Melhores de 2012 – Home (PC)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Home Collector's Edition (PC)
Disponível para PC. Data de lançamento: 01/06. Preço atual: R$ 5 (Steam)

De todos os jogos na lista de Melhores de 2012 deste blog, Home com certeza é o mais difícil de comentar, por sua própria natureza. Trata-se de um jogo feito para ser experimentado de uma sentada só, em uma a duas horas, e cujo impacto é inversamente proporcional à quantidade de informação sobre o jogo que a pessoa tinha antes de arriscar experimentá-lo. Por conta disso, e considerando que ele sai no máximo por R$ 5 (R$ 2,50 na promoção de fim de ano do Steam até 05/01!), não vou me incomodar se você confiar em mim e parar de ler esse texto agora para jogar Home após a seguinte descrição curta: ele é um adventure de horror com gráficos nível 8 bits, movimentação em 2D… E atmosfera totalmente Silent Hill.

Resolveu continuar lendo? OK. Meu problema, agora, é como demonstrar os motivos desse jogo estar aqui sem entregar nem um pouco do que realmente importa na experiência. Parte da jogabilidade dele, por exemplo, pode ser deduzida pela sua descrição – algo que você iria ver de qualquer maneira na página do Steam/site oficial do jogo, então aí vai. Home só permite movimentação lateral, recompensa a exploração de cenários, oferece puzzles bem leves para não interferir na imersão e tem sua cota de objetos escondidos. Também posso garantir que o aviso inicial do jogo, para que você apague as luzes e use fones de ouvido, é bastante compreensível pela maneira como Home consegue criar atmosfera apenas escurecendo áreas e usando efeitos sonoros e informações crípticas nas horas mais certas.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ Criatividade   ‡ Efeitos Sonoros   ‡ Narrativa   ‡ Ritmo


Tá, isso não é muita coisa, e a descrição o faz parecer menos elaborado ainda do que Lone Survivor, outro jogo de horror em 2D pixelado de 2012. Mas… O que dizer então sem entrar em spoilers? Bom, posso dizer o que ele não é. Por exemplo: embora Home se escore na simplicidade e no charme dos gráficos pixelados, em nenhum momento passa a impressão de nostalgia vazia, como muitos jogos indies atuais. Na verdade, em poucos minutos de trama você esquece completamente do visual – em grande parte graças aos sons e ao desenvolvimento da narrativa, executados de maneira moderna, impensável para a época do 1º Alone in the Dark. Outra coisa que ele não se propõe a entregar é desafio, a não ser que você queira tentar encontrar tudo o que pode haver de secreto no jogo; o que vale é o mistério e a surpresa da tensão com um material tão minimalista. Ele certamente também não é um jogo com uma história mastigada e linear, embora a progressão no espaço do jogo pareça ser direta pela sua lateralidade. E chega, que já estou chegando muito perto do território das considerações que somente quem jogou deveria ler.

Home é um experimento, sim, mas bem mais pé-no-chão do que muitos outros jogos recentes considerados “arte”; a intenção é fazer você jogá-lo novamente quantas vezes for necessário para formar uma opinião própria dele. E ao chegar ao final do jogo, você vai perceber a proposta do desenvolvedor sem precisar da ajuda de nenhum pretenso acadêmico dos games. É algo até simples: em horror, tanto em termos visuais quanto narrativos, menos é mais. E chega, porque Home não foi feito para ser pensado antes de jogá-lo – somente depois.

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7 comentários em “Melhores de 2012 – Home (PC)

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  1. esse esta na minha lista desde que foi lançado e ontem eu vi q o preço esta bem baixo. vou aproveitar pra pegar junto com o lone survivor. e obrigado por ter conseguido escrever sem colocar nenhum spoiler porque eu nao consegui parar de ler o texto haha =)

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    1. Opa, se você não conseguiu parar de ler mesmo sem uma descrição mais detalhada do que o jogo é, vou considerar isso como um elogio ao texto XD

      O Lone Survivor também é interessante, mas se preocupa um tanto demais em tentar emular *tudo* de Silent Hill em 2D pixelado, a ponto de truncar a jogabilidade. Por exemplo, mesmo sendo um jogo em 2D lateral, ele tem um “plano de fundo” e um “plano da frente” com o seu personagem “ensanduichado” no meio. Não entendeu? Pois é, esse é o problema. Imagine progressão lateral em um corredor em 2D com portas dos dois lados, ou seja, no “plano de fundo” e no “plano da frente”. É tão estranho e pouco intuitivo que mesmo depois de um tempo jogando ainda confunde.

      Quando joguei Home estava no meio de Lone Survivor, e a simplicidade maior de Home meio que “matou” Lone Survivor pra mim por um tempo. Ainda vou tentar terminá-lo esses dias, mas perdeu a vaga nessa lista por ser truncado assim quando Home demonstrou que esse malabarismo não era nada necessário.

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  2. Pode considerar um elogio ao texto sim =)

    Bom, jogo jogado, mil dúvidas na cabeça, vontade de jogar de novo pelo menos umas 5 vezes. Achei genial e poder ler as diferentes opiniões de quem jogou no site também é bem bacana.

    De qualquer forma, ainda vou jogar o Lone Survivor pra ver como é, mas acho que já entendi o seu ponto de como o Home é mais simples.

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  3. Cara, joguei Home recentemente (mentira, tem quase 2 meses) e… Puta que me pariu com um fórceps enferrujado!
    Eu nucna fiquei tão tenso jogando um jogo na minha vida. E eu fiquei assombrado com o detalhe essencial do game.
    [SPOILER] eu joguei ele meio que correndo, tava tarde da noite e eu queria dormir, mas não é que o puto do jogo notou isso e interpretou tudo que eu ignorei? Caramba, a história se adptou tão perfeitamente às minhas escolhas que eu tive medo. Se eu tivesse investigado mais, o que eu descobriria? O quanto mudaria o final? Teria sido tão depressivo e esquizofrênico quanto foi? [/SPOILER]

    Adoraria saber suas impressões pós-game, poder comparar os desempenhos. E por sinal, um dos melhores textos que você já fez: me instigou a curiosidade sem falar praticamente nada, e não estraou nada da experiência do game, meus parabéns.

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    1. Valeu 🙂

      Cara, ele foi feito para ser jogado de novo para você ver as diferenças. Dá para notar a intenção meio Lost (no início da série pelo menos), de ser uma história contada de uma maneira que instiga as pessoas a conversarem sobre ela e tentarem interpretá-la. Não sei se muda muito o final porque não tentei jogar de novo ainda, mas está claro que a intenção do jogo é essa, ser rápido e acessível, mas te deixar curioso para jogar de novo.

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