Melhores de 2012 – Dragon’s Dogma (PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Dragon's Dogma (PS3/X360)
Disponível para PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 22/05. Preço atual: cerca de R$ 125 (PS3/X360)

Por mais que eu adore Demon’s/Dark Souls, existem motivos bastante razoáveis para alguém não gostar totalmente da ideia deles e do que representam. E não estou falando só da dificuldade punitiva, não. Embora eu adore a maneira em que esses jogos apresentam uma narrativa com o mínimo de diálogo possível, às vezes um universo parece um pouco mais “vivo” com personagens mais falantes. Além disso, a filosofia “menos é mais” funciona em Dark Souls porque o universo dos jogos é desesperador de tão sombrio, mas isso não quer dizer que todo mundo de fantasia medieval precise ser pesado assim. E essas coisas podem afastar gente que, de outra forma, adoraria jogar algo com o combate preciso encontrado nos dois aclamados RPGs de ação da From Software. A Capcom percebeu isso e nos deu Dragon’s Dogma.

Não que o jogo seja apenas um clone, muito pelo contrário. É possível enxergar influências de vários outros RPGs de ação, como Dragon Age ou Monster Hunter, e forçando a barra até de Skyrim (apenas pelo fato do protagonista também estar ligado a uma linhagem de dragões). Mas Dragon’s Dogma consegue fazer um monte de coisas próprias que funcionam muito bem. A mais famosa é o sistema de peões, ou seres de aparência humanóide que habitam outra dimensão e surgem no universo ficcional do jogo para auxiliar humanos que os contratem; esses peões compõem o seu grupo e podem ser compartilhados online com outros jogadores, e ao visitarem os jogos dos outros, retornam com conhecimentos sobre as missões das quais participaram por lá. Além disso, Dragon’s Dogma tem uma flexibilidade incrível no sistema de habilidades, que podem ser “trocadas” constantemente de slot para que você monte seu sistema de combate da maneira como convir.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   Bosses   ‡ Combate (Profundidade)   ‡ Dificuldade (Equilibrada)
‡ Mecânicas (Peões, Habilidades)   ‡ Personalização


Falando nisso, o combate é um dos pontos mais fortes de Dragon’s Dogma. Assim como os Souls, é um jogo pensado para controle, que pede posicionamento correto, o uso do golpe apropriado no momento exato, a alternância estratégica entre defesa e ataque e o cuidado com a barra de stamina. Além das possibilidades usuais permitidas pelas diversas “classes” (aqui chamadas de “vocações”) e pelas várias habilidades que podem ser compradas, o jogo ainda apresenta efeitos de status incomuns para jogos do gênero, como se molhar e ficar “encharcado” para resistir melhor a dano por fogo (e tomar mais dano em caso de ataques elétricos). A quantidade de itens que podem ser encontrados, combinados, fabricados ou aprimorados chega a ser intimidante – há, por exemplo, panos secos para perder o tal status “encharcado” – mas é relativamente fácil se engajar no nível de personalização que for mais confortável para você e ignorar o resto. No fundo, o que importa é o básico do combate, e se você conseguir dominá-lo, todo o resto é bônus muito bem-vindo. E isso vem com chefes do nível Demon’s/Dark Souls, a possibilidade de salvar em qualquer lugar, e uma dificuldade bem mais equilibrada para o jogador menos masoquista.

Mesmo não sendo um jogo sombrio, Dragon’s Dogma apresenta um mundo medieval devidamente sujo, caótico e pouco convidativo, um meio-termo entre a high fantasy a la Tolkien e a desesperança absoluta de Demon’s/Dark Souls. A história central não é exatamente incrível, mas funciona em um nível que Skyrim não conseguiu assimilar: imaginem se ser o “dragonborn” (aqui, “arisen”, ou “erguido” no sentido de “ressuscitado”) fosse algo muito mais nebuloso. Não há escolhas que mudem o final ou nada semelhante a Dragon Age, o que torna Dragon’s Dogma bem mais focado – uma decisão acertada da Capcom para diferenciar seu jogo. Os valores de produção são bem aceitáveis, com a direção de arte um pouco dependente demais do que Demon’s Souls e Dark Souls conseguiram construir, mas ainda assim bem executada.

Mas o que importa para mim é que os dois melhores RPGs de ação dos consoles atuais ganharam companhia, e uma com cara bastante própria e mais acessível. Está mais do que na hora do rótulo “RPG de ação” ser dissociado de cliques incessantes em cima de monstros em visão isométrica, e Dragon’s Dogma faz sua parte para engrossar essa “causa” com uma jogabilidade agradável, desafio na medida, um sistema de combate altamente personalizável e um cenário menos clichê. Ah, e sem casa de leilões de nada, compartilhar peões é de graça mesmo. Quer coisa melhor?

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3 comentários sobre “Melhores de 2012 – Dragon’s Dogma (PS3/X360)

  1. Taí outro jogo com o qual me surpreendi positivamente. Não sou muito fã de ambientação medieval, mas acabei me divertindo muito com Dragon’s Dogma. =D

    E adoro que a customização de personagens tem bastante opções! Falando nisso, uma curiosidade: em jogos que possuem essa função, você costuma criar personagens parecidos contigo ou totalmente diferentes? É que eu soltei essa pergunta no GoW tempos atrás e a maioria disse que preferia o avatar o mais próximo possível de si, pois gostavam de imaginar como se fossem eles vivendo a história, que isso ajudava na imersão. Achei interessante essa observação.

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    1. Engraçado – pessoalmente eu costumo sim me recriar nesses jogos, até em Mass Effect fiz isso (o Shepard mais careca e queixudo da história XD). Mas por algum motivo, em Dragon’s Dogma eu fui direto na zoação e fiz um cara com barriga de tiozinho do churrasco e a cara do Leôncio do Pica-Pau (sério!). Talvez tenha sido inspiração daquela música de abertura farofa do jogo, não dá para levar a sério nada que comece com aquela música 😄

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      1. Pô, queria ver seu Leôncio. hahahah

        Fui na zuêra também. Meu Gérson é um lorde escandinavo marombado, com biquinho e cabelos de propaganda de xampu. Se quiser ver, tem foto dele no meu Face (no álbum ‘Gaming’).

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