Melhores de 2012 – Lollipop Chainsaw (PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Lollipop Chainsaw (PS3/X360)
Disponível para PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 12/06. Preço atual: cerca de R$ 85

“Peraí, sério que você vai incluir um jogo sobre uma líder de torcida americana que mata zumbis?”. Sim, por que não? “Mas não é sexista?”. Muito pelo contrário, ao ponto de quase ser misândrico. “Mas não é do Suda 51? Então a jogabilidade não deve ser lá essas coisas…” Lollipop Chainsaw é o jogo mais redondo dele nesse sentido. “Mas não é meio idiota?” Sim, e muito – essa é parte da graça. “Então é só daqueles jogos para ‘desligar o cérebro’ e se divertir, né?” Sim, mas se você deixar 10% que seja do seu cérebro ‘ligado’, vai pescar algumas críticas sutis ao excesso de atitude politicamente correta dos tempos atuais. “Ah, vai dizer agora que o jogo está aqui por ter ‘mensagens profundas’ por baixo de toda a estupidez?” Não exatamente: em Lollipop Chainsaw, Suda 51 exerceu uma arte milenar há muito esquecida, antigamente chamada de “sátira” – uma arte em que o melhor humor é também a crítica mais ácida por sua simplicidade, sem lições de moral ou teses acadêmicas.

Lollipop Chainsaw não tem vergonha de ser ridículo em sua narrativa, com direito a líder de torcida vivendo o pior aniversário de 18 anos possível, com a escola invadida por zumbis. O aparente besteirol é farto, incluindo um namorado que é apenas uma cabeça decepada pendurada na saia, pompons como armas atordoantes, muita purpurina voando na tela e o alto-astral inabalável (e propositadamente irritante) da protagonista, mesmo nas piores situações. O diabo é que ao mesmo tempo em que tudo faz rir, também serve de teste de caráter: Lollipop Chainsaw foi feito para separar as pessoas normais – aquelas que conseguem rir de uma sátira à cultura americana e ao politicamente correto – das pessoas que seriam mini-ditadoras se tivessem oportunidade, obrigando todo mundo a ser vegetariano, assistir filme de arte europeu, idolatrar as mulheres como uma raça superior e ouvir Philip Glass na ceia de Natal (Achievement Unlocked: South Park Wisdom Reference!).


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

Bosses   Direção de Arte   ‡ Narrativa (Sátira)   ‡ Trilha Sonora   ‡ Variedade


Mas mesmo que você ignore a evidente objetificação do namorado da protagonista como uma sátira ao endeusamento atual do “modo de ser feminino”, ainda assim vai encontrar muito o que admirar em Lollipop Chainsaw. Como puro hack n’ slash, o jogo não se compara aos melhores de seu gênero em termos de jogabilidade básica, mas é funcional o suficiente para que toda a estupidez do resto o divirta, e ainda se sobressai em outras coisas. Por exemplo: a cada cinco minutos o jogador se depara com uma situação diferente envolvendo fatores extras como limite de tempo, situação do cenário, tipos de zumbis ou introdução de mecânica nova, fazendo de Lollipop Chainsaw o jogo menos repetitivo que já joguei neste gênero – menos até do que muitos jogos de ação/aventura. O fato de ser relativamente curto (6 a 7 horas) é compensado pelo incentivo ao replay, em que você tenta bater recordes de pontuação por fase e com isso ganhar mais moedas para desbloquear novos golpes e habilidades, o que só aumenta as possibilidades do jogo. E também há os chefes – que não são particularmente difíceis, mas seguem um tema e são absurdamente engraçados de se enfrentar (Dica: evitem assistir vídeos dos chefes antes. É mais engraçado descobri-los no próprio jogo).

A apresentação visual e sonora de Lollipop Chainsaw também é um espetáculo à parte, misturando estética de quadrinhos, visual cel-shading colorido e efeitos “fofinhos” para criar um hilário contraste com o sangue e a violência na tela. A trilha sonora segue uma mesma lógica, incluindo desde o peso de um Children of Bodom e o punk-biscate-assumida das Runaways até a doçura das Cordettes – e com momentos de genialidade como “Hey Mickey” quando a protagonista entra em modo “hyper”, ou “Pac-Man Fever” na fase em que Suda 51 dá vazão, mais uma vez, à sua nostalgia dos fliperamas.

Enfim, é o jogo mais polido, mais redondo e mais divertido de Suda 51, mas que mesmo assim não consegue deixar de ser ácido como toda a obra anterior do designer japonês. Pode não ser o melhor jogo dele por conta de vacilos ocasionais, como o péssimo sistema de mira das partes de tiro, mas tem uma qualidade que nenhum dos outros têm: incomodar o establishment politicamente correto. E quem lê este blog regularmente sabe que isso o faz ganhar 10 milhões de pontos de antemão; o resto é bônus desbloqueável.

3 comentários sobre “Melhores de 2012 – Lollipop Chainsaw (PS3/X360)

  1. Cara tu e inteligente demais, queria ter capacidades de argumentar como tu mais eu sou muito burro e desprovido de talentos. Eu não gosto de comentar mas sempre vejo as tuas críticas dos games.

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  2. Falando nesse jogo eu espero um dia conferir, mas não agora os games são muitos caros é eu não quero comprar jogos piratas, por enquanto só da pra acompanhar notícias e críticas.

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  3. Sim aquela tua crítica do jogo Bully e maravilhosa, finalmente alguem que pensa diferente da maioria dos críticos de games. Eu não gostei de sua crítica apenas por que elogiou um dos meus games favoritos, mas sim por que tocou em temas interessantes.

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