Melhores de 2012 – Borderlands 2 (PC/PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Borderlands 2 (PC/PS3/X360)
Disponível para PC, PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 18/09. Preço atual: R$ 90 (PC/Nuuvem)

É muito fácil ver sequências como apenas mais do mesmo. Pior ainda, é muito fácil achar isso automaticamente ruim. Uma coisa que pouca gente, mesmo os próprios jogadores, entende sobre jogos é que eles até podem ser uma forma de expressão também (isto é, arte), mas eles são diferentes de filmes ou discos de maneiras fundamentais que justificam a existência de sequências. Por exemplo, jogos são conjuntos de sistemas, e aperfeiçar esses conjuntos onde for possível é um movimento muito mais natural do que esticar um livro infantil curto em uma trilogia de filmes ou regravar músicas com arranjos diferentes sem motivo algum. Quando um estúdio consegue não apenas aperfeiçoar seus conjuntos de sistemas em uma sequência, como também deixá-la mais cativante em todos os outros aspectos que envolvem uma obra interativa, o batido argumento “mais do mesmo” precisa ser jogado fora com vontade. Foi assim com Uncharted 2Portal 2, e em 2012 tivemos uma sequência que está no mesmo patamar de salto de qualidade: Borderlands 2.

Assim como Sleeping Dogs deve ser apreciado por seu equilíbrio e bom gosto como “obra arquitetônica dos games”Borderlands 2 não deve ser apreciado por suas inovações – menores ou maiores – mas pelo refinamento do ofício. É como se um escultor tivesse desenvolvido um senso estético mais refinado, obtido materiais melhores e tivesse esculpido algo maior, tanto literalmente quanto artisticamente. Tudo – absolutamente tudo – do Borderlands original foi aprimorado, expandido e entregue em pleno funcionamento. Combate? Mais preciso, menos randômico e mais elaborado, graças ao foco no dano elemental e em novas características bizarras para armas de fabricantes diferentes. Design de fases? Mais áreas, mais variadas, com mais coisas para fazer – algumas delas bem inusitadas. Co-op? Mais equilibrado por nível, e com mais informações de seus amigos online já na tela inicial do jogo para facilitar. Upgrades? Mais opções e progressão mais natural e complementar, seja dentro das três árvores de habilidades do personagem ou entre as capacidades de um personagem e outro. Humor? O tempo todo, mais politicamente incorreto, mais na veia (até quem achava o Claptrap chato passou a adorar o personagem!).


Pontos altos

Puzzles - Melhores de 2012‡ Combate   ‡ Co-op   ‡ Direção de Arte   ‡ Design de Fases   ‡ Dublagens
‡ Excelência Técnica   ‡ Humor   ‡ Narrativa (Personagens, Diálogos)
‡ Sistema de Upgrades   ‡ Trilha Sonora   ‡ Variedade


Está achando isso normal? Bom, não para por aí. A direção de arte do primeiro jogo era boa, mas as variações de ambientes, personagens, edifícios e paisagens estão um degrau acima na sequência. O jogo ainda tem seus momentos ocasionais de atraso no carregamento de texturas, mas de resto, apresenta desempenho muito melhor – e isso mesmo com efeitos extras na versão PC, que aliás veio completinha, com todos os ajustes de usuário possíveis. A trilha sonora conseguiu manter a qualidade, com direito a nova música inesquecível de abertura. As atuações vocais não apenas estão engraçadas como de altíssimo nível – algumas das melhores dessa geração, principalmente de Tiny Tina e Handsome Jack. E falando neles, temos a maior surpresa de todas de Borderlands 2: a narrativa é boa. Quero dizer, a trama básica em si não é especialmente criativa, mas os elementos que a compõem e a eficiência de como ela é contada se sobressaem, ainda mais para um jogo como esse. Todos os personagens que voltaram de Borderlands estão mais vivos, com mais personalidade; há muito mais diálogo, e mais bem-escrito do que muito jogo de tiro sério; e ainda conseguiram adicionar toda uma nova fileira de personagens memoráveis, incluindo um dos vilões mais carismáticos da história dos games e uma menor abandonada psicopata de fazer chorar de rir. Porra, até certas reviravoltas da trama ficarão guardadas na sua memória por muito tempo – e não por uma revelação barata no final após dezenas de horas vazias de trama, como no primeiro jogo.

Ainda assim, isso tudo poderia resultar em um frankenstein, uma colcha de retalhos de tecidos que nada têm a ver entre si. Porém, assim como em Sleeping Dogs, cada pedacinho de Borderlands 2 parece ter sido meticulosamente pensando para interagir perfeitamente com todo o resto e produzir o máximo de… diversão. Claro, “diversão” é algo subjetivo demais, mas a ideia é que nenhum dos conceitos centrais de Borderlands foi comprometido um milímetro que fosse. Quero dizer: se você achou Borderlands divertido, Borderlands 2 amplia tudo ali à enésima potência e será mais divertido do que nunca para você. Se você achou Borderlands repetitivo, sem graça ou direção, Borderlands 2 não será o melhor jogo do mundo – mas ainda assim conseguirá te converter caso tenha um mínimo de interesse em jogos de tiro com evolução de personagem, nem que seja pelo humor, pelo co-op com os amigos ou pela narrativa. Pense na Mona Lisa, no Pensador de Rodin, no Barbeiro de Sevilha e outras obras-primas das belas-artes que conseguiram se inserir no imaginário até de quem não aprecia muito pintura, escultura ou ópera, graças a pura excelência conceitual e de execução. Assim como seus autores precisaram refinar suas artes até chegarem a essas obras, a Gearbox conseguiu fazer o mesmo com Borderlands já no segundo jogo: atingir a pura excelência conceitual e de execução, acessível até a quem não tinha interesse na série antes. E nenhum outro estúdio conseguiu esse feito com nenhuma sequência esse ano.

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