Back: Hora de voltar, hora de encerrar (09/01 a 15/01)

Botão BackNesta seção, vou apertar o botão de Voltar e relembrar os cinco games que mais joguei durante a semana anterior. Nada de resenhas, apenas comentários sobre os trechos efetivamente jogados. SPOILER ALERT: se há uma seção deste blog em que não terei pudor de comentar a narrativa de um jogo, será esta aqui. Considerem-se avisados!

Final de Mario 2E chegou a hora de voltar para casa. Estou começando a escrever este texto ainda em Buenos Aires, mas quando ele for finalizado e publicado, já estarei em São Paulo. A última semana foi aquela correria, tanto de trabalho quanto de coisas para visitar na cidade… E como a volta era domingo de manhã, fiquei sem algumas horas disponíveis no fim de semana, justamente quando mais jogo normalmente. Então essa semana está bem mais calma, com os dois games mais jogados marcando em torno de 4 horas cada – e pior, um deles é para Android! Quero dizer, agora tem para Android, em um port direto em HD. Mais abaixo. Além disso, aproveito para dizer que esta deve ser a última edição da Back por enquanto. Ao longo dos últimos meses, percebi que tenho escrito mais e mais na seção – e o que era para ser uma desova rápida de opiniões se transformou em um frankenstein sem nexo, onde não escrevo direito sobre nenhum jogo e muitas vezes tenho que caçar o que falar sobre ele pela milésima vez após várias semanas (algo especialmente verdadeiro para os Assassin’s Creed que tenho jogado). Enquanto isso, ideias para artigos ficam no arquivo morto em prol de uma coluna semanal torta… Então chega. Vamos ver se assim saem mais artigos originais no blog (dedos cruzados).

Asura's Wrath (PS3)
meia hora
Azura’s Wrath (Demo, PS3)

No dia em que essa demo saiu na Live/PSN, minha timeline do Twitter de repente foi inundada de comentários sobre ele – basicamente apontando como o jogo parecia bizarro, fosse no bom ou no mau sentido. De um lado teve gente mencionando até Heavy Rain, e do outro, chamando-o de merda horrível para baixo. Assim não teve jeito e tive que ir baixá-lo logo, mesmo de férias na Argentina. E como (quase) sempre acontece nesses casos, duas desconfianças imediatas se confirmaram. Primeiro: somente jogos que realmente tentam fugir do padrão polarizam opiniões assim, e geralmente os detratores se frustram por sua própria incapacidade de tolerar qualquer coisa menos previsível (ainda tive que ler uma variação básica da falácia do argumento de autoridade: “tenho 25 anos e 22 de game, acredite quando digo que é uma merda”. Isso dito para alguém com 38 anos e que jogou Telejogo em 1979… Só rindo mesmo). Segundo: a demo provavelmente não é representativa do jogo. Asura’s Wrath parecia uma espécie de God of War à japonesa, pelas informações que tínhamos dele… Mas está mais para um Dragonball Z com quick time events e muita pompa mitológica, mas muita mesmo.

A demo consiste de apenas duas lutas contra chefes, o que me deixou em dúvida se o jogo tem alguma coisa além de lutas contra deuses gigantes enfurecidos em N partes. A primeira se escora muito em quick time events a cada virada de cena em uma luta, na linha de Ninja Blade, o que com certeza irá afastar muita gente logo de cara. Pessoalmente, não tenho problema desde que fique claro que é a proposta do jogo, algo que a demo de Asura’s Wrath não faz. Em Ninja Blade, a jogabilidade fora dos QTEs é sólida e familiar, inspirada nos Ninja Gaiden dessa geração, só que mais cinematográfica e bombástica; enquanto isso, na demo de Asura não dá para discernir exatamente o que o jogo pretende oferecer. Na primeira luta, temos de tudo: tiro em terceira pessoa com mecânica de “travamento de alvos” a la Panzer Dragoon, Rez e Child of Eden; chefes com pontos fracos que, uma vez destruídos, iniciam uma cena de finalização; finalizações que envolvem esmagar um botão para carregar uma barra de especial; aliás, essa barra de especial habilita um modo hyper daqueles bem espalhafatosos; e assim por diante. Aí, na luta contra o segundo chefe, pode esquecer tudo isso e se preparar para um combate mano-a-mano um pouco mais “tradicional” (em comparação com a fase anterior, claro), mas cujos controles e timing de pulo/contragolpe são meio estranhos, especialmente para quem acabou de terminar um jogo bem melhor resolvido nesse campo, El Shaddai. Enfim, a demo só serviu mesmo para atiçar a curiosidade, não para tirar conclusões de como o jogo será. Só uma coisa é certa: se você não tem saco para pompa de anime, passe longe, porque Asura’s Wrath muitas vezes parece um anime disfarçado de jogo. Ah, e não é um puro hack n’ slash – esqueça a comparação com God of War.

Capa de Wet (PS3)
1 hora
Wet (PS3)

Faz tempo que me interessei pelo conceito de Wet, mas duas coisas me impediram de pegá-lo. Primeiro, quando baixei a demo na PSN, ela simplesmente fez o aparelho travar duas vezes em sequência, logo após o início. Travar a ponto do aparelho reiniciar sozinho, coisa que nunca mais aconteceu (de vez em quando ele congela e tenho que reiniciar “no dedo”, mas isso é outra coisa). Segundo, a média no Metacritic não é ruim (70), mas considerando a demo e que é um jogo da Bethesda, a rainha suprema dos bugs (especialmente no PS3), preferi esperar encontrar uma cópia barata de Xbox 360, ou tentar trocá-la no TrocaJogo. Depois de 15 mil ofertas enviadas no site sem resposta, e depois de ver a edição de PS3 cair para R$ 60 até mesmo na Argentina, resolvi arriscar e torcer para o jogo final ser menos problemático. E depois de jogar os dois primeiros capítulos, não consegui parar de pensar por dois dias seguidos… Como diabos esse jogo recebeu notas 70 ou menores?

Tudo bem, a detecção de colisão não é perfeita, assim como a câmera. Há áreas em que você acha que dá para fazer acrobacia quando não é o caso. O jogo é linear, como um bom filme de ação. Não rende mais de 12 horas, não tem multijogador, e tem quick time events. Tudo isso vai contra a cartilhinha de “bom design de games”, mas ao mesmo tempo, é justificado pela proposta de Wet, que é única: um jogo de tiro em terceira pessoa, inspirado nos filmes do Tarantino e do Robert Rodriguez, que te dá a oportunidade de despachar inimigos com acrobacias impossíveis, sempre premiando-o com “pontos de estilo” quando consegue matar alguém com, digamos, um tiro na cabeça após correr na parede e dar uma cambalhota (e isso cerca de 1 ano e meio antes de Bulletstorm). As telas de loading e as cutscenes reforçam o clima de filme B/cult de ação, e a trilha sonora, meu amigo… É o máximo em rock n’ roll insano, rockabilly e surf music que você vai ouvir em um jogo. Assim como em Driver: San Francisco, a trilha é tão apropriada, mas tão apropriada que se bobear te distrai do jogo em si. E como vocês podem perceber, Wet tem uma mulher como protagonista.

Peraí. Pensando bem, vejam só: além dos “problemas” do design que foge da cartilha, Wet tem cara de filme B de ação, algo que não costuma atrair nerd; tem trilha sonora com rock n’ roll de verdade, não o metal farofa/repetitivo/aviadado que os nerds de games e RPG adoram; e ainda por cima tem uma protagonista que pode até ser sexy e gostosa, mas não o é abertamente como mulheres em outros jogos – e um monte de nerds ainda têm problemas com protagonistas femininas. Ah, acho que agora entendi por que o jogo não recebeu notas mais altas… A não ser que ele se prove mais problemático depois do início.

Capa de Tom Clancy's H.A.W.X. (PC)
2 horas
Tom Clancy’s H.A.W.X. (PC)

E eu continuo jogando H.A.W.X., muito para minha surpresa. Talvez porque as missões sejam relativamente curtas (20 minutos no máximo, às vezes 10), já que às vezes dá tempo de iniciar o jogo e jogar uma missão entre um trabalho e outro, ou depois do almoço. Como ele não tem uma história complicada nem nada – algo incomum em jogos com temática militar, especialmente com o nome Tom Clancy envolvido – parar de jogá-lo após uma missãozinha ou duas não incomoda e nem te deixa morrendo de curiosidade para saber o que vai acontecer. E embora isso possa parecer uma desvantagem, a real é que a história não é tão esquecível assim, nem que seja pelos tons bizarros: por exemplo, o lance da invasão do Brasil por “Los Trinidad” que comentei na semana passada? A coisa deu uma reviravoltinha e, de repente, quem está sendo atacada é *Washington* – uma das missões pede inclusive para proteger o espaço aéreo do Pentágono. Isto é, o jogo anda tranquilo na linha entre o simples e o cativante o suficiente para que você se lembre do que está acontecendo, pelo menos enquanto joga regularmente (se eu vou lembrar de alguma coisa da história daqui a dois meses já é pedir demais). Já a jogabilidade não muda muito agora, como acontecia com mais frequência nas fases anteriores: basicamente o design está entrando naquele modo ”’bora jogar mais inimigos, mais variados, e se possível com condições especiais novas” – como por exemplo não atacar os navios da frota adversária antes que aconteça o evento X, quando eles ficarão mais vulneráveis. Desde que os desenvolvedores não tenham exagerado nesse caminho, tudo bem. Por enquanto, considerando que paguei menos de R$ 20 pelo jogo, saiu bem melhor do que a encomenda.

Grand Theft Auto III 10th Anniversary Edition (Android)
3 horas e meia
Grand Theft Auto III 10th Anniversary Edition (Android)

No Xperia Play, quando você desliza para fora o controle embutido, aparece na tela uma interface especial com seus jogos instalados. Porém, volta e meia essa interface abre uma segunda guia, a de “Mais jogos” – obviamente, para fazer você adquirir mais games. O pior é que de vez em quando aceito a “sugestão” e vou olhar, até para saber se algum novo jogo gratuito foi disponibilizado. E qual não foi minha surpresa essa semana ao ver que apareceu GTA III: 10th Anniversary, que a princípio não rodaria em celulares sem processador dual core. Checando na página do Android Market, de repente aparece lá o Xperia Play como celular compatível. Havia comentários dizendo que o jogo rodou com lag em celulares Android com processador de 1.4 GHz, e o Xperia tem 1.0 GHz, mas mesmo assim resolvi arriscar.

E fiz muito bem, porque o jogo tá rodando tranquilo. Provavelmente o fato do Xperia ter uma GPU (isto é, um segundo chip dedicado para vídeo) compense o processador, já que tirando quedas ocasionais na taxa de quadros quando carros explodem, o jogo não deve absolutamente nada à versão de PC. Aliás, essa versão teve redesenhos, por incrível que pareça: alguns rostos estão mais detalhados, as mãos agora têm dedos mais evidentes, e assim por diante. Como eu nunca terminei esse GTA, foi fácil me perder nele mais uma vez – ainda mais que estou efetivamente jogando-o com um controle, algo que não conseguia fazer direito no PC. Este port não foi preparado para input dos touchpads do Xperia, mas nem precisa; os direcionais dão conta tranquilo do recado. Não é à toa que esse foi o jogo para celular que mais joguei em uma mesma semana; além de ser o marco que é, o jogo ganhou uma versão super bem adaptada, um tanto mais bonita, e que oferece muito mais profundidade do que qualquer outro jogo feito exclusivamente para celulares (noves-fora a narrativa qualquer nota).

Capa de Assassin's Creed Brotherhood (PS3)
4 horas e meia
Assassin’s Creed: Brotherhood (PS3)

Nem sei mais o que dizer sobre Assassin’s Creed: Brotherhood, como adiantei na introdução. Avancei a história, terminei a sequência 5, e completei todas as fases das máquinas de guerra do Leonardo da Vinci – aliás, nas duas últimas eu perdi o 100% de sincronização bem no finalzinho apenas, grrr. O pior é que você tem que rejogar a memória inteira se quiser tentar os 100%, e algumas dessas fases das máquinas poderiam muito bem ter sido lançadas como DLC considerando a extensão. O bizarro disso é que, se você morre em uma fase, você “des-sincroniza”, reinicia do último checkpoint, mas não perde a chance de obter a sincronização total; enquanto isso, se você passa a fase inteira sem morrer e sem ser descoberto, mas vacila por uma coisinha na última hora relativa à condição especial – por exemplo, levar uma flechada quando está na máquina de planar – perde a sincronização total, e tem que começar tudo de novo. Agora fiquei curioso para saber como Revelations lidou com isso, porque não sei se terei saco de rejogar algumas dessas missões em busca do 100%. Por mais divertidas que elas sejam, boa parte da graça delas está na narrativa, e isso eu já vi; se for para continuar jogando Brotherhood apenas pela sua jogabilidade após terminá-lo, há coisas mais divertidas a fazer ainda, como catar itens no cenário, terminar a reconstrução de Roma, realizar tarefas para as cortesãs, cumprir os contratos de assassinato e, obviamente, o multijogador. Ao qual, aliás, preciso dar mais atenção antes que a Ubisoft o tire do ar… Nem que seja para “treinar” para o multijogador de Revelations.

6 comentários sobre “Back: Hora de voltar, hora de encerrar (09/01 a 15/01)

  1. Fazia eras que eu não logava na PSN, entrei esses dias só pra baixar a demo do Asura (estava bem na expectativa por ele). A proposta realmente ficou confusa, né? Por enquanto, achei que o jogo tem ideias legais e uma clara vontade de se diferenciar, mas a demo me passa a impressão de que ele meio que fell short on the attempt… Apesar disso, acho que o produto final pode surpreender. E adorei que ele é bem diferente de God of War! Só de imaginar infinitos posts internet afora chamando Asura’s Wrath de cópia de GoW, já estava de saco cheio por antecipação. rsrs

    WET é muito legal. \o/

    PS: Te adicionei na PSN! Sorry que o add ficou pendente um tempão, mas realmente fazia meses que eu não logava.

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  2. Uma vez, vi Wet na Livaria Ultura daqui de Recife me empolguei com a ideia do game, e fui atrás de resenhas e videos… E fiquei decepcionado com as notas. Mas vendo agora seu post, notei que ele passou pelo mesmo problema que Total Overdose (PS2): incrivelmente mal feito em termos de design, mas inacreditavelmente divertido e sem paralelos. Costumo dizer que ele é o “melhor pior jogo de PS2”. Bom, já vi que Wet será uma aquisição futura. =D
    Agora, uma coisa: a demo de Azura’s Wrath num deixa nem uma pista de que existirá cenarios para explorar? E o “Big Buda” (em português soa feio =P) deu sinal?

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    1. Cara, pode ter certeza que o design dele está longe de ser “incrivelmente mal feito” – tipo, está muito acima de um Duke Nukem Forever. É só que não é perfeitinho como alguns dos melhores jogos AAA de hoje em dia, como um Uncharted ou semelhante. Pelo menos nessa hora que joguei, por exemplo, não aconteceu nada que me deixasse preso em uma parede, ou incapaz de terminar uma arena a tempo, nem nada do gênero. Aliás, nem mesmo nada que quebrasse o fluxo; o pior que aconteceu foi olhar para uma parede, achar que dava para correr nela, e descobrir que não dá porque tem uma lata de lixo encostada no meio do caminho, e aí a protagonista sobe na parede em vez de correr. Como subir na parede também pode ser o início de outro movimento estiloso para matar alguém, não incomoda em nada.
      Bem ou mal as notas são 7, não 5, 4… 7 ainda deveria ser bom, e dependendo do site, é exatamente isso que significa. Considerando que pontos podem ter sido “tirados” por coisas que talvez não importem para mim, para você ou mais alguém, como a duração e a ausência de multijogador, essa nota pode ser considerada 8 ou 9.

      E não, a demo de Asura’s Wrath não dá absolutamente nenhuma pista de qq coisa além de bosses! Foi justamente o que me deixou encafifado, só duas lutas contra chefes – uma em fases, a segunda em uma arena fechadinha.
      E se o Budão (trocadalho do carilho, ha ha! /fail) a que você se refere for esse aqui…

      Budão de Asura's Wrath

      …sim, essa é a forma final do primeiro chefe na demo. E pode se preparar para enfrentá-lo com N quick time events, esmagamento de botão para carregar barra de especial, e os tiros em 3ª pessoa com travamento de alvos que mencionei.

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      1. Fiquei curioso pelo Wet também, achei a premissa do jogo muito interessante Esta coisa de notas devia ser abolida, normalmente só cria confusões em torno das melhores e piores notas. O mais insuportável e ver uma nota ruim, e um monte de bobagens e piadinhas de nerd babaca como justificativa para a nota ruim.

        Um bom reviewer deveria que saber falar sobre o jogo, ou sobre a experiência de jogar o jogo, com o menor número de palavras possível, e não dar uma nota. Até porque detalhes sobre a capacidade gráfica é o que tem de mais perecível num jogo, senão não teríamos nos divertido a beça jogando NES, Super Nes e PS1. O que interessa é o conjunto da obra, e não alguns detalhes que como o Fabio falou, podem não fazer diferença para a maioria dos jogadores.

        E por isso que eu concordo com esse cara aqui: Aristóteles é o melhor reviewer que já existiu: http://www.gamersguidetolife.com/2011/05/aristotle-best-games-reviewer-ever.html

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  3. Ah, sim: fiquei tão empolgado quanto a Bebs aqui em cima com a volta dos artigos, e peço mais um “Manual do Gamer Cool” (tenho um amigo que pega ar com teus textos, mas sempre lê xD)

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