Melhores de 2012 – Sound Shapes (PSN/Vita)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Sound Shapes (PSN/Vita)
Disponível para PSN e PS Vita. Data de lançamento: 07/08. Preço atual: R$ 31 (PSN Brasil)

Definir o que é inovador pode ser complicado quando se lida com uma área cheia de obras diversas que, em geral, são experimentadas por um público fragmentado. Com a ascensão dos jogos com distribuição digital e a pluralidade de plataformas da atualidade, é difícil esperar que muita gente tenha jogado vários títulos em comum e tenha uma boa noção de como certas tendências surgiram, evoluíram e se padronizaram em cada gênero ou método de design de jogo. Por exemplo, muitos que jogaram Sound Shapes não se deram conta de que a mistura de jogo rítmico com plataforma/progressão lateral, em si, não é assim tão inédita quanto o jogo faz parecer: antes dele, tivemos coisas como a série Bit.Trip ou Patapon, por exemplo. Porém, Sound Shapes se destaca por suas ideias peculiares para cada um desses dois gêneros, além da elegância e do bom gosto geral com que aplica tais ideias.

Uma das primeiras surpresas de Sound Shapes, por exemplo, é a forma como a parte de plataforma é estruturada. O jogador controla uma bola com… alguma gosma por fora que a permite grudar-se e mover-se em superfícies que não sejam pretas. Para rolar rapidamente, o jogador precisa apertar um botão que “recolhe” a gosma, mas isso ao custo de perder a capacidade de “grudar” – o que cria uma bela dinâmica em que os maiores pulos podem acabar em morte se você esquecer de “liberar” a gosma novamente para grudar em uma parede oposta. O objetivo é chegar ao final de cada fase evitando qualquer coisa que seja vermelha – cujo contato extingue a bola e manda-a para o último checkpoint – e coletar todas as notas musicais no caminho, “liberando-as” na música de fundo. Morrer em Sound Shapes não tem grandes consequências a não ser atrasar o jogador; não há vidas, e o desafio mesmo é descobrir como passar de certas áreas e tentar fazê-lo o mais rápido possível para subir de posição em leaderboards. Ah, e terminar fases desbloqueia itens para uso no editor de fases do jogo, como em LittleBigPlanet.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Conteúdo (Possibilidades)   ‡ Curva de Dificuldade   ‡ Direção de Arte
‡ Design de Fases   Inovação   ‡ Trilha Sonora


Porém, Sound Shapes seria apenas mais um jogo de plataforma com um truquezinho “ixxperto” se não fosse também um jogo rítmico. A integração dos obstáculos e itens de ajuda do cenário com a música é impecável, com raios laser que acendem na batida, criaturas vermelhas que se movem no ritmo do fraseado de guitarra e plataformas móveis que disparam efeitos extras quando se sobe nelas. Com isso, o jogador não apenas faz progresso ao passar por cada tela, como também sente que está fazendo música, ainda que seja apenas uma bela ilusão – pelo menos enquanto não se usa o modo de edição e compartilhamento de fases. Falando nesse modo, a quantidade de itens e possibilidades de criação é mais do que razoável para um jogo digital, e há uma bela comunidade com ideias interessantes para músicas conhecidas, jogos de plataforma clássicos e composições inéditas. Porém, o potencial de Sound Shapes é melhor representado nas fases-faixas do “álbum” de Beck, em especial “Cities” – talvez a fase mais criativa de qualquer jogo em 2012, feita em cima da canção vencedora do VGA deste ano.

A direção de arte do jogo faz jus às “formas sonoras” do nome, elegante em seu minimalismo geométrico, e reproduz apenas com formas básicas vários símbolos reconhecíveis do mundo da música, como discos de vinil feitos de círculos concêntricos e escalas cromáticas como metáfora visual para escalas de notas. A curva de dificuldade é suave a cada novo “álbum” e “faixa”, e é mais recompensadora do que se poderia esperar de um jogo de plataforma híbrido como esse. Toda faixa-fase tem alguma surpresa lógica que irá desafiar sua familiaridade com as mecânicas básicas de movimento no jogo, e quase sempre essa surpresa está intimamente ligada a um elemento novo na música de fundo. Essa integração constante é a base da ousadia de Sound Shapes e o que faz o jogo se destacar – seja em relação a outras tentativas de misturar ritmo com progressão lateral, seja em comparação com jogos digitais de 2012 (principalmente indies) que apresentaram muito mais estilo do que substância. É só mergulhar na edição de faixas-fases e no modo Beat School – uma espécie de engenharia reversa em que você é desafiado a colocar as notas na fase de acordo com a música – para perceber que Sound Shapes não faz só pose, e está aí até para ensinar fundamentos de música e de design de fases. E como poucos jogos recentes equilibraram tão bem didatismo, desafio, diversão e inovação, ele tem que entrar nesta lista de Melhores de 2012.

3 comentários sobre “Melhores de 2012 – Sound Shapes (PSN/Vita)

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