Melhores de 2012 – Sine Mora (PC/PSN/Vita/XBLA)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Sine Mora (PC/PSN/Vita/XBLA)
Disponível para PC, PSN, Vita e XBLA. Data de lançamento: 21/03. Preço atual: R$ 17 (PC, Nuuvem/Steam)

Quem não gostava antigamente dos “jogos de navinha” nos fliperamas? Eu adorava. Mas se há um tipo de jogo que se fechou no próprio umbigo com o tempo, foi esse. Os schmups foram ficando cada vez mais difíceis, herméticos e, francamente, repetitivos, com um ocasional sopro de real criatividade aqui e ali trazendo o gênero de volta a praias menos… elitistas, por falta de descrição melhor. Mas ainda não tínhamos um jogo que, além de ser menos dependente do “tributo” cego a todas as convenções mais arraigadas dos schmups, também conseguisse ser amplo, capaz de agradar do mais casual novato ao mais hardcore dos fãs de bullet hell (aqueles “jogos de navinha” com tantos projéteis que nem dá para ver o fundo da tela direito). Mais ou menos como a série Forza fez com os simuladores de corrida, digamos. E Sine Mora é exatamente isso.

Criado pelo estúdio húngaro (!) Digital Reality com a colaboração da Grasshopper Manufacture de Suda 51, Sine Mora (“sem demora”, em latim) é um schmup lateral em que você não tem vidas, e sim tempo. Cada adversário abatido confere alguns segundos extras, e cada dano sofrido o penaliza com tempo a menos. O jogo ainda é estruturado da forma clássica, em fases relativamente curtas com pelo menos um chefe no final e power-ups surgindo dos adversários destruídos, mas o caminho até lá… Quanta diferença. Além do esmero dos desenvolvedores em evitar a repetição no design das fases (destaque para as que se passam em cavernas e em uma tubulação de processamento de lixo), o uso de tempo como medida de “vida” permitiu que incorporassem uma mecânica de manipulação temporal: segure o gatilho direito do controle e o cenário entra em câmera lenta, facilitando a passagem por aqueles momentos apertados, entre dezenas de projéteis.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

Bosses   ‡ Criatividade   ‡ Dificuldade (Amplitude)   ‡ Design de Fases
‡ Direção de Arte   ‡ Excelência Técnica   ‡ Mecânica (Manipulação Temporal)


A mecânica não é gratuita e nem passível de abuso. A quantidade de tempo (olha ele aí de novo) em que ela pode ser usada é fixa, e ao gastá-la, é necessário repor com powerups, ou seja, destruindo inimigos. A própria ideia de usar tempo como mote vem do universo ficcional meio steampunk de Sine Mora, em que a manipulação temporal é possível e raças antropomórficas vivem em conflito no planeta Seol. Mais espantoso ainda: o jogo tem uma narrativa, com duas linhas temporais paralelas acontecendo, cada uma sob uma perspectiva diferente do conflito. Tal narrativa ainda se amarra ao design de fases, já que algumas se passam em locais que você já havia visitado antes, só que em outro tempo, com outra cara, outros inimigos e outra lógica. E se você não está nem aí pra isso, não se preocupe: boa parte da história é contada por narração (em húngaro, com legendas em português europeu disponíveis) no início de cada fase, e pode ser pulada quando você quiser apenas sair atirando.

Sine Mora ainda se sobressai nos detalhes. Os chefes são alguns dos mais criativos já vistos em qualquer jogo, não apenas em schmups. Todos os belíssimos cenários são renderizados em 3D, e frequentemente o jogo dá uma de Shadow Complex e brinca com a profundidade, tanto em cutscenes quanto durante as fases, mesmo que a progressão ainda seja 2D lateral. A excelência técnica de Sine Mora é clara, sem nenhum bug, efeito sonoro ou visual fora do lugar, carregamento demorado, nada. Assim como Journey, é outro exemplo de casamento perfeito entre forma e função. E a dificuldade parece ideal: terminá-lo no Médio exigiu algumas novas tentativas, sim, mas nada frustrante… Agora, se você quiser pontuações altas e classificações acima de E, vai precisar suar tanto quanto em alguns dos schmups mais casca-grossas por aí. Sine Mora não é apenas um “jogo de navinha” competente e agradável; é o padrão a ser seguido no gênero a partir de agora – pelo menos por desenvolvedores que queiram sair um pouquinho que seja do nicho de “profissionais” do bullet hell.

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