Melhores de 2012 – Need for Speed: Most Wanted (PC/PS3/ Vita/WiiU/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Need for Speed: Most Wanted - A Criterion Game (And/iOS/PC/PS3/Vita/WiiU/X360)
Disponível para Android, iOS, PC, PS3, Vita, WiiU e Xbox 360. Data de lançamento: 30/10. Preço atual: R$ 99 (PC, Origin)

Tem alguns jogos nesta lista em que tudo poderia ter dado muito errado, mas não deu (ou não estariam aqui, é claro). O Need for Speed mais recente poderia ser da mesma estirpe exceto por um detalhe: a desenvolvedora Criterion, que é garantia de bons jogos. Levando isso em conta, ver o nome dela no título oficial do jogo pode até parecer um bom sinal, mas na verdade foi mais um motivo de preocupação: como o Most Wanted original chegou a ganhar uma versão para Xbox 360, esse remake não podia manter o mesmo exato nome nessa plataforma – daí o A Criterion Game. Pensa um pouquinho: esse Need for Speed é um remake de outro jogo da mesma geração. Por mais que ela tenha se estendido por sete ou oito anos (dependendo do console de referência), é um símbolo assustador do desespero das publishers para conseguir fazer blockbusters rentáveis em cima de marcas queridas, um fenômeno parecido com o que anda acontecendo com filmes de super-heróis. Para piorar, é o segundo remake de Need for Speed da Criterion sem nenhum novo Burnout no meio, o que lançou dúvidas sobre a real independência da empresa.

Mas no final das contas, considerações tangenciais à parte, o resultado final é simplesmente o jogo de corrida mais dedicado à diversão arcade rápida e frenética já desenvolvido. Sim, mais até do que Burnout Paradise – até porque tudo na interface, na organização do jogo e no conteúdo foi ainda mais “enxugado” para você fazer imediatamente o que interessa: correr, e rápido. No início, você até pode enxergar certas decisões de design como “defeitos” ou “preguiça”, como a falta de customização estética dos carros (nem mesmo a cor você escolhe), mas após um par de horas de jogo fica tudo claro. A Criterion não quis deixar passar absolutamente nada que te distraia do que interessa: correr, bater, reduzir tempos, esmagar portões/placas, fugir da polícia, ganhar upgrades e ponto final. E tudo diretamente acessível do menu baseado em toques rápidos nos botões direcionais, uma evolução do menu online de Burnout Paradise, que permite até mesmo trocar de pneus rapidamente durante uma corrida (com toda a adrenalina que isso implica). A única concessão “artística” foi a série de cutscenes lisérgicas antes de cada corrida – que podem, é claro, ser puladas com um toque de um botão, mas valem ser assistidas pela pura bizarrice.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Criatividade   ‡ Design Geral   ‡ Dificuldade (Inovação)   ‡ Direção de Arte
‡ Excelência Técnica (Consoles)   
‡ Interface   ‡ Sistema de Upgrades


Outra coisa inesperada foi ver a Criterion lidar com o velho problema da dificuldade de uma maneira completamente incomum. A solução foi tão simples quanto inovadora: atrelar a progressão à escolha do seu carro. Enquanto jogos de corrida costumam destravar carros mais rápidos à medida que você progride, o Most Wanted da Criterion espalha mais de 40 (fora DLCs) pela cidade (outros 10 estão nas mãos dos pilotos “Most Wanted”, e são os únicos que devem ser desbloqueados vencendo-os em corridas e batendo neles na cidade, como em Burnout Paradise). São de tipos, tamanhos e dirigibilidades variados, desde caminhonetes até Porsches. Cada carro tem cinco corridas disponíveis (algumas, claro, se repetem com pequenas variações entre carros de tipos parecidos) classificadas como fácil, média e difícil, relativas àquele carro – mas na verdade, a principal medida de dificuldade acaba sendo suas habilidades particulares como jogador. Tem dificuldade para controlar carros em alta velocidade? Pegue um com nível alto de Controle e até as corridas dele classificadas como “difícil” ficam justas. Derrapa muito em estradas de terra? Pegue um carro com bom índice Offroad e pronto, você está em casa.

E tudo isso ainda é complementado pelo interessante sistema de upgrades, em que meia-dúzia de itens fazem toda a diferença, pois quase sempre dão vantagens de um lado enquanto tiram do outro. Você pode disputar uma corrida específica do carro X para destravar pneus específicos para offroad, por exemplo, e versões “Pro” dos mesmos upgrades são obtidas simplesmente dirigindo o carro pela cidade e cumprindo “milestones”, como derrapar por N metros, dirigir aquele carro por 1 hora no total e assim por diante. Os desbloqueios de upgrades acabam incentivando o domínio completo do carro em que você está, se assim quiser; mas se lidar com aquele carro ainda parecer muito difícil, basta pular para outro menos insano ou mais estável – o que for necessário para aproveitar a cidade do jogo à sua maneira. Leva um pouco de tempo para você entender essa estrutura, mas quando cai a ficha, fica claro como a Criterion parece ter achado uma solução ideal para o velho problema de balancear o desafio de um jogo para usuários de níveis completamente diferentes de dedicação e experiência.

Junte isso ao que já sabíamos que a Criterion iria fazer muito bem, como a direção de arte e o design geral da cidade, com infinitos meandros para se descobrir (sabe aquele prédio de seis andares? Não parece, mas tem um jeito de chegar lá em cima. Sério). As únicas falhas reais do novo Most Wanted são a (fraquíssima) trilha sonora e o desempenho da versão de PC, que exige recursos demais em troca de poucos benefícios visuais e de framerate em comparação às versões de console; é especialmente irritante após jogar a versão de Vita, que em termos de conteúdo só sacrifica as corridas multiplayer com oito jogadores (passam a ter máximo de quatro) com pouca perda visual, especialmente para um portátil. Aliás, o jogo cai bem demais em um portátil com sua filosofia arcade de gratificação instantânea; se você tiver o Vita e não se importar muito com multijogador (como eu), recomendo pegar essa versão, até mais do que as de console – você leva até 10 corridas extras nessa brincadeira. Mas mesmo no PC com configurações Low é um jogo bonito, rápido, bem estruturado, diferente, inovador e viciante; uma celebração da velocidade como diversão, da liberdade de movimento em um mapa aberto e do bom design para agradar o usuário, e tranquilamente o melhor jogo de corrida de 2012.

10 comentários sobre “Melhores de 2012 – Need for Speed: Most Wanted (PC/PS3/ Vita/WiiU/X360)

    1. Cara eu não gosto de jogos de carros mas vou tentar dar uma chance a esse.

      O problema é que ele é justamente o jogo de carros mais JOGO DE CARROS que existe, esse é o ponto da resenha: ele não tem distração nenhuma além de colecionar carros e correr. Nem mesmo personalizar a aparência deles o jogo deixa. É exatamente como brincar de carrinho na infância, só que com batidas cinematográficas e uma cidade virtual completa.

      Se for para dar uma chance a um jogo de corrida mesmo não sendo muito fã do gênero, acho melhor pegar um que equilibre/misture com outras coisas que possam prender mais sua atenção, como Driver: San Francisco (pela narrativa, pelo clima, pela trilha sonora, pelas bizarrices e pela variedade). Ou algo em que conta tanto a zoação e o uso de itens/power-ups quanto os carros em si, como os jogos de kart do Mario, do Sonic ou do LittleBigPlanet, ou até mesmo Blur. Mas se quiser MESMO algo *puro*, não tem nada mais direto e divertido do que esse Need for Speed e Burnout Paradise.

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  1. Interessante o review. Nos últimos anos “me afastei” um pouco dos jogos de corrida por não ter mais saco mesmo com a falta de variedade [larguei JRPGs pelo mesmo motivo] mas D:SF e esses últimos NFSs estão coçando minhas mãos… Quando acabar minha lista dou uma olhada nesse MW.

    PS: Só uma pergunta Fábio: tu jogou o primeiro MW? Pq ele é meu NFS favorito e não quero ficar com raiva desse novo se for muito diferente. 🙂

    PS2: Cara, vejo q tu não tá “movimentando” o blog mas tu vive no twitter… 🙂 Entendo, mas posso dar uma opinião? Pq tu não faz um Tumblr pro re:games? assim tu teria um espaço pra textos rápidos mas maiores q os do twitter. 😉

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    1. Nos últimos anos “me afastei” um pouco dos jogos de corrida por não ter mais saco mesmo com a falta de variedade [larguei JRPGs pelo mesmo motivo] mas D:SF e esses últimos NFSs estão coçando minhas mãos… Quando acabar minha lista dou uma olhada nesse MW.

      Se teu lance for precisar de variedade, vai no Driver: San Francisco antes que ele dá uma goleada no NFS:MW (e em muitos outros jogos do gênero, aliás). A variedade do Most Wanted Criterion está toda reservada aos cenários da cidade, aos carros e aos eventos do multiplayer. O single player em si só tem 4 tipos de corrida: circuito (X voltas), sprint (ponto A ao B), sair do radar da polícia e alcançar velocidade média X em um trecho de sprint. Mesmo as corridas para pegar os Most Wanted são apenas sprints de 2 corredores com a polícia na cola.
      O forte do Most Wanted Criterion é ser enxuto, elegante e rápido (em todos os sentidos). Além do multiplayer, que só comecei a jogar agora e PQP, é o multiplayer de corrida mais divertido e escrachado que já joguei.

      tu jogou o primeiro MW? Pq ele é meu NFS favorito e não quero ficar com raiva desse novo se for muito diferente.

      Não joguei, mas aposto que é diferente sim (tem muito fanboy reclamando dizendo que é mais Burnout do que Need for Speed). Mas pra quê tu quer que ele seja sequer remotamente parecido? O original ainda está disponível *nesta geração* para PC e Xbox 360! O reboot de Hot Pursuit de 2011 era mais ou menos parecido porque o original é de Playstation (o PRIMEIRO) e muita coisa evoluiu desde então, de gráficos a interface e jogabilidade, em jogos de corrida. Para o Most Wanted, tinha mais é que ser diferente mesmo.

      Pq tu não faz um Tumblr pro re:games?

      Porque não entendo e não gosto do Tumblr. Além do mais, acho que tu tá imaginando que a interface do WordPress complica para escrever textos rápidos ou algo assim. Pelo contrário, é capaz de ser mais simples e com mais opções do que no Tumblr. Eu é que não consigo escrever pouco, e nem sei se quero. 🙂
      Mas estou com mais texto do Melhores de 2012 a caminho: o próximo jogo da lista e um texto *enorme* de “rebarbas” (basicamente, recomendações de coisas que só joguei agora, em 2013, após comprar o Vita e o 3DS. Sim, comprei o 3DS também.)

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      1. É mais pq esse jogo pelos poucos vídeos q vi [não muitos pra não pegar spoiler] se parece com o primeiro mas com gráficos [no sentido de arte, não só polígonos] melhores [até pq ele era um port da versão de PS2 ou algo assim], não quero algo muito diferente mas não precisa ser muito parecido, acho q me expressei mal.
        Quanto ao tumblr, é pq os que eu leio geralmente é como um meio-termo entre um blog e textos de twitter por exemplo [conversas rápidas sobre o assunto do dia] mas se tu diz q não consegue então blz.

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        1. Cara, assiste tudo o que puder de vídeos do Most Wanted novo que não tem a menor chance de pegar spoiler nenhum, por um motivo bem simples: não tem história alguma para spoilar XD.

          O single player se resume a correr com tudo que você encontrar para ir juntando pontos e desbloquear as corridas de Most Wanted, uma por vez, até chegar ao nº 1. Nenhum dos Most Wanted tem nome (o evento é nomeado pelo carro a ser vencido e desbloqueado). Nem mesmo narração tem nas cutscenes, e sim só para avisos do Autolog, anúncios de vitória (“você derrotou o Most Wanted número X! Bata no carro para adicioná-lo à sua lista”) e a dica de jogo bem ocasional.

          Eu falei que era enxuto. 🙂

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