Tilt: O fôlego extra do Vita e por que o comprei antes do 3DS

tiltTilt é a seção em que matuto sobre as tendências que mais me incomodam no mundo dos games. Se um certo jogo, estúdio, publisher, veículo, público ou categoria de profissionais adotar um discurso furado, é aqui que irei comentar – ou melhor, criticar.

Jogadores adoram pensar que são de alguma maneira diferentes da população em geral apenas por jogarem games, quando na verdade, como toda sub-seção (ou “tribo” mesmo) da sociedade, eles apenas reproduzem de maneira muito própria os mesmos vícios da maioria. Um exemplo básico é como todos os envolvidos na indústria de games – desenvolvedores, imprensa e jogos – costumam demorar para perceber mudanças de tendências que vão contra o senso comum que os agrada. Foi assim com o sucesso do Wii, que foi acachapante em qualquer frente que se olhe, mas mesmo hoje em dia é negado como “apenas uma modinha” por alguns; e assim foi com o PSP, um portátil que até o fim de 2012 tinha vendido mais do que o PS3 e o Xbox 360, mas mesmo assim era visto como um “fracasso” (pelamordedeus, alguém me dê um “fracasso” com mais de 70 milhões de cópias vendidas!).

Jogando Persona 4 The Golden no Vita
Tá precisando cortar a unha, hein, filho?

Falando em portáteis, uma dessas tendências que pouca gente notou em 2012 foi a volta por cima do Vita. Não em termos de vendas, já que o console ainda não decolou como poderia e continua muito atrás do 3DS (embora as vendas do 3DS estejam caindo em comparação com o ano anterior, enquanto o Vita ganhou tração nos últimos três meses). Mas em todos os outros fatores, quanta diferença! E por isso mesmo resolvi adquiri-lo antes do 3DS e do Wii U. Pode parecer papo de Sonysta, mas na verdade é mais preocupação com o futuro da Nintendo – eu queria confiar no Wii U agora, por exemplo, mas simplesmente ainda não dá só por ZombiU ou Nintendoland. Além disso, não dá para varrer os acertos da Sony em 2012 para debaixo do tapete só para refutar um suposto fanboyismo – ainda mais quando ninguém se cansa de apontar os erros que ela cometeu, como o preço ainda mais alto do Vita ou a insistência em cartões de memória proprietários e caros. Com isso, vamos aos motivos que me levaram a apostar no Vita primeiro, entremeados pelos fatos de 2012 que muitos ainda não se deram conta:

O Vita foi um dos dois consoles com mais exclusivos em 2012

Sim, você leu direito. O lugar-comum “o Vita não tem jogo” ainda persiste, mas em 2012 o aparelho ganhou 40 jogos exclusivos, mais do que qualquer outro console exceto o Xbox 360 – e notem que isso somando os títulos da LIVE Arcade e de Kinect, senão o Vita teria ficado na frente. “Ah, mas os jogos não são tão bons!”, alguns vão dizer. Isso vai ser tratado em outro tópico abaixo, mas por enquanto, foquem-se no argumento inicial real: “o Vita não tem jogo“. Em 2012, isso foi provado como falácia. O Vita tem jogos suficientes. Podem não ser aqueles que você quer jogar agora, assim como eu não estou interessado em mais jogos do Mario por enquanto (entre os Kart do DS e do Wii, os dois Super Mario Galaxy, Mario & Luigi: Bowser’s Inside Story no DS, Super Smash Bros MeleeBrawlSuper Paper Mario no Wii e os New Super Mario Bros de DS e Wii, tenho Mario suficiente para aproveitar/terminar por uma geração inteira ainda). Mas isso é outro papo. O ponto é que os jogos estão lá.

Sound Shapes (PSN/Vita)
Pule, grude, crie música e fases

Com cerca de 160 jogos feitos diretamente para o Vita e outros 500 para download que rodam nele (entre PSP, Minis, PS1 e Mobile), o Vita não sofre mais de falta de jogo, e sim de visibilidade. Alguns dos melhores títulos para o portátil – e entre os melhores jogos do ano em geral – são novos e ainda desconhecidos do grande público, como Sound ShapesGravity Rush ou Zero Escape: Virtue’s Last Reward (esse também no 3DS). Enquanto isso, o 3DS conta com um punhado de jogos do Mario, um remake 3D do Zelda mais aclamado da história e Kid Icarus, todas franquias mais famosas. Além disso, muitos tendem a “tirar da conta” jogos multiplataforma com versões para Vita, como Mortal KombatStreet Fighter x Tekken ou Need for Speed: Most Wanted, como se eles não fossem “jogos” – tudo por causa de uma equivocada ideia de que eles “não são para portátil”.

Trivia: a única vez na vida que vi alguém com um PSP jogando um Monster Hunter foi na Liberdade, bairro japonês de São Paulo. Em todas as outras vezes – e não foram poucas, especialmente no metrô – os usuários estavam jogando um God of War, Twisted MetalMetal Gear Solid ou outros títulos de grande sucesso no ocidente em consoles domésticos. A verdade é que muitos usuários de portáteis ainda querem experiências “de console”, têm o portátil de escolha como único aparelho para jogos, e/ou preferem jogos de franquias famosas. Para todos esses, as versões para Vita de jogos multiplataforma contam, e muito. Claro, tais jogos não são exclusivos, mas em sua maioria eles não saem no 3DS ou chegam em versões muito capadas (em todos os sentidos) – e isso os transforma em um fator considerável na hora de escolher entre um 3DS ou um Vita. Eu mesmo ainda não joguei nenhum Dead or Alive, por exemplo, e portanto a versão do 5 para Vita com extras e por US$ 20 a menos é uma ótima pedida.

Os jogos de Vita tiveram, em média, melhores notas no Metacritic do que os de 3DS em 2012

Persona 4: The Golden (Vita)
O jogo mais bem avaliado de 2012 no Metacritic (média 94)

Aos poucos, comendo quieto como se tivesse sido inventado em Minas, o Vita foi ganhando jogos em 2012 com notas médias e altas. A filosofia da Sony sempre foi garantir que seus jogos (os dela, não os de terceiros em plataformas dela) tivessem um mínimo de qualidade em vez de ganhar na quantidade. E essa filosofia se consolidou no Vita no seu primeiro ano completo de existência. Ao final de 2012, o Vita não só tinha o jogo mais bem avaliado do ano (de todos, não só portáteis), Persona 4: The Golden, como acabou com uma média no Metacritic superior à dos jogos de 3DS.

“Ah, mas eu não estou nem aí para o Metacritic!”, diz o nintendista ou o gamer descolado. O problema é que não há outra forma mais precisa de medir a recepção geral de jogos de um console com um mínimo de objetividade – e francamente, é desonesto recorrer à sua pura opinião pessoal apenas quando lhe convém. Jogos como New Super Mario Bros 2 ou Kid Icarus não estão entre meus interesses imediatos, mas nem por isso estou negando a validade da recepção deles pela crítica. O ponto é que mesmo com a boa recepção deles, o 3DS ficou atrás do Vita em qualidade geral. Alguns vão dizer que é pela quantidade de shovelware que a Nintendo sempre atrai, ou ainda que Persona 4 “inflou” a média do Vita… Mas na verdade, dêem uma olhada nos vinte jogos mais bem cotados de cada portátil: o Vita ainda leva pequena vantagem cabeça-a-cabeça em cada um dos Top 20.

Rollercoaster Tycoon 3D (3DS)
O pior jogo de 3DS de 2012 segundo o Metacritic (média 39)

E tudo isso apesar de Call of Duty: Black Ops Declassified (média 33/100). Muita gente o usa como argumento “contra” o Vita por ter sido um sério candidato a pior jogo do ano, mas a análise fria dos números mostra que, na verdade, o 3DS também teve jogos tão ruins quanto; de novo, a diferença é a visibilidade. Ninguém se importa se Rollercoaster Tycoon no 3DS ficou horrível, mas quando se trata de uma franquia como Call of Duty, isso chama a atenção. A hipocrisia é fingir que ambos sejam representativos da biblioteca de cada portátil como um todo – principalmente se você for um dos que adora odiar Call of Duty de qualquer maneira. Pessoalmente, me dói muito mais não ter um bom remake 3D de um clássico como Rollercoaster Tycoon, já que tem pelo menos dois Call of Duty recentes que ainda nem joguei...

O suporte de produtoras terceiras é mais abrangente

Por mais que a gente finja que isso não importa, o Vita é um aparelho bem mais potente e versátil do que o 3DS, e consegue proporcionar experiências de jogos mais próximas da geração atual de consoles HD do que o aparelho da Nintendo. O efeito disso no suporte das produtoras terceiras a gente já conhece, basta lembrar o que acontecia com o Wii: nem sinal de diversos jogos, ou versões capadas deles. E a mesma tendência começou a aparecer nos lançamentos para os dois portáteis em 2012, ainda que em escala bem reduzida. A grande maioria dos jogos multiplataforma recentes, especialmente os blockbusters, não ganhou versão para nenhum dos portáteis; mas quando isso aconteceu no Vita, quase sempre foi em versão comparável às dos consoles, enquanto no 3DS costuma ser um downgrade, como acontecia no DS.

Need for Speed Most Wanted - A Criterion Game (Vita)
A versão para Vita de NFS: Most Wanted é o mesmo jogo, apenas com menos gente no multiplayer (4 jogadores em vez de 8)

Exemplos: o Vita ganhou Mortal Kombat, Sine MoraStreet Fighter x TekkenMadden 13, Need for Speed: Most WantedRetro City Rampage Ridge Racer, todos com experiências muito próximas das contrapartes para console doméstico (em termos de recursos disponíveis, qualidade gráfica, controles etc. – a qualidade do jogo em si vai variar caso a caso, claro). O 3DS levou The Amazing Spider-ManPro Evolution 13Scribblenauts UnlimitedTransformers Prime, e desses só Scribblenauts se compara à versão “cheia” do jogo lançado em outras plataformas. A diferença fica clara quando se considera os jogos que saíram nos dois portáteis, como Fifa 13 e Lego Lord of the Rings, em que a versão de Vita é claramente a mais avançada.

Daqui por diante, a tendência é que o 3DS receba spin-offs de séries de sucesso em versões mais simples. Em outras palavras, o Vita vai receber a versão HD de Final Fantasy X, enquanto o 3DS fica com o jogo de ritmo Theatrhythm Final Fantasy; o 3DS recebe Castlevania Lords of Shadow: Mirror of Fate, em vez do próprio Lords of Shadow 2, enquanto o Vita tem cacife para um Bioshock Infinite; e a versão de Sonic & All-Stars Racing Transformed para Vita com certeza é mais próxima das versões de PS3, Xbox 360 e Wii U do que a versão de 3DS, prestes a sair. Claro, o 3DS ainda contará com coisas interessantes em gêneros como RPG japonês (Fire Emblem: Awakening, Etrian Odyssey IVShin Megami Tensei IV), mas no geral, o suporte de produtoras terceiras no ocidente foi melhor no Vita em 2012 e deve continuar assim.

A Sony tem mais dinheiro, estúdios e lastro do que a Nintendo

Personagens da Sony em All-Stars Battle Royale
Personagens da Sony em All-Stars Battle Royale…

Outro fator que não dá para descartar é o resultado a longo prazo. O fato é que a Sony é maior, tem mais estúdios produzindo jogos e tem mais lastro (outras fontes de renda além de games) para insistir no Vita caso as coisas demorem para decolar em vendas. A Nintendo não tem esse conforto todo, tanto que precisou cortar o preço do seu aparelho antes mesmo dele completar seis meses no mercado, sob risco de tomar prejuízo a longo prazo. No momento em que a Sony reduzir o preço do Vita (e é muito provável que isso aconteça em breve), o mesmo salto de vendas deve ocorrer, ainda que talvez em escala menor – especialmente considerando a vantagem dos jogos gratuitos via PSN Plus (já há bundles do aparelho à venda com um ano de assinatura incluso).

No caso dos estúdios, nem dá para comparar. Boa parte das franquias de sucesso da Sony já apareceu no Vita mesmo com o aparelho entrando dez meses depois no mercado: Uncharted, Resistance, WipeoutLittleBigPlanetModNation RacersLumines, MotorStormHotShots GolfRatchet & Clank… E para 2013 teremos um Killzone e um Sly Cooper. Isso sem contar os jogos inéditos de estúdios e parceiros diretos da Sony, como Unit 13, Gravity RushWhen Vikings Attack! e os futuros Soul SacrificeTearaway. As únicas grandes franquias da Sony que estão sem pespectiva no Vita por enquanto são God of WarinFAMOUS e Twisted Metal.

Personagens da Nintendo em Super Smash Bros Brawl
…e personagens da Nintendo em Super Smash Bros Brawl

E no 3DS? Temos quatro variações de Mario (3D, 2D, Kart e Paper), Kid IcarusPilotwingsremakes de clássicos das séries ZeldaStarFox. Para engordar a lista de material da própria Nintendo, temos que incluir coisas como Brain AgeSteel DiverAnimal CrossingCooking MamaNintendogs + Cats e afins. Pelo menos a perspectiva para o futuro inclui novos Super Smash BrosPokemon Fire Emblem – mas por enquanto nada de novos ZeldaMetroidDonkey Kong, WarioKirbyPikminF-ZeroStarFox etc. etc. etc. para 3DS. Fica claro que mesmo com quase um ano a mais no mercado, a Nintendo ainda não foi capaz de colocar jogos novos de boa parte das suas franquias no 3DS, o que demonstra a diferença de cacife e de investimento que as duas companhias podem “tacar” nos seus portáteis.

Notem que isso não quer dizer o fim da Nintendo nem nada. O ponto é que o ápice dos portáteis, a era PSP/DS, era uma bolha que acabou de estourar com a pulverização de plataformas móveis (tablets, smartphones e afins). É impossível imaginar que o 3DS e o Vita cheguem, juntos, aos 230 milhões de cópias vendidas do DS e do PSP; na verdade, se Nintendo e Sony chegarem somadas a uma boa parte dos 75 milhões do PSP sozinho, já será uma vitória de ambas as empresas e uma prova de que o mercado de portáteis ainda é viável. E quem deve sofrer mais a longo prazo com essa perda de mais de 150 milhões na base de usuários é, obviamente, a empresa que apostou em coisas como Brain AgeCooking Mama, jogos com equivalentes diretos em smartphones e tablets por 5% do preço – não a empresa que apostou em UnchartedLittleBigPlanet, jogos que mal podem ser imitados por grandes estúdios AAA, quanto mais por desenvolvedores de jogos para smartphones.

É claro que vai sempre ter (muita) gente que prefere comprar um Pokemon e quatro Marios do que todas as franquias da Sony mencionadas acima juntas. O ponto é que se a coisa apertar e as duas empresas dependerem apenas da própria capacidade de produzir jogos, quem tem mais chances de sair desovando coisas constantemente para manter o portátil ganhando jogos novos é a Sony, com folga (embora, admita-se, Pokémon sozinho deva vender mais do que cinco franquias da Sony juntas). Basta ver o que aconteceu no final de 2012, em que as vendas do 3DS caíram em comparação com o final de 2011. Por que isso aconteceu? Porque a própria Nintendo só lançou dois novos Mario, e o aparelho não recebia um jogo de grande franquia da Nintendo desde o começo do ano com Kid Icarus. E essa flutuação deve continuar acontecendo pelos próximos dois anos, pelo menos.

A PSN Plus compensa tranquilamente a diferença de preço entre os dois consoles

Jogos de Vita na PSN Plus
Os seis primeiros jogos de Vita gratuitos na PSN Plus

Conta rápida: o PS Vita mais barato sai a US$ 250 e uma assinatura da PSN Plus, US$ 50. Com a assinatura eu baixei onze jogos de graça na PSN, pelo menos três deles lançados no varejo a preço cheio (US$ 40) e entre os mais bem cotados do console. E isso sem contar Minis, jogos gratuitos da plataforma Playstation Mobile e os cross-buy, em que você ganha a versão de Vita ao adquirir a de PS3 (como PS All-Stars Battle Royale e Sound Shapes). Já o 3DS mais barato e apenas três jogos completos a preço de lançamento (também US$ 40)? US$ 170 pelo aparelho e US$ 120 pelos três jogos – ou seja, apenas US$ 10 a menos por uma biblioteca muito menor (lembrando: 3 jogos vs. 11 + Minis + PS Mobile + cross-buy).

E ainda tem mais. Todos os jogos de Vita são lançados na PSN, alguns com 10% de desconto já de cara – e para nós brasileiros, isso significa sem taxa de importação e custos de envio. Do lado do 3DS, somente alguns jogos estão disponíveis na eShop, nenhum deles com desconto por ser versão digital. A “biblioteca instantânea” da PSN Plus é renovada mensalmente e novos títulos poderão ser cross-buy, enquanto não há nada semelhante na eShop; isto é, após cansar de jogar seus três jogos de varejo no 3DS, você não terá outra opção além de comprar jogos novos, enquanto na PSN há uma boa chance de ter ganho mais jogos de graça nesse meio-tempo. Por fim, a Sony é mais aberta a promoções e reduções de preço do que a Nintendo; basta ver como Super Mario 3D Land continua com praticamente o mesmo preço, mais de um ano após o lançamento, enquanto todos os títulos iniciais do Vita estão pela metade do preço a essa altura.

A superioridade do Vita em termos de custo-benefício geral só não é mais acachapante por conta dos malditos cartões de memória proprietários. Porém, como o aparelho vem com um prático aplicativo de backup do conteúdo em seu PS3 ou PC, mesmo um cartão mais barato, de 8 GB (US$ 30), já vai permitir o uso tranquilo dos jogos da PSN Plus. É um custo extra facilmente diluído ao longo do tempo de uso do console e das vantagens de preço e de conteúdo gratuito constante da PSN Plus. Para falar a verdade, descobrir a existência desse aplicativo no mês passado foi o fator final que me convenceu a comprar o Vita após a chegada da PSN Plus para o aparelho, já que o aplicativo me liberou de ter que pagar mais de R$ 200 por um cartão de memória de 32 GB.

A série Shin Megami Tensei em portáteis

Screenshot de Shin Megami Tensei: Devil Survivor Overclocked (3DS)
O mesmo jogo de DS, só que com 3D

Nintendo e Sony tiveram chances diferentes de lançar jogos da série Shin Megami Tensei em seus portáteis novos. O 3DS ganhou Devil Survivor: Overclocked, uma versão com recursos 3D de um spin-off de estratégia, lançado originalmente no DS apenas dois anos antes – isto é, ainda disponível no mercado e que pode ser usado no próprio 3DS. O Vita ganhou uma versão cheia de recursos e conteúdos inéditos para um dos melhores jogos da série já lançados no ocidente, Persona 4, que estava fora do mercado há mais tempo (4 anos) e só roda no PS2 e nos PS3 de 1ª geração. Além da clara vantagem objetiva, eu não tinha jogado Persona 4 ainda, enquanto Devil Survivor sim. Como fã de tudo que experimentei na série Shin Megami Tensei, isso também acabou sendo mais um fator pró-Vita. Claro, mais dois jogos da série estão previstos para o 3DS em 2013: o remake de Devil Summoner: Soul Hackers (PS2) e o próximo Shin Megami Tensei da série principal, o IV. Mas com isso me preocupo depois, quando os jogos efetivamente saírem.

Além do mais, se existe alguma chance de qualquer um desses jogos ser “portado” de uma plataforma a outra, será do 3DS para o Vita, e não na outra direção. É pouquíssimo provável que a Atlus faça um downgrade de Persona 4: The Golden para o 3DS, enquanto na via contrária temos o caso recente de Resident Evil: Revelations, que a Capcom está levando em versão HD para a PSN e a Xbox Live Arcade; como o original vendeu apenas 670 mil cópias no 3DS, se a versão HD vender mais nas redes dos consoles, a migração de jogos de terceiras do 3DS para o Vita e/ou outras plataformas pode se tornar uma tendência. Outro case in point: o jogo Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors foi exclusivo do DS logo antes do lançamento do 3DS, mas sua sequência, Zero Escape: Virtue’s Last Reward, acabou indo também para o Vita e foi amplamente indicada (e até premiada aqui e ali) como melhor jogo portátil de 2012.

Conclusões

Ufa. Acho que deu para “resumir” os motivos pelos quais ainda aposto no Vita – tanto subjetivamente, por preferir os jogos que ele oferece, quanto objetivamente, pelas circunstâncias, potencialidades e as perspectivas de futuro das duas companhias que fabricam os portáteis. Como entusiasta de games, é quase certo que adquira o 3DS em algum momento, mas o final de 2012 me convenceu de que isso pode ficar para depois (e não será antes de ver a recepção da crítica para Shin Megami Tensei IV, o primeiro jogo de 3DS que pessoalmente considero system-seller, ou em nome do qual vale comprar o aparelho).

Vita x 3DS x iPad
Tem um aí entrando de gaiato nesse artigo, sai fora!

Espero também que, se você leu até aqui, tenha prestado atenção para separar os comentários claramente pessoais dos fatos e argumentos racionais apresentados. Já digo de antemão que não vou me dar ao trabalho de debater o assunto com qualquer pessoa que sequer sugerir nos comentários que fanboyismo tenha sido “o verdadeiro fator”: está claro que, no geral, tenho mais interesse nas franquias da Sony, mas há um abismo de diferença entre ter preferências e ser fanboy – tanto que se fosse uma questão de fanatismo descerebrado, não teria demorado tanto para decidir se iria comprar um dos dois portáteis, e sim adquirido o Vita na hora, assim que foi lançado. Enfim: comentários do gênero serão imediatamente cortados na moderação, mesmo que contenham outros argumentos. Considerem-se avisados.

De resto, estou aberto à discussão e, principalmente, a correções dos fatos acima (nunca se sabe – a fonte dos números de vendas, o VGChartz, não é 100% confiável, por exemplo). Também quero saber se esqueci de mencionar jogos importantes, especialmente do 3DS, que poderiam fazer a opinião em um tópico balançar mais a favor do portátil da Nintendo. Ah, e não percam muito tempo desviando o assunto para coisas do tipo “tanto faz, portáteis estão morrendo”: para isso, ouçam o Critical Hit #2: Gadgets homicidas, lá do Podcast Respawn, para saberem o que realmente acho sobre isso e comentarem por lá. De resto, fiquem à vontade para tentar me convencer de que fiz merda, ou de que fiz muito bem em pegar um Vita!🙂

16 comentários sobre “Tilt: O fôlego extra do Vita e por que o comprei antes do 3DS

  1. Sempre gostei de jogos “HardCores” ( apesar de não gostar dessa definição ) ao jogos Casuais, e isso foi a razão para eu me tornar mais um proprietário de um PS Vita.
    Confesso que depois de ler muitos artigos e ouvir muitos podcasts criticando o fato da Sony estar investindo na produção de jogos menos casuais, fiquei na dúvida se isso seria uma boa aquisição.
    Apesar disso dei um tiro no escuro, por ótimas experiencias que eu tive com o meu PSP, acabei adquirindo o novo console da Sony, e não me arrependo nem um pouco disso.
    Desde setembro do ano passado, eu passei por uma “mudança” de estado civil (é, me casei), e desde então, tive que deixar o meu pobre XBOX 360 em casa tomando pó, ou por falta de tempo ou por cansaço, com os novos afazeres de casa e trabalho, restando para mim só o tempo de que eu tenho, me deslocando de um ponto a outro para poder jogar algo, ou então nas horas de almoço do meu trabalho. Agora vejo que se eu tivesse adquirido o console da Nintendo, não estaria satisfeito com os jogos que ela pode me fornecer, e, novamente, não que os jogos dela são ruims e sim, por falta de afinidade a jogos desse tipo.
    Acho que a Sony fez bem em abraçar as pessoas que querem ter uma experiência de console doméstico em portáteis, pois assim como eu, devem existir outros que passam por esse problema, e que se ela tivesse seguido o que as críticas falaram, ficaríamos orfãos de jogos assim, por falta de tempo.

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    1. O mais irritante nesse tipo de pensamento que alardeiam em textos – de que portáteis não podem ter jogos “típicos de console” – é a suposição de que as coisas sejam mutuamente excludentes, tanto no sentido de que um portátil não possa oferecer as *duas* coisas, como de que certos jogos não possam andar numa linha bem equilibrada entre os dois extremos.

      Só me dei conta disso quando peguei o PSP, dois anos depois do DS. Peguei exatamente porque após dois anos eu senti que já tinha esgotado todas as novidades do DS e os jogos feitos “para portátil”, e fiquei com vontade de jogar os God of War e Metal Gear Solid exclusivos do PSP, entre outras coisas. E no final das contas achei alguns Minis bacanas e muito jogo que fica exatamente no meio do caminho, como Patapon 2, que comentei no Respawn #8. Fora que é tranquilíssimo pegar um God of War de PSP, jogar 10 minutos e pronto, ao contrário do que imaginava. Meu DS só não passou a pegar poeira porque ainda saíram alguns exclusivos interessantes para ele, como Ghost Trick, Aliens: Infestation e etc., além de que não tinha jogado The World Ends With You. Senão só dava PSP.

      Por isso já fiquei mais esperto agora no caso do 3DS e do Vita, já sabia que a coisa não era tão simples assim quanto diziam. O PSP me deu as duas coisas – jogos “tipo console” e jogos mais simples “para portáteis” – enquanto o DS só me deu aquilo que foi feito especificamente para o hardware, tanto para o bem (usar a tela de toque, duas telas, acelerômetro etc.), quanto para o mal (menos potente). Como o Vita veio com tela de toque, acelerômetro e afins também, dessa vez a diferença de hardware está mais na potência, e assim como aconteceu na comparação DS x PSP, o da Sony veio muito mais potente e com mais recursos de conexão etc. Foi só esperar para ver que jogos saíam e pronto, compra decidida.

      E no teu caso, que tem um Xbox, ainda rola o bônus de experimentar algumas franquias da Sony que talvez tu não tenha experimentado, não é? Ainda que o Uncharted dele não seja tão bom quanto os de PS3, ainda é um bom Uncharted. Tenho certeza de que quem tem um PS3 não iria achar nada mau ter um portátil da MS com um Gears of War ou Halo😉

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    1. A culpada disso tem nome e chama-se BioWare.

      Nessa era Obama-PT em que quem chora mais pode mais, todo mundo é vítima e todo mundo sabe o que é melhor para todo mundo, me vem a BioWare e dá ouvidos para meia-dúzia de manés sem vida que não perceberam que se o final de um jogo foi tão ruim assim, talvez eles simplesmente devessem escrever artigos sobre isso e não comprar mais nada da série daquele jogo, como qualquer pessoa *normal* faz em qualquer outro ramo de entretenimento.

      Mas como a BioWare quis dar uma de “compreensiva” (e espertinha, porque na verdade ela não mudou nada no final, só explicou bem tatibitate para os mentalmente desafiados entenderem tudinho o que se passou no final original), agora todo mundo vai achar que se “resolve” coisas (até o que não há de ser resolvido) com petições, mimimi e choro… E dane-se quem discorda deles.

      Aliás, isso é o mais irritante. Esse pessoal tem todo o direito de achar que DmC “não é um Devil May Cry de verdade”, assim com pessoalmente não acho que Shincariol ou mesmo Antarctica sejam “cervejas de verdade”, ou Dolly seja “guaraná de verdade”, ou whatever. Agora, por causa disso eu vou exigir que ninguém mais goste e tome Dolly, Schincariol ou Antarctica? Isso não provavaria nenhum gosto refinado da minha parte, e sim somente elitismo e autoritarismo.

      Típico da geração Obama-PT-Mass-Effect-3: quando interessa, “estamos pensando no povão”, mas na verdade estão sendo apenas autoritários, ditadores e arrogantes de acharem que são os donos absolutos do bom gosto. E foda-se quem não vota nos Democratas, não confia no petismo, achou o final original de Mass Effect 3 bom e quer mais que Devil May Cry tenha um reboot assim, que a série original já deu o que tinha que dar…

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    1. Mas não acaba esticando a imagem e distorcendo-a não? Isso acontecia no DS XL, os jogos foram feitos originalmente para o DS comum e no XL muitos ficavam esticados e estourados por conta disso.

      E uma hora eu vou pegar o 3DS sim – é só sair o Shin Megami Tensei IV. Provavelmente não vou aguentar pagar pra ver se acaba portado pro Vita e compro o 3DS, o SMT IV e o Devil Summoner: Soul Hackers logo tudo de uma vez😄

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      1. Devo confessar que ainda não peguei um jogo de DS pra rodar no 3DSXL e ver o resultado, mas os jogos de 3DS me parecem normais, não achei que ficou muito esticado ou distorcido. O que eu sinto é que o efeito 3D ganha bem mais destaque pela tela ser maior.

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        1. Ah. Bom, é de se imaginar que na transição DS->DSi/DSXL os jogos tenham sofrido porque (1) a Nintendo ainda não sabia q o DS iria fazer tanto sucesso e não tinha tido a ideia de lançar uma versão maior, e (2) a resolução e a potência do DS eram baixas demais, então não dava para escalar sem perda.
          Com o 3DS ganhando o XL um ano depois já, provavelmente a Nintendo já sabia que isso iria acontecer desde o lançamento inicial do aparelho, e os jogos foram feitos com resolução suficiente para escalar.

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  2. Tive o 3DS e vendi, hoje tenho o Vita e o maravilhoso DS (DSi XL), este ainda imbatível , não só por agora, pois provavelmente não vai ter seu sucesso superado na atual geração. Vita tem mais jogos bons, é um portátil melhor, e ainda tem a Plus matando a pau. Nem tenho PS3, mas mesmo assim a plus vale demais para quem tem apenas o Vita, isso é inegável. Acabaram de liberar Ninja gaiden sigma plus para os assinantes, jogo que tenho em caixa. Vendendo ele já pago o que gastei na plus. Aliás, já recuperei o dinheiro vendendo o Uncharted e o Wipeout, jogos que peguei em caixa no lançamento e agora tenho através da plus.

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  3. Uau! Fabio, acabei de conhecer seu blog e já fiquei fã. Você consegue escrever tudo o que eu quero saber de um console/game, mostrando os prós e contras, de um modo que após ler sua postagem dá até vontade de comprar o console (e olha que eu nem me interessava no WiiU e no PlayStation Vita), parabéns pelo excelente trabalho. Quanto a minha opinião sobre o Vita, eu acho que ele tem um grande potencial, seu hardware é incrível, o que falta é as produtoras investirem mais nele criando cada vez mais jogos, pois (na minha opinião) não vale a pena comprar um Vita ainda pela “falta” de jogos. Mas isso de falta de jogos é mais uma questão pessoal mesmo, a maioria dos jogos do Vita são jogos que não me interessam, como Uncharted, Mortal Kombat, Need for Speed etc. Por enquanto não pretendo investir em nenhum console portátil, mas pretendo comprar um Xbox One (talvez na pré-venda) e um PlayStation 4 (após o lançamento), até porque só estou jogando no meu notebook atualmente, e ele não é nenhuma máquina pra jogos (mas quebra um galhão). Novamente lhe parabenizo pelo excelente trabalho, continue fazendo postagens enoormes, até porque quando uma postagem é de qualidade, não importa o tamanho, dá prazer ao ler.

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