Back: E na sequência, a ignorância toma conta (23/05 a 29/05)

Botão BackNesta seção, vou apertar o botão de Voltar e relembrar os cinco games que mais joguei durante a semana anterior. Nada de resenhas, apenas comentários sobre os trechos efetivamente jogados. SPOILER ALERT: se há uma seção deste blog em que não terei pudor de comentar a narrativa de um jogo, será esta aqui. Considerem-se avisados!

Noob Saibot em Mortal Kombat (PS3/X360)Nas últimas semanas, a preferência aqui foi de jogos um tanto mais cerebrais, como Portal 2 e L.A. Noire. Até os FPS que andava jogando, como Crysis 2 e Battlefield: Bad Company 2, eram mais cadenciados e estratégicos do que os Call of Duty, Homefront e Medal of Honor da vida. Porém, o vírus do kombate me pegou de vez. Praticamente todas as noites da semana incluíram uma sessão de treinamento em Mortal Kombat, com direito até a crossover oficial online na quinta-feira entre os representantes do Cosmogamer e do Godmode. Ainda por cima, comprei mais dois jogos de tiro no final da semana, um deles bastante ignorante. Pena que não pude jogá-los com mais calma, graças a mais uma tradução no sábado (desta vez, foram press releases de jogos a serem anunciados e/ou detalhados na E3) e ao Festival da Cultura Inglesa no domingo. Aliás, os shows do Blood Red Shoes e do Gang of Four foram do caralho. E falando em gangue e sapatos vermelho-sangue (see what I did there?), “desencavei” essa semana um jogo conhecido como um dos pináculos da ignorância nos games de ação/aventura modernos – embora eu sempre tente jogá-lo da forma mais inofensiva possível. Quero dizer… Poderia estar fazendo coisas piores no jogo do que encher cagueta de bala, roubar carros de polícia, trabalhar pra máfia russa e enganar uma menina com TOC e distúrbio bipolar, não? Hein? Hein?

Capa de Portal 2 (PS3)
1 hora
Portal 2 (PS3)

Na semana passada, alguns leitores me avisaram que, a partir de certo porto, não ia dar mais pra jogar Portal 2 em doses homeopáticas. Pois é… Embora só o tenha jogado por uma hora essa semana, acho que eu cheguei lá. Já desconfiava de parte da surpresa de roteiro: [SPOILER] estava na cara que Wheatley estava usando Chell para alguma coisa… O que me surpreendeu foi ver exatamente o quê. [/SPOILER]. E foi aí que quis continuar jogando o quanto mais pudesse, mas infelizmente, só peguei Portal 2 pra jogar no domingo já tarde da noite – e entre traduzir press releases até as 4 da manhã, acordar às 8 para continuar traduzindo até as 13h, e depois passar o resto do dia em pé assistindo shows, não tinha mais como sequer continuar acordado, quanto mais resolver quebra-cabeças ambientais. Mas podem apostar que na primeira noite livre que puser Portal 2 de novo no Playstation, não vai ser para resolver dois ou três problemas e sair. Aliás, eu duvido que vá completar a campanha apenas uma vez; sinto que deixei coisa passar, desde o lance dos rádios até possíveis áreas secretas. Volta e meia o jogo te dá troféus muito divertidos por fazer coisas inusitadas ou quebrar as regras, e acho que me dei conta disso tarde demais. Faço questão de encarar o jogo de novo só por causa disso, o que diz muito sobre a qualidade da campanha e do roteiro.

Capa de Killzone 3 (PS3)
1 hora e meia
Killzone 3 (PS3)

Não quero passar muito julgamento sobre Killzone 3 sem jogá-lo bem mais do que apenas 1 hora e meia. Por enquanto, acho que vocês podem simplesmente ler a minha resenha de Killzone 2 (caso esteja fora do ar, tentem a republicação no Ambrosia) e aplicar o seguinte patch: alguém se preocupou em deixar o jogo um pouco mais acessível para os fãs de Call of Duty. E o pior é que isso não é necessariamente ruim. Por exemplo, em uma hora e meia de Killzone 3 você já experimenta mais variedade de ação do que no jogo anterior inteiro; a cada 10 ou 15 minutos a situação muda, incluindo momentos como controlar a metralhadora de um tanque em movimento ou proteger seus companheiros três andares abaixo, atirando em snipers inimigos com seu próprio rifle de precisão. O famoso “peso” das armas da série foi reduzido, mas não a ponto delas ficarem levíssimas como em outros FPS. Killzone 3 também aprimorou muito a aderência do sistema de cobertura, a ponto de certas partes do jogo se parecerem com uma versão em 1ª pessoa de Gears of War: corra de uma cobertura a outra, porque senão vai cair rapidinho. Por fim, o jogo incluiu stealth kills e, pelo menos no beta, trouxe alguns dos maiores e mais complexos mapas de qualquer FPS no mercado. Ou seja, até agora ele parece ter aprimorado diversos detalhes na jogabilidade de Killzone 2, e até mesmo superado seu antecessor em termos visuais (sim, isso é possível); faltou, é claro, contratar um roteirista decente, mas a essa altura isso pode até virar charme. Vamos ver como a impressão se sustenta após testar o jogo com o Move e o multijogador pós-ajustes do beta.

Capa de Brink (PS3)
2 horas
Brink (PS3)

Considerando as reações variadas a esse jogo, a pergunta que não quer calar é… Quem está de brinks, os criadores do jogo ou os críticos? (Desculpem-me, não resisti). Ainda é muito cedo para dizer, mas estou com medo de, mais uma vez, acabar levantando o dedo médio pro jornalismo de games atual. Tá ficando até chato, parece perseguição da minha parte, mas… porra, como foram minuciosos na hora de encontrar defeito! Por exemplo: de fato, o jogo tem uns probleminhas de carregamento atrasado de texturas, até mesmo com a câmera em close – isto é, texturas em objetos na sua cara, e não em cenários distantes. Porém, no meio da correria desenfreada das missões, só um total pentelho daria muita bola para isso. No geral, Brink parece ser um pouco complexo, com objetivos primários e secundários, postos de comando, de suprimentos e o diabo a quatro. Como se não bastasse, em nenhum outro FPS sua munição acaba tão rápido, e trocar de classe toda hora é quase uma obrigação – até consegui segurar as pontas como Soldier na primeira missão, mas desconfio que fazer o mesmo como Operative requer mais experiência. E a IA não é burra, nem de longe, embora nem sempre os Medics consigam te alcançar e te jogar seringas para que possa reviver.

Na boa, sabe o que acho que tem incomodado de verdade alguns jornalistas e jogadores em Brink? É que ele se recusa a imitar os FPSs modernos em diversos pontos: o visual não é exatamente cel-shading, e sim algo como “realismo cartunesco”, entre Borderlands e Resistance; é praticamente impossível jogá-lo no “modo Rambo”; ele não apresenta as típicas situações predeterminadas que tomam parte do controle do jogador, como em Call of Duty; e o multijogador não tem características modernas, como perks e streaks, e sim habilidades e itens para a personalização de armas. Até então, a única crítica que considerei mais ou menos válida é a de que pode ser muito difícil alcançar um objetivo se os oponentes já estiverem entrincheirados nele – mas isso até pode ser encarado como um desafio. E acrescento outra: um game cujo nível máximo de personagem é 20 simplesmente não pode te deixar chegar ao nível 5 em apenas duas horas de jogo. Até entendo o desejo de liberar logo para o jogador os diversos itens disponíveis para personalização, mas não precisa exagerar na generosidade, por assim dizer. Mas enfim… Ao que parece, a resenha em que se pode confiar é a do Eurogamer (que deu 8 como nota).

Capa de Mortal Kombat (PS3)
9 horas
Mortal Kombat (PS3)

Na boa, o que colocaram na caixa desse jogo, crack em pó? Ou será que essa bola azul nas mãos do Sub-Zero é, na verdade, uma imagem subliminar com efeito hipnotizador? Sério, ainda não consegui me conformar com o quanto o novo Mortal Kombat me viciou – e repito, isso vindo de alguém que não achava graça na franquia at all. Hoje eu ponho o jogo no Playstation e fico buscando defeitinhos por pura incredulidade; não é possível que ele seja tão gratificante assim. E, como se diz, quem procura acha. Porém, são defeitinhos que beiram a irrelevância, já foram atenuados via updates ou são específicos para torneios – e como jamais irei competir, estou me lixando se a função de replay na área de treinamento poderia ter mais interatividade ou não.

O negócio é tão divertido, variado e acessível que passei 3 horas seguidas jogando online na quinta-feira com o Ricardo Pasqual (blog Cosmogamer) e o Paulo Antunes (Godmode Podcast). Pra vocês isso pode parecer algo banal, mas pra mim é raro; nem mesmo quando jogo MAG, um game que sequer tem campanha offline, fico tanto tempo direto online. Invariavelmente, em uma ou duas horas canso da disputa e volto para o modo história ou ponho outro jogo. Com MK, só parei porque precisava jantar e ir dormir mesmo. (Aliás, falando em modo história, acabei de checar minhas estatísticas no site do jogo e descobri que só joguei 20% da narrativa. 20%!?!? Mas já passei HORAS no Story Mode! O quão longo é aquela porra?!?!). E olha… Ao contrário do que imaginava, até consegui vencer lutas (nenhuma contra o Paulo, que manda muito bem com o Scorpion). Lógico que foi na base do “perde duas feio, ganha uma suado”, mas… Para um novato jogando contra pessoas que conhecem a franquia desde os jogos mais antigos está ótemo – o que só prova como o novo Mortal Kombat é didático, balanceado e recompensador, mesmo para quem não estiver acostumado com jogos de luta. Por isso, vou repetir aqui o que já falei no podcast Godmode publicado no último fim de semana: a partir de agora, se alguém me pedir para recomendar um único jogo de luta, será esse Mortal Kombat. Sim, antes mesmo de Super Street Fighter IV.

Capa de Grand Theft Auto IV Complete Edition (PS3)
11 horas
Grand Theft Auto IV: Complete Edition (PS3)

Sim, aquela matéria sobre os jogos Nota 10 ainda está sendo preparada, e sim, eis mais um jogo ao qual retornei por conta dela. Ainda mais porque há poucos meses me desfiz do original e adquiri a Complete Edition, que vem com os dois DLCs e a um preço bem menor do que um lançamento normal. Ainda preciso me dedicar a Ballad of Gay Tony e Lost and Damned, mas de resto, é sempre bom passar um tempo na melhor representação de uma cidade real já feita em um videogame.

E também é sempre bom lembrar porque este Grand Theft Auto em especial se destaca tanto na série: a narrativa. Não faltam momentos pungentes em games, mas só GTA IV me fez pausar o jogo e abaixar o controle por pura vergonha, quando [SPOILER] Roman dá um senhor esporro em Niko Bellic por ter arruinado a vida dele desde que chegou da Europa. O melhor é que o esporro acontece em uma conversa dentro do carro, a caminho de um novo refúgio, com direito a todos os detalhes das merdas que você fez até então no jogo. O fato de Roman ter sido apresentado como um bobalhão só piora as coisas: idiota ou não, ele chegou à América sem nada e conseguiu abrir um pequeno negócio, pelo menos – até Niko chegar e estragar tudo [/SPOILER]. Foi um momento poderoso, algo que não se esperaria em um jogo desta série – ou mesmo da Rockstar, embora seus roteiros já tivessem se elevado em Bully. Algumas coisinhas na jogabilidade ainda me incomodam, como a câmera que foca o pára-choque traseiro do carro sempre que você arranca, as falhas do sistema de cobertura, ou a trava de mira que oscila em certas áreas… Mas de resto, é um jogo sensacional e inesquecível.

12 comentários sobre “Back: E na sequência, a ignorância toma conta (23/05 a 29/05)

  1. Só te digo uma coisa sobre Portal 2: ainda tem mais, muito mais. Não falo mais nada p/ não estragar sua experiência.

    Fico no aguardo de um post completo com suas impressões quando vc terminar o jogo.

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      1. Não joguei inteiro não! hehehe Eu já tinha visto muitas partes, aí tava na casa de um amigo que usou o save dele pra ir mais pra frente. xD

        Na verdade eu até já sabia o final (tinha lido spoilers, amo spoilers) e cantarolava a musiquinha dos créditos por aí, mas ver a cena no jogo foi lindo. *_*

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  2. Realmente, Portal 2 é um jogo incrível. O final ficou na minha cabeça por dias.

    Mas se o modo single player tem a melhor narrativa, o modo cooperativo tem os melhores puzzles, e também tem suas surpresas.

    Não deixem de jogar o co-op. Ele é brilhante.

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  3. Cara, desconfio que tu nao entendeu muito bem o Wheatley… joga com calma e le os dialogos que nao eh bem por ai como ta nos spoilers

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  4. I saw what you did there😀
    Aí, essa tradução q vc comentou é a mesma q aquela outra q vc tb comentou um tempo atrás ?
    Se for, já da pra dizer d q jogo q é ?
    Se não for, vc já disse qual a tradução q vc comentou um tempo atráz ?

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    1. Essa era dos press releases dos jogos anunciados pela Nintendo na E3, assim como o do Wii U.

      A anterior foi de um jogo confirmado na E3 também, mas não foi anunciado que será dublado para o português, então prefiro não falar.

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