Melhores de 2012 – Max Payne 3 (PC/PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Capa de Max Payne 3 (PC/PS3/X360)
Disponível para PC, PS3 e X360. Data de lançamento: 15/05. Preço atual: R$ 75 (PC/Steam)

Tem jogos que parecem ter sido pensados para irritar os fãs mais puristas – e acabam sendo, com frequência, justamente os que revitalizam para valer uma franquia. Veja o caso de Max Payne 3: 10 anos depois, o jogo volta na mão da Rockstar em vez do estúdio original, a Remedy; Max, ainda o anti-herói máximo do noir nos videogames (sorry, Cole Phelps!), é levado para o Brasil, um dos países mais ensolarados do mundo; a jogabilidade tradicional de tiro em 3ª pessoa e câmera lenta (bullet time) agora usa cobertura; e até multijogador resolveram enfiar nessa bagaça. Tirando o cenário “exótico” para os gringos, Max Payne 3 incorporou tudo o que se espera de um blockbuster comum hoje em dia. Mas a Rockstar conseguiu acertar na mosca, naquele ponto de equilíbrio entre manter a essência de uma série e atualizá-la o suficiente para tornar a nova edição algo especial, muito além da nostalgia vazia.

Já foi dito que todo jogo da Rockstar, inclusive cada Grand Theft Auto, é uma visão particular de um ou mais filmes de ação/policiais específicos de uma era. Em Max Payne 3, as inspirações foram claras: Tropa de EliteCidade de Deus. Por isso mesmo o clima noir não foi totalmente sacrificado; esses filmes podem não ter a mesma estética visual, mas a seriedade e os temas fortes são equivalentes. Além do mais, a escolha por São Paulo como cenário permitiu o uso de áreas mais urbanas e decadentes, como um grande hotel abandonado, armazéns de um cais e uma boate de luxo. Claro, houve alguma licença poética da Rockstar ao criar uma favela que mistura elementos de São Paulo e Rio, e o cuidado de usar um trecho da Marginal Tietê fora da capital para justificar uma fase de perseguição em lanchas; mas no geral, a recriação é surpreendentemente efetiva. Dos insultos e gírias tipicamente brazucas (“Aê, tu viu a fulana? Tá mó Raimunda, hein?”) até detalhes menores que só um brasileiro entenderá (uma estátua de agradecimento ao jogador X por levar o time fictício “Galatians” a Tóquio), o trabalho de pesquisa e recriação da Rockstar ficou a um dedo de ser perfeito.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ Cutscenes   ‡ Direção de Arte   ‡ Excelência Técnica
‡ Multijogador   ‡ Narrativa   ‡ Ritmo   ‡ Trilha Sonora


Tudo que conhecemos da jogabilidade de Max Payne está lá, devidamente cercada de cenários belíssimos, um framerate redondo e toda a excelência técnica que se espera de um jogo de tiro AAA atual; dê shootdodges para qualquer lado e esquive das balas a la Matrix, use o bullet time para desacelerar tudo quando a coisa apertar, e junte analgésicos para recuperar vida. A adição do sistema de cobertura não mudou essa dinâmica; pelo contrário, reforçou o senso de avanço meticuloso, sem “Rambices”, que o jogo original exigia (fica claro que se Kill.Switch, o primeiro jogo de tiro a usar cobertura, tivesse sido lançado antes do Max Payne original, a Remedy certamente teria “roubado” a mecânica). A narrativa tem mais reviravoltas do que o jogo original, mas ainda assim funciona bem, tanto pela sua noção da complexa realidade brasileira, quanto pelo humor negro característico e a capacidade de prender o jogador com um ritmo muito bem cadenciado entre ação e exposição da trama. As cutscenes, em especial, são muito bem dirigidas e se integram perfeitamente à jogabilidade, com a mesma transição suave de um Uncharted 3.

Com essas qualidades, o jogo nem precisava inovar muito no multijogador – uma área na qual a Rockstar tem se aventurado recentemente, mas nunca com muito destaque. Já seria bom o bastante ver a desenvolvedora fazer o multijogador funcionar com a mesma excelência técnica de outros jogos de tiro em 3ª pessoa, o que de fato conseguiram… Mas ainda foram mais longe: criaram modos de jogo em torno das mecânicas principais da série, fizeram-nas funcionar competitivamente, e incorporam um pouco de narrativa em pelo menos um modo, Guerra de Gangues. Partidas multijogador ganham outra dimensão quando você está defendendo território contra traficantes rivais, as ações são narradas por personagens como o próprio Max Payne, e o resultado afeta qual será o próximo modo de jogo na fila – tudo isso enquanto se desvia de balas na última hora com o bullet time. Com isso, até mesmo a adição mais improvável a um Max Payne funciona bem, mantendo o terceiro jogo na delicada corda bamba entre o respeito à série e a inclusão de “modernices”. Jogue e pegue a trilha sonora para ouvir com calma depois: aposto que muitas cenas virão à sua cabeça. Não é todo jogo de tiro que consegue ser memorável assim.

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