Balanço do 2º trimestre de 2011

Poltrona de Balanço GamerE mais um trimestre passou – caramba, parece que foi ontem que fiz o primeiro balanço trimestral de lançamentos este ano. Muita coisa mudou desde então, inclusive como tenho consumido jogos; agora como freelancer, preciso ser um pouco mais criterioso nas compras, e vocês provavelmente notarão que a partir de julho há mais games que só experimentei em versão demo. Anyway, essa lista continua seguindo os mesmos critérios gerais: são jogos que me interessaram de uma forma ou de outra, e que saíram pras plataformas a que tenho acesso ou poderei ter no futuro (como o 3DS). O mais gritante aqui, na verdade, é a total ausência de jogos de Wii. Não que o primeiro balanço tivesse muitos – só Lost in Shadow e Conduit 2 – mas 5-6 meses sem um grande lançamento é tempo demais. O próximo trimestre deve ver os últimos suspiros do console, com os novos Zelda e Kirby, mas por enquanto vamos nos distraindo no PS3, no Xbox 360 e no PC.

Maio

Maio não foi o mês com o maior número de lançamentos deste trimestre, mas talvez tenha sido o de qualidade mais estável: além de incluir dois candidatos seríssimos a Game of the Year, o maior “problema” dos “piores” jogos do mês foi não apresentar muitas novidades. Assim dá mais gosto.

  • L.A. Noire (PS3/X360)13 – Brink (PC/PS3/X360): Comprei, jogo até hoje e não me arrependo nem um pouco. Talvez ajude bastante o fato do primeiro patch ter corrigido alguns problemas de frame rate e de conexão online, também. Divertido shooter baseado em objetivos e com pelo menos uma boa sacada, a movimentação dinâmica pelos cenários usando parkour.
  • 17 – L.A. Noire (PS3/X360): Não é nenhuma surpresa dizer que a Rockstar cumpriu expectativas. Porém, considerando a nova tecnologia de animação facial, se alguma vez houve uma chance deles errarem o alvo, essa vez seria L.A. Noire. Felizmente, o jogo é só alegria: como uma reinvenção dos jogos de adventure pontuada pela interface e pela ação de um GTA, só que em narrativa episódica, L.A. Noire não tem precedentes diretos.
  • 17 – The Witcher 2: Assassins of Kings (PC; X360 no início de 2012): Mal comecei a jogar o primeiro The Witcher, mas a sequência está sendo muito elogiada e servindo como parâmetro de comparação para todos os outros RPGs de fantasia medieval deste ano. Me pergunto o quanto disso é real e não uma tentativa de alavancar artificialmente a popularidade de um jogo inicialmente exclusivo de PC; na pior das hipóteses, saberei quanto sair a versão para Xbox 360.
  • 24 – Dirt 3 (PC/PS3/X360): Fui um dos felizardos a ganhar o jogo em versão Steam na promoção da nVidia, mas o meu computador está no limite das especificações mínimas dele. Com isso, só pude jogá-lo com tudo no low. Prefiro esperar trocar a placa de vídeo antes de jogá-lo mais e emitir uma opinião.
  • 31 – Hunted: the Demon’s Forge (PC/PS3/X360): Jogo de ação em um mundo de fantasia medieval sombria, com ênfase no modo cooperativo. Ao que parece, porém, o jogo é apenas mediano, sem comprometer muito mas também sem oferecer nada de diferente. E é essa última parte que me dói.

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Junho

Se maio foi o mês da qualidade, junho foi o da quantidade. E olha que nem incluí jogos digitais como Outland e Beyond Good & Evil HD, que só chegaram na PSN em junho por conta da queda da rede. Ainda assim, não é justo dizer que faltou qualidade; tivemos, sim, uma ou duas grandes decepções entre os blockbusters do mês, mas alguns dos melhores jogos do ano até agora estão aqui.

  • Capa de inFAMOUS 2 (PS3)7 – inFAMOUS 2 (PS3): Mais do mesmo? Confere. Melhorado? Em grande parte, sim, confere. Alguma coisa nova? Confere. inFAMOUS 2 provavelmente não convencerá quem não gostou de nada do primeiro… Porém, quem o jogou e pediu mais poderes, mais devastação, mais cores e mais pompa, pode ir sem medo. E não é só isso! Não desligue agora! Tem também um editor de missões para tornar o seu mundo aberto ainda mais lotado de conteúdo!
  • 7 – Red Faction: Armageddon (PC/PS3/X360): As notas de algum sites podem não empolgar muito, mas não se deixe enganar por elas. Armageddon não é uma “regressão” linear após um dos jogos de mundo aberto mais explosivos que existem, Red Faction: Guerrilla, e sim uma belíssima tentativa de revitalizar o gênero de tiro em 3ª pessoa. A Volition usou sua engine de destruição para criar oportunidades estratégicas que nenhum outro jogo do gênero consegue oferecer. Se fosse só isso já bastava, mas Armageddon ainda vai mais longe e permite reconstrução de cenários destruídos… e a Magnet Gun. Só esses dois fatores já valeram o jogo.
  • 14 – Alice: Madness Returns (PC/PS3/X360): Muitos esperavam que Madness Returns apenas recauchutasse o primeiro, e como essa era a expectativa, foi isso que muitos viram… Mas para quem só jogou o primeiro agora, como brinde de Madness Returns, está claro que o novo Alice é um salto enorme de qualidade em vários aspectos – e não serão alguns bugs gráficos bem ocasionais que diminuirão o brilho da direção de arte, da jogabilidade mais elaborada, e da beleza da jornada como um todo.
  • 14 – Child of Eden (X360; versão PS3 em setembro): Mais do que um shooter on-rails, Child of Eden é a experiência sinestésica de som, visual e movimento que só a nova tecnologia do Kinect poderia proporcionar. Poucos jogos podem deixar alguém tão eufórico ou relaxado, a não ser que se odeie música eletrônica.
  • 14 – Duke Nukem Forever (PC/PS3/X360): Joguei o demo e foi com folga o pior FPS que joguei nesta geração. É chato dizer isso, mas é a real. Dá para ver as boas intenções, a inspiração em Half-Life 2 e a vontade de trazer mais diversão ao gênero de tiro, mas na prática, nada funciona como deveria: o humor é seco, a física falha, o visual é esquisitíssimo, a mira é volátil, a taxa de quadros incostante, o jogo é difícil não por design e sim por táticas baratas… Enfim, é uma colcha de retalhos de 13 anos de desenvolvimento.
  • 19 – The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D (3DS): Um clássico recriado com efeito 3D, novas texturas e a incorporação do modo Master Quest, antes disponível apenas em um disco-bônus da pré-venda de Wind Waker para GameCube. Não há muito o que dizer; se você tem o 3DS, não há porque não jogar Ocarina de novo ou pela primeira vez – afinal, não é como se jogos bons estivessem sobrando para o portátil…
  • Shadows of the Damned (PS3/X360)21 – F.3.A.R. (PC/PS3/X360): Surpreendentemente, um dos três melhores FPS do ano até agora. Jogo de terror? Bom, como alguns sustos são gerados aleatoriamente, até dá para ter medo de vez em quando. Mas quem se importa? F.3.A.R. é a série saindo do armário de vez, entregando o jogo de tiro que sempre prometeu e deixando pra trás o sonho de ser o jogo de terror que nunca conseguiu ser.
  • 21 – Shadows of the Damned (PC/PS3/X360): In Suda 51 I Trust, e o jogo de fato entrega aquilo que esperava. Se você não gosta do humor punheteiro de No More Heroes, este jogo não vai convertê-lo ao modo Suda de narrar, mas pelo menos pode conquistá-lo com suas bizarrices nonsense supremas e com a jogabilidade derivada de Resident Evil 4 e Alan Wake, a cargo do produtor do jogo, Shinji Mikami. Tempere com a excelente trilha sonora de Akira Yamaoka (Silent Hill) e você tem um road movie pós-moderno em forma de jogo que perverte uma típica história de resgate de princesa (é sério!). Que o Nightmare Team formado pelos três continue atuando em conjunto; a indústria precisa deles.
  • 21 – Splinter Cell Classic Trilogy HD (PS3): Coloquei este jogo aqui só para corrigir uma falha minha nas previsões de junho: ele na verdade não saiu ainda. A data é nebulosa, mas deve ser em setembro.
  • 21 – Dungeon Siege III (PC/PS3/X360): Terceira edição da franquia de RPG de ação, com visão isométrica, cutscenes de jogo em terceira pessoa e enfoque colaborativo. Obviamente, foi criticado por descartar diversas complicações dos jogos anteriores, que certamente ficaram datados a essa altura. Na prática, me parece ser o que Diablo III poderia se tornar se a Blizzard tivesse roteiristas de fantasia minimamente decentes.

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Julho

Julho, como todo bom mês de férias, não foi recheado de lançamentos – e ainda por cima parece que um deles ficou abaixo das expectativas (não sei porque não o joguei). Mas tudo bem; sobra mais espaço então para um certo jogo fantástico se sobressair…

  • Capa de Catherine (PS3/X360)19 – Call of Juarez: The Cartel (PC/PS3/X360): Terceiro jogo da série de faroeste, desta vez ambientada nos… Tempos atuais? Um conceito intrigante, para dizer o mínimo. Porém, a julgar pela média no Metacritic, o jogo em si se perdeu em termos técnicos. Se for verdade, é uma pena, já que a série foi bem recebida anteriormente.
  • 20 – Bastion (XBLA; PC em 16 de agosto): RPG de ação para download com identidade visual bem peculiar, cenários que vão “se montando” à medida que são percorridos, e um narrador dinâmico que responde às ações do jogador – por exemplo, ao sair quebrando todo o cenário, ele diz coisas como “e o garoto simplesmente entrou em fúria por um tempo”. Jogo interessante, mas não recomendado a quem ainda tem TV de tubo proporção 4:3; prefira a versão PC nesse caso.
  • 26 – Catherine (PS3/X360): Os roteiros de games ainda têm muito a evoluir nos quesitos “maturidade” e “empatia com situações mundanas que pessoas comuns vivem”, mas não por causa de Catherine – talvez o game mais maduro já feito. Claro, como um jogo da equipe de Persona, há o envolvimento do sobrenatural; mas no geral, é um roteiro inteligente sobre traição, casamento e expectativas de vida. Junte isso com alguns dos puzzles mais desafiadores desde sempre e mais viciantes desde o primeiro Portal, e você tem não apenas o jogo do ano, mas um clássico instantâneo.
  • 27 – From Dust (XBLA, 17 de agosto no PC, data a confirmar na PSN): Um “god game” desenvolvido por Eric Chahi, criador do clássico Out of this World, From Dust parece ter muito potencial, a julgar pela demo. Embora os controles sejam bem funcionais no Xbox 360, desconfio que, como derivado de jogo de estratégia, ele vá funcionar melhor no PC – não só pelo mouse e teclado, mas também pelo visual, que é muito bonito.

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Agosto

Em agosto, as coisas começaram a acelerar um pouco rumo aos meses mais cheios do ano, de setembro a novembro. E ainda por cima nos presenteou com duas coisas: mais uma prova de que os japoneses certos ainda fazem jogos menos óbvios que os equivalentes ocidentais, e o retorno triunfal de uma série que todo mundo precisa conhecer.

  • Capa de Deus Ex Human Revolution (PC/PS3/X360)3 – Insanely Twisted Shadow Planet (XBLA): É difícil descrever esse jogo, mas vamos tentar: imaginem um jogo “de navinha” com liberdade de movimentação em um mapa enorme, visual baseado em silhuetas e contrastes como em Limbo, e com a mesma obsessão por áreas que só podem ser acessadas com o equipamento certo, assim como em Super Metroid. Pelo menos essa foi a impressão que a demo me passou.
  • 10 – Fruit Ninja Kinect (XBLA): É só um jogo de iPhone/Android “portado” para a Live Arcade? É. Tá caro demais (10 obamas)? Com certeza. Mas ao mesmo tempo, se você não tem um celular chique e/ou não quer usar tela de toque, é a única opção de jogar Fruit Ninja. E o mais importante: é o jogo para Kinect com os controles mais precisos até agora. Ótima diversão rápida para abrir o apetite antes do almoço.
  • 16 – El Shaddai: Ascension of the Metatron (PS3/X360): Se você disser que é viável fazer um jogo de porrada em 3ª pessoa usando apenas um botão de pulo, um botão de golpe e um de defesa, muitos vão duvidar. El Shaddai prova que não é bem assim e que tais jogos podem exigir mais do que a memorização de combos: aqui, timing e tempo de pressionamento são tão importantes quanto. O game ainda oferece uma visão oriental do Livro de Enoque e uma direção de arte completamente inusitada, até mesmo para quem já trabalhou em Okami.
  • 16 – No More Heroes: Heroes’ Paradise (PS3): Como já joguei o original de Wii, por mais que este port tenha novo conteúdo (e aceite o uso do Dualshock, para quem faz questão de não usar controles de movimento), vou esperar entrar em promoção primeiro. O que deve acontecer em breve, já que ele saiu em um período muito próximo a outros jogos high-profile, tanto em agosto quanto em setembro.
  • 17 – Toy Soldiers: Cold War (XBLA): Sequência do interessante Toy Soldiers, um jogo de tower defense ambientado em um cenário com soldados de brinquedo e aparatos afins. Cold War empresta uma série de coisas dos filmes de ação dos anos 80, aprimora a fórmula, e oferece comandos bastante funcionais. Não é dos meus gêneros prediletos, mas se um dia for comprar um jogo do gênero além de Trenched, será esse – nem que seja pelo especial em que um boneco do Rambo entra na tela e sai matando todo mundo…
  • 23 – Deus Ex: Human Revolution (PC/PS3/X360): O Deus Ex original, mesmo 11 anos depois, era um marco ainda não superado da liberdade de abordagens para cada missão, embalado em um interessante (para a época) cenário cyberpunk. Eu disse era porque Human Revolution, a mais nova edição da série de RPGs de ação, tem tudo para superá-lo – tanto nas possibilidades quanto no cenário e no roteiro, agora sem tanto da inocência juvenil “anti-sistema” do game original. Mais sobre ele em breve aqui no blog.
  • 30 – Bodycount (PS3/X360): Pela demo e as primeiras resenhas, Bodycount parece ser uma espécie de Bulletstorm sem a chacota. Até o nome skill shots foi “reaproveitado”, embora o jogo pareça oferecer bem menos possibilidades para eles. As mecânicas de tiro são sólidas, pelo menos.

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Capa de Dead Island (PC/PS3/X360)
Far Cry + Condemned + Left 4 Dead + Dead Rising 2 + inFAMOUS… Ou “apenas” algo tão único que não se compara a nada? Logo saberemos

E no próximo trimestre, começa a temporada de grandes blockbusters: Gears of War 3, Forza Motosport 4, Elder Scrolls 5: Skyrym, Batman: Arkham City, Battlefield 3, Fifa 12 e seu concorrente Pro Evolution 12, Assassin’s Creed: RevelationsModern Warfare 3 e assim por diante. Há também jogos mais low-profile e intrigantes, como Dark Souls, Warhammer 40,000: Space MarineDead Island e Rise of Nightmares, além das coletâneas de relançamentos em HD, como Ico & Shadow of the Colossus Collection, Splinter Cell Classic Trilogy HDMetal Gear Solid HD Collection e God of War Origins Collection (com os dois jogos lançados para PSP, agora em Blu-ray para jogar no PS3). O Kinect deve receber mais uma batelada de títulos como o citado Rise…, as sequências de Kinect Sports e Dance Central, e os míticos (ahem) The Gunstringer e Star Wars Kinect.

Vamos ver como a coisa se desenvolve, mas desconfio que vou passar muito mais tempo no próximo trimestre terminando jogos do segundo do que me empolgando com lançamentos do momento.

4 comentários sobre “Balanço do 2º trimestre de 2011

  1. Meu Deus Ex vai demorar um mês pra chegar, sniff…

    Dos games do próximo trimestre, os que mais estou ansiosa pra pegar são Downpour e Uncharted 3. =)

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    1. … e eu esqueci de mencionar o Downpour. Que fã de Silent Hill de merda que eu sou🙂 Mas também, a cobertura dele anda bem menos frequente do que dos outros jogos. Deviam fazer como The Darkness e Mass Effect 3 e adiá-lo pro início de 2012.

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    1. Tu tá de brincadeira, né, porra? R$ 750 não é caro pra caralho!?!? O meu atual custou R$ 50! /facepalm

      Além de R$ 750 hoje ser mais caro do que um Xbox, é uma porra de um aparelho da Apple, o que é um custo por si só. Além disso, um celular bom custa muito menos do que isso.

      Não, obrigado. Prefiro dez zilhões de vezes mais pagar 10 obamas pela versão de Kinect, onde não vou ficar sentando batendo punheta pro mala do Steve Jobs. /facepalm

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