Start: Imposturas em Gotham City (beta)

Avatar BuddyPoke do autor do blogStart é uma seção recorrente deste blog com primeiras impressões de games que estou “testando”, ou ainda pensamentos um tanto vadios sobre games antigos que estou jogando novamente ou mesmo pela primeira vez. Isto é, não se trata de resenhas completas. Estas podem ou não vir depois, mas não prometo nada.

Logotipo de Gotham City Impostors (PC/PSN/XBLA)Em maio do ano passado, a Warner anunciou que iria lançar mais um jogo baseado no universo Batman, mas ninguém esperava o que eles tinham em mente: um jogo de tiro em primeira pessoa (!) por distribuição digital (!!) baseado em equipes (!!!) de “impostores” – ou seja, fãs/imitadores do Batman vs. seus equivalentes do lado do Coringa (!!!!). Para uma empresa que tinha lançado Arkham Asylum e estava a alguns meses de lançar o sucessor, Arkham City, a diferença de proposta era gritante. E é claro que isso atiçou a ira dos fanboys do morcegão (talvez por se sentirem ridicularizados pelos impostores?) e dos jogadores que adoram resmungar sobre a prevalência do gênero FPS. Mas qualquer pessoa que tem algum apreço por Team Fortress – e não seja chata e aborrescente a ponto de não aceitar uma paródia de uma cena “sagrada” – com certeza ficou pelo menos curiosa sobre Gotham City Impostors (PC/PSN/XBLA).

Pessoalmente, minhas preocupações eram tangenciais a essas. A desenvolvedora era a Monolith, que fez as séries F.E.A.R. e Condemned – ou seja, sem nenhuma experiência com Batman, FPS a la Team Fortress ou jogos apenas para download. Pior, nenhuma experiência prévia com humor, o que seria essencial para um jogo de “impostores” . [Errata: conforme o Humelhor avisou nos comentários, a Monolith fez No One Lives Forever em 2000, um FPS que se escorava justamente em agentes secretos, humor e gadgets. Não conhecia esse jogo]. Além disso, para concorrer com Team Fortress hoje em dia é preciso se diferenciar e entregar uma jogabilidade muito sólida e perfeitinha: por exemplo, Brink não conseguiu fazer com que o parkour fosse central ao jogo e tinha alguns problemas como FPS mesmo (inimigos esponja-de-bala, por exemplo) que o impediram de sequer chegar perto. E olha que foi feito por um estúdio especializado em FPSs multijogador de vários tipos.

Pela curiosidade, me inscrevi no beta fechado para PC de Gotham City Impostors, que aconteceu no final do ano passado, mas não podia falar dele graças a um contrato de confidencialidade. Joguei pouco por conta da concorrência dos outros jogos de fim de ano e pelo beta não ter rodado lá muito bem no meu PC. No último dia 24, porém, começou o beta aberto nos consoles (basta pesquisar por “gotham” na PSN ou na Live). Baixei no mesmo dia e após mais algumas horas jogando, confirmei a impressão que tive antes, na versão PC, e agora posso falar dela: Gotham City Impostors vai surpreender muita gente.

Um FPS funcional como ponto de partida

"Batman" e sua arma em Gotham City Impostors (PC/PSN/XBLA)
"Batman" e seu trabuco

O primeiro ponto do jogo é que a base dele é sólida; as armas podem não ser as mais equilibradas do mundo, mas pelo menos elas têm impacto, ao contrário de Brink. No começo os pentes do rifle de assalto têm pouca munição e você sofre, mas como tudo dá ponto – inclusive causar dano nos inimigos sem matá-los – em uma ou duas horas você chega ao nível 5 ou 6 e desbloqueia armas novas e modificações, incluindo a que aumenta o pente. O jogo também tem suas próprias versões para tudo aquilo que se espera de um FPS multijogador de hoje, como fun facts (perks), desafios que dão XP, loadouts e assim por diante. O matchmaking está dando umas travadas, e nos primeiros dias houve partidas com 6 pessoas contra 3, ou 4 contra 1… Mas os desenvolvedores foram acertando ao longo da semana, e o que importa é que as mecânicas básicas funcionam.

Essa é a parte chata, mas necessária de se dizer: por mais que se queira variedade em shooters, não adianta nada entupir um FPS de coisas diferentes se a escopeta não tiver “coice”, os personagens andarem devagar ou o sistema de progressão for lerdo, coisas que esse jogo evitou. Com certeza os mais fissurados em FPS militares ainda vão chiar por causa de algumas minúcias técnicas de Gotham City Impostors, mas não porque o tiroteio em si não funcione, e sim por ser voltado para outro clima: o da diversão descerebrada. Especialmente por causa dos gadgets.

O diferencial: um jogo construído em torno dos gadgets

Glider em Gotham City Impostors (PC/PSN/XBLA)
Morcegos avoam, ora

Sabem o que falei sobre parkour e Brink, acima? Em Gotham City Impostors, a partir do momento em que você começa a desbloquear itens de apoio e gadgets para o seu personagem, fica claro que a mola-mestra (trocadilho intencional) do jogo são os itens. Sim, ele parece um Team Fortress temático… Até os itens entrarem em cena. Você pode equipar patins para andar (muito) mais rápido, bombas de fumaça para ficar invisível, bumerangues para atordoar adversários, ganchos para subir em lugares altos e muito mais. Além de todos serem versões engraçadas e toscas das traquitanas do Batman, mantendo o clima de “impostores” em Gotham, os itens se combinam de maneiras muito particulares; assim, o jogo fica muito aberto para experimentação. O gancho, por exemplo, pode ser usado para subir em um teto, para ganhar impulso e saltar para longe, ou até mesmo bancar o Scorpion e soltar um “get over here!!” no seu adversário.

Ainda por cima, os próprios mapas foram feitos sob medida para maximizar o uso desses gadgets e/ou manter o clima de farra no talo. Mesmo quando você equipa coisas “discretas”, como armadura corporal (uma tampa de lixo pendurada no peito) ou capacidade de regeneração e afins, você ainda vai encontrar todo tipo de traquitana interativa no cenário: camas elásticas, presentes-surpresa que dão habilidades extras, rampas para saltar com os patins, tubo de ventilação que dá impulso se você equipou asas, e assim por diante. O jogo não tem o menor pudor de encher a partida de brinquedos – e com isso fica ágil e muito, muito engraçado.

Partida de Gotham City Impostors (PC/PSN/XBLA)
Reparem no "Coringa" voando no canto superior esquerdo

Os dois modos disponíveis também parecem ter sido feitos para os gadgets e itens. Fumigation é uma versão, claro, dos mapas de domination, em que cada equipe precisa capturar e manter pontos-chave. Em Gotham City Impostors, esses pontos são máquinas de gás; se uma equipe conseguir manter a maior parte delas controlada por tempo suficiente, o gás afeta a outra equipe e a partida acaba – e tenham em mente que, como se trata de “Batmans” versus “Coringas”, cada gás tem um… Efeito diferente, para dizer o mínimo (nunca achei que fosse poupar vocês de spoilers de um game multijogador!). Porém, o modo que chama a atenção mesmo é o Psych Warfare, o único que estava presente no beta fechado de PC – e é nada mais, nada menos a versão de capture the flag mais divertida que já experimentei na vida.

O princípio parece simples: cada equipe tem uma “máquina de desmoralização”, mas há apenas uma bateria. Se uma equipe conseguir levar a bateria e ligá-la na sua máquina, os adversários têm 30 segundos para ir lá e removê-la. Caso não consigam, a máquina é ativada e a equipe marca um ponto. O que torna o modo hilário são todos os detalhes. Por exemplo, quando a máquina é ativada, a equipe começa a ouvir um hard rock farofa anos 80, bem Journey ou Europe mesmo, contando o quanto eles são awesome, maravilhosos, the best etc. Enquanto isso, os adversários perdem as armas, bordas psicodélicas dançam na tela, e uma voz começa a dizer que eles suck, que são fail, e assim por diante. Durante 30 segundos, os adversários são capazes de matar com apenas um tapa (isso mesmo, tapa) e podem tentar destruir a máquina – também NO TAPA – para recuperar as armas logo. E com esse setup, Gotham City Impostors consegue algo que pouquíssimos FPS multijogador conseguiram: tornar a derrota divertida.

Respeito tem limite na feira da fruta

Desenhos de Gotham City Impostors (PC/PSN/XBLA)
Acabou o expediente? Hora de combater o crime ou cometê-lo

Somando gadgets, detalhes dos modos e a possibilidade de customizar o visual do seu personagem com as roupas mais esdrúxulas, é preciso ser muito murrinha para não rir com o jogo. As animações ajudam, tanto durante as partidas quanto nas telas de loading, e a identidade visual de Gotham City Impostors é muito sólida, como se pode conferir no site. Ao mesmo tempo, é impressionante como uma visão tão caricata e cômica do universo Batman pode ser tão fiel a ele ao mesmo tempo. Nada existe no vácuo – ninguém inventou de colocar uma mini-turret como gadget só porque outros jogos fazem, e tudo pelo simples motivo de que ela não caberia neste universo. O jogo acaba sendo, então, ao mesmo tempo iconoclasta e respeitoso com o material de inspiração, o que também é algo raríssimo.

Gotham City Impostors tinha tudo para não me atrair. É um FPS focado em multiplayer, algo que não jogo muito, nem mesmo em casos notórios como Left 4 Dead ou Team Fortress. O beta tem apenas dois modos – um deles variante de um modo que nunca gostei muito, domination – e apenas dois mapas. Ainda assim, essa semana joguei mais de 7 horas dele em apenas duas noites, incluindo uma sexta-feira em que nos juntamos em cinco para tocar o terror – e dar uma trollada épica em que nos enfrentasse, como pode ser visto no vídeo abaixo (atenção especial após os 30 segundos e nos nomes na tela, incluindo uns tais de “FabioSooner“, “MrXcao” e “RickPJ):

Gotham City Impostors? Totally worth it!
Vale a pena, com certeza

É esse tipo de coisa que Gotham City Impostors inspira, e é por isso que o comprarei no dia que sair, seja qual for o preço (dentro do patamar normal da PSN/Live, claro). Quem quiser experimentar, faça-o enquanto está de graça. Com um pouco de paciência, logo você estará sorrindo de orelha a orelha. A sessão que gerou esse vídeo durou cerca de cinco horas, e foi a sessão de multijogador mais divertida de que participei na vida. Mesmo desconsiderando a presença de camaradas e a trollada, é preciso reconhecer que o jogo nos inspirou ao acertar a mão em quase tudo: identidade, personalidade, jogabilidade e outras “ades”. Trata-se sim de um jogo inspirado em Team Fortress, mas que aprendeu a lição direito e conseguiu reproduzir a experiência com uma cara muito própria, dos mínimos detalhes visuais até a customização de personagem e os gadgets. E isso não é pouca coisa.

9 comentários sobre “Start: Imposturas em Gotham City (beta)

  1. Não curto muito Batman nem sou muito chegada em tiroteio (o que é um pouco estranho, já que adoro TF2 e L4D2 =p). Mas o teu texto me interessou. Só uma coisa que fiquei em dúvida mesmo na hora de acessar o beta, ele não tem versão pra PC?

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    1. Ele tem, mas o beta dessa versão foi fechado e aconteceu em novembro ou algo assim. Agora está rolando o beta aberto nos consoles.

      O jogo sai no mês que vem, ainda sem data definida, somente como jogo para download (provavelmente no Steam). Como não me lembro de ter tido beta aberto no PC, espero que tenha uma demo ou algo assim. Para quem gosta de Team Fortress é um prato cheio. Você nota a influência, mas o jogo vai mostrando ter uma cara própria.

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  2. Eu não sou muito de multiplayer porque enjoo logo. Vide meu TF2 que tem há uns 2 anos e deve ter pouco mais de 30 hrs de jogo.

    Mas GCI é muito bem feito e divertido, em pouco tempo parecia que já estava bem mais familiarizado com ele do que com o próprio TF2. Mesmo assim vou ver o preço antes de comprar. Se ficar na casa dos 15 na PSN e toda manolada comprar, e pego certo.

    Quanto à trollada, nós rimos muito mais durante a confabulação de nosso plano a lá Coringa, do que na execução propriamente dita xD Mas foi míííííítico! Fui até assistir o clássico Bátima na feira da fruta de novo hahaha

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  3. “Durante 30 segundos, os adversários são capazes de matar com apenas um tapa (isso mesmo, tapa)…”. Pfffffffffffffff, lolololoololololololololollo
    Sério, a Warner tem q dar um jeito de lançar esse jogo em disco aki no br pra eu poder colocar nos pcs aki da escola. (e o povo parar de só jogar o 1º Halo, não aguento mais!!!!!!)

    PS: e (óbvio), tomara q o jogo tenha suporte pra partida em LAN tb.

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  4. Acredito que muito da familiarização rápida citada pelo Ricardo se dá por possuir apenas dois mapas mas concordo que o jogo é convidativo e que te prende, nem que seja pela curiosidade de querer saber o que cada traquitana faz.

    Confesso que fiquei um pouco perdido no começo por causa da enxurrada de informações na tela mas rapidamente me acostumei com o estilo “não me levem a sério demais” do jogo.

    Espero muito que a Warner toque o barco deste jogo da mesma forma que o Steam lida com o TF2 no fato de adicionar uma coisinha ou outra (de graça) de tempos em tempos para reviver o jogo.

    Essa nossa partida foi uma das melhores experiências multiplayers da minha VIDA!

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  5. Lançou agora no xbox e já estou baixando a demo, pois a sua animação com o jogo me deixou bem curioso.

    Lembrando que a monolith fez no one lives forever que era um jogo com humor junto as suas características

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