Melhores de 2012 – Binary Domain (PC/PS3/X360)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Disponível para PC, PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 28/02. Preço atual: R$ 40 (PC/Steam)
Disponível para PC, PS3 e Xbox 360. Data de lançamento: 28/02. Preço atual: R$ 40 (PC/Steam)

Ao ouvir/ler a descrição básica de Binary Domain, muita gente pensou que se tratava de uma espécie de novo Mass Effect vindo do criador de Yakuza – e por conta disso alguns o abandonaram ainda no início ao perceber que se trata de um shooter em 3ª pessoa com cobertura, a la Gears of War mesmo. O negócio é que o jogo, assim como Vanquish antes dele, consegue levar a fórmula consagrada da série da Epic a pradarias que “seu” Cliffy B jamais sonharia por pura falta de sofisticação. E ao contrário do jogo da Platinum, boa parte do mérito de Binary Domain se escora na narrativa, algo raríssimo em jogos do gênero. Melhor: ele consegue a proeza ainda mais rara de tratar de um tema caro à ficção científica, a criação de vida artificial, sem abusar dos clichês. Na real, até brinca com alguns deles.

O jogo se escora na possibilidade de criação de robôs capazes de se passarem por humanos e até acreditarem que são. Até aí, nada que Blade Runner e várias outras obras não tenham especulado. Mas essa premissa serve de estopim para que a Associação de Tecnologia Robótica Internacional envie um esquadrão a Tóquio para investigar a suspeita de que a maior corporação japonesa do ramo esteja violando a “Nova Convenção de Genebra”, que proíbe a criação de robôs tão avançados… E nessa jornada, você descobre que Binary Domain leva o tema a consequências muito mais drásticas. O bom é que enquanto elas não ficam claras – lá para o terço final do jogo, mais ou menos – Binary Domain segue bem competente como shooter, e conta com pelo menos duas mecânicas novas interessantes de se explorar.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Criatividade   ‡ Dificuldade (Equilibrada)   ‡ Direção de Arte   ‡ Inteligência Artificial   ‡ Mecânicas (Confiança, Desmonte)   ‡ Narrativa


A primeira é a possibilidade de formar relações de confiança com seus parceiros – variados durante a narrativa, às vezes por sua escolha, às vezes por reviravoltas na trama – através de um sistema de ordens e respostas curtas a diálogos, que podem ser dadas tanto via controle quanto falando em um headset comum. A tecnologia de reconhecimento de voz não é das melhores, mas usar o controle ainda é interessante pelos resultados. Seus companheiros irão comentar sua performance como combatente, por exemplo, e você pode tanto agradecer e se desculpar quanto se gabar e responder atravessado. Cada personagem vai reagir de maneiras diferentes, e é possível que alguém se irrite a ponto de não aceitar mais suas ordens ou pedidos de ajuda. Em certos momentos da trama, seus colegas também irão ativamente conversar com você e pedir opiniões. Além de deixar o jogo um pouco mais orgânico, esse sistema tem consequências práticas menores: dependendo do nível de confiança conquistado, você pode acabar vendo uma cena extra ou ter um aliado a mais em uma sequência-chave no final.

A segunda é a forma como os inimigos principais – robôs de todos os tipos, cores, tamanhos e métodos – se comportam e se estruturam. O jogo o incentiva a destruir o máximo de partes específicas dos robôs para ganhar mais créditos e comprar upgrades, mas esse “desmonte” tem consequências imediatas, também. Atire para quebrar um braço armado, e o robô fica sem ter como atirar temporariamente. Atire na perna até destruí-la, e ele cairá. Atire na cabeça, e ele pode se desorientar e atacar os colegas. Mas o mais impressionante dessa mecânica é a inteligência artificial que a acompanha. Robôs desarmados irão procurar a arma no chão e pegá-la com o outro braço. Robôs sem perna irão se arrastar atrás de você, e se bobear, agarrarão a sua perna na hora que menos esperar. E mesmo quando ainda estão inteiros, eles farão de tudo para flanquear, cercar e encurralar seu esquadrão. Por conta disso, Binary Domain acaba sendo mais difícil do que os dois últimos Gears of War, e mais equilibrado do que o primeiro.

Binary Domain não é perfeito: às vezes acontece aquela chateação de seus tiros atingirem a quina da cobertura que o protege, mesmo que você jure que sua mira está acima dela. Também não é um primor gráfico, de animações e de atuações vocais, embora a direção de arte seja esplendorosa e tenha conseguido algo raríssimo: tornar essa Tóquio futurista inconfundível, diferente de qualquer outra grande cidade em obras recentes de ficção científica. Mas o tiroteio é fluido, as sequências de ação são bastante variadas (mais do que na própria série Gears of War, inclusive), e as mecânicas novas acima mencionadas vão te levar adiante até a narrativa engatar – e aí, nesse terço final, você vai ficar como eu, grudado na tela até saber como tudo acaba. É nessa hora que você vai se convencer de vez que valeu muito a pena jogar Binary Domain, e não apenas pela diversão de atirar em robôs espertos. E enquanto você matuta o significado da trama, os créditos acabam, e uma cena extra mostra que há espaço para um Binary Domain 2… E você percebe que quer muito ver como esse universo de expande. Sega, é com você.

2 comentários sobre “Melhores de 2012 – Binary Domain (PC/PS3/X360)

    1. Sabe o que é pior? Tenho ele desde o mês de lançamento mas só fui terminar agora, e aí me convenci de que merecia entrar na lista. Como o Rafael do Godmode falou, a Sega cagou muito de ter lançado BD uma ou duas semanas antes de Mass Effect 3. Eu estava gostando do jogo, mas qd chegou Mass Effect 3, danou-se, foi um mês sem encostar nele e acabou ficando pra trás.
      Ainda bem que resolvi tentar terminá-lo antes de fechar a lista, senão não teria entrado. Até por isso acabei escrevendo um artigo um pouquinho maior, já que nunca falei de Binary Domain no blog e é muito, muito fácil achá-lo “apenas” divertido no início. Nesse ponto ele é como Spec Ops: The Line: se você parar no primeiro terço do jogo, não vai entender o que ele faz e por que o pessoal elogiou tanto.

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