Melhores de 2012 – I Am Alive (PC/PSN/XBLA)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Disponível para PC, PSN e Xbox LIVE Arcade. Data de lançamento: 07/03. Preço atual: R$ 25 (PC/Steam)
Disponível para PC, PSN e Xbox LIVE Arcade. Data de lançamento: 07/03. Preço atual: R$ 25 (PC/Steam)

Já consigo ouvir detratadores de I Am Alive à distância, então me deixem adiantar o trabalho deles: o jogo da Ubisoft Shangai não tem uma jogabilidade redonda, não cumpre tudo o que prometia, tem seus bugs ocasionais, não é exatamente dinâmico, e tem jeitão de inacabado (especialmente na cena final abrupta) porque foi, na real, um projeto interrompido de lançamento em disco que virou jogo digital para não ser totalmente descartado. Pronto, satisfeitos? OK. E por que diabos, mesmo sabendo de tudo isso, ainda incluí I Am Alive nessa listinha de jogos de 2012 que merecem ser jogados? Por causa de uma tecla que não me cansarei de martelar: criatividade vence polimento. Ando preferindo muito mais experimentar ideias novas com execução apenas razoável do que ideias batidas executadas à perfeição.

I Am Alive já acerta de cara em dois pontos. Primeiro, ao construir um universo pós-apocalíptico sem monstros, em que a dificuldade está em sobreviver com recursos escassos e contra o desespero das pessoas. Segundo, por apostar em mistério, tanto no passado do protagonista quanto no evento que causou o apocalipse. Só essas duas coisas já foram suficientes para espantar jogadores (e jornalistas, embora não admitam) sem imaginação. E aí, para chutar mais o pau da barraca, os desenvolvedores bolaram uma jogabilidade em que você nunca tem munição suficiente para lidar com os inimigos que encontra, forçando-o a usar táticas de intimidação e, quando possível, fugir do confronto – tudo possibilitado pela forma nada usual em que a IA foi programada, mesmo para um jogo que é de aventura antes de ser de tiro.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Atmosfera   ‡ Criatividade   ‡ Direção de Arte   ‡ Inteligência Artificial
‡ Mecânica (Escalada)


Aponte a arma para o líder da gangue e outros também podem recuar, por exemplo, abrindo caminho para você passar e sair correndo assim que der. Ou talvez você tenha que atirar em um dos valentões para eles verem que sua ameaça é séria – mas não se demore muito depois, ou eles podem desconfiar que sua munição acabou. E assim vai. A inteligência artificial não é perfeita, e as reações possíveis dos membros de gangues se esgotam e começam a se repetir antes do jogo acabar… Mas o que importa é finalmente experimentar reações mais naturais em um jogo, como ver um adversário levantar as mãos e recuar quando ameaçado pelo cano de uma arma. E todo o resto do jogo contribui para dar significado a esses momentos: a atmosfera, com vários trechos solitários de exploração e escalada; a belíssima direção de arte do jogo, que se esmerou em detalhes que mostram a passagem de outros sobreviventes por esse mundo destruído; e a mecânica de escalada, que se vale de uma barra de stamina e transforma cada subida em uma espécie de puzzle, em que você precisa saber quando parar e para onde conseguirá ir sem ficar totalmente cansado e acabar caindo para a morte certa.

I Am Alive é, em essência, um jogo survival horror sem horror, ou seja, sem nada de sobrenatural. O clima é bastante Silent Hill clássico (especialmente o 3), os itens são escassos, e você topa com pessoas das mais variadas matizes em situações tensas. É um jogo que certamente será considerado chato por quem quiser ação, e que tenta fazer coisas muito próprias que nem mesmo alguns jogadores escolados vão entender muito bem. Mas se você é daqueles, como eu, que se pergunta por que certas coisas se tornaram convencionais em videogames – atirar em monstros, ter sempre quilos de itens e ser incansável mesmo ao escalar um arranha-céu – I Am Alive é um sopro de vida nova, e será relativamente fácil perdoar suas falhas. Até por que, convenhamos, não é um jogo de R$ 150, e sim de R$ 25-30, dependendo da plataforma. Se por esse valor você consegue sobreviver a um filme mediano pela experiência boa de ir a um cinema, pode muito bem curtir um jogo que tenta coisas novas, mesmo sem excelência técnica geral, pela mesma grana. Experimente.

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4 comentários em “Melhores de 2012 – I Am Alive (PC/PSN/XBLA)

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  1. tenho certeza que com a AI da proxima geração jogos como I Am Alive terão todo o polimento que precisa para rodar redondinho.

    Alias, Fabio, o que achou do VGA?

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    1. Espero que sim. Meu medo não é pelo polimento, com certeza alguém teria o cacife de melhorar ainda mais essa IA de I Am Alive. O meu medo é ninguém *querer* isso tão cedo. Bem ou mal, jogos ainda são, em grande parte sobre matar e atirar em monstros, humanos, zumbis etc.

      Sobre o VGA: quando saíram os indicados eu comentei no Twitter que eles continuaram a tendência do ano passado, de juntar jornalistas de vários veículos e tentar fazer uma premiação mais séria, sem agradar apenas à grande indústria e ao público médio que só consome blockbusters. O que faltava era levar essa ideia pro evento em si. Até o ano passado, o VGA tinha mais bastidores, vídeos engraçadinhos, gente famosa e trailers do que anúncio de prêmios em si. Esse ano foi mais equilibrado – e pra coroar a cereja no bolo, os jogos mais premiados foram The Walking Dead, Borderlands 2 e Journey. Foi bonito. Não concordo 100% com os escolhidos (adoro Dishonored, mas ainda prefiro AC III, e Halo 4 seria minha última opção dos 4 concorrentes em Melhores Gráficos), mas o que importa é que as escolhas foram sérias, entre candidatos de qualidade, e ao que parece o mundo não acabou por causa disso – ou seja, boas chances do VGA tomar prumo a partir de agora.

      E THE WALKING DEAD GANHOU, PORRA. \o/ Agora tô começando a acreditar que o jogo pode mesmo levar vários GOTYs – e merecido.

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  2. Cara, eu curti muito I Am Alive pelo pouco que joguei e pelo muito que li, numa situação parecida que eu comentei com Wet. Ele ficou muito mal acabado devido a pressa, mas mesmo assim o conceito e o desenrolar me chamaram muito a atenção. E pensar que ele não foi lançado em disco pra não concorrer direto com The Last of Us, que acabou sendo adiado…

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