Melhores de 2012 – Fable: The Journey (X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Fable: The Journey (X360)
Disponível para Xbox 360. Data de lançamento: 09/10. Preço atual: R$ 99

Antes de mais nada, um aviso: eu fiz praticamente toda a tradução de Fable: The Journey. Alguns podem dizer que é por isso que me apeguei ao jogo, então é melhor avisar esse fato logo de cara antes que alguém me acuse nos comentários de não falar abertamente sobre isso. E de fato, o envolvimento na tradução ajudou em uma coisa: a experimentar a história completa de The Journey antes de ter que lidar com o Kinect. Embora o acessório funcione relativamente bem neste jogo – ainda mais em comparação com fiascos de 2012, como Steel Battalion: Heavy Armor – quem não se interessa por controles de movimento certamente não jogaria este Fable o suficiente para perceber que ele tem uma história que liga toda a série Fable, e que talvez seja a melhor que a Lionhead já escreveu. Cheia de clichês, claro, como convém à fantasia medieval satírica a la Monty Python característica da franquia, mas dessa vez com um foco maior – e pelo menos um evento meio chocante no final, que muda o universo Fable daqui em diante.

Na época, achei que conhecer a história antes tiraria o impacto dela quando experimentada no jogo. Ledo engano! Por exemplo: um componente essencial da trama, a relação do protagonista trapalhão Gabriel com sua égua Seren, toma outra dimensão quando você pode usar o Kinect para limpá-la, pegar uma maçã e oferecer a ela, remover flechas de seu corpo ou até acalmá-la com palavras de conforto. São truques que se repetem um pouco ao longo da jornada (que dura mais de 10 horas), mas a magia de interagir diretamente com seu animal confiável – e duro na queda quando a coisa aperta na trama – nunca vai ficar para trás. A relação entre Gabriel e Seren é responsável por boa parte do carisma do jogo, e eleva à enésima potência a famosa sinergia entre Sparrow e seu cão em Fable II.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ Carisma   ‡ Dublagens (Originais)   ‡ Direção de Arte   ‡ Magias
‡ Narrativa (Foco)   ‡ Ritmo


Mas de onde vem essa relação? Gabriel é um cigano sonhador que sempre cochila ao conduzir sua carroça, geralmente por ter passado a noite toda lendo contos de heróis míticos. Um dia, acaba se perdendo de sua caravana e precisa contar com a saúde de Seren para alcançá-la. Ou seja, é o típico protagonista trapalhão com um coração de ouro que acaba se transformando, muito para sua surpresa, em um herói – eu disse que era clichê, não era? Porém, a história consegue mesmo assim surpreender em momentos; os autores entenderam muito bem que a importância desse tipo de trama é a jornada (tá no nome, né?) do protagonista em busca de autoconfiança e afirmação, e não apenas de salvar o mundo. Além do mais, a linearidade do jogo permite um foco no desenvolvimento do personagem e de eventos que você não viu em nenhum outro Fable – e os atores, pelo menos os da dublagem original em inglês, responderam bem a isso, com atuações mais do que convincentes. Com o retorno da personagem constante da série, Theresa, e a introdução de um punhado de personagens divertidos e carismáticos, além de um vilão assustador e sem nenhuma sutileza, a trama de Fable: The Journey diverte e envolve como os melhores filmes da Sessão da Tarde, impedindo que o jogo se torne “apenas” um mero simulador de cocheiro e de Harry Potter on-rails.

Não que essa jogabilidade seja ruim. Ela sofre um pouco por conta do Kinect, que nunca realmente funciona 100% do tempo em jogo algum; porém, é compensada pelo design esperto dos inimigos e situações, que dão ao jogador tempo suficiente para reagir a um comando mal interpretado, sem chegar ao ponto de facilitar demais o jogo inteiro. Os gestos para as diferentes magias são bastante distintos e intuitivos, como levar o braço para trás como se estivesse jogando uma lança mística, cruzar o braço esquerdo (ou direito, se você for canhoto) no peito para se defender e assim por diante. Se quiser, você pode até usar a voz para trocar de magias – e quem não vai querer ter o prazer de falar “Fireball!” antes de soltar uma? As partes de condução da carroça podem soar entendiantes, mas  ainda prendem a atenção por intercalarem muito bem momentos de fuga, cenas de parada para cuidar de Seren e ataques a hobbes em cavalos. Mesmo no passeio normal, orbes de experiência de diferentes cores surgem na estrada, e exigem que você passe por eles em velocidades específicas para serem coletados. Já os chefes, embora relativamente fáceis, ainda exigem um pouco de atenção e criatividade – especialmente com a magia que permite puxar e empurrar itens do cenário.

No geral, ainda é um spin-off de Fable sem o mundo aberto, as expressões engraçadinhas, as escolhas entre bem e mal e outras características que definem a série… Mas que mantém o charme e carisma único da franquia, apresenta a oportunidade de contar uma história digna de Fable com mais foco e desenvolvimento, e que nos lembra como jogos ainda podem ser divertidos mesmo com tarefas mundanas, como guiar uma carroça e cuidar do seu cavalo de estimação. Considerando ainda que se trata de um jogo de Kinect com uma boa extensão, ao invés de mais uma coletânea de minigames, Fable: The Journey se torna mais especial, um alento para quem apostou no acessório. E para nós brasileiros, há um quê de Saltimbancos Trapalhões em Fable: The Journey que só não vai deixar um sorriso na sua cara se você tiver um coração de gelo. Sério mesmo.

3 comentários sobre “Melhores de 2012 – Fable: The Journey (X360)

  1. Interessante esse seu post, Fabio. Até hoje eu só tinha visto gente espinafrando o jogo, mas ele me parece tão interessante… se eu tivesse um Kinect, já teria comprado para tirar a prova. Como não tenho, acho que vou é pegar logo o Fable II, porque joguei o primeiro no ano passado e adorei.

    Quer dizer que você traduziu o jogo? Agora deu mais vontade ainda de jogar, só para ficar procurando os seus erros… *inveja tradutória*

    Não costumo postar comentários mas estou sempre de olho aqui no seu blog. Um abraço!

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    1. Na verdade, eu estava repassando a seção “Reception” na página do Wikipédia do jogo e algumas resenhas pelo Metacritic e, se você prestar atenção, praticamente ninguém “espinafrou” o jogo. As notas medianas (na casa de 6) que ele recebeu foram por causa da resposta do Kinect, e não pelo design do jogo ou algo assim. Você tem que ver que a essa altura, a imprensa de games não tem mais paciência com controles de movimento e não aceita mais o Kinect. Tirando ele do caminho, a única crítica que vi ao design no jogo em si foi não pôr uma mira na tela para facilitar, e mesmo essas críticas admitiram que provavelmente isso foi uma decisão pensada para não mexer na imersão.

      E além disso, todas as resenhas, mesmo essas com notas 6, teceram muitos elogios à história. E se você for ver, praticamente todo este artigo foi sobre isso. Se o jogo não tivesse a boa história, o carisma, as atuações etc. que tem, jamais entraria nessa lista somente pela jogabilidade. Tudo bem, eu gostei dos gestos que eles bolaram para as magias, mas isso não quer dizer que a jogabilidade seja profunda a ponto de elevar o jogo acima da média.

      E sim, eu traduzi praticamente tudo. Pode procurar erros porque tem (obviamente eu já cacei e achei algo :P), mas o difícil mesmo vai ser conseguir ver tudo em português – porque no Xbox isso significa colocar o *sistema* em português, o que significa que você vai ter que aturar a *dublagem* nacional, que é TERRÍVEL. Até achei que estava supervalorizando a dublagem original por contraste, mas esses dias eu voltei a Fable II e ficou claro que sim, a dublagem de The Journey é bem melhor do que as dos jogos anteriores.

      E valeu por sempre dar uma passada por aqui🙂

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