Melhores de 2012 – Mark of the Ninja (PC/XBLA)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Mark of the Ninja (PC/XBLA)
Disponível para PC e Xbox LIVE Arcade. Data de lançamento: 07/09. Preço atual: R$ 25 (PC/Steam)

Nesta lista de Melhores de 2012, eu já falei sobre como é difícil definir o que é ser inovador, sobre o valor do esmero e do bom gosto ao reaproveitar ideias batidas e sobre recriar em 2D um tipo de jogabilidade popularizada na era dos jogos em três dimensões. Isto é, já falei bastante de Mark of the Ninja antes mesmo de citar o nome do jogo. O espantoso é que, enquanto todos esses fatores definiram jogos de 2012 individualmente, em Mark of the Ninja a Klei Entertainment conseguiu condensar inovação, bom gosto e recriação em 2D ao mesmo tempo – uma equação que exige equilíbrio absurdo – e ainda entregou um raríssimo caso de jogo que pode ser considerado impecável em todos os aspectos técnicos, como arte, som, design, controles e mecânicas. Não é pouca coisa para quem praticamente só tinha feito Shank.

A parte de inovação é simplíssima de explicar: trata-se de um jogo de stealth em 2D, um conceito que por si só já pode fazer muita gente coçar a cabeça. E estamos falando de stealth casca-grossa: você pode realizar diversos tipos de assassinatos silenciosos de pontos ocultos, distrair e/ou aterrorizar os adversários ou simplesmente passar pela fase inteira sem ser visto… Mas partir para o confronto direto é fortemente desencorajado, como em Tenchu ou Metal Gear Solid. O jogo também é muito consciente de suas influências e as abraça sem medo, a ponto de incluir uma caixa de papelão como “item de distração” e permitir que o jogador deixe ambientes mais escuros destruindo lâmpadas e outras fontes de luz, como em Splinter Cell. E como um bom jogo de stealth, Mark of the Ninja obviamente permite chegar ao final sem matar ninguém, com direito a Conquista e tudo mais.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Criatividade   ‡ Curva de Dificuldade   Design de Fases   ‡ Direção de Arte
‡ Efeitos Sonoros   ‡ Efeitos Visuais   ‡ Mecânicas (Stealth em 2D)


O design das fases em Mark of the Ninja é seu principal ponto forte. É um caso clássico em que a soma das partes supera o todo: dos caminhos alternativos de progressão às dicas visuais do seu estado (oculto/visível), das possibilidades de resolução de problemas até os objetivos e colecionáveis extras, dos controles precisos ao sistema de pontuação, tudo funciona de forma integrada e intuitiva. E o jogo ainda consegue revitalizar ideias batidas do gênero de maneira surpreendente. Por exemplo, em uma fase com tempestade no cenário, o clarão de um relâmpago pode deixá-lo visível quando estiver andando em áreas externas – mas calma, não se desespere, basta prestar atenção: o som do trovão o avisará segundos antes. Notem como esse exemplo é emblemático não só das novidades que Mark of the Ninja traz, como também do cuidado que a Klei Entertainment teve com as dicas visuais e auditivas, encaixando cada aspecto do jogo de forma lógica, justa para o jogador e imediatamente compreensível. E esse apuro se reflete também no sistema de upgrades, com diversos itens e habilidades apropriadas para um ninja silencioso, e na curva de dificuldade, que cresce em paralelo com o entendimento do jogador das nuances de Mark of the Ninja.

Só isso já seria o suficiente para tornar o jogo especial, mas ele ainda brilha em outros aspectos: a direção de arte refina ainda mais o traço distintivo que marcou a série Shank, as animações estão mais fluidas, a parte sonora é impecável, e há mais efeitos de segundo plano e iluminação, deixando o mundo 2D ainda mais vivo. A trama não é memorável, mas é funcional: os usuais temas de sacrifício, traição e redenção estão presentes, como convém a uma história clássica de ninja, mas a jogabilidade em si é tão prazerosa que você não vai precisar de muito estímulo narrativo para avançar. Além disso, em termos puramente técnicos, Mark of the Ninja é um dos raríssimos jogos de 2012 completamente livre de bugs e glitches, sem queda de desempenho, e sem exigir demais da máquina para quem pegar a versão PC. Enfim, é um jogo que se equilibra com estilo entre inovação e recriação, qualidade técnica e de design, direção de arte distinta porém reconhecível, desafio real mas justo e acessível… Um verdadeiro jogo-ninja. Exceto que esse ninja merece todos os holofotes.

4 comentários sobre “Melhores de 2012 – Mark of the Ninja (PC/XBLA)

  1. Andei reparando que a grande maioria dos games citados por vossa senhoria citam como ponto forte a “curva de dificuldade”. Coincidencia ou algum planejamento especial por trás?

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    1. Coincidência mesmo. Estou escolhendo os Pontos Altos por jogo na hora que vou escrever o artigo mesmo.

      Até a lista não está 100% planejada – se você reparar, nem todos os artigos saíram por ordem exata de lançamento dos jogos. Tenho uma pré-lista com 50 jogos e uma “final” com 35, mas alguns jogos foram “pulados” enquanto eu decidia se iriam entrar mesmo ou se teriam lugar roubado de última hora por outra coisa. E tem um que saiu antes de Mark of the Ninja que espero terminar esse fim de semana, para poder escrever o artigo sabendo se Narrativa será um ponto alto ou não.

      Mas voltando à Curva de Dificuldade. Agora que você falou e que tem 20 jogos com artigo publicado, fui dar uma olhada para ver se era “a grande maioria” mesmo ou não. Na verdade, o Ponto Alto mais citado, disparado, é Direção de Arte, em 14 dos 20 jogos. Curva de Dificuldade só foi citado em 3 dos 20 jogos (Warp, Sound Shapes e Mark of the Ninja).

      Talvez você esteja pensando em todas as variações de “Dificuldade”, já que também teve Dificuldade (Equilibrada) para Binary Domain, Dragon’s Dogma e Spec Ops: The Line; Dificuldade (Desafio) para Syndicate; e Dificuldade (Amplitude) para Sine Mora. Ainda assim, somando tudo são 8 de 20 jogos que colocam algum aspecto da dificuldade como Ponto Alto.

      (Bem que estava achando estranho, porque em geral eu não estou nem aí para um jogo ser fácil ou difícil demais… XD)

      Me importa muito mais ver um jogo ser bem abrangente com os *níveis* de dificuldade, cobrindo desde o mais absoluto noob ao viciado no gênero, como a Amplitude da dificuldade de Sine Mora, ou o Equilíbrio como opção de Dragon’s Dogma para quem não tem paciência para encarar a porrada que é Demon’s/Dark Souls. Note também que Curva de Dificuldade é um Ponto Alto por ser suave, o que não quer dizer que o jogo em si seja difícil, e sim que a dificuldade evolui de acordo com a proposta do design.

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      1. De fato, acabei generalizando (culpa de uma pergunta sem apuração de fatos, malz =P), mas notei que você mencionou muito a questão da dificuldade, e eu estranhei justamente por você não ligar muito para esssa questão, e preferir uma narrativa bem trabalhada, assim como eu mesmo. O ponto da Direção de Arte, nem liguei muito por já esperar por isso: se este ano que passou não teve tantos jogos acima da média geral como 2011, em grande compensação foi o ano mais “bonito” em muito tempo.

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  2. Putz Fábio, tu bem q podia escrever + sobre esses jogos q te impressionam. Esse jogo fez tanto barulho na época mas não tinha nenhum review em algum site confiável [em pt] q acabei com um pé atrás e nem comprei quando tava na promo…
    Mas está interessante, com ctz pego na próxima.

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