Melhores de 2012 – Dishonored (PC/PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Dishonored (PC/PS3/X360)
Disponível para PC, PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 09/10. Preço atual: R$ 120 (PC/Steam)

Quando a Bethesda anunciou que iria publicar o próximo jogo da Arkane Studios, criadora de Arx FatalisDark Messiah of Might and Magic, a reação natural de muitos foi de que a Bethesda ajudaria a Arkane a refinar seu gameplay em primeira pessoa e, assim, potencializar suas ideias peculiares dos jogos anteriores. E de fato, estavam certos quanto a isso. O que muita gente não se deu conta foi de que o aprendizado pode ter acontecido na via contrária, também: Dishonored também conseguiu driblar, com certa tranquilidade, diversos vícios chatos de alguns jogos da Bethesda (especialmente da série Elder Scrolls), como narrativa dispersa demais, combate repetitivo e sem graça, e falta de criatividade na direção de arte.

Não que esses sejam todos, ou mesmo os principais, pontos altos de Dishonored – a trama é até cheia de clichês, ainda que seja melhor contada do que a narrativa de qualquer Elder Scrolls. Seus pontos fortes são outros: a liberdade de ação, a interconectividade de sistemas de jogo supostamente disparatados, e o universo único criado para o jogo. A liberdade de ação pode se comparar à de um Skyrim, só que com o benefício do foco: o seu objetivo em cada fase é o mesmo – despachar alguém ligado a uma conspiração que usurpou o poder – porém como você vai chegar lá é outra história. Trata-se de um jogo da mesmíssima linhagem de um Deus Ex nesse sentido, só que com mais poderes místicos e, portanto, mais opções. Enquanto na série cyberpunk você pode ir na bala, hackeando turrets, na lábia ou no stealth, aqui você pode possuir corpos de animais para se infiltrar, teleportar-se, parar o tempo e outras coisinhas tão divertidas e surpreendentes quanto. E as fases são meticulosamente desenhadas para permitir qualquer abordagem que você conseguir imaginar em algum ponto.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Criatividade   ‡ Design de Fases   Direção de Arte
‡ Excelência Técnica (PC)   ‡ Liberdade de Ação   
‡ Sistemas


A forma como esses sistemas não “bagunçam” uns aos outros é um atestado do cuidado no design. Veja, não é só uma questão de poder fazer essas coisas; com frequência, você pode encadear uma na outra. Em Dishonored não há classe de personagem ou outra restrição artificial nas formas com que se pode lidar com as coisas, a menos que você queira abrir mão de continuar fazendo upgrades (de poderes ou de equipamentos) em algum ponto. Seria de se esperar que uma tentativa qualquer de usar dois ou três poderes/equipamentos tão díspares na sequência resultasse em uma bagunça de jogabilidade, em que você não consegue entender exatamente o que está fazendo. E na verdade, isso nunca acontece. Aliás, o jogo é impecável não apenas em como os sistemas se interligam, mas em aspectos técnicos também (pelo menos na versão PC): exige muito pouco de sua máquina, roda com boa taxa de quadros, não engasga, não demora para carregar textura, nada disso. E com a belíssima direção de arte, que reflete um mundo aparentemente steampunk mas que na verdade diverge do estereótipo em diversos pontos (para começar, as coisas são movidas a óleo de baleia, não vapor), ter essa excelência técnica só valoriza a visão artística dos desenvolvedores.

Embora a narrativa não seja lá muito excepcional, o universo ficcional tem claramente muito espaço para expansão. Assim como em Skyrim, parte dele é revelado/expandido via cartas e livros deixados no cenário, porém sem a mesma quantidade de tranqueira. Mas o que funciona mesmo são pequenas ideias que se refletem em uma inversão de expectativas de jogabilidade, como a já famosa fase do baile, em que você de repente tem que “se esconder” à vista de todos – e em vez de se preocupar com a sua máscara, tem que descobrir qual das anfitriãs mascaradas é seu verdadeiro alvo. Nesses momentos, você percebe o quanto Dishonored é especial: uma franquia nova com ideias únicas, liberdade de ação sem precedentes, sistemas que funcionam o tempo inteiro e que não foi comprometida pela expectativas do público ou de publishers. E, olha só, vendeu bem assim mesmo (ainda que, admita-se, na carona do megasucesso de Skyrim, ainda que não seja de mundo aberto e nem dure dezenas de horas). É um dos jogos obrigatórios de 2012, daqueles que convertem até quem não é muito fã de ação em primeira pessoa ou mesmo de stealth.

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