Melhores de 2011: os escolhidos do blog

2011 Re: GamesHá alguns clichês de gamer que simplesmente não suporto, mas às vezes clichês são inevitáveis. Veja 2011, por exemplo: se houve algum ano nessa geração que arrebentou a carteira de qualquer um, foi esse. A perspectiva inicial podia não ser tão boa, considerando a tonelada de sequências programadas, mas no final das contas o nível de polimento delas foi alto e recebemos algumas boas novidades que surpreenderam ao longo dos 12 meses – quero dizer, quem estava esperando um Catherine, um El Shaddai, um Stacking, um Bastion, um Outland, um Dead Island quando o ano começou? Quem esperava que os já anunciados Bulletstorm, L.A. Noire, Rage, Shadows of the Damned e Xenoblade Chronicles iriam acabar sendo tão bons? E voltando às sequências, quem imaginou que Alice: Madness Returns, Dark Souls, Driver: San Francisco, Portal 2, Deus Ex: Human Revolution, Mortal KombatResistance 3 e outros iriam aprimorar tanto jogos e séries que já eram (ou foram, no passado distante) muito boas? E olha que ainda nem entramos nos blockbusters que entregaram exatamente o prometido, como Uncharted 3, Gears of War 3, Forza 4, Batman: Arkham City, Battlefield 3 e assim por diante. Ufa. O pior é que não tem prêmio para todos (como se ser escolhido por esse blog seja grande coisa, mas me deixem divagar, por favor – o ponto é a vontade de reconhecer todos os bons jogos). Por isso mesmo, esse ano vou divulgar os meus escolhidos em um post separado… E não só com o vencedor em cada categoria, como também um Top 3 ou mesmo Top 5 quando apropriado (em algumas categorias, não joguei games suficientes para escolher mais do que um). Sem mais delongas, vamos aos melhores.

Melhor Jogo de Ação/Aventura: Batman: Arkham City

Capa de Batman: Arkham City (PS3)

De certa forma, a escolha do melhor jogo de ação/aventura de 2011 foi um ensaio para a de melhor jogo do ano. Não me entenda mal: tivemos ótimos RPGs, jogos de corrida e de tiro, mas foi em ação/aventura que saiu jogo bom a rodo. Escolher entre eles não foi fácil, e para começar foi preciso estipular bem que critérios não interessavam. Um deles, por incrível que pareça, se aplica a Arkham City: não sobrevalorizar nenhum jogo por conta de extensão do mundo virtual – isso é uma votação de melhores, não de “mais retorno em horas pelo seu dinheiro”. Ainda assim, Arkham City foi impressionante em muitos outros aspectos. Por exemplo, o jogo partiu do sistema de combate beat’em up mais interessante desta geração e o deixou ainda mais refinado e variado com a adição de novos personagens. A ideia de expandir o cenário de um sanatório para toda uma parte da cidade não apenas ofereceu um playground (macabro) maior, como foi atada a um questionamento político que raramente vemos abordado em games, ainda mais de aventura (isolar criminosos e deixá-los à sua própria sorte é uma saída eficiente?). Junte a isso o maior nível de polimento em praticamente tudo no jogo, e temos um vencedor claro.

2º – Shadows of the Damned: Loucura conceitual, jogabilidade sólida, trilha matadora e sátira inigualável.
3º – L.A. Noire: Ousadia formal e gráfica em uma aventura baseada em investigação, com história e atmosfera impecáveis.

♦♦♦♦♦

Melhor Jogo de Corrida: Driver: San Francisco

Capa de Driver: San Francisco (X360)

Por um segundo me pareceu um pouco injusto deixar de premiar Forza Motorsport 4, que conseguiu aprimorar ainda mais uma série que já tinha dado um dos saltos de qualidade mais impressionantes na edição anterior e é, com folga, o simulador de automobilismo mais amigável que existe. Porém, quem acompanha o blog sabe que eu não tenho fetiche por carros e que me agradam muito mais os jogos de corrida que oferecem algo além das corridas em si. Driver: San Francisco é um desses jogos, e ainda por cima trouxe uma das mecânicas mais inusitadas e inovadoras do ano em qualquer gênero, não só o de corrida: a possibilidade de “sair do corpo” do protagonista, ver a cidade de cima, escolher outro motorista e tomar o corpo dele. Embora a ideia em si pareça nada-a-ver, e a justificativa para ela na história seja qualquer nota, na prática essa mecânica “Chico Xavier” oferece estratégias e possibilidades inimagináveis para um jogo de corrida, inclusive no modo multijogador. Além do mais, o jogo se passa em um mundo aberto bastante povoado, tanto em termos de carros na rua e pessoas nas calçadas (um dos poucos defeitos de Burnout Paradise) quanto de opções de eventos diferentes para experimentar, e uma das trilhas sonoras de maior bom gosto já escolhidas para um jogo eletrônico. Até a história, o ponto fraco do jogo, tem seu charme dentro do clima de filme policial setentista. Somando todos os detalhes, finalmente Burnout Paradise tem um concorrente na categoria “jogo de corrida arcade mais divertido”.

2º – Forza Motorsport 4: O que já beirava a perfeição ficou melhor, especialmente com a ajuda do Top Gear.
3º – DiRT 3: Assim como o caso de Forza 4, só que sem o Top Gear.

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Melhor Jogo de Esportes: Fifa Soccer 12

Capa de Fifa 12 (PC)

Deixa eu avisar logo de saída: é raro que eu jogue games de esporte com exceção de futebol, então eles saem na frente nesta categoria de antemão. Esse ano em especial não joguei Fight Night Champion ainda, e talvez nunca jogue nenhum NBA 2K. Mesmo NBA Jam: On Fire Edition deixei de lado por já ter experimentado a versão de Wii no ano passado, então… Ainda assim, isso não quer dizer que Fifa Soccer 12 não mereça ser reconhecido. Primeiro, por que de novo a EA Sports conseguiu fazer com que o jogo não fosse apenas uma atualização disfarçada das equipes, graças principalmente a dois fatores: a nova engine de impacto, que gera animações sob demanda de acordo com o contato físico exato de cada parte do corpo dos jogadores; e o novo sistema de defesa, que dá ainda mais controle ao jogador e deixou o game muito, mas muito mais dinâmico quando não se está com a bola. Essa segunda mudança foi tão significativa que o jogo abre com um tutorial rápido dos novos comandos, e tive que me readaptar um pouco mesmo após centenas de horas nos Fifa anteriores dessa geração. E valeu a pena passar por essa readaptação, já que nunca me defendi tão bem quanto agora. Levando em consideração como a equipe da EA Sports poderia muito bem ter se acomodado com a enorme vantagem de qualidade e vendas que a sua série tem em relação à concorrente Pro Evolution, as novidades de Fifa Soccer 12 são ainda mais espantosas e bem-vindas, e o jogo merece o prêmio de melhor jogo de esporte de 2011.

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Melhor Jogo de Estratégia:  Iron Brigade (Trenched)

Iron Brigade (XBLA)

OK, eu admito que “trapaceei” um pouco ao indicar tantos jogos de tower defense “não puros”, exatamente por não gostar muito de estratégia. Mas alguém pode me condenar? Por exemplo, em que outra categoria esses jogos entrariam? Ação/aventura? Além disso, a mistura com ação e controle direto de unidades não é justamente um bom sopro de vida nova em um gênero que andou preso ao PC e limitado, em grande parte, a entusiastas? Por fim, por mais que tower defense esteja se tornando popular, será que é o suficiente para criar uma categoria só para esses jogos? A resposta provavelmente é não. Mas enfim, passando ao vencedor: Iron Brigade pode não ser tão profundo em termos de estratégia, nem mesmo em comparação a outros jogos de tower defense, mas compensa por todo o resto. A idéia de usar mechas, a combinação de estratégia com tiro em 3ª pessoa, as possibilidades de customização, o universo ficcional bizarro e o humor peculiar da Double Fine são os pontos altos. E o mais importante: desta vez, ao contrário do que acontecia com as partes de estratégia de Brütal Legend, os controles são muito mais intuitivos e funcionais. Nem foi preciso criar uma mecânica de visão aérea, já que não há unidades móveis além do seu mecha. Pena que o jogo ainda não tenha sido devidamente reconhecido, talvez por ter saído apenas para a Xbox Live Arcade. O jogo teve um problema na Europa com o seu nome original (Trenched), que já tinha sido registrado por um desenvolvedor português de jogos de tabuleiro, e isso exigiu a reestruturação do game todo (quem já o tinha teve que baixá-lo inteiro novamente); se isso não tiver bagunçado a agenda de port para outras plataformas, quem sabe ele não terá mais reconhecimento em 2012?

2º – Anomaly: Warzone Earth: Tower defense “ao contrário”? O que importa é que a estratégia, aqui, tem mais ação e dinâmica.
3º – Orcs Must Die!: Surpreendente e satisfatória combinação de tower defense com hack n’ slash.

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Melhor Jogo de Luta: Mortal Kombat

Capa de Mortal Kombat (PS3)

No mundo dos jogos de luta, virou um chavão dizer que certos jogos, incluindo os Mortal Kombat originais, não são “equilibrados” e “profissionais” o suficiente para serem considerados os melhores. Trata-se, porém, de uma lógica parecida com a de outro chavão, o de que mouse é mais preciso do que controle para jogos de tiro em 1ª pessoa: pode até ser verdade, mas também é certo que 95% das pessoas que repetem esses chavões nunca chegaram nem perto de ter a habilidade necessária para realmente sentir a diferença. Enquanto isso, a grande maioria dos jogadores, aquela que tem mais o que fazer do que fingir ser bonzão, se diverte dez vezes mais aproveitando tudo o que jogos como o mais recente Mortal Kombat têm de melhor: acessibilidade com uma boa variedade de golpes e toneladas de conteúdo. E não é qualquer conteúdo, e sim a mais deslavada coleção de clichês de filme Z a agraciar o mundo dos videogames. Se você duvida, simplesmente jogue o modo história – mas reserve bastante tempo, porque ele durará muito mais do que imagina. E embora muitos gostem de apontar para o jogo como uma “volta às raízes”, na verdade ele equilibra muito bem a necessidade de manter o que dava certo com bastante cuidado ao incorporar várias coisas novas, que realmente se encaixem bem na proposta: golpes de Raio-X, Kratos e Freddy Krueger como personagens extras, tag team, platéia online que pode dar notas, avatares propositalmente toscos… Foi assim que o jogo conseguiu ser convidativo até para quem nunca gostou da série (ou não conseguia jogá-la, como eu). Por tudo isso, ele é o escolhido do Re: Games como Melhor Jogo de Luta… Não apenas do ano, mas desta geração, no mínimo.

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Melhor Jogo de Plataforma: Outland

Capa de Outland (XBLA)

Calma, calma: não, eu não tenho um 3DS e com isso não joguei Super Mario 3D Land, e ainda nem cheguei perto de Rayman Origins (OK, na verdade cheguei a baixar a demo, mas por circunstâncias do momento, não joguei nem cinco minutos). Assim, a escolha acabou ficando relativamente fácil para mim, até por já estar definida há alguns meses. Cansei de ler ou ouvir várias pessoas relatando o quanto Rayman Origins resgatou o amor delas por platformers 2D, e consigo entender a sensação porque foi exatamente o que Outland fez por mim. Lost in Shadow teve um efeito parecido, mas não foi tão evidente, já que o jogo também tem puzzles e é um pouco longo demais, enquanto LittleBigPlanet 2 expandiu tanto as possibilidades como ferramenta de criação que quase se esquece que ainda é, em essência, um jogo de plataforma. Outland não foge das raízes do gênero com suas áreas secretas, a necessidade de acertar bem os pulos e o leve combate para dar um gostinho, mas também consegue se mostrar atual e rico ao incorporar muito bem a mecânica de troca de cores de Ikaruga – um jogo que nem de plataforma é – e apresentar uma direção de arte belíssima em seu minimalismo, com bastante uso de silhuetas e movimentos sutis nas sombras e em segundo plano. Isso sem contar algumas das lutas contra chefes mais bem boladas e precisas do ano, o preço camarada, e até mesmo uma narrativa mítica inesperada em jogos do gênero.

2º – LittleBigPlanet 2: Pode não ter os pulos e as mecânicas mais precisas do gênero, mas tem algumas das fases mais criativas.
3º – Lost in Shadow: Nada como uma perspectiva diferente para bagunçar o que você sabia sobre platformers; pena que é tão longo.

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Melhor Jogo de Quebra-Cabeças (Puzzle): Catherine

Capa de Catherine (PS3/X360)

Essa foi uma das escolhas mais difíceis de todo ano, até porque a natureza dos quebra-cabeças dos dois principais candidatos era diferente demais para fazer qualquer comparação direta. E não estou falando somente de perspectiva, 1ª vs. 3ª pessoa; pode-se dizer que os puzzles de Portal 2 são cerebrais e os de Catherine são emocionais. Claro, trata-se de um certo exagero, já que todo quebra-cabeças exige raciocínio e exercício mental, mas… Foi aí que Catherine levou a melhor: os seus puzzles são mais viscerais, mais tensos, devido a todo o contexto que os cerca e a forma como foram bolados. Não é uma questão apenas de tempo limitado para resolução, e sim de pressão por todos os lados: trilha sonora climática, cenário opressivo típico de filme de terror, outras ovelhas escalando os mesmos blocos e te atrapalhando, armadilhas, o desejo de pegar todo o ouro e os power-ups mesmo nos lugares menos acessíveis… Enfim, os quebra-cabeças de Catherine têm alguns elementos, como esse fator risco/recompensa, que os de Portal, por mais inteligentes que sejam, não têm. E, sejamos francos, os quebra-cabeças de Catherine também são mais difíceis sem serem injustos ou impossíveis – e embora normalmente não considere isso uma vantagem, quando se trata de quebra-cabeças, desafio conta.

2º – Portal 2: Está quase virando um clichê dizer que os dois Portal têm quebra-cabeças na medida certa para fazer o jogador se sentir inteligente… Mas é a mais pura verdade.
3º – Stacking: Mecânica inovadora com as bonecas russas e diversas soluções para cada puzzle, o que tornou o jogo acessível para todos e desafiador para os completistas.

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Melhor RPG: Dark Souls

Capa de Dark Souls (PS3)

Eu falei que a categoria Ação/Aventura era um ensaio para o melhor jogo do ano? Pensando bem, a de RPGs não está atrás. Embora eu tenha feito a escolha na semana em que comecei a jogar Dark Souls, dói no coração deixar para trás diversos jogos. Na verdade, dói não reconhecer nem mesmo entre os três primeiros boas surpresas como Dungeon Siege III, assim como Xenoblade Chronicles e The Witcher 2 (esses por ainda precisar jogá-los por mais tempo). Mas é difícil concorrer com Dark Souls. Um bom RPG, como se sabe, precisa no mínimo de um cenário/mundo que te cative, de um bom sistema de combate, de senso de escala e de uma narrativa intrigante… E Dark Souls tem tudo isso, mas em formas bastantes inusitadas. O mundo dele é bruto, sem praticamente nenhuma das convenções de fantasia instauradas por Tolkien, e é tão estranhamente interconectado a ponto de prescindir de fast travel ou outros meios de transporte que não os próprios pés. O jogo tem o combate mais preciso e acertado de qualquer jogo de hack n’ slash em 3ª pessoa (não só RPGs, qualquer um, ever), mas como contrapartida oferece um desafio fora do comum. Ele também não instiga a sensação de ser parte de um épico, como usual, e sim de ser um sobrevivente oprimido por todos os lados, inclusive por seus pares. Por fim, sua narrativa não tem nada de convencional, jogando fora qualquer forma de árvore de diálogos e relegando quase todas as escolhas importantes à ação direta do jogador (por exemplo, matar um NPC para pegar seus itens ou convocar a ajuda de outro usando um sinal no chão). Se alguns RPGs estão começando a parecer formulaicos ao usarem mundos abertos com missões paralelas, muito texto, combate marromeno e pouquíssimo foco, Dark Souls é o antídoto completo.

2º – Deus Ex: Human Revolution: Vários jogos em um, atmosfera perfeita, o retorno triunfal de uma ainda inimitada série clássica.
3º – Dead Island:
Um apocalipse zumbi diferente que empresta ideias de diversos jogos e acaba não se parecendo com nenhum.

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Melhor Jogo de Tiro: Bulletstorm

Bulletstorm (PC/PS3/X360)

Jogos de tiro com frequência são o principal alvo (trocadalho do carilho!) das críticas dos gamers “descolados” na atualidade, mas a real é que 2011 foi o ano mais diverso e criativo para o gênero em muito tempo – mesmo que alguns não tenham percebido isso por conta da “briga” besta entre fanboys de Modern Warfare 3 e Battlefield 3. E para sublinhar perfeitamente esse fato, nada como premiar o jogo de tiro que não foi apenas muito bem-feito em termos técnicos, algo que os jogos do gênero demandam hoje em dia, como também ofereceu um sopro de criatividade muito bem-vindo: Bulletstorm. Enquanto bombas como Hard Reset tentaram resgatar a jogabilidade dos FPS da década passada sem entender de verdade o que os tornava divertidos, Bulletstorm não manteve um olho só no passado, usando muito bem as possibilidades oferecidas pela tecnologia moderna para fazer o que os clássicos do tiroteio não podiam: premiar o jogador por matança criativa. Aqui, dar um headshot é coisa de noob; divertido mesmo é chutar uma fruta do cenário na cara do inimigo, usar o chicote elétrico para lançá-lo no ar e aí sim acertá-lo bem no meio dos olhos. Com tudo isso, o jogo nem precisava de uma narrativa, mas ele tem uma – e embora sua trama de vingança e fuga de um planeta abandonado esteja longe de ter qualquer profundidade, ela é contada de forma mais que decente, proporcionando alguns dos momentos mais memoráveis dos jogos eletrônicos nessa geração (quem jogou Bulletstorm jamais esquecerá de “Disco Inferno” e do Wallington P. Tallylicker). Por isso, leva o prêmio na base da botinada.

2º – Resistance 3: O arsenal mais variado de qualquer jogo de tiro já lançado, em um game sólido e cheio de clima.
3º – Rage: Quem sabe, sabe; atirar nunca foi tão natural quanto no jogo mais recente dos inventores do FPS, a id Software.

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Melhor Jogo por Distribuição Digital: Stacking

Capa de Stacking (PSN/XBLA)

A distribuição digital é cada vez mais comum em todas as plataformas, conquistando gamers aos poucos onde quer que eles ou elas joguem – e por isso mesmo muitas vezes esquecemos da principal vantagem dessa forma de distribuição, que é possibilitar o lançamento de jogos que nunca ganhariam sinal verde (ou jamais dariam lucro) no formato tradicional. Embora os mais apressados confundam distribuição digital com independência, a verdade é que mesmo os veteranos da indústria e publishers podem usá-la como veículo para desova de boas ideias que não sejam tão populares. Vide o caso da Double Fine e de Stacking. Tim Schafer pode ter muito renome, mas seu estúdio hoje é independente por fazer jogos que não têm apelo suficiente para vender milhões, e Stacking em especial insiste em um gênero que muitos consideravam morto, o de adventure com quebra-cabeças. E se não fosse a distribuição digital, jamais teríamos a chance de ver como o gênero pode ser revitalizado com ideias simples e muito bom gosto: quebra-cabeças com várias soluções, para impedir que o jogador fique “travado”; uma mecânica divertida e inusitada para resolvê-los, que envolve “encaixar” bonecas russas progressivamente até conseguir utilizar a habilidade necessária; uma história incomum sobre trabalho escravo/infantil nos anos 30; e, por fim, estética de filme mudo com uma trilha sonora apropriada, em um dos trabalhos de direção de arte e som mais bem-feitos do ano. Stacking mereceria o prêmio só pelo jogo que é, mas leva principalmente por representar melhor a categoria do que qualquer outro: Bastion ou Minecraft poderiam muito bem ter sido lançados em disco que gerariam uma boa grana, até por oferecerem conteúdo em quantidade suficiente, enquanto Stacking é o experimento digital de U$ 15 por excelência.

2º – Outland: Um jogo de plataforma belíssimo, que assim como Dead Island empresta de vários jogos e acaba não se parecendo com nenhum.
3º – Iron Brigade/Trenched: Tower Defense transformado em algo palatável até para quem não gosta de estratégia.

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Melhor Jogo para PC: The Witcher 2: Assassins of Kings

The Witcher 2: Assassins of Kings (PC)

Talvez alguns de vocês estejam pensando… “Mas como? Você nem escolheu Witcher 2 como um dos 3 melhores RPGs!”. Sim, para vocês verem como o ano foi bom para o gênero… Falando sério agora, na verdade só dei uma espiada rápida em The Witcher 2, já que ainda não terminei o primeiro jogo, e é complicado escolher um jogo como Melhor RPG sem ter jogado pelo menos uma parte substancial da história. Mas o pouco que vi já mostra o refinamento em comparação com The Witcher, então a sequência não poderia deixar de ser o Melhor Jogo Exclusivo para PC em 2011 a não ser que tivéssemos candidatos tão polidos quanto e mais inovadores. Com o desenvolvimento de games pendendo cada vez mais para lançamentos multiplataforma – o próprio The Witcher 2 deve ganhar uma versão para Xbox no ano que vem – o jogo não teve muita concorrência. Nada que o desmereça, muito pelo contrário: assim como Dark Souls e Dungeon Siege III, The Witcher 2 é mais um RPG de fantasia lançado em 2011 que se escora em personagens humanos e narrativas mais maduras, sem apelar para a cópia deslavada de Tolkien, para o heroísmo babaca, ou para gritos nórdicos sob medida para fazer nerds de porão se sentirem mais homens.

2º – Anomaly: Warzone Earth: De novo, o jogo de estratégia com mais dinâmica e ação merece destaque.
3º – Terraria: Uma espécie de Minecraft que deu certo, Terraria é um jogo 2D de construção e aventura bem mais dinâmico e intuitivo.

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Melhor Jogo para Portáteis: Ghost Trick: Phantom Detective

Ghost Trick: Phantom Detective (DS)

Independentemente da punheta que vários jornalistas de games batem para os dispositivos da Apple, 2011 foi um ano de transição para os portáteis, com o DS e o PSP nos estertores. Quem não comprou o 3DS ainda e está esperando o Vita (como eu, aliás) ficou com pouquíssimas opções de games disponíveis. E é só por isso, provavelmente, que o vencedor do blog nesta categoria não é Super Mario 3D Land, Mario Kart 7 ou Tom Clancy’s Ghost Recon: Shadow Wars. Na verdade, nem mesmo jogos bem cotados para DS, como Kirby Mass Attack ou Monster Tale, eu acabei jogando… Não que isso diminua o brilho de Ghost Trick, que andou ganhando suas indicações e prêmios por aí também. O jogo apresenta uma perspectiva diferente para jogos de quebra-cabeça: assista, como um fantasma, a uma cena se desenrolar com uma tragédia no final, e depois volte alguns minutos no tempo para possuir objetos e criar uma situação que evite que aquela tragédia aconteça – e no processo descubra mais sobre a sua própria morte. Não deixem o desenho engraçadinho da capa enganar vocês; Ghost Trick é uma joia rara que infelizmente saiu tarde demais no ciclo do Nintendo DS.

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Melhor Jogo para PS3: Uncharted 3: Drake’s Deception

Capa de Uncharted 3: Drake's Deception (PS3)

Até a última semana de dezembro, por diversos motivos, ainda não tinha posto as mãos em Uncharted 3. Embora preço tenha sido um fator, em parte havia também um certo medo de me decepcionar: Uncharted 2 foi um êxito tão grande que era difícil imaginar para onde a franquia poderia ir sem parecer mais do mesmo. Quando finalmente adquiri o jogo, meia hora com o controle na mão foi o suficiente para voltar a ser criança e deixar os medos bobos de lado; a série Uncharted se tornou uma experiência cinematográfica interativa e, por isso, a essa altura só precisa manter a esperteza para cativar. Drake’s Deception começa com dois truques básicos de narrativa para prender o espectador – um momento tenso, cheio de ação, e depois um flashback repentino – e a partir dali vai refinando ainda mais todos os marcos da série, como o trabalho de câmera, os diálogos, as animações e as reviravoltas de roteiro em uma aventura densa. Nem precisava atualizar a jogabilidade, mas olha só, foi exatamente isso que fizeram: as novas opções de combate corpo-a-corpo são muito bem-vindas, e agora o jogo flui muito mais naturalmente, sem dividir-se tanto em áreas mais apropriadas para cada tipo de combate (tem até um troféu por despachar 10 inimigos alternando entre tiros e socos!). Uncharted 3 também conseguiu superar o 2 em termos de IA, visuais e transições entre cutscenes e partes jogáveis, e o multijogador está melhor organizado, principalmente em termos de customização e menus. Mais do mesmo? Talvez, mas cada vez melhor, e com mais carisma do que qualquer outro jogo de ação em 2011.

2º – Resistance 3: A história mais interessante, o clima mais pesado e o arsenal mais divertido dos FPS de 2011.
3º – inFAMOUS 2:
 Praticamente tudo aprimorado em um jogo que já era bom, e ainda por cima desbravando fronteiras ao incluir um editor de missões em um jogo de mundo aberto.

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Melhor Jogo para Wii: The Legend of Zelda: Skyward Sword

Capa de The Legend of Zelda: Skyward Sword (Wii)

O Wii é o primeiro console doméstico dessa geração a ter seu sucessor oficialmente anunciado e, com isso, o ano foi de despedida. Se as desenvolvedoras de jogos de certos gêneros já tinham abandonado o aparelho, em 2011 nem mesmo as grandes publishers fizeram muito esforço para lançar coisas novas no Wii. Tirando as versões dos blockbusters de sempre – aqueles que saem para todas as plataformas possíveis e imagináveis, como os jogos de esporte ou o último Call of Duty – pouca coisa apareceu. Porém, como às vezes acontece nessas situações, o pouco que é dado é de coração, e Skyward Sword chegou como uma espécie de declaração de amor final e suprema aos fãs da Nintendo pela paciência e por insistir em um console menos poderoso do que os concorrentes. Não que esse Zelda seja previsível, muito pelo contrário: talvez tenha sido o jogo da franquia com mais inovações na fórmula desde Majora’s Mask. Do cenário inusitado no céu à relação mais próxima entre Link e Zelda, das dungeons em “camadas” à direção de arte impressionista, do puro prazer lúdico de empunhar a espada de Link com movimentos precisos à adição bem vinda de elementos de customização típicos de RPGs, Skyward Sword veio para fechar a carreira do Wii com chave de ouro e dar um gostinho de como os próximos Zelda poderão vir cheios de conteúdo e de novidades na próxima geração de consoles.

2º – Lost in Shadow: Jogo de plataforma com uma perspectiva diferente e uma das curvas de dificuldade mais suaves desde sempre.
3º – Xenoblade Chronicles: O RPG japonês se reinventando com um dos visuais mais bonitos do Wii.

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Melhor Jogo para Xbox 360: Gears of War 3

Capa de Gears of War 3 (X360)

Alguns talvez possam dizer que Gears of War 3 é apenas mais do mesmo, e até certo ponto têm razão – tanto que foi difícil escolher entre ele e o segundo lugar nesta categoria. A questão é que certos jogos simplesmente não têm muito espaço para melhora e/ou inovações formais sem descaracterizar a série ou abrir um spin-off. Como conclusão da trilogia, Gears of War 3 já funciona muito bem, mas a Epic ainda conseguiu injetar novidades onde dava: um novo modo multijogador cooperativo, em que se joga com os alienígenas; modo cooperativo para até quatro pessoas na campanha; modo arcade/de pontuação; uma maior alternância entre protagonistas na história; e sequências de sonho/alucinação/emoção inesperadas em um jogo que, de resto, é a epítome da testosterona em videogames. Tudo isso em um pacote altamente polido, cheio de opções, e que ainda oferece a melhor jogabilidade de tiro em terceira pessoa do mercado (com a possível exceção de Vanquish). Não gosto de premiar jogos por quantidade de recursos – até porque isso seria injusto com os independentes – mas Gears of War 3 não é apenas completo, e sim uma demonstração de profissionalismo, de qualidade, e de vontade de dar tudo o que for possível aos compradores… E por isso leva esta categoria.

2º – Iron Brigade (Trenched): Uma das ideias mais estranhas do ano, tower defense com mechas em 3ª pessoa, e a Double Fine tratou bem dela como sempre – humor incluso.
3º – Forza Motorsport 4: Outro pacote bastante polido e completo, mas que não trouxe tantas novidades quanto Gears 3.

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Decepção do Ano: Hard Reset

Hard Reset (PC)

Tudo é uma questão de perspectiva. Por um lado, Hard Reset prometia por ser um FPS cyberpunk meio old-school criado por ex-designers da People Can Fly (Painkiller) e da CDProjekt (GoG.com, The Witcher). Essa é a visão meio cheia do copo, porém; pergunte a si mesmo por que alguém sairia dessas empresas agora, justamente quando elas estão no auge? Talvez por que ambas tenham embarcado em projetos fora do mundinho do PC, como Bulletstorm e Witcher 2? Considerando como Hard Reset saiu, muito provavelmente. O jogo é cheio dos vícios para enganar fanboy de PC: ele é “old school” somente na velocidade, ignorando solenemente todo o resto que tornou suas inspirações, como Serious Sam, jogos clássicos, e mantendo tudo o que há de pior nos FPS mais modernos. A junção de correria sem espaços abertos nem arsenal significativo com fases de corredor e inteligência artificial qualquer nota já seria o suficiente para irritar, mas Hard Reset ainda por cima testou a paciência ao usar todos os clichês possíveis do gênero cyberpunk sem nem mesmo fingir que sequer tinha uma história, nem que fosse meia-boca. Só não foi ainda mais criticado por que, como se sabe, jogos indie e a preço menor não recebem nota abaixo de 7. Se tivesse saído por uma Ubisoft ou Activision, com certeza a média do Metacritic ficaria em 5…

2º – Duke Nukem Forever: Não que ninguém com dois neurônios esperasse muita coisa desse Duke Nukem, mas ainda assim, ficou abaixo da crítica.
3º – The Gunstringer: Idem ibidem, embora todo o marketing sobre como este seria o “jogo hardcore” para Kinect já tivesse sugerido que lá vinha merda.

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Melhor Direção de Arte: El Shaddai: Ascension of the Metatron

Capa de El Shaddai: Ascension of the Metatron (PS3)

Ano após ano, os jogos estão ficando cada vez mais realistas, mas isso não quer dizer que estejam mais bonitos. E não estou falando daquela fase em que parecia que todo jogo era cinza ou marrom, e sim da falta de referências visuais mesmo. Entre a tendência cada vez mais cinematográfica dos games blockbuster e os toques mais cartunescos dos jogos independentes/portáteis/de celular, há ainda uma multitude de inspirações em outros tipos de arte visual, como pintura e fotografia digital, que os jogos eletrônicos ainda nem tocaram direito. Exceções como Okami já apontaram o caminho na geração anterior, e El Shaddai: Ascension of the Metatron veio para marcar posição em diversas frentes. Cada capítulo da jornada de Enoch tem um estilo visual diferente, todos unidos por um toque psicodélico, mesmo na área mais futurista de todas (que, não por acaso, lembra tanto Akira quanto Tron). As fases em aquarela, ou as com filtros de ruído visual nas áreas fora das plataformas, são de encher os olhos e fazer com que desavisados parem para assistir o que está acontecendo na tela. Isso sem contar a armadura de Enoch, que ainda serve como indicação visual da vitalidade do personagem, e a união bizarra do bíblico e do moderno em certos detalhes – tanto o protagonista quanto seu guardião Lucifel usam jeans e roupas industrializadas em conjunto com armas e aparatos irreais. Nada em El Shaddai é convencional, mas a direção de arte vai além: ela é um divisor de águas nos videogames.

2º – Alice: Madness Returns: O Alice antecessor já tinha uma direção de arte inusitada, e Madness Returns se preocupa menos ainda com chocar e mais com causar estranheza e admiração ao mesmo tempo.
3º – Dark Souls: Pode parecer padrão de fantasia medieval à primeira vista, mas o jogo é riquíssimo e inusitado nos detalhes.

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Melhor História: Catherine

Capa de Catherine (PS3/X360)

Virou clichê de gamer metido a cool reclamar que os jogos em geral são sobre dar tiro e porrada em todo mundo, mas essa é apenas uma dimensão de um problema maior: os jogos blockbuster são feitos, em grande parte, para adolescentes. Adoramos apontar que na Austrália a média de idade do gamer é 35 anos e factóides afins, mas poucos admitem que idade real pouco importa quando uma parcela razoável dos jogadores, especialmente os que se auto-classificam como “hardcore”, tem idade mental na casa dos quinze anos, se tanto. Isto é, dar tiro e porrada é o de menos; o problema é quando a fantasia de poder leva a babaquices hormonais. Por isso a história de Catherine foi tão marcante: existem vários jogos que não se escoram só em tiro e porrada, mas o jogo da Atlus impressionou por parecer ter sido feito por adultos reais para adultos reais, especialmente aqueles que estão na casa dos trinta e que já tiveram sua cota de relacionamentos amorosos. A narrativa parte de uma premissa simples – trintão preguiçoso enrola para casar com a namorada do colégio e, após tomar todas, acaba parando na cama de outra mulher – para traçar uma história tensa e assustadora sobre responsabilidade, desejo e convicções pessoais, incluindo até mesmo um toque de fantasia que nunca embota as questões principais do roteiro. E além de ser muito bem-contada, com personagens marcantes e bons diálogos, a trama de Catherine tem o bom tom de jamais julgar o jogador pelo lado que ele resolver tomar – seja o de Catherine, a amante, ou de Katherine, a namorada. A concorrência foi dura, mas somando todos os fatores, Catherine teve a história mais madura do ano – e talvez de qualquer videogame já feito.

2º – Portal 2: O primeiro jogo tinha alguns dos melhores diálogos da história dos videogames; a sequência consegue igualar o feito e amarrá-los em uma história coerente e divertida.
3º – L.A. Noire: Uma aula de como contar uma história com mais de um nível/camada em videogames: aqui, o passado informa o presente e os casos isolados formam uma trama maior.

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Jogo Mais Inovador: Catherine

Capa de Catherine (PS3/X360)

Medir inovação geralmente é algo difícil, mas embora o ano tenha sido repleto de jogos bons e inovadores, nenhum foi tão longe quanto Catherine. É só fazer comparações diretas em qualquer perspectiva que puder imaginar. A história de Portal 2 foi surreal? Sim, mas não tem ovelhas falantes em pesadelos nem trata de relacionamentos amorosos, algo incomum em games. Mass Effect 2 tem escolhas morais? Sim, mas o jogo não exibe os resultados das escolhas dos jogadores online em um gráfico depois. Q*Bert tinha quebra-cabeças em blocos empilhados? Sim, mas não tinha movimentação livre dos próprios blocos, a tensão do tempo limitado para conseguir chegar ao topo, a quantidade de blocos especiais… E novamente, as tais ovelhas falantes, entre outros detalhes. Poderia continuar aqui por parágrafos e parágrafos, mas para resumir, Catherine reúne elementos aparentemente díspares – aventura em 3D, anime, quebra-cabeças em 3D, relacionamentos e realismo mágico – de uma maneira tão, tão peculiar, que boa parte da atenção da imprensa se voltou para ele unicamente pelo fator estranheza. Quem nunca o jogou está intrigado até hoje, buscando entender que diabos tem nesse jogo; quem o jogou reconhece que não há nada remotamente parecido com ele, nem mesmo os jogos anteriores da mesma equipe, responsável pela série Persona/Shin Megami Tensei.

2º – El Shaddai: Ascension of the Metatron: Visual psicodélico, jogabilidade simplificada, lutas “prévias” contra chefes, tela livre de qualquer informação “gamística”, fases 2D surreais… Quase tudo foi novo em El Shaddai, que só não levou por ter concorrido com o jogo mais bizarro dessa geração.
3º – Shadows of the Damned: A jogabilidade básica pode ter vindo de Resident Evil 4, mas os puzzles, a visão única do inferno, a sátira velada às narrativas do tipo “salvar a princesa” e o uso da escuridão garantiram a sensação constante de algo novo.

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Melhor Multijogador: Dark Souls

Capa de Dark Souls (PS3)

A princípio, pode parecer estranho premiar um modo multijogador que não deixa que amigos se encontrem para cooperar ou se enfrentar, e que literalmente permite invadir a campanha single player dos outros. Porém, estas são justamente duas das forças do multijogador de Dark Souls, e casam perfeitamente com o jogo. Assim como Demon’s Souls, Dark Souls é uma experiência desoladora, e com isso faz todo sentido que o multijogador apele para extremos: quando você consegue cooperar com estranhos, fica a sensação de que é preciso ser obstinado para triunfar em um mundo tão pouco misericordioso, e de que a cooperação vale mais do que ouro e é mais rara do que diamante; quando se é invadido, tem-se a certeza de que o universo está tão corrompido que nem mesmo os “heróis” estão livres da ganância. E isso não leva em conta a gama de emoções relacionadas: cada vitória contra um chefe com companheiros desconhecidos é eufórica, e cada invasão – iniciada por outros ou por você – é um momento tenso como você nunca viverá em outro jogo. Além do mais, é uma inversão completa de como os jogos de sucesso vêem o multijogador, e merece o prêmio só por essa ousadia.

2º – Assassin’s Creed: Revelations: Refinando ainda mais a fórmula tática e cerebral do multijogador de Brotherhood, não tinha como não incluir Revelations entre os melhores. Aqui, o que importa não é precisão e sim inteligência, algo raro em modos multijogador.
3º – Portal 2: Quem diria que um modo cooperativo em Portal iria funcionar tão bem, e com direito a cross-platform entre PS3 e PC?.

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Melhor Relançamento/Remake em HD: Metal Gear Solid HD Collection

Capa de Metal Gear Solid: HD Collection (PS3)

Ao criar esta categoria, quis reconhecer a grande quantidade de relançamentos e remakes que surgiram em 2011, mas nem eu mesmo sabia exatamente quais critérios poderiam ser usados para definir qual deles era o “melhor”. Podia escolher simplesmente o disco que contém o(s) melhor(es) jogo(s), mas esse não é o único fator importante, certo? Há, por exemplo, a qualidade do redesenho/upscale para HD, os extras disponíveis, e a relevância de se relançar aquele(s) jogo(s) agora, nesta geração, nas plataformas em que o relançamento aconteceu. E o produto que alcançou o maior equilíbrio entre todos esses fatores foi Metal Gear Solid HD CollectionOcarina of Time pode até ser mais relevante como jogo, mas teve seu relançamento limitado a uma plataforma portátil, além de já estar disponível há tempos no Virtual Console do Wii; ICO & Shadow of the Colossus podem ser jogos inesquecíveis, mas ganharam apenas um upscale e os extras são poucos além dos troféus, e assim por diante. Metal Gear Solid HD Collection não apenas contém um bom trabalho com HD e troféus, como leva os jogos a outras plataformas (Xbox 360), usa as edições especiais de MGS 2 e 3 (isto é, toneladas de conteúdo extra, incluindo os dois primeiros Metal Gear para MSX!) e mantém o multijogador de Peace Walker. Assim fica difícil para a concorrência…

2º – GoldenEye 007 Reloaded: Uma aula de como fazer um remake: mecânicas modernas, espírito do original e toneladas de opções de jogo. Ah, e o visual foi redesenhado, não é apenas um port HD da versão de Wii.
3º – Halo Combat Evolved Anniversary: Uma recriação em engine nova rodando “por cima” do jogo original, permitindo alternar entre o visual antigo e o novo, e que disponibiliza mapas multijogador originais para o jogo mais recente da série? Esse certamente não foi um relançamento/remake comum…

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Surpresa do Ano: Driver: San Francisco

Capa de Driver: San Francisco (X360)

Embora o ano de 2011 tenha sido definido tanto pelos novos jogos quanto pelas sequências bombásticas de séries estabelecidas, outra característica marcante que o sedimentou de vez como o ano mais prolífico para os videogames nessa geração (no mínimo) foi a quantidade de jogos que acabaram saindo muito melhores do que o passado e/ou os previews sugeriam. Foi difícil escolher um deles, mas Driver: San Francisco acabou levando a melhor por ter sido surpreendente em diversas frentes além do conteúdo e da qualidade. Ninguém esperava que viesse algo bom após uma ou duas edições chochas de uma franquia que já não tinha sido tão famosa assim, e muito menos que uma mecânica aparentemente tão fora de propósito em um jogo de corrida fosse dar certo; ainda por cima, o jogo foi adiado algumas vezes, o que costuma ser um mau sinal, e veio até com problemas de distribuição de códigos de passe online. Mas no final das contas, San Francisco não revitalizou o gênero de corrida em mundo aberto apenas com suas “viagens fora do corpo”, mas também com sua apresentação geral (60 frames por segundo com bom visual, muito trânsito nas ruas e vários pedestres na cidade), sua trilha sonora que não apela para clichês típicos de games de ação automobilística, e uma identidade visual facilmente reconhecível, desde os carros em si até os menus. Se alguém dissesse no início do ano que o próximo Driver seria um dos jogos de corrida mais divertidos dessa geração, e que ficaria a apenas uma boa história de ser um dos melhores jogos do ano, qualquer um daria risada; e é por isso que ele foi a maior surpresa de 2011.

2º – Dungeon Siege III: De repente, de uma série de RPGs sem graça, surge uma rara história de fantasia sem milhares de clichês de Tolkien e sem o fetiche por 100 horas de jogo e missões paralelas.
3º – Mortal Kombat: Os vídeos e informações eram promissores, mas o passado condenava… E mesmo os otimistas não esperavam que fosse ter tanto conteúdo e ser tão bom.

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Melhor Trilha Sonora: Driver: San Francisco

Capa de Driver: San Francisco (X360)

Alguns de vocês podem achar que não faz sentido comparar trilhas sonoras de músicas licenciadas com trilhas originais, mas para mim isso depende de cada caso. Em um jogo de esporte qualquer, em que as músicas estão lá apenas nos menus para animar durante uma partida ou outra, ou apenas para “dar adrenalina” durante o gameplay, realmente não dá para considerar a trilha como nada mais do que uma distração, por melhores que as músicas sejam. Por outro lado, também não curto muito o fetiche de certos gamers por música orquestrada; uma das coisas mais legais do avanço tecnológico é poder incluir o que quiser, não apenas música instrumental em loop. O caso de Driver: San Francisco é emblemático. Sim, são canções de rock, blues e black music licenciadas, mas elas estão lá para compor o cenário setentista – e a escolha foi de tão bom gosto, tão avessa a hits facilmente reconhecíveis mas ao mesmo tempo tão recheada de autênticas pérolas da época (ou que imitam muito bem o som da época, como no caso do Jamiroquai), que a música em Driver: San Francisco se torna o principal fator a sublinhar o clima do jogo, mais até do que os visuais, as roupas, os carros e os diálogos. Não me lembro de nenhum jogo “de época”, de corrida ou de qualquer outro gênero, em que uma coleção de músicas licenciadas tenha esse poder.

2º – L.A. Noire: Jazz e orquestra com clima de investigação/mistério pontuam o jogo inteiro, em uma perfeita recriação sonora da atmosfera dos filmes noir.
3º – Catherine: Alternância marcante entre temas relaxantes no bar e música orquestrada de terror nas fases de puzzle, e ainda oferece de brinde temas da série Persona como recompensa ao ganhar troféus.

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Pior Jogo do Ano: The Gunstringer

The Gunstringer (X360)

Já estou ouvindo daqui os murmúrios – “pô, pior que Duke Nukem Forever? Não é possível!”. Sim, é. O jogo de Duke tem diversos problemas, inclusive uma grande capacidade de ser pueril, mas nem mesmo nesse sentido consegue superar The Gunstringer, e não representou um engodo coletivo tão grande. Ninguém comprou Duke Nukem Forever com esperança de que ele fosse ser o “jogo rardicó para o Kinect”, por exemplo, e a imprensa americana não deu notas 8 e 9 para o jogo só para “dar uma força” para a Gearbox. A empresa também não começou/retomou o desenvolvimento dele como jogo para download, nem tentou depois arrancar um pouco mais de grana passando para formato em disco e enfiando um jogo extra de 10 dólares (Fruit Ninja Kinect) para justificar o injustificável. Duke Nukem Forever pode ter mil problemas de mira e controle, mas pelo menos não recicla ideias de coletâneas de minigames da época do lançamento do Wii, e não tenta depois se vender como revolucionário nesse aspecto. Também não proclamou ser algo que não é, como “o primeiro jogo de Kinect que pode ser jogado sentado” (Joy Ride e Child of Eden fizeram isso antes). E embora a dificuldade de Duke Nukem Forever seja uma bagunça graças ao design pobre e aos controles imprecisos, ainda assim não foi conscientemente reduzida a zero em diversas passagens para compensar a inexperiência dos desenvolvedores com um periférico. Enfim, para encerrar, a comparação mais emblemática… Em Duke Nukem Forever, cenas e insinuações de sexo nojento são resultantes de uma invasão alienígena, e não algo gratuito apenas para justificar a existência de um chefe meio crocodilo/meio lenhador… que alguém achou que seria engraçado. E chega, que a vontade de vomitar tá grande.

2º – Duke Nukem Forever: O Duke fez de tudo – até catar fezes na privada, como se fosse um macaco – para superar The Gunstringer, mas não deu.
3º – Hard Reset: O pior dos FPS antigos com o pior dos novos, e ainda por cima em corredor e sem propósito? Assim eu prefiro ir de Modern Warfare 25 mesmo…

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Melhor Jogo de 2011: Catherine

Capa de Catherine (PS3/X360)

Chegamos ao final com o maior prêmio de todos, e… Alguém aí está surpreso? Se me acompanha regularmente no blog e/ou no Twitter, provavelmente não. Catherine foi o jogo mais inovador e mais maduro não apenas de 2011, mas de toda essa geração. Mesmo quem não gosta dele há de reconhecer que a história não é banal nem feita para adolescentes, como em 95% dos jogos criados desde que games passaram a incluir diálogos e cutscenes, e que não há nada remotamente parecido com Catherine (não adianta, a inspiração em Q*Bert é apenas uma parte do pacote). Ainda por cima, o jogo teve uma das melhores trilhas sonoras, ótimas animações e bizarrices ocasionais interessantes. Ele também não julga suas escolhas e consegue reproduzir na jogabilidade a mesma tensão que o protagonista Vincent vive graças à situação em que se meteu. O jogo também consegue a proeza de evitar a repetitividade mesmo usando como base um tipo bem específico de quebra-cabeças, e até oferece modos multijogador locais, tanto cooperativos quanto competitivos, após o jogador dominar os puzzles da história – que, aliás, são tão difíceis que a dificuldade recomendável de saída é a Easy mesmo; não é exagero dizer que Catherine é o Demon’s Souls do gênero puzzle. Não há praticamente nada a ser reparado em Catherine, que provavelmente será lembrado daqui a cinco ou dez anos como um clássico cult absoluto que merecia ainda mais atenção do que recebeu, mais ou menos como os jogos do Team ICO hoje em dia.

2º – Dark Souls: O melhor combate de qualquer RPG de ação já feito, envolto pelo cenário mais intrincado do gênero e pela narrativa mais sutil.
3º – Portal 2: Uma jornada inesquecível cheia de quebra-cabeças inteligentes, diálogos engraçados, personagens carismáticos e uma atmosfera única.
4º – Deus Ex: Human Revolution: A única série de RPG cyberpunk que realmente importa voltou, agora com mecânicas mais sólidas e uma trama menos pueril.
5º – Batman: Arkham City: O que parecia impossível de aprimorar ficou ainda melhor.

♦♦♦♦♦

2011 em videogamesUfa. Se você chegou até aqui, ou gosta mesmo de ler o que escrevo ou teve bastante curiosidade sobre o que aconteceu de melhor em 2011 – e deveria, já que esse foi, com folga, o melhor ano dessa geração de videogames, e melhor até do que muitos anos da geração anterior. Basta olhar para os cinco jogos que escolhi como os melhores do ano, acima: considero todos eles melhores do que o jogo de 2010, Red Dead Redemption, e os três primeiros entram direto entre os 10 melhores games que já joguei na vida.

De fato, esse não é um blog que idolatra o passado, mas isso não quer dizer que ache tudo o que sai de novo bom. Os piores jogos deste ano, por exemplo, também foram de uma ruindade mais pronunciada do que no ano passado: prefiro mil vezes me arriscar em Kung Fu Rider do que em Gunstringer novamente, e até ganhei uma apreciação maior por Super Meat Boy após ver o quão longe a nostalgia mal direcionada pode ir em Hard Reset. Mas esses casos foram as exceções, não a regra. A regra foi um nível de polimento sem precedentes para os blockbusters e um sopro incomum de criatividade nas franquias inéditas. Que em 2012 as produtores continuem seguindo o exemplo e evitem o modismo fácil dos jogos sociais e para celulares/tablets que a imprensa vem tentando empurrar!

28 comentários sobre “Melhores de 2011: os escolhidos do blog

  1. “You shitpiles give chase, I will kill your dicks!”
    “What? You’re gonna kill my dick? What does that even mean?!”

    Amo Bulletstorm. xD

    Os games ainda tem muito campo a explorar em termos de direção artística, mas este ano tivemos vários jogos legais com estética diferenciada, né? Outland, Bastion, Lost in Shadow, Shadows of the Damned, Alice, Stacking, os cenários psicos de El Shaddai, Skyward Sword… Gosto muito de games com propostas não-convencionais, então torço pra que essa tendência continue/cresça em 2012.

    PS: Eu achava que Deus Ex entraria no seu top 3 de história.

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    1. Isso. E o mais importante: mesmo que eu não tenha nem mencionado o Dragon Age II na categoria RPG, você não me condenou por isso. Compare com a reação que eu tenho recebido no Twitter – me acusaram até de querer “fazer marketing” com essa lista. Ou seja, na cabeça desse pessoal, todo mundo tem que aceitar Skyrim como a sétima maravilha do universo… Poupem-me.

      Até usaram uma falácia básica, o argumento ad populum (“todas as outras listas escolheram Skyrim como GOTY, só a sua tá certa?”). Isso já é raciocínio falho em si, mas ainda por cima a premissa não condiz com a realidade dos fatos: sem pesquisar muito, descobri que a EDGE escolheu Skyward Sword como GoTY, e que dos sete editores do Gamespot, somente um votou em Skyrim como GOTY, e três deles nem mencionaram o jogo. Tenho certeza de que se procurarmos vamos achar mais listas onde Skyrim não ganhou… Mas eu tenho mais o que fazer, não tenho que justificar minhas escolhas para ninguém além do que já fiz no blog.

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      1. Hahaha essa foi boa!

        Quem tem uma boa estratégia de marketing é o pessoal do Skyrim, isso sim!

        Devem ter pago um bocado de gente pra entrar nos 4chan e reddits da vida e ficarem criando memes. Assim o pessoal joga só pra não ficar de fora das piadas.

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    1. Valeu o elogio \o/ Era o mínimo que tinha que fazer, Demon’s/Dark Souls são RPGs únicos.

      Olha que hoje eu tô quase cortando amizade com quem fala em Skyrim, hein!😄
      (Já bloqueei uns três fanboys no Twitter hoje – um deles até mandou amiguinho vir defender o jogo pra mim. Olha o nível da coisa…)

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  2. É engraçado mas eu estava pensando se a prisão Arkham City não é uma alusão bem sutil a Prisão de Guantánamo ou eu estou enxergando coisas que não existem.

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    1. Você tá enxergando coisas que não existem🙂

      Até porque o problema de Guantánamo é ter gente presa lá que não passou pelos processos legais adequados (americanos ou da ONU), graças a um acordo dos EUA com Cuba antes da revolução. A prisão de Arkham City foi votada e criada nos processos legais, e os criminosos que foram para lá também foram julgados normalmente. Se a intenção era fazer um paralelo, foi o mais mal feito que já vi na história da ficção inteira, em qualquer mídia😄

      Quem fez um paralelo DIRETO com Guantánamo foi o Kojima agora no Metal Gear Solid V: Ground Zeroes. Tem até uma missão extra que inicia com o aviso “Inspirada em fatos reais”.

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  3. E tem razão eu estou vendo coisas que não existem no jogo mas nem todos os prisioneiros de Arkham City são bandidos no jogo você encontra uns jornalistas e uns opositores políticos a Quincy Sharp que foram jogados lá mas que são inocentes.

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    1. Ainda assim, isso acontece ou aconteceu em um monte de países, e os adversários políticos passaram pelo processo normal (ainda que muito provavelmente com juízes comprados e tal).
      Guantánamo é para prisioneiros de guerra que vão direto para lá, sem processo legal nenhum, com base na alegação de que são terroristas. É bem diferente.
      Arkham tem mais a ver com corrupção simples mesmo.

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          1. Nada só estou mostrando que nem todos os prisioneiros são necessariamente bandidos comuns mas que eram opositores políticos que faziam uma denúncia contra a Arkham City e acabaram sendo jogados lá para abafar o caso. Mas esse lance de Guantánamo tem razão não tem nada a ver com Arkham City foi uma interpretação errada minha.

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  4. Mas o que é importante mesmo nessa vida que é ensinada pelo maior filósofo do universo Alexandre Frota O negócio é comer cú e buceta. Na minha opinião, o maior filósofo contemporâneo! Suas palavras são embasadas no empirismo que defende veementemente e sua crítica aos padrões sexuais impostos pela sociedade serve de parâmetro para especialistas vanguardistas da sexologia.

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  5. E como propagaríamos esses genes? “Comendo cu e buceta”. Seguindo essas filosofias, então se chegaria a conclusão de que tudo é sexo, que o negócio é comer cu e buceta. Agradeçamos a Alexandre Frota por difundir, de forma tão direta e tão resumida, o que os vários livros de Freud e Richard Dawkins demoraram páginas para expressar!

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    1. Tá bonito, já pode se candidatar a professor universitário ou intelectual no Brasil!😄

      Nem precisa explicar como é que se propaga genes pelo cu, a maioria desse povo tá experimentando direto para ver se descobre mesmo
      (HADOUKEN!)

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