: mesmo quando a interação muda bastante, o objetivo continua sendo descobrir caminhos, segredos e aonde aquele conto de fadas vai dar.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ Criatividade   ‡ Direção de Arte   ‡ Dublagens
‡ Experimentação   Mecânicas   ‡ Narrativa


A narrativa é outro ponto forte e de diferenciação de The Unfinished Swan. Enquanto Journey se escora em deixar toda a interpretação a cargo do jogador e apresenta tudo de maneira puramente visual, The Unfinished Swan se assemelha a um livro de colorir com a ocasional página de texto (que às vezes precisa ser encontrada no cenário). Além disso, não faz muitos rodeios quanto à mensagem principal do conto e ao que cada personagem ou situação representa (basta lembrar a situação inicial do garoto antes de tudo começar). Ainda assim, o conto é bastante metafórico e exige atenção do jogador, e a cena final deixa espaço suficiente para interpretações diversas sobre alguns aspectos da mensagem. Ajuda bastante também que a narração e as atuações vocais sejam de altíssimo nível e esparsas o suficiente para dar peso a cada palavra dita, até mesmo as raras interjeições exprimidas pelo garoto (quem jogou vai sorrir quando eu perguntar isso agora: você lembra do momento em que o garoto solta um “EEEI!” de surpresa, não lembra? Shhh, não entregue o easter egg! Esse texto já está… comparativo demais!).

Até posso imaginar alguém se perguntando… “Mas por que então The Unfinished Swan não teve a mesma recepção entusiasmada de Journey?”. Até teve, mas não de forma quase unânime, e isso tem diversos motivos. Alguns não têm nada a ver com o jogo em si, como a total falta de vontade de admitir que a PSN esteja “liderando” a onda dos “jogos arte” em termos de qualidade. Outros têm a ver com uma muleta que nem eu mesmo consegui deixar de usar neste artigo: a comparação direta com um jogo já aclamadíssimo, o que coloca uma responsabilidade enorme demais nas costas de The Unfinished Swan. E por fim, que se admita que o jogo tem seus poréns: as mudanças de mecânica são meio bruscas, o que deixa o ritmo menos fluido no geral, e os poucos puzzles são ridículos de simples. Mas tudo isso é fácil de relevar se você entender que a proposta dele é ser um grande brinquedo digital, um livro de conto de fadas hi-tech, em que você liberta sua criança interna atirando líquidos para todo lado e, ao final, reflete sobre si mesmo como adulto. Pode não ter o mesmo peso metalinguístico ou o comentário sobre a natureza humana que a mecânica de co-op de Journey alcançou, mas ainda é uma bela peça de reflexão e de prazer puramente lúdico usando a mídia dos games. E termos mais dessas por aí nunca é demais.

3 comentários sobre “Melhores de 2012 – The Unfinished Swan (PSN)

  1. Ótima análise como sempre deu uma vontade agora de conferir esse jogo, eu queria saber se tu vais fazer análise do reboot do jogo Tomb Raider?

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    1. Em algum ponto vou escrever sobre ele, com certeza, porque está ÓTEMO.🙂

      Assim que me libertar dessa série de artigos e começar a falar dos de 2013, as prioridades absolutas serão Tomb Raider, Bit.Trip Presents… Runner 2: Future Legend of Rhythm Alien e Bioshock Infinite, que pelo menos por enquanto são, junto com DmC, os jogos deste ano que mais curti.

      Agora que estou tentando me forçar a terminar os jogos primeiro, é capaz que passe a escrever mais análises (e completas, ao contrário dessas mini-análises da série Melhores de 2012) do que outros tipos de texto. Mas tem artigos também na fila, com prioridade para um meio pessoal: acho que caiu uma bela ficha e descobri as principais razões pelas quais os jogos japoneses, RPGs inclusos, ainda me atraem muito, apesar dos pesares.

      (Dica: tem a ver com os temas apresentados. Nesse sentido, os jogos ocidentais andam me irritando de formas que os japoneses evitam, graças à cultura do país tradicionalmente rechaçar muita idiotice político-social ocidental).

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  2. Eu me decepcionei porque, apesar do titulo o filme não tem nada haver com a Milla Kunis de colant. Ok, brinks. Estava ponderando esse titulo, mas estava com um medo danado de ser um Braid da vida (estou tentando até agora escovar a sujeira hipster pra longe de mim depois de jogar esse jogo, argh).

    Como tu dizes que não é acho que não deve fazer mal dar uma tentiada quando possível😀

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