Melhores de 2012 – Warp (PC/PSN/XBLA)

2012
Best of

Este artigo faz parte da série Melhores de 2012, com os games lançados este ano que este humilde (cof) blog considera que devem ser jogados por quem puder. Não vou escolher quem é melhor em categoria A, B ou C, e sim apenas X jogos de destaque, em ordem cronológica, com seus pontos fortes listados. Entenda melhor essa lógica no artigo Melhores de 2012: Experimentando um novo modelo.

Warp (PC/PS3/X360)
Disponível para PC, PSN e Xbox LIVE Arcade. Data de lançamento: 13/02. Preço atual: R$ 10 (PC/Steam)

Uma das piores coisas dessa mania hipster recente de tratar jogo independente como uma espécie de “selo de qualidade” é que, no final das contas, se perde muito tempo debatendo o que é ou deixa de ser “indie” em vez de se falar dos jogos em si. Veja o caso de Warp: foi desenvolvido pela Trapdoor, que ajudou a bancar o superestimado Fez, que foi publicado pela Microsoft somente no Xbox 360… Mas como a empresa buscou o programa EA Partners para publicar seu jogo em mais de uma plataforma, ele é “menos indie” e, portanto, merece menos atenção – mesmo sendo um jogo muito mais ambicioso, criativo e bem-resolvido. Isso sem falar mais polido, algo sempre digno de nota para um jogo independente.

Warp conta a história de um alienígena capturado usado como cobaia e prestes a ser dissecado por humanos. Durante os testes iniciais, o alienígena consegue recuperar o item que lhe confere seu principal poder – o de se teleportar por curtas distâncias – e então consegue fugir. A partir daí temos uma sequência de quebra-cabeças em um cenário 3D visto de cima, na qual o alienígena liberta outras entidades, recupera outras facetas de seu poder – como teleportar-se para dentro de objetos e pessoas – e desvenda o propósito da estação espacial em que se encontra enquanto tenta escapar. Entre raios laser, portas de chumbo que não podem ser atravessadas por teleporte, poças de água que desativam seus poderes, interruptores do outro lado de um fosso extenso demais e guardas que atiram ao menor sinal de sua presença, a jornada pela estação é digna de Metal Gear Solid tanto quanto de Metroid: furtividade e exploração são essenciais.


Puzzles - Melhores de 2012Pontos altos

‡ Criatividade   ‡ Curva de Dificuldade   ‡ Design de Fases   ‡ Efeitos Sonoros
 Quebra-Cabeças


O design das fases bebe dessas duas séries para gerar algo próprio: embora stealth seja um fator, especialmente quando guardas são envolvidos, os métodos para se esconder são muito próprios, derivados do poder-base de teleporte. Cada detalhe em cada sala é meticulosamente posicionado para permitir, com frequência, mais de uma abordagem. Você vai se teleportar por um lado da câmara, usando objetos para se esconder? Ou vai criar uma imagem falsa sua para atrair um guarda, se teleportar *nele*, e explodi-lo por dentro? (Aliás, uma cena assustadora para um jogo com um protagonista tão… fofo, que lembra, sei lá, Wall-e). Mesma coisa com a exploração a la Metroid: embora em certos momentos você não avance se não encontrar determinado poder secundário, revisitar áreas é uma função narrativa tanto quanto de completitude. Algumas delas foram desenhadas, inclusive, para serem revisitadas vindo de outro lado e com outros poderes, o que te obriga a repensar a maneira como você atravessará uma sala pela qual já passou, extendendo a experiência sem forçá-lo a repetir o que já tinha feito.

Warp também acertou em cheio na curva de dificuldade, digna de um Portal – vocês sabem como é: quebra-cabeças que na verdade não são tão difíceis, apenas o suficiente para fazer você se sentir inteligente por resolvê-los sem empacar por muito tempo. Com isso, o design de fases brilha, o jogador vai pegando apreço pela aventura do pobre protagonista, e se sente estimulado a experimentar quando mais poderes entram em jogo. Há também salas escondidas com desafios de teleporte por tempo, com direito a leaderboards, mas o verdadeiro valor de replay é explorar todo o mapa e encontrar todos os colecionáveis e “grubs”, que podem ser usados para comprar mais poderes secundários. E embora Warp não seja particularmente notável em aspectos como direção de arte, trilha sonora e outras tecnicalidades, ao mesmo tempo, nada nele parece ter sido feito nas coxas, sem esmero ou razão. Basicamente, é um jogo com a criatividade que se espera de um estúdio independente e o nível de polimento de um grande estúdio. Quem precisa de mais?

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