Melhores de 2012 – Sleeping Dogs (PC/PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Sleeping Dogs (PC/PS3/X360)
Disponível para PC, PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 14/08. Preço atual: R$ 80 (PC, Nuuvem; R$ 64 no Steam até 05/01)

Neste blog, nesta lista e na minha coleção pessoal, inovação é um fator primordial. Porém, isso não me impede de apreciar jogos em que a equipe de desenvolvedores claramente se esmerou para apresentar a melhor obra possível, mesmo que ela não tenha nada especialmente criativo. Não estou defendendo apenas jogos como entretenimento: mesmo quando tentam ser arte, para serem jogos eles precisam conter um conjunto de regras e sistemas que devem ser bem implementados e mostrarem sinergia, e acho mais do que válido louvar esse lado. É como saber apreciar boa arquitetura – aquela esteticamente agradável, funcional no uso diário e, quando construída sobre bases sólidas, resistente ao tempo. Em 2012 tivemos um punhado de jogos com esse espírito, e Sleeping Dogs talvez tenha sido o mais surpreendente deles – no mínimo, por ter sido abandonado pela Activision quando ainda era uma sequência da série True Crime, e não parecia ser nada além de mais um clone menos ambicioso de Grand Theft Auto.

O mais engraçado é que Sleeping Dogs consegue ser uma “grande obra arquitetônica” dos games partindo de premissas muito, muito batidas. É um jogo de mundo aberto com ação e suspense, atividades paralelas, um enredo clichê de policial meio rebelde infiltrado em gangues, e assim por diante. Mas tudo é feito com tanto bom gostocuidado que simplesmente funciona, e em vários níveis. Para começar, a escolha de Hong Kong como cenário e a inspiração em filmes e seriados orientais dos anos 70 e 80 dá uma cara muito única a toda a parte audiovisual de Sleeping Dogs, desde os menus até as músicas que tocam nas rádios da cidade (por sinal, algumas afiliadas a selos musicais alternativos de renome, como Ninja Tune, Kerrang! e Roadrunner Records). O apuro na apresentação se estende inclusive às atuações vocais, todas muito boas e críveis, e à excelência técnica geral do jogo – especialmente no PC, em que até a versão DirectX 11 com texturas em alta resolução exige menos da máquina do que muitos jogos sem qualquer um desses adendos (GTA IV, estou olhando para você!).


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ Combate   ‡ Direção de Arte   ‡ Dublagens   ‡ Excelência Técnica ‡ Mecânica (XP dividido)   ‡ Narrativa   ‡ Ritmo   ‡ Trilha Sonora


Mas Sleeping Dogs não é o equivalente “gamístico” a uma obra típica do Niemeyer, em que a forma esconde os problemas de (falta de) função. Por exemplo, não é exagero dizer que Sleeping Dogs é um dos melhores jogos de beat’em up em 3D já feitos. Pense um pouco: qual jogo de mundo aberto conseguiu apresentar combate no mesmo nível dos melhores jogos de gêneros semelhantes? Talvez Red Dead Redemption em comparação com jogos de tiro em 3ª pessoa, e olhe lá. A quantidade de combos, os movimentos típicos de filme de kung fu, os malabarismos em cima de carros, a possibilidade de agarrar inimigos e usar o cenário como arma… Tudo no combate de Sleeping Dogs é prazeroso, funciona bem e é tematicamente apropriado. E embora nada nesse combate seja particularmente inovador, o jogo tem pelo menos uma mecânica própria bem bolada: a ideia de dividir pontos de experiência entre “XP policial” e “XP da tríade”, cada um com sua progressão de upgrades. Assim, mesmo ao fazer missões criminosas para manter seu disfarce como membro de gangue, você pode ganhar XP policial se conseguir evitar dano colateral desnecessário. É uma ideia simples que resolve um dos maiores paradoxos narrativos de jogos de ação moderna em mundo aberto: o contraste entre o que a história sugere sobre o caráter do protagonista e os atos pesados que o jogador efetivamente pode fazer naquele mundo (GTA IV, estou olhando para você!).

Mesmo partindo de um clichê e se escorando em referências de cinema, a trama de Sleeping Dogs é muito bem contada e equilibrada, com a dose certa de humor para desestressar entre momentos genuinamente tensos. Ajuda bastante, é claro, o fato do jogo não ser tão extenso quanto outros do mesmo gênero, o que deixa o ritmo dos acontecimentos bastante animador – na verdade, seguir a história principal é bem mais interessante do que “se perder” na cidade, já que as atividades paralelas não são muito numerosas (embora sejam divertidas o suficiente para desviar sua atenção de vez em quando). E Sleeping Dogs acerta em muitos detalhes menores que enriquecem a jogabilidade, alguns deles “emprestados” de outros jogos, como as setas de orientação GPS “projetadas” diretamente na cidade vindas de Saint’s Row The Third. No final das contas, aquele que era para ser um jogo de transição entre concorrentes mais famosos na área do mundo aberto se tornou um dos jogos mais bem-resolvidos do gênero – e com isso até fará sombra para o próximo grande “concorrente” nessa contenda (GTA V, estou olhando para você!).

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5 comentários sobre “Melhores de 2012 – Sleeping Dogs (PC/PS3/X360)

    1. Obrigado pelo elogio, mas note que eu não acho os dois mutuamente exclusivos, não. Pelo contrário. Geralmente textos são ruins porque os autores são ruins, e o comércio não tem nada a ver com isso. No máximo, tem a ver quando alguns veículos preferem ter qualquer texto a não ter nenhum texto, então contratam qualquer idiota que jogou o catálogo do Nintendinho e acha que isso quer dizer alguma coisa…

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