Melhores de 2012 – Journey (PS3/PSN)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Disponível para PSN. Data de lançamento: 13/03. Preço atual: R$ 31 (PSN brasileira)
Disponível para PSN/PS3. Data de lançamento: 13/03. Preço atual: R$ 31 (PSN brasileira)

Mencionar Journey em qualquer conversa sobre jogos costuma levar a pelo menos dois assuntos paralelos interessantes: se jogos são (ou devem) ser arte, e se a duração deles importa. Não vou gastar linhas debatendo isso neste artigo por um motivo simples: na verdade, como o fio de corte é escolher os melhores jogos do ano, nenhum desses dois assuntos tem relevância direta real. Jogos podem sim ser especiais mesmo quando são entretenimento, e duração é algo que só interessa para decisões de consumo, não para análise – que sempre deve se pautar por qualidade. Se Journey é arte ou dura pouco, tanto faz; ele está aqui porque representa uma experiência inigualável em sua mídia, não importa como você a defina ou o quanto esteja disposto a pagar por ela.

Outra coisa que também não dá para negar, seja qual for sua posição no (falso) embate entre arte x entretenimento, é que Journey chama a atenção por sua beleza audiovisual. Da paleta de cores ao design minimalista do protagonista, da trilha sonora aos detalhes da echarpe mágica, tudo no jogo será imediatamente reconhecível no futuro por quem tiver experimentado Journey – e até por muita gente que apenas assistiu alguns vídeos dele. E o melhor é que toda essa exuberância tem propósito. Journey é um jogo de plataforma 3D estruturado em torno da mecânica de “salto flutuante”, que usa “carga” da echarpe mágica, acontece quase em câmera lenta, e confere um ritmo etéreo e contemplativo à tal jornada do nome… E todo o design visual e sonoro foi meticulosamente pensado para reforçar essa sensação. Com isso, Journey é um exemplo clássico de casamento entre forma e função, uma inexoravelmente entrelaçada à outra.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ “Co-op”   ‡ Criatividade   ‡ Direção de Arte   ‡ Efeitos Sonoros
‡ Experimentação   ‡ Mecânica (Flutuação)   ‡ Trilha Sonora


Embora alguns possam considerar a jogabilidade de Journey “lenta” ou “chata”, ninguém em sã consciência vai negar a grande sacada da thatgamecompany ao bolar um “modo cooperativo” que exige aspas, de tão único e minimalista que é (mesmo em comparação com Demon’s/Dark Souls). Para quem não experimentou, Journey procura dinamicamente outras pessoas online que estejam passando pelas mesmas áreas que você e as coloca na mesma jornada. Porém, para a “comunicação”, não há recurso de voz, gestos, chat, nickname visível… Nada além de um botão para emitir um som agudo, e pronto. E a única coisa que um personagem pode fazer de concreto por outro é se aproximar e “recarregar” a echarpe do companheiro com esse som. Mesmo assim, em geral, pessoas se unem em Journey e tentam chegar juntas até o destino da jornada, uma montanha ao horizonte. Muitos ainda retornam para fazer o papel de mentores, “guiando” novatos (condição inferida pela cor e comprimento da echarpe) a locais onde coletáveis e segredos foram encontrados. E qual o incentivo concreto para se dar ao trabalho? Nada vezes nada. O jogo simplesmente tem o poder de incentivar a cooperação só com design e atmosfera.

Se Grand Theft Auto é o experimento de Milgram nos videogames, no qual se descobre o que as pessoas são capazes de fazer quando soltas em uma caixa de areia sem amarras éticas e consequências reais, Journey é um experimento sobre como a adversidade geral tem poder para unir pessoas. Os designers entenderam que bastava uma única mecânica de ajuda mútua e uma situação inicialmente solitária para evocar o que há de melhor em nós. E para quem reclama de como os jogos atuais puxam o jogador pela mão, Journey deixa muita coisa para ser descoberta por conta própria: desde toques de finesse (tente ficar colado em outro personagem quando há neve) até áreas inteiras que talvez não sejam encontradas, incentivando o replay.

Até seria possível gastar parágrafos sobre como essa jornada pode ser uma metáfora para muita coisa, ou sobre como Journey parece beber bastante da espiritualidade budista, ou qualquer outra viagem do tipo – mas quem se importa, quando ele já faz tudo isso como jogo? É por essa profundidade como experiência, como jogo e, sim, como arte, que Journey não é só um dos melhores jogos de 2012: é um clássico instantâneo dos videogames.

5 comentários sobre “Melhores de 2012 – Journey (PS3/PSN)

  1. Concordo que Journey é maior que as discussões sobre “isso é arte?” ou não e que é uma experiencia única tanto quanto jogo como quanto experiencia músical (tai o premio de melhor trilha sonora, indicação a melhor música e ao grammy pra isso)

    eu escrevi minha própria review do jogo, just for fun
    http://nerdgeekfeelings.wordpress.com/2012/12/10/jogo-journey-la-e-de-volta-outra-vez/

    Alias, onde voce anda escrevendo atualmente? Esse blog esta meio abandonado e eu sinto falta dos seus textos

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    1. C, o blog *estava* abandonado: esse é o 10º texto em 21 dias, quase 1 a cada 2 dias 🙂
      Pelo menos enquanto o período letivo não começa no semestre que vem, escreverei mais; independentemente disso, continuo gravando (quase) toda semana o podcast Respawn (www.respawn.com.br), pq aí é só gravar, o q toma bem menos tempo.

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  2. Pingback: Play Room Games

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